OPINIÕES — Escassez de engenheiros: mito ou realidade?

Brasília, 18 de março de 2011, por Ondine Bezerra (Assessoria de Comunicação do Confea)

Marcos Túlio (presidente do Confea):
“É uma realidade e com tendência ao agravamento nos próximos anos. Nosso problema não é somente de abertura de vagas. Há um problema grave na formação básica, que gera evasão. Outra coisa grave é que o nosso ensino continua olhando para o passado. Continuamos ensinando engenharia da mesma forma que ensinávamos há 50 anos. Com tantas oportunidades, como a Copa de 2014, o PAC, as Olimpíadas de 2016, o Pré-sal, claro que vamos precisar sim de engenheiros. Vamos ter que pensar o setor público, que teve, ao longo das décadas sem investimentos, seus quadros técnicos completamente desmontados. Outro agravante é que paga salários baixos. Esse também é um desafio enorme. A área da engenharia pública precisa ser reestruturada, pois será mandatária. O PAC hoje não tem projeto para ser licitado, pois as empresas de consultoria, igualmente ao setor público, tiveram seus quadros técnicos desfeitos. Isso mostra que temos carência sim de engenheiros”.

Marcos Formiga (assessor da CNI):
“É uma realidade, porque as estatísticas comprovam, os estudos e pesquisas comprovam e a economia busca esses profissionais de maneira célere. O sistema de formação não responde essa busca na mesma intensidade. Não queremos e não advogamos a criação de novos cursos; eles estão sobrando. Advogamos a melhoria da qualidade dos cursos e o uso das vagas ociosas em cursos que sejam atraentes para os alunos e não como hoje acontece, quando 64%dos alunos que entram nos cursos de engenharia abandonam nos dois primeiros anos por estarem decepcionados com o que encontram nas salas de aula. A pesquisa do Ipea nos mostra que os engenheiros jovens e aqueles com mais experiência (de idade mais elevada), com o aquecimento da economia, a valorização profissional e salários mais atraentes, esses dois intervalos de profissionais estão sendo recrutados. Só que eles custam mais caro, pois a empresa tem que reposicioná-los, treiná-los e capacitá-los para que, os mais antigos se atualizem e os pouco experientes se tornem, objetivamente, treinados para aquilo que a empresa necessita”.

Leia o texto completo em Escassez de engenheiros: mito ou realidade?.

Material enviado pela professora Maria Emília Tostes.

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Coordenação: professor Haroldo Baleixe.
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5 respostas para OPINIÕES — Escassez de engenheiros: mito ou realidade?

  1. Emerson Cunha disse:

    Essa realidade da Engenharia também é a mesma da Arquitetura ao nível de Brasil?

  2. fauitec disse:

    Caro Emerson:
    Consulte o link que trata do assunto: http://www.paraonline.com.br/1/brasil/mercado-brasileiro-sofre-com-a-falta-de-profissionais-qualificados-em-engenharia-arquitetura-e-agronomia/.
    Pelo que se percebe há falta de profissionais QUALIFICADOS em todo o país, portanto, invista na sua formação, seja ela qual for.

  3. Micaela Paraense disse:

    Ótimo texto! Uma cutucada nos alunos e uma sacudida nos professores ou vice-versa.
    Que privilégio para os alunos da FAU em ter acesso direto com mais este veículo de informação que oferece uma “visão global acerca da profissão escolhida para um futuro próximo…”!
    As páginas oficiais da UFPA, em particular as do ITEC, a exemplo do que fazem com as redes sociais – twiter, facebook, entre outras -, poderiam, também, indicar os links de blogs como esse: sério (mas leve e descontraído) e o que é mais difícil, mantendo uma regularidade nas postagens com temas bastante variados e interessantes.
    Parabéns ao(s) editor(es)!

  4. Marga disse:

    É fato: a formação profissional está em crise porque o “ensino para a compreensão” (WISK, 1999) está cada vez mais escasso – e já faz tempo. Não é somente a falta de profissional com domínio técnico e/ou pragmático para atender à demanda do mercado o que nos afeta. A situação parece ser mais grave. No caso específico da engenharia, como citou Marcos Túlio – “o nosso ensino continua olhando para o passado” – inexiste, de forma mais premente, a consciência sobre o novo paradigma tecnológico. E isso tem seus desdobramentos ao ponto de nos depararmos com uma gama de profissionais que não consegue acompanhar, efetivamente, em pensamento, os recursos tecnológicos hoje disponíveis. Parece que usam os recursos como uma espécie de modismo, destituídos de concepção, de intencionalidade. Infelizmente, há uma parcela considerável de profissionais bem distante da tecnologia que está sendo exposta, esta semana, na feira da construção civil, em SP (19ª FEICON).

  5. Anoinoi disse:

    Pedimos que entre na camapanha para elegermos uma paraense como a melhor engenheira do Brasil

    PRÊMIO JOÃO MARIA DE LIMA PAES VAI PARA ALUNA DA UFPA, 07.01.2011

    http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=4374

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