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Tesouros do paladar e da História

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É curioso observar que um exemplo de garrafa do achado submarino guarda bastante semelhança com algumas amostras que surgiram na escavação tratada na postagem O passado de Belém emparedado e enterrado.
O desenho e o punt (a concavidade do fundo) têm linhas bastante aproximadas:

É óbvio que essa coincidência formal não é suficiente para revelar a história que está detrás  daquela ruína aprisionada horizontal e verticalmente; mas compõe uma série de indícios que podem ou não descartar hipóteses sobre o modo de vida naquela residência (e/ou comércio) e seu entorno.
Talvez um expert na produção de garrafas, baseado na foto acima, diga: “bobagem: até hoje esse recipiente vítreo é fabricado!”; isso só reforça o grau de dependência e cumplicidade que a Arqueologia da Arquitetura mantém com as diversas áreas do conhecimento.

A MOËT & CHANDON, fundada em 1743, produz, atualmente, garrafas de champanhe com 375ml de conteúdo; a encontrada no estacionamento tem capacidade para 400ml de líquido (25,5cm de altura).

PostScriptum em 02 de dezembro de 2011:
O professor Fernando Marques confirmou que a garrafa fora confeccionada de modo artesanal, por sopro, o que denota a sua antiguidade; só não se pode afirmar, com exatidão, o que ela contivera.
O objeto foi entregue ao pesquisador e será catalogado no acervo arqueológico do MPEG.

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Imagens contidas nos trabalhos dos professores


Estas duas estampas, dentre muitas outras, ilustram as postagens anteriores que disponibilizam, virtualmente, os trabalhos dos docentes ligados ao antigo DAU (Departamento), hoje FAU (Faculdade).
Os artigos foram publicados no ano de 1989 em periódico indexado do então Centro Tecnológico, por ora Instituto de Tecnologia da UFPA.
A revista física está depositada na biblioteca José Sidrim e teve parte digitalizada pelo BF com o apoio da bibliotecária Marina Matos Farias.
Há nela um texto do nosso ex-diretor, Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho, intitulado Conforto Térmico em uma Residência Singela: Proposta de Melhoria; não o escaneamos porque não tem figurinhas, só fórmulas matemáticas.
É pena que os endereços completos dos imóveis analisados por Paul Abuquerque não sejam citados nas legendas; Carmen Cal chegou próximo de elucidar tal questão em seu escrito, esqueceu-se apenas dos números nas portas.
Como a Cidade é orgânica, fica cada vez mais difícil criar referências para esses lugares, existentes (modificados) ou não (demolidos).
As fotografias são interessantes, o problema está na má qualidade da impressão; se os originais estivessem disponíveis, seriam outros quinhentos.
Algumas fotos dos anexos de Paul, as de Mosqueiro especificamente, são creditadas a Pedro Pinto e Milton Mendonça, possivelmente o paraense do Cine-Notícias.
Essa é uma questão que o nosso editor chefe em breve responderá.

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Esboço da Evolução da Arquitetura Residencial em Belém, na Primeira Metade do Século; por Carmen Cal

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Esboço da Evolução da Arquitetura Residencial em Belém, na Preimeira Metade do Século; por Carmen Cal (4,04MB).

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Rocinhas e Puxadas; por Antônio Paul de Albuquerque

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Observe a aparência do documento no Scribd, mas o acesse ou baixe pelo Google Docs clicando na imagem-link acima; a qualidade é superior.
O arquivo postado no próprio BF tem 13,38MB: Rocinhas e Puxadas; por Antônio Paul de Albuquerque; é a melhor opção à visualização das ilustrações.

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Divulgação/convite à FAU

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Fazendo a cabeça para 2014; por Jaime Bibas


Blog da FAU.
Todos temos dificuldades em lidar com a memória. Às vezes, trancada por motivos os mais diversos, teima em permanecer enterrada e esquecida nos desvãos da história. Pensava nisso quando deparei, na internet, com um desenho de Bohdan Bujnowski, arquiteto, já falecido, que pertencia ao grupo de professores vindos desde o RS, para fundar o Curso de Arquitetura, hoje FAU, em 1964.
Bohdan era polonês de nascimento, formado – parece – na UFRG quando veio para cá viver sua aventura amazônica. Lembrar dele é logo vir à memória o excepcional desenhador, professor exigente à época, com as técnicas do lápis, nankim, aquarela, pastel, enfim tudo aquilo que ele dominava – para assombro nosso – de maneira tão natural e incrivelmente correta. Exigia igual habilidade de seus alunos, os quais às vezes, de jeito nenhum conseguiam conduzir a mão (livre) as pinceladas e traços demandados.
Pouco se guardou dele. Desde a dedicação pelo curso, sua obstinada paixão pelo desenho, até o ser humano bom e ingênuo, demonstrado pela dedicação à mãe, uma polonesa que o carregara em uma caixa de sapatos, ao fugir dos campos de concentração de Hitler, como se dizia nos tempos da CAUFP.
Seria o motivo desses desenhos mostrarem belas imagens femininas, enquanto que as masculinas surgem no feitio de monstros feios e sanguinários? Não sei ao certo mas, olhando o desenho no flickr_nick-land (do arquiteto Nirlando lopes) e também, um resumo da tese de pós-graduação AQUI de Bohdan, volto a pensar como inicialmente, sobre os obstáculos que se impõe à alusão da memória, do tanto que precisa se fazer até 2014, por exemplo, quando a FAU completará seus primeiros cinqüenta anos de existência.
[jbibas]
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O passado de Belém emparedado e enterrado


A confluência da Ó de Almeida com a Padre Prudêncio guarda parte da História de Belém; há naquele local um estacionamento privado, defronte ao “camelódromo” erguido no antigo “buraco da Palmeira”.
A imagem do Google Earth nos dá o posicionamento aproximado de uma área pavimentada por concreto e asfalto que  encerrou importantes informações que subsidiariam uma reprodução virtual de antiga residência possivelmente arquitetada por Antonio Giuseppe Landi ou alguém que o tenha seguido nos métodos e técnicas de edificar.
Essa é uma suposição do arquiteto/arqueólogo, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi e professor do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA, Fernando Luiz Tavares Marques, já que as características de metade da fachada e os materiais de construção empregados apontam para essa possibilidade que se alinha ao fato da  rua Padre Prudêncio, em tempos idos, depois de chamar-se travessa da Misericórdia, fora a Rua do Landi.
Há quatro anos, quando os operários escavavam o terreno para as fundações do galpão até hoje descoberto, foram encontrados objetos do passado: cacos de faianças portuguesas, garrafas em louça e vidro — algumas delas ainda estão lá, armazenadas em um balde plástico como mostra uma das fotografias acima.
Os peões, casualmente educados pela exposição de objetos arqueológicos urbanos na Estação das Docas, comunicaram ao IPHAN os achados na construção.
O IPHAN solicitou ao arqueólogo Fernando Marques que, a partir de sua experiência com Arqueologia da Arquitetura —  disciplina que atualmente  leciona no mestrado do PPGAU —, elaborasse um estudo do caso; Fernando assim o fez, identificando o que fora forçosamente aflorado, e foi além:  preparou um projeto de pesquisa com a chancela do GOELDI que embasaria a Prefeitura Municipal de Belém no assunto, bem como previa espaço para exposição permanente no “camelódromo” do material arqueológico significativo que fosse encontrado na área.
Observamos que não houve escavações com metodologia científica no lugar da supositiva casa landiana; os buracos que lá foram abertos obedeceram às necessidades do projeto de cobertura do galpão, portanto, os sinais que o solo guardou se misturaram.
A Prefeitura não deu aval a proposição, mas a obra do estacionamento está paralizada desde então, só que o asfalto em seu interior seguiu impermeabilizando a memória da Cidade.
A Arqueologia da Arquitetura, circunscrição de estudos demarcada na Itália pela década de 1970, está em franco desenvolvimento aproveitando-se tanto das mais recentes tecnologias de sondagem, de estratigrafia e de programação gráfica quanto de documentos, mapas e outras iconografias antigas; sem contar que sua essência está na pluralidade do conhecimento, o que a torna, de certo modo, complexa e perene receptora de dados.
As análises preliminares de Marques indicaram que a fachada do século XVIII sofreu modificações no século XIX; provavelmente por questões de herança o bem se dividiu em duas partes, já que há indícios visíveis de uma parede com tijolos vazados que comprova a secção simétrica.
A fachada mais “moderna”, de três vãos altos, sugere um espaço comercial, talvez um armazém:


É possível fazer uma reconstituição virtual desse imóvel a partir da remanescência vertical junto aos vestígios sepultados no sítio; contudo, parece que a ignorância de autoridades e proprietários é incomodada pela irregularidade do imenso paredão soerguido: prefeririam eles um “belo” muro alisado pelo reboco com Poty?

Veja, logo abaixo, o resultado de três animações do Projeto Restauro Virtual da Casa de Dona Yayá da USP; com o material que atualmente dispomos sobre a Chácara Bem Bom, outro vacilo crasso da PMB, seria possível ter algo de nível semelhante com poucos esforços; já da edificação que aqui tratamos, essa materialização ficaria no campo das hipóteses, aguardando o resultado de outras descobertas que ajudassem na montagem do quebra-cabeça.



PostScriptvm:
Corre à boca miúda, lá pelo “camelódromo”, que o prédio vizinho ao estacionamento pela Ó de Almeida — no conjunto de fotos acima com pintura na porta de esteira GARAGEM CARGA E DESCARGA DIA E NOITE e símbolo de proibido estacionar —, do mesmo proprietário, está sendo vendido à PMB; o estranho é que as pessoas falam em venda e não desapropriação com indenização.

Matérias publicadas à época:
Revista do Museu 29/04/2007.
Revista do Museu 15/05/2007.

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São Paulo: cidade da intolerância, ou o urbanismo “à brasileira”; por João Sette Whitaker Ferreira

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Zé Júlio no Fantástico de ontem

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Orla de Belém: imagens de 27 de novembro de 2011

Imagens ampliáveis por clique.

Legendas do conjunto 02:
01. Aterro para integração entre as pistas da orla e a travessa dos Mundurucus.
02. Passagem de automóveis em direção à Mundurucus.
03. Demolição de uma fábrica de palmito no início da Mundurucus.
04. A mesma demolição vista em outro ândulo onde aparece os fundos de um conjunto residencial em construção (obra parada).
05. Barco sobre a praia que se forma, em baixa-mar, além do aterro.
06. A praia enlameada e o início da poluição: pneu de automóvel.
07. Vista do arrimo de pedras e guarda a partir da praia.
08. Pôr-do-sol assistido por moradores da área e visitantes.
09. Casas remanescentes que deverão ser demolidas.
10. O fim da área asfaltada no sentido do Mangal das Garças.
11. Vista da CATA com o observatório do Mangal das Garças ao fundo.
12. Conjunto residencial já habitado no sentido da Mundurucus.
Pode-se acessar à Orla de Belém por automóvel tanto pela rua lateral ao Arsenal de Marinha quanto pela Mundurucus.

Vídeo panorâmico, estabilizado pelo Youtube em 720p, com tomada à travessa dos Mundurucus.


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Registros feitos há 3 anos (julho de 2008), quando a obra encontrava-se no final da CATA.
O primeiro vídeo acima teve a trilha sonora retirada por questões de direitos autorais.

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Quebrando o Tabu


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Quebrando o Tabu; por Celso Sabadin

Não é exatamente um documentário. É mais um, digamos, “filme-tese”. Quase uma peça publicitária. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levanta a bandeira da descriminalização do usuário de drogas e usa o cinema como uma de suas armas nesta luta. Sem problemas. Um filme não precisa ser parcial e tem, sim, o direito de levantar bandeiras. Mas não precisava ser tão superficial e insosso como este Quebrando o Tabu.
Além de criar o argumento, Fernando Henrique também faz as vezes de mestre de cerimônias do filme. Uma espécie de âncora que conduz a narrativa permeada de depoimentos de gente de peso. Entre eles o médico Drauzio Varella, o escritor Paulo Coelho, e dois ex-presidentes norte-americanos: Jimmy Carter e Bill Clinton.
Certamente o respeito de FHC na comunidade internacional abriu portas importantes para o filme. Mas é lamentável que o acesso a figuras tão interessantes tenha resultado apenas num alinhavo de depoimentos de conteúdos em sua maioria fracos, até primários, que muito pouco, ou quase nada, acrescentam a tudo aquilo que a mídia já cansou de debater sobre o assunto.
Chega a ser patética a confissão de Cardoso, logo nas primeiras cenas, onde diz não ter ido a fundo no problema quando era presidente da República simplesmente porque não era bem informado sobre o assunto.
A trilha sonora é bem elaborada, rica, com brilhantes orquestrações e arranjos, mas mal utilizada. É vibrante e criativa, mas usada de forma insistente, quase intermitente, inclusive sobre as vozes dos depoentes, como que querendo preencher o vazio e o repetitivo das palavras dos entrevistados.
Burocrático e sem criatividade, com um roteiro assinado por nada menos que sete (!) profissionais, Quebrando o Tabu, além de tudo, não quebra nenhum tabu. Tem aquele sabor rançoso de filme institucional oficial feito sob encomenda. (Cineclick)

