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Marca Belém 400 Anos — o polêmico concurso da PMB

Haroldo Baleixe

A Prefeitura Municipal de Belém — Edital nº01/2015-COMUS — realizou a etapa do concurso público à marca BELÉM 400 ANOS que selecionou as cinco propostas concorrentes a 30 mil Reais em prêmios (1ª colocação 20 mil, 2ª 6 mil e 3ª 4 mil).

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As logomarcas acima são as finalistas, apontadas por Comissão Julgadora “… composta por 10 (dez) profissionais de renome…”, que figuravam no site Agência Belém com objetivo de classificação por sufrágio popular online.
A votação saiu do ar em “… virtude da identificação do uso indevido de nomes e números de CPF, o que poderia beneficiar uma marca em detrimento de outras, comprometendo assim, a lisura do concurso.”; agora, em teste (“A nova data para votação será entre os dias 8 e 10 de julho.”), o e-mail do internauta pretende ser a chave da segurança, mesmo que alguns possuam diversas arrobações.
O DiárioOnLine publicou a matéria Associação aponta erros em concurso da Prefeitura  na qual um conjunto de designers reivindicou direito exclusivo à participação no certame da PMB,  expurgando o espectro da concorrência laica.
A Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG Brasil) clama por reservar um mercado quando diz que “… é impossível imaginar a Prefeitura lançando um concurso para a realização de um projeto técnico de engenharia, ou mesmo arquitetura, aberto a todos os cidadãos brasileiros. O mesmo vale para o Design.”.
Arquitetura e engenharia, mal pensadas e executadas, matam — tal qual ocorre no torpe exercício da medicina —; todavia, pelo que se entende no Edital, não há propósito em licitação de lifting facial no prefeito, apenas um signo gráfico que sinalize a passagem dos 400 anos de uma cidade que nada tem a comemorar daí a livre prática da zombaria e do grotesco no grupo Concurso Belém 400 Logos do Facebook em contraposição ao discurso cartelista da ADG Brasil.
Qualquer resultado que advir da competição da PMB demonstrará que os designers gráficos brasileiros não raciocinaram Belém de maneira mais experta (ou esperta) que os indivíduos comuns; caso contrário teríamos “formas surpreendentes”, como estabelece o quesito criatividade, primeiro componente dos critérios técnicos e artísticos do Edital.
Se a intenção fosse escolher um jingle, do mesmo modo seria pertinente a participação do povo; afinal: qualquer cidadão tem capacidade e possibilidades de criar pelo assobio, batuque, estalos, palmas, etc.; mesmo que nada entenda do riscado musical.
Toda prepotência é excludente e démodée.

Opinião assinada: Haroldo Baleixe.

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Em respeito aos mais velhos

corel075É do conhecimento geral que o Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo mantém enquete de opinião aberta na Internet para detectar popularidade dentre os professores do quadro permanente à direção da Faculdade.
A questão é: o que é ser popular?
Coisa dificílima de ser respondida sem um conceito pré-estabelecido ─ e este pode estar entre o simples modo de vestir e a mais profunda base de raciocinar o bem comum.
Eis o efeito colateral da pesquisa: enaltecer simpatias em detrimento às empatias necessárias à complexa tarefa política de dirigir uma faculdade com trajetória coerente e plena harmonia à hegemonia de suas forças componentes: alunos, funcionários e professores.
Infelizmente nenhuma aferição chegará a esse qualