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1957 — o trem passa pela Almirante com a Vileta

Salomão Mendes, editor da página do Facebook intitulada Belém Antiga, trouxe à tona (e à baila) um precioso material de um site estadunidense; a tarimba de jornalista acabou por provocar, por cortes e inserção de músicas, a viralização, nas redes sociais e grupos de WhatsApp, de um insosso conteúdo de cinema surdo e mudo.
À semelhança de Salomão, também colaborador do projeto Blog da FAU e confrade da Memória, montamos um audiovisual, a partir da mesma matéria bruta do Chicago Film Archives, com propósito didático — aqui trabalhamos a mesma cena, repetindo-a por quatro vezes, em velocidades distintas para melhor apreensão de detalhes, como a moderna casa de Belisário Dias em contraste ao velho palacete que seria demolido em prol do novo Souza Franco do regime militar, a rodagem coberta pelo mato, uma locomotiva (ou: a Augusto Montenegro?) aparentemente reformada se comparada a uma fotografia mais antiga:

Álbum de Augusto Montenegro 1908


O trem, no audiovisual, segue o trajeto Bragança/Belém com destino à Estação Ferroviária de São Brás.

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Fotografia antiga

Locomotiva Maguary da Estrada de Ferro de Bragança sobre a rotunda de Marituba


Fonte: Wikipédia.

Rotunda, segundo a própria Wikipédia “é uma estrutura ferroviária utilizada para inverter a direção que uma locomotiva está apontando. No seu interior apresenta uma placa giratória, que por sua vez conecta com as vias da estação e inverte a marcha das máquinas.”.

Seria mesmo uma rotunda ou uma obra d’arte?
“Para permitir que uma estrada, uma linha de caminho de ferro ou um canal transponham um obstáculo, constroem-se obras de arte como pontes, viadutos ou túneis”. (Wikipédia)

 
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Nos trilhos da Belém Bragança — Documentário

Em foco: Estação Ferroviária da Vila São João de Pinheiro

Ontem, dia 11 de novembro, foi aprovado no Conselho da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA um projeto que mescla pesquisa, extensão e ensino voltados à Estação Ferroviária da antiga Vila de São João de Pinheiro, atual Icoaraci, distrito municipal de Belém.
Tal proposição concorrerá ao Prêmio PROEX de Arte e Cultura 2010.
A equipe — composta pelos professores Cybelle Salvador Miranda (coordenadora), Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho, Ana Léa Nassar Matos; pelo funcionário Fortunato Neto e pela estudante Samantha Sena — fará, como primeira ação, levantamentos à panorâmica da realidade sociocultural , verificando as atuais condições da Estação, última do Ramal Pinheiro da Estrada de Ferro de Bragança.
De modo coloquial a professora Cybelle resumiu ao Blog a intenção do LAMEMO/FAU em atuar no distrito de Icoaraci, apelidado carinhosamente Vila Sorriso:
“Tudo começou com uma atividade proposta no ensino da disciplina Estética, em que uma equipe de estudantes fez um trabalho sobre a antiga Icoaraci, dando destaque à Estação de trem. Depois, eu e Ronaldo Carvalho fomos até lá e tivemos uma reunião com a presidente da COARTI — Cooperativa de Artesãos de Icoaraci —, entidade administradora do espaço. Ela (a presidente) demonstrou muito interesse na iniciativa, principalmente pela insenção política da UFPA, e foi então que elaboramos o Projeto de Extensão, que não tem o objetivo estéril do mero levantamento do centenário edifício, mas, um primeiro passo necessário ao conhecimento do local e das pessoas, registrando depoimentos de moradores antigos (a História oral), bem como, depois, adequar o prédio à função de expositor do artesanato, além de assessorar a Cooperativa na divulgação da cerâmica arqueológica — sobretudo de inspiração marajoara e tapajônica — reproduzida pelos cooperados e; também: nas possibilidades da dinâmica dessa vocação produtiva. A ideia é estabelecer um processo de enraizamento dos valores da comunidade, tendo na Estação uma referência arquitetural e simbológica, passível de mensuração e apoio  cultural de instituições públicas e privadas. O ineditismo do plano está na transdisciplinaridade da atuação universitária vigente. Caso tenhamos êxito no Prêmio PROEX de Arte e Cultura 2010, sua implementação iniciará em janeiro de 2011.”.

No I Centenário das Ferrovias Brasileiras, livro publicado pelo Serviço Gráfico do Instituto Nacional de Geografia e Estatística em 1954, especificamente no capítulo Os Caminhos Ferroviários Brasileiros, escrito pelo engenheiro Flávio Vieira, encontraremos, dentre as páginas 101 e 106, uma panorâmica da Estrada de Ferro de Bragança, extinta em 1965.
Às páginas 12 e 13 há dois mapas relativos às ferrovias do estado do Pará: E. F. Tocantins com 117 km e E. F. Bragança com 294 km.

Abaixo, em JPEG, os trechos que se referem à Estrada de Ferro de Bragança:

 Imagem ampliável para melhor leitura.

Abaixo, em JPEG, os trechos que se referem à Estrada de Ferro de Tocantins, “A menos extensa e pouco conhecida das ferrovias amazônicas…”, também no estado do Pará:

Imagem também ampliável à leitura.

Visite a Biblioteca Virtual do IBGE.

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“Memórias do Pará”

Imagem-link.

Dentre as poquíssimas referências na Internet sobre o professor Philadelpho Cunha, encontramos o texto (linkado à imagem) intitulado “Mais reminiscências da Estrada de Ferro de Bragança”; nele, Loriwal Rei de Magalhães, em entrevista, diz:
“Eu ingressei na EFB em 1958, logo após a minha formatura em engenharia civil e nela permaneci até 1967. Quando eu entrei, o superintendente era o dr. Heitor Pontes Rayol, e logo entrou o dr. Philadelpho Cunha, nomeado pelo Jânio. Após a renúncia de Jânio, assumi a Superintendência da EFB. E minha saída ocorreu pouco antes da revolução de 64, ainda no governo Jango, quando o sindicalismo ganhou força. Aí fui substituído pelo Geraldo Cozi Pereira, que ficou até a revolução, sendo substituído pelo general Ferreira Coelho. Depois veio o coronel Meireles, por curto período, e em seguida o dr. Leônidas de Carvalho Pereira, que presidiu o grupo de liquidação da ferrovia. Eu fui engenheiro de vias permanentes, depois passei a engenheiro assistente. A primeira função era cuidar das vias, dos trilhos. Quando fui para a superintendência já conhecia a estrada de maneira total.”
Esperamos que a pouca memória sobre Philadelpho, dentre tantos feitos engenheiro da sede do Payssandu, seja em breve reparada.