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Tropa de Elite 2 (oito partes)








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Tropa de Elite

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A História da Maconha


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No especial A História da Maconha acompanharemos a trajetória desta droga psicotrópica na América. A maconha é um produto global que nos Estados Unidos produz mais de 36 bilhões de dólares por ano. Enquanto muitos acham que é uma droga medicinal, outros a consideram uma “droga ponte”, que abre caminho para o uso de outras drogas mais fortes. Neste programa será mostrado o paradoxo que existe com relação a esta substância: o governo dos Estados Unidos investiu 100 bilhões de dólares para lutar contra o custo, venda e distribuição da droga, enquanto em 14 de seus estados o uso foi legalizado por razões medicinais. (Youtube)

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Helena de Tróia


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Título original: (Helen of Troy)
Lançamento: 2003 (Grécia, Malta, EUA)
Direção: John Kent Harrison
Atores: Sienna Guillory, Matthew Marsden, Rufus Sewell, John Rhys-Davies.
Duração: 174 min
Gênero: Aventura
Sinopse: Hecuba (Maryam d’Abo), a rainha de Tróia, teve um filho que se chamaria Alexandre, mas Príamo (John Rhys-Davies), o rei, dava atenção às visões premonitórias de sua jovem filha, Cassandra (Emilia Fox), que diz que se o bebê não fosse morto Tróia seria destruída pelo fogo. Então Príamo ordena para um serviçal atirar a criança do alto de uma montanha. O encarregado de cumprir a ordem real não tem coragem de matar o bebê e o abandona. Um pastor acolhe o bebê, o chama de Páris (Matthew Marsden) e o cria como se fosse seu. Os anos se passam e Páris se torna um belo jovem, que cuida de um rebanho de cabras. Um dia ele tenta recuperar um cabrito, que foi na verdade manipulado por três deusas: Hera (Andreea Radutoiu), Atena (Gina Nalamlieng) e Afrodite (Emily Kosloski). Elas disputavam entre si qual delas seria a mais bela e escolheram Páris como juiz. Hera lhe prometeu riquezas inimagináveis se fosse a escolhida, já Atena disse que lhe daria vitórias para sempre e Afrodite lhe promete a mulher mais bela do mundo, Helena (Sienna Guillory), fazendo com que Páris tenha uma visão dela. Paralelamente Helena, uma princesa de Esparta, tem uma visão de Páris. Logo depois ela estava conhecendo o rei de Micenas, Atreu (Edward Mercieca), e seus filhos, os príncipes Agamenon (Rufus Sewell) e Menelau (James Callis), pois o primeiro fora até lá para desposar Clitemnestra (Katie Blake), sua prometida e filha de Tíndaro (Richard Durden), rei de Esparta e irmã de Helena. Helena acha tudo estranho, pois não quer ser prometida para nenhum príncipe e sonha se casar com o homem com quem teve uma visão. Durante as bodas de Clitemnestra e Agamenon, Helena se ausenta por um instante, pois se incomodou com o jeito que Agamenon e Menelau olhavam para ela. Ela é então seqüestrada por Tiseu (Stellan Skarsgard), rei de Atenas e um amigo. Helena não sabia, mas isto era o início do fim de uma cidade que ela não conhecia ainda: Tróia.

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Entrevista com Vicente Salles

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Divulgação/convite à FAU (abertura do Salão)

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Notícias de uma Guerra Particular — Rio de Janeiro — 1993 a 1998 (completo)


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A GUERRA DE TODOS NÓS
Por MARCELO JANOT
14/12/2005
No momento em que o Rio de Janeiro vive a maior crise de violência de sua história, chega às locadoras um DVD que talvez possa ser considerado um dos lançamentos cinematográficos mais importantes do ano: antes restrito a exibições muito esporádicas, o documentário Notícias de Uma Guerra Particular, de Katia Lund e João Moreira Salles, realizado em 1998/99, agora está disponível para aqueles que quiserem entender um pouco mais a fundo porque vivemos à mercê do medo e da insegurança, no meio de um triângulo nefasto composto por políticos demagogos, polícia corrupta e bandidagem inescrupulosa.
A “guerra particular” a que o título se refere, extraído de uma frase do ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, é o combate sem trégua entre policiais e traficantes nas favelas cariocas. O filme, realizado sob encomenda da TV francesa, causou impacto na época em que foi lançado por permitir que o espectador do asfalto tivesse acesso ao que se passa no morro sem a abordagem sensacionalista e maniqueísta oferecida pelos veículos de imprensa. Katia e João ouviram do já citado capitão do BOPE ao gerente de tráfico do Morro Dona Marta, Adriano. Depoimentos como o de Gordo, um dos fundadores do Comando Vermelho, de Paulo Lins (em sua primeira entrevista, muito antes do sucesso de Cidade de Deus) e do chefe da Polícia Civil, Helio Luz, traçam um histórico do desenvolvimento do tráfico nas favelas e como ele se encaminhava rumo à barbárie que vemos nos dias de hoje.
Embora algumas das imagens (muitas de arquivo de TVs ou emprestadas de outros documentários) impressionem, como a do jovem soldado do morro apresentando sua farta artilharia, ou a do confronto entre policiais e traficantes à luz do dia, é nos depoimentos que reside a força de Notícias de Uma Guerra Particular, e que infelizmente nos faz perceber, seis anos depois, que não é com atitudes desesperadas tipo blindar o carro ou defender o porte de armas que vamos viver num Rio de Janeiro mais seguro.
Os extras do DVD incluem a ótima faixa de comentário, em que é possível rever o filme e entender a estrutura e os bastidores do documentário com Katia Lund e João Moreira Salles respondendo as perguntas inteligentes do cineasta Eduardo Coutinho e do nosso companheiro de Críticos.com.br, Carlos Alberto Mattos. Estão presentes também a íntegra de algumas entrevistas realizadas para o filme, inclusive a do General Nilton Cerqueira (que ficou de fora), com destaque absoluto para a do músico, “filósofo” e morador da favela Adão Xalebaradã, que virou até tema de curta-metragem do irmão de João, Walter Salles.
Como se isso tudo não bastasse, o filé mignon vem agora: o DVD traz também o documentário Santa Marta: Duas Semanas no Morro, de Eduardo Coutinho, rodado em 1987. Comparando os dois filmes (que têm um intervalo de 11 anos) e os dias de hoje, é assustador ver como a situação se deteriorou. O vídeo de Coutinho deixa muito claro como a força que o tráfico adquiriu nos dias de hoje se deve, em grande parte, à deterioração da relação entre a polícia e os moradores da favela. Se há quase 20 anos, como mostram os depoimentos dos favelados, a polícia já cometia todo tipo de abuso contra os moradores do morro, não é de se estranhar que ao longo desse tempo os traficantes tenham assumido o papel de “defensores da comunidade”, e essa evolução está bem clara nos dois documentários.
Ao mostrar o cotidiano dos moradores da favela, Santa Marta: Duas Semanas no Morro nos revela um período em que quase não se falava da presença de traficantes e “chefes do morro”, como se eles simplesmente não existissem. O foco das reclamações dos moradores estava no tratamento ruim que eles recebiam da polícia em suas incursões ao morro e também na esperança de um futuro em que as desigualdades entre a favela e o asfalto fossem um pouco menores. Um jovem franzino de olho meio puxado elogiava as meninas do morro, mais “liberais”, e reclamava que gostaria de ser desenhista profissional “caso as universidades dessem chance aos pobres”. Este mesmo jovem se transformaria alguns anos depois em Marcinho VP, chefe do tráfico do Dona Marta, e foi com ele que João Moreira Salles conversou e pediu autorização para poder rodar Notícias de Uma Guerra Particular. Acreditando que Marcinho ainda poderia se regenerar e voltar a ser aquele de 1987, lhe ofereceu uma bolsa mensal para que ele escrevesse um livro e largasse o tráfico. O livro nunca foi escrito, Marcinho foi preso e em 2003 foi encontrado morto dentro de uma lixeira no presídio de Bangu 3, onde cumpria pena.

Fonte: Críticos.com.br.

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 Adão Ou Somos Todos Filhos Da Terra:

Santa Marta – Duas semanas no morro:

 

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Deu na PINI WEB

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Jornal Pessoal e Agenda Amazônica digitalizados pela Universidade da Flórida


É possível acessar números antigos do Jornal Pessoal e da Agenda Amazônica, ambos escritos pelo jornalista (ainda paraense) Lúcio Flávio Pinto, na George A. Smathers Libraries.