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O chalé das ruínas do Tucunduba em 1928

Clichê ilustrativo da matéria Um grande melhoramento em benefício dos lazaros  publicada no jornal Folha do Norte de 09 de abril de 1928

O material acima pertence à Biblioteca Pública Arthur Vianna — o anterior da Hemeroteca da Santa Casa de Misericórdia está nela arquivado como do ano de 1927 — e nos foi enviado pelo recente colaborador do Blog da FAU: professor-pesquisador Márcio Couto Henrique do Programa de Pós-graduação em História da UFPA.
Agora os moradores da rua Barão de Igarapé Miri e da passagem Jiparaná, no bairro do Guamá, possuidores de terrenos internamente divididos por parte da parede direita dessa construção — precisamente do porão —, podem identificar a forma completa bem definida das ruínas com as quais convivem há anos.
O dito Pavilhão Antonio Lemos, inaugurado em 08 de abril de 1928, na realidade foi reconstruído e reinaugurado na referida data; uma ação do conselho administrativo da Santa Casa que tinha como provedor o senador Antonio Facióla e na direção do Hospício dos Lázaros do Tucunduba o médico Izidoro Azevedo Ribeiro.
Em seu discurso Izidoro Ribeiro diz que foram gastos na obra (1927-28) 40 contos de Réis provenientes de doações, mas a notícia não revela o historico do pavilhão recordado pelo doutor; acredita-se, pelas pistas explícitas e implícitas, que o pavilhão-enfermaria tenha sido erigido entre 1914 e 1915 no governo de Enéas Martins:

Possivelmente o pavilhão-enfermaria original não possuísse nome; tal batismo, na recomposição concluída em 1928, pode ter sido ideia do senador Antonio de Almeida Facióla, conterrâneo de Antonio José de Lemos e seu admirador.
A presença de Facióla na inauguração do Pavilhão-enfermaria Antonio Lemos contradiz uma história folclórica da Chácara Bem-Bom contada a este editor por José Miguel Abrahão Filho, morador antigo do Marco da Légua: diziam que um sobrinho leproso do Facióla, em 1929, veio visitá-lo, e, como chegara da estrada — não necessariamente de ferro — de Bragança pela madrugada, dormiu no Cadillac que estava estacionado na Tito Franco; pela manhã o intendente mandou o chauffeur devolver o automóvel que ganhara do Alto Commercio.
Foi dito, por uma neta de Facióla, que o empregado que limpava os cristais e todas as obras de arte do palacete em Nazareth,  senhor Augusto, gozava de extremas regalias e almoçava, todos os dias, em restaurantes da redondeza, jamais junto à criadagem; era tísico e morreu de hemoptise num quartinho sob a escadaria interna de acesso ao pavimento superior do casarão — conhecido por Palacete Facióla — aos cuidados do capitalista.
Antonio Facióla, quando intendente de Belém (1929-30), tinha como secretário Heliodoro de Almeida Brito e ajudante de ordens o major Paulo Costa:


Postscriptvm:

Só nos falta, agora, uma melhor imagem das ruínas fotografadas por Souza Araújo em 1945, pois ela dará visão à parte de maior interesse da edificação: o desenho dos vãos inferiores que foram vedados pelos moradores ao longo do tempo de ocupação do lugar.

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As ruínas do Tucunduba são do Pavilhão Antonio Lemos

Ampliável por clique

Cessaram-se as especulações contidas em Ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba; as fotografias acima, comparadas, confirmam que o paredão limitador de alguns quintais entre a Barão de Igarapé Miri e a Jiparaná compunha o Pavilhão Antonio Lemos, enfermaria destinada ao sexo masculino no Leprosário do Tucunduba.
Apesar das imagens precárias, que serão substituídas quando melhores aparecerem, é possível perceber suficientes coincidências à afirmativa: o arco pleno da porta principal, a marcação da escadaria, os arcos abatidos dos vãos do porão, os sinais da pintura desbotada, os ângulos das águas, etc.
A fotografia de 1928 pertence ao professor Márcio Couto Henrique que topou participar da prosaica investigação coletiva em bate-papo com este editor pelo in box do Facebook; do mesmo modo inusitado o morador do setor, Ricardo Conduru, bombardeou-nos com imagens elucidativas; sem olvidar a Confraria da Memória*, pelo WhatsApp madrugada a dentro.
Do Pavilhão Antonio Lemos pouco descobrimos depois que o Márcio o reconheceu na foto que batera de um recorte do jornal Folha do Norte no acervo da hemeroteca da Santa Casa de Misericórdia — coube-nos a comprovação técnica perante o registro de Souza Araújo feito em 1945 —; por ora, o que temos sobre tal prédio está no relatório de 1928 que revela de modo sucinto o último ano do governo Dionysio Bentes (1925-28):
Note-se que o provedor da Santa Casa, à época, era o senador Antonio de Almeida Facióla, intendente municipal indicado pelo posterior governador: Eurico de Freitas Valle (1929-30).
São pistas às pesquisas futuras que, quiça, revelem por fotografias e mapas a real configuração do Hospício dos Lázaros como anunciava a placa de seu moderno pórtico:

*Confraria da Memória: Aristóteles Guilliod de Miranda, Haroldo Baleixe, José Maria de Castro Abreu Júnior, Regina Vitória Alves e Salomão Mendes — em ordem alfabética.

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Bolonha trouxe os três chalés de ferro belgas para Belém no século XIX

A assertiva do título é de Amassi Palmeira, autora de Francisco Bolonha o Arquiteto da Amazônia, publicado em 1993 ao 11º ENCO — Encontro Nacional da Construção — realizado em Belém do Pará entre 16 e 19 de maio de 1993:

Ampliável à leitura

De acordo com O Chalé de Ferro da FAU-UFPA pertenceu ao cônsul da Alemanha e Holanda: Gustav Grüner — que traz o anúncio da venda do chalé nº3 em 1893, possivelmente a primeira publicidade dada a esse tipo de edificação em Belém do Pará — o engenheiro Francisco Bolonha teria 20 anos de idade no momento em que tais chalets pré-fabricados por aqui aportaram.
A publicação original e completa foi um presente da escritora, em 2004, ao colaborador do Blog da FAU Aristóteles Gulliod de Miranda.

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A localização dos poços no manancial do Paul d’Água

Recorte da Planta da Cidade de Belém do Gram-Pará levantada por Edmund Compton em 1881 acrescida das informações prestadas pelo Sr. Coronel J. Cyriaco Alves da Cunha* ao Dr. Lauro de Almeida Sodré.

Recorte do artigo A AGUA DISTRIBUIDA Á POPULAÇÃO DE BELÉM E SUA ANÁLYSE BACTERIOLOGICA  pelo Dr. Lauro de Almeida Sodré, Assistente do Instituto de Hygiene do Serviço de Prophylaxia Rural  publicado no livro A PROPHYLAXIA RURAL NO ESTADO DO PARÁ – VOLUME I em 1922 entre as páginas 138 e 154.

*Sr. Coronel J. Cyriaco Alves da Cunha: na realidade trata-se do Coronel Raimundo (R.) Cyriaco Alves da Cunha nascido na cidade de Belém do Pará em 08SET1859 e falecido em 29SET1922 (idem); normalista pela antiga Escola Normal do Pará (1878), latinista, jornalista, professor, escritor, contador do Tesouro Público do Pará (1896) e Secretário de Estado da Fazenda no governo de Augusto Montenegro; é autor das obra Paraenses Ilustres (1896), Pequena Chorografia da Província do Pará (1897) e Geografia Especial do Pará (1894 e 1898); um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográficos do Pará (1900), sócio correspondente dos da Bahia, de São Paulo e Brasileiro e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (Fonte: Geneall).


Postscriptvm (22JUN2017):

O mapa de 1868 elimina a dúvida do Coronel Raimundo Cyriaco Alves da Cunha: seriam 4 poços públicos na Piedade.
Também o corrige: ficariam entre a rua da Pedreira (hoje Tiradentes) e a Estrada do Paul d’Água (hoje Governador José Malcher) — ou seja: não havia poço entre a rua do Chafariz (hoje Aristides Lodo) e a da Pedreira (hoje Tiradentes).

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Ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba

O vídeo acima, feito por um celular, foi enviado ao jornalista Salomão Mendes, editor da página do Facebook Belém Antiga; seu autor intencionava descobrir o que seria aquela parede antiga divisora de alguns terrenos entre a rua Barão de Igarapé Miri e a passagem Jiparaná no bairro do Guamá às proximidades do Igarapé Tucunduba.
Salomão combinou uma expedição ao local levando consigo a Confraria da Memória* para juntos fazerem medições e fotografias na terça-feira passada, dia 13 de junho.
In loco detectou-se que as superfícies que se projetam à Barão de Igarapé Miri foram bastante aterradas; ao contrário das que dão à Jiparaná, essas, aparentemente em nível primitivo, por ora, sem acesso franqueado:

Verificou-se que a muralha mede 61,5 cm de espessura e pela régua do Google: 25, 78 metros de extensão:

Os vãos de passagem, ventilação e iluminação — em arcos abatidos — foram fechados por tijolos mais recentes e distintos em obras realizadas pela vizinhança da Jiparaná e encontram-se apenas soterrados do lado visitado:

Desde o dia 13 especulou-se, por troca de diversos documentos em grupo do WhatsApp, sobre o que fora ali visto: se resquícios da Olaria/Engenho dos Religiosos Mercenarios (entenda-se, sempre, Mercedários) ou se uma das paredes construídas entre 1814 e 1816 que vedaram um telheiro em desuso — na antiga área dos Mercenarios que passara às mãos da Santa Casa de Misericórdia — para abrigar os primeiros lázaros como Hospital do Tucunduba.
Somente hoje descobriu-se uma imagem, à semelhança do que resta no Guamá, ilustrativa do livro História da Lepra no Brazil, Volume II, escrito pelo médico Heraclides Cesar de Souza Araújo, publicado em 1948:

A fotografia, orientada no sentido S.O.N.E. a partir da Barão de Igarapé Miri, mostra um chalé de alvenaria com pavimento inferior mais baixo — porão — já abandonado em 1945; dessa construção ainda não sabemos a história, só que a tubulação de esgotamento sanitário, em cerâmica, era direcionada perpendicularmente à Barão, segundo um dos gentis anfitriões, que a encontrou no passado, antes do entulhamento à sua residência.
Todavia, matéria publicada no jornal Estado do Pará de 31AGO1921, que descreve uma visita desse periódico ao Tucunduba, menciona um chalezinho de regular aspecto, adquirido por compra pelo director da Prophylaxia, que installou nesse proprio federal, o gabinete medico, destinado ao serviço chimico prestado aos doentes; só não temos certeza absoluta de se tratar da mesma edificação, apenas que o director da Prophylaxia era o insuportavel Araújo, o retratista da ruína que sobrevive no bairro como divisória de propriedades.
Permanecemos empenhados na busca de informações sobre o casarão que muito destoa do cenário registrado em 1921 na Lazaropolis  do Tucunduba; bem como na real configuração espacial daquela colônia, extinta em 1938 por incêndio dos 70 casebres e arrasamento dos melhores edifícios pela interventoria federal de José da Gama Malcher.

*Confraria da Memória: Aristóteles Guilliod de Miranda, Haroldo Baleixe, José Maria de Castro Abreu Júnior e Salomão Mendes — em ordem alfabética.


Postscriptvm:

Explicação didático-imagética das ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba (ampliável por clique)


Postscriptvm (14JUN2017):

O professor Márcio Couto Henrique nos enviou uma fotografia das ruínas tratadas nesta publicação; tal imagem foi difundida em 2002 à página 22 do livro Entre dois tempos um estudo sobre o bairro do Guamá/Escola Frei Daniel/Patrono de José Messiano Trindade Ramos sobre o Leprosário do Tucunduba e mostra um quintal limpo em lado oposto ao aqui registrado.
Com a informação, que desconhecíamos, foi possível comparar a proporcionalidade entre os vãos das ruínas registradas por Souza Araújo em 1945 e as de Hélio dos Santos em 2002:

Apesar da imagem reproduzida em História da Lepra no Brazil, Volume II encontrar-se em baixa resolução no aquivo pdf — ainda não acessamos o livro físico — e os pontos de vista serem ligeiramente distintos a possibilidade de estarmos diante da mesma edificação permanece válida.

Outras fotografias incluídas no mesmo livro de Souza Araújo, datadas de 11FEV1933, mostram a construção do leprosário da Ponta do Bonfim em São Luís do Maranhão; edificação robusta em alvenaria de pedras (fundação) e tijolos (vedação), aquém das obras modernas insurgentes na época, que pode sinalizar a datação dos restos do Chalé do Tucunduba e sua função no complexo de isolamento.


Postscriptvm (26JUN2017):

Questão solucionada sem apagar o rastro e inteligência da investigação:

As ruínas do Tucunduba são do Pavilhão Antonio Lemos

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O Blog da FAU errou na localização do Hospício dos Lázaros do Tucunduba

Em Hospício dos Lásaros do Tucunduba ‒ localização aproximada cometemos um equívoco: apontamos, numa aerofoto de 1955, o que acreditávamos ser os resquícios da Olaria dos Mercedários, uma edificação do século XVIII que, segundo Arthur Vianna:
Em 1814 e annos subsequentes até 1816, transformou um grande telheiro que lá havia em edificio losocomico, vestindo-0 de paredes e de separações internas, e conseguindo fazer um prédio defeituoso e absolutamente improprio ao fim a que o destinaram.

Na realidade o que se vê apontado pela seta na imagem ilustrativa de 17SET2014 seria o conjunto fabril de outra olaria mais recente, a São Martinho, onde seu caminho daria origem à atual Rua da Olaria — segundo relatos recentes de moradores da rua Barão de Igarapé Miri, no Guamá, tal empresa pertencera a um português antes das invasões.
Observamos que não houve falha no posicionamento da referida Rua da Olaria no mapa da publicação passada.
Não apagaremos o post que contém o rastro da investigação; faremos como o habitual: será esta retificação acrescentada nele como postscriptvm.

Postscriptvm 23OUT2019:

Olaria São Martinho do Tucunduba:

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Belém — a Planta de 1881 e as vias republicanas de 1890

Ampliável à leitura

Os planos isolados que possibilitaram a colagem à carta topográfica levantada pelo engenheiro civil inglês Edmund Compton em 1881 foram gentilmente cedidos pela professora Roseane da Conceição Norat.
Edmund Compton inauguraria o encanamento e distribuição de água potável em Belém no ano de 1883 como concessionário de tal serviço pela Companhia das Águas do Gram-Pará que passou a utilizar os mananciais do Utinga (Falla do General Visconde de Maracajú 07JAN1884).
Observar que Compton define a localização do tanque n°1 em São Brás (Estrada da Independência esquina com José Bonifácio) e o n°2 no canto da Dom Romualdo de Seixas com a João Balbi, sinalizando que o trabalho de 1881 teve como propósito a obtenção do contrato; assim, acredita-se na possibilidade da existência de mapa complementar que represente a Estrada de Bragança e os terrenos do Utinga.


Leia, nos relatórios provinciais (1858-84), alguns estudos e ideias pretéritos à canalização das águas em Belém que somente em 1883 obteve êxito.

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A localização do Chafariz do Bispo (2)

Domingo, 04 de junho de 2017, esquina da rua Aristides Lobo com a travessa Piedade: o pequeno jardim é vestígio do que fora, no século XIX, o Largo dos Poços; logradouro público que continha o Chafariz/Poço/Tanque do Bispo — integrante do maior manancial da Cidadeo Paul D’água, um dos lugares onde os habitantes de Belém abasteciam-se de água.

Em A localização do Chafariz do Bispo concluiu-se, com base no mapa de Belém publicado no Atlas do Império do Brazil de 1868, que tal praça ficaria em área próxima à quebradura da atual rua Aristides Lobo quando esta transpõe a travessa da Piedade sem confrontar-se com sua continuidade, que surgirá depois da Osvaldo Cruz, regressando a ser Aristides Logo.
No passado a Aristides Lobo fora Rua do Rosário até a Piedade, no Largo dos Poços; a sequência do rumo à Doca de Souza Franco: Chafariz… nunca Rosário.
O mobiliário Chafariz,  Poço ou Tanque (talvez todos em um) do Bispo ocupava justamente essa área desconexa, dai a rua de seu canto ser popularmente conhecida como Chafariz do Bispo, do Chafariz, do Poço do Bispo, do Tanque do Bispo… já que era ela um dos caminhos ao manancial do Paul D’água.
Ratificar-se-á o dito com informações que permitem uma visão mais aproximada do desenho desse entroncamento alagadiço:


Um nova imagem da planta reproduzida em 1868 — certamente anterior ao ano do Atlas — obtida na seção de obras raras da Biblioteca Central da UFPA nos deu detalhe de uma construção de configuração quadrada conectada por vala, galeria ou duto à drenagem existente (ou planejada) que iniciava no primeiro quarteirão da Estrada de Nazareth até o desague na Doca do Reducto.

Outra fonte, superposta ao mapa atual de Belém pela professora Roseane da Conceição Norat, foi o Mapa da Cidade de Belém do Gram-Pará levantada  por Edmund Compton em 1881; tal carta topográfica reforça, por curvas de nível, que o Largo dos Poços era um baixio com cotas entre 0,96 e 1,00 metro acima do mar.
A partir do trabalho de Rose foi possível dar forma ao Largo dos Poços acessado por vias que traziam pessoas dos quatro cantos da Cidade que o tinham na memória, ou ao seu objeto, como a Travessa do Chafariz do Bispo (Doutor Moraes), a Travessa dos Poços (Henrique Gurjão da Assis de Vasconcelos até a Piedade), a Rua do Chafariz/Poço/Tanque do Bispo (Aristides Lobo da Piedade à Doca de Souza Franco) e a Travessa do Largo dos Poços (Piedade).


A transposição da análise de Rose Norat à imagem de satélite do Google revela que o Largo dos Poços foi ocupado por residências restando uma nesga da superfície original numa das margens da Piedade — o que seria o equipamento Chafariz/Poço/Tanque do Bispo (representado pelo quadrado) estaria sob uma das casas do lado oposto.


O círculo branco destaca, em fotografias do Google View (2012), duas garagens erigidas em pleno logradouro público com placa referendando tais ocupações: Rampa de Acesso das Garagens;  sem considerar o alinhamento das casas, muito além do estabelecido no antigo largo em relação às bordas da Piedade.

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O mapa de Belém 1868 dá à percepção duas vias da Constituição

O mapa acima, publicado no Atlas do Império do Brazil de 1868, provocou uma cisma: por quê a Rua da Constituição ladeia o Cemitério da Soledade pelo sudeste e não pelo noroeste como é sabido ser seu lugar — isto lógico na condição de Estrada da Constituição, atual Gentil Bitencourt —?
Mas não há nenhum equívoco na planta da Cidade de 1868; pelo menos neste pormenor, pois periódicos e outros documentos de época dão explicações aos fatos:
O Liberal do Pará de 09OUT1870 diz que a rua da Constituição que começa no Largo de S. José, até a travessa do Chafariz do Bispo (neste caso a Doutor Moraes) chamar-se-á Conselheiro Furtado do Largo de São José à Trindade (que virou Padre Prudêncio em toda a extensão, mas nesta área hoje é a Presidente Pernambuco); isto para perpetuar os serviços prestados por aquelle ilustre magistrado, como juiz de direito d’esta comarca.

O piauiense Conselheiro Francisco José Furtado falecera em 23 de julho de 1870 no Rio de Janeiro, Capital do Império, como registrou O Liberal de 02AGO187o; o paraense Tito Franco de Almeida, também Conselheiro, em 1867 publicou o livro Biographia e Estudo de Historia Politica Contemporânea — Francisco José Furtado.

A carta de Belém que compõe o Atlas de 1868 pode ser de ano pretérito, uma vez que:
Certamente uma  clarificação à ausência, em seu desenho, do pleno traçado da Estrada da Constituição que se apresenta em linha tênue limitadora da quadra posterior ao Soledade no rumo da travessa da Princesa (Benjamim) em paralelismo à Estrada de São Brás (Brás de Aguiar); já a Rua da Constituição, retificada em prancha posterior (1899), ligaria o flanco direito do cemitério ao Largo de Nazaré — o que jamais ocorreu.
Comparemos três momentos da evolução municipal no setor em questão:


Atlas (1868), planta de Odorico Nina Ribeiro publicada em Caccavoni (1899) e imagem de satélite do Google.

No Almanach do Diario de Belem de 1878 Antonio Baena confirma, em levantamento por ele coordenado à cobrança da decima urbana, a existência de duas vias com o nome de Constituição: a primeira é a da Estrada da Constituição com 76 habitações e a segunda ratifica a notícia de 1870, mas elimina a Rua da Constituição renomeando-a Rua do Conselheiro Furtado com 51 moradias (informações suficientes à desambiguação):
Baena também afirma, baseado no recenseamento de 1872, que a população de Belém, em projeção de 10 ou mais anos, não ultrapassara as 35 mil almas ditas na carta do atlas de 1868:

Ruas de Belém Significado Histórico de suas Denominações —, de Ernesto Cruz, fala: A Avenida Conselheiro Furtado foi antes denominada de rua da Vala, sem qualquer referência à Rua da Constituição; o que é contestado por A República de 02OUT1890:


Entretanto; estradas, ruas e travessas — como no Chafariz do Bispo e desta Constituição — podem eliminar ambiguidades: rua ou estrada da Constituição, travessa ou rua do Chafariz do Bispo; dentre outras pistas axiomáticas e/ou informativas.
Por ora não se acha o elo perdido: nota ou planta que elucide o momento em que a Estrada da Constituição fora aberta às construções (76 delas em 1878 pagando 1:201$200 em impostos).
Novidades surgirão como postsciptvns ou publicações inéditas.

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Divulgação/convite à FAU

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Trabalhos indicados pela FAU-UFPA ao 28º Opera Prima

Ampliável

Comissão de seleção: professores Celma Chaves, Fabio Melo e Paulo Ribeiro.