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Para agradar (ou agregar) gregos e troianos

Mayr - Alcyr2
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As duas únicas insígnias políticas que a Universidade (Federal) do Pará adotou oficialmente em sua existência: a de Maÿr (criada entre 1958/59) e a de Alcyr (de 1964).
Um mix das duas imagens -─ proposição em estudo pelo BF ─ para servir como imagem-link ao Portal da UFPA.
Comparação entre a imagem anônima do atual escudo da UFPA -─  que suprimiu as águias autorais -─ e um esboço feito pelo BF tendo como referência os trabalhos de Maÿr e Alcyr.

Brasão Original da UFPA (checagem de informações)



Pg. 39. Seção 1. Diário Oficial da União (DOU) de 30/12/1950.

Diário Oficial da União; segunda-feira, 24 de março de 1969.

Quando a professora aposentada da UFPA, Albertina Fortuna de Oliveira, disse em comentário ao Blog da FAU: “Por ocasião da instalação da UFPa, meu pai foi convidado por seu irmão Frederico Fortuna, então secretário do Reitor, para fazer o trabalho do escudo da UFPa que foi gravado em uma placa que ficava à porta da reitoria na Av. Governador José Malcher.”, referia-se ela a Mário Braga Henriques, primeiro reitor da Universidade do Pará com mandato entre 1957 e 1960, oriundo da Faculdade de Direito do Pará, onde Frederico Sampaio Fortuna ocupava a função de secretário, como comprova o DOU de 30/12/1950.
Alcyr Boris de Souza Meira em UM INDÔMITO TIMONEIRO cita “D. Izolina Silveira, esposa do reitor” como “chefe de gabinete” nos primórdios da administração de José Rodrigues da Silveira Netto — “líder inconteste do grupo das Ciências da Saúde…” que assumira a reitoria em 19 de dezembro de 1960.
Meira menciona a “bi-polaridade” das facções políticas na U(F)PA: a de Henriques (“grupo das ciências jurídicas, econômicas, sociais e humanidades”) e a de Silveira Netto (“grupo das ciências da saúde”).
Frederico Sampaio Fortuna e Izolina Andrade da Silveira ocupavam o cargo de “oficial de administração” quando transferidos, em 1969, para o “QUADRO ÚNICO DE PESSOAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ”; ainda na vigência do segundo mandato do segundo reitor da UFPA.
Parece que estamos chegando perto da certeza comprovada do autor do Brasão Original da Universidade (Federal) do Pará: Maÿr Sampaio Fortuna.
O Escudo — segunda insígnia adotada pela U(F)PA — a que todos estamos habituados é de autoria de Alcyr Boris de Souza Meira, criado entre 1964/65 e institucionalizado pela Resolução Nº 17 de 12 de junho de 1969 (Anexo II e Anexo II-2) publicada no DOU de 05/o7/1969.

A marca de Alcyr Boris Meira tornou-se pública somente em 1965, oito anos após a criação da Universidade (Federal) do Pará pela Lei nº 3.191, de 2 de julho de 1957.

O brasão de Maÿr Sampaio Fortuna fez parte da cerimônia de 1959, ladeado pelas bandeiras do Brasil e do Pará. Há também sua reprodução em flâmulas postas sobre a mesa oficial e no medalhão (peça do MUFPA, mesmo que assinada Maÿr, sem provas de qual)  do colar reitoral   sobre o capelo de Mário Braga Henriques:

O Diário Oficial da União de 24 de março de 1969 relaciona todos os funcionários e professores que compunham a UFPA; é curioso consultá-lo, para isso basta carregar o arquivo em pdf de 10,32MB.

PS.: Acrescentamos o termo “esposa do reitor”, constante no texto de Meira, após o comentário de José Maria de Castro Abreu Júnior.

Conjecturas gráficas

O Blog da FAU abriu discussão sobre uma ínsignia registrada em fotografias datadas de 1959 também cunhada no medalhão do primeiro Colar Reitoral da ainda “Universidade do Pará”; a ela chamou-se Brasão Original da UFPA.
A simbologia, de autoria incomprovada, tem características do estilo gráfico “Neo-marajora”, explicado resumidamente em Repertórios Ornamentais e Identidades no Brasil da 1ª República, de Arthur Valle.
Esse “brasão” tem sua feitura atribuída ao artista plástico paraense Manuel de Oliveira Pastana pelo falecido médico e especialista em heráldica e medalistica, José Luiz de Araújo Mindello  — tal afirmativa é de Jussara Derenji, diretora do Museu da UFPA.
Em inúmeras postagens este assunto veio à baila, contudo, sem conclusões devidamente comprovadas, permanecendo no campo das hipóteses.
De todo modo observa-se, dentre os ornamentos presentes no Brasão Original — urna marajoara, extração de latex e produção agrícola; todos sob o “sol republicano” — o estilo do desenho primevo do hoje símbolo-mor da UFPA, “eternizado” por Alcyr Meira: a Águia Guianense (elemento D’Armas do Estado do Pará) sobre o livro.
Essa representação da águia parece seguir os princípios heráldicos segundo comentário feito no Blog:
“ÁGUIA. Representa-se geralmente com as asas abertas, de pontas voltadas para cima, a cauda espalmada, as pernas abertas com as garras estendidas, a cabeça voltada para o flanco direito, ereta, com a língua de fora. Nesta posição chama-se estendida. Se tiver duas cabeças, em fugida, representa-se de igual modo quanto ao resto. Também se chama águia imperial por ser a insígnia peculiar do Sacro Império Romano. As vezes figura somente meia águia nos escudos, partida de alto a baixo, pelo que tem de ser a de duas cabeças, a fim de, quando aparece no segundo quartel do partido, não ficar acéfala. As águias devem-se representar muito estilizadas, com as asas bem espalmadas e de penas afastadas. Podem ter partes do corpo de esmaltes diversos do deste e, portanto, serem bicadas, lampassadas, sancadas e armadas e ainda estarem coroadas ou diademadas. VOCABULÁRIO HERÁLDICO (segundo o ‘Armorial Lusitano’, de Afonso Eduardo Martins Zúquete)” (http://www.buratto.org/gens/heraldica/gn_heraldica.html)
Outro internauta, Roberto Moraes, buscou corroboração à assertiva: “Ver http://www.heraldaria.com/heraldicac.php#14 no item ‘Herádica en el resto del mundo'”; dando “carta branca” a Pastana.
Em busca de imagens de águias na WEB, nada semelhante a essa representação foi encontrado, o que lhe dá originalidade pelo estilo das artes aplicadas no Brasil.
Como o livro jamais foi a única fonte de pesquisa, resolvemos eliminá-lo da simbologia, deixando somente a águia, exemplo de astúcia.
Essa proposição não passa de conjectura gráfica, mas tem o propósito de estimular o interesse de todos pela MEMÓRIA e HISTÓRIA imagética da Universidade Federal do Pará.

O Escudo Oficial da UFPA, de autoria de Alcyr Boris de Souza Meira, com primeiro registro publicado em 1965, jamais teve sua adequação gráfica aos dítames da Resolução n°17 de 1969 (um memorial escrito pelo próprio Meira); é outra estampa institucional tratada com idêntico desleixo, segue o fac símile de sua primeira aparição:

Tal desmazelo administrativo e acadêmico dá oportunidades às aberrações que deturpam a procedência autoral em prol de uma “beleza” estabelecida pelo senso ordinário:

Na esteira contrária à tradição cinquentenária há uma corrente na UFPA que intenciona modificar a marca institucional — é quase uma CONSPIRAÇÃO; o argumento do grupo é a “americanização”: tanto da águia quanto das cores empregadas.
Justificativa nonsense pois as cores são republicanas, as mesmas da França, as mesmas do Estado do Pará; e a águia (GUIANENSE), típica da região AMAZÔNICA, mesmo que NÃO VERDE como um PAPAGAIO.

Do Brasão Original da UFPA III

Detalhes construtivos do Brasão Original e do escudo de Alcyr Meira (imagem ampliável).
Observa-se que a “águia sobre o livro” do brasão registrado em 1959, já cunhado no medalhão sobre o capelo de Mário Braga Henriques na instalação da UFPA, é dotada de controle perspéctico; quem concebeu esse agrupamento dominava técnicas de representação e as expressões provocadas pelos efeitos visuais.
Tal detalhe reforça o apelo gráfico contido no Brasão Original; mais precisamente no conjunto em destaque utilizado no ensaio gráfico, fiel à referência primária e distinto do “enxugamento” e interferências procedidos por Alcyr Meira entre 1964 e 1965.

Do Brasão Original da UFPA II

Imagens ampliáveis mais  fiéis ao original, mesmo que em resolução precária.

Do Brasão Original da UFPA

Imagens ampliáveis.

O ensaio gráfico acima, em construção indefinida*, é tão somente um “janelamento” do Brasão Original da “Universidade do Pará” registrado em fotografias no dia 31 de janeiro de 1959 ornando o fundo do palco do Teatro da Paz na solenidade tardia de instalação desta instituição federal de ensino superior.
Não concluímos as investigações sobre a autoria do emblema também reproduzido no medalhão utilizado pelos dois primeiros reitores, Mário Braga Henriques e José Rodrigues da Silveira Netto; artefato hoje em exposição no Museu da Universidade Federal do Pará.
Mantemos dúvidas entre três personagens: Manoel de Oliveira Pastana, pelo estilo repleto de ornamentos regionais, “alegórico”; Maÿr Sampaio Fortuna, por sua relação, inclusive profissional, com o Partido Social Democrático: Maÿr, em 1949, desenhou o Diploma de Honra, uma outorga assinada por Magalhães Barata e Rodolfo Chemont aos eleitores do PSD, sigla que influenciou na escolha política de Mário Henriques ao primeiro reitorado da UFPA; e, em última hipótese, Maÿr Obadia, ourives da Casa Cruzeiro, que, segundo Sueli Fraiha, funcionária da reitoria no período, fundiu o medalhão — o nome “Maÿr” está gravado no reverso, junto ao Brasão da República —; joia única confeccionada em liga metálica nobre**, assinada.
Entre os anos de 1964 e 1965 Alcyr Boris de Souza Meira “enxugou” a marca primitiva da “Universidade do Pará” com uma proposição “moderna” publicada nos “Anais Científicos” de 1965; um inconteste redesenho com foco estritamente direcionado à “águia sobre o livro” que eliminou os “regionalismos” do protótipo até agora anônimo, mas que agraciou-se da oficialização e perenização com a Resolução Nº17 de 12 de junho de 1969, no ocaso de Silveira Netto.
Essa “nova” simbologia fora por Meira emoldurada e acrescida de tocha — adereço heróico —  e fitilho com a inscrição que também desconsiderara a federalização da UFPA, corrigida no documento público quatro anos depois para “UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ” (datilografado em versais aspadas como lá está).
De acordo com Sueli Fraiha: “a UFPA usa o escudo reformulado por Alcyr Meira desde o segundo mandato de Silveira Netto, substituindo o Brasão Original inclusive em novo medalhão que compõe o Colar Reitoral“, ora em uso pelo Reitor; uma, dentre outras insígnias confeccionadas no Rio de Janeiro pela Industria de Distintivos Randal Ltda na forma de broches, abotoaduras, alfinetes de lapela, etc.
A UFPA não possui outras “marcas” institucionais que não essas duas, portanto, qualquer variação ou invenção será marginal ao oficial de Meira ou ao Histórico apócrifo, mesmo que a elas faça alusão.
A ideia do ensaio gráfico, além de beber em igual fonte que Meira, foi retomar a aparência imprimida no desenho primordial da “águia sobre o livro”; tal resultado ficará em destaque no Blog da FAU como imagem-link ao Portal da Universidade, ato provocativo às celeumas.

*Construção indefinida significa que há técnicas capazes de reproduzir com absoluta fidelidade a imagem registrada por fotos em 1959; infelizmente não alcançada nesta experimentação.
A todos é franqueado o direito de exercitar o melhoramento desse design gráfico.
**Liga metálica nobre justificaria a lembraça da nota de serviço da Casa Cruzeiro, onde Sueli Frahia acredita ter lido “ouro”, sem atentar ao percentual desse metal na composição do medalhão.
Observamos no MUFPA que o brilho  da irregular peça, de fundo martelado, é uniforme e intenso;  não se percebe, a olho nu, ponto algum de oxidação.

No rastro sequencial das postagens sobre o assunto obteve-se informações pertinentes e descabidas: ver, a partir de O brasão retrô da UFPA, início das investigações,  a quantas conclusões precipitadas chegamos; o que é, de certo modo, divertido: uma “comédia”.
Esta busca  é contributiva  ao Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural —LAMEMO — da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC-UFPA.

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Documentos da Biblioteca Central divergem do Blog da FAU

Resolução Nº17 de 12 de junho de 1969:

Anexo II da Resolução Nº17/69:

Anais Científicos (1964-1965) e o símbolo da UNIVERSIDADE DO PARÁ:

Todos os documentos enviados por Graça Pena, em PDF:
Anais Cientificos_1; Anais Cientificos_2; Resolução 17 de 1969; Anexo I; Anexo I-2; Anexo II; Anexo II-2.

Escudo utilizado como imagem-link ao portal da UFPA, substituído em 16 de julho de 2010 pela comprovada criação de Alcyr Meira. A autoria dessa insígnia nos é desconhecida.

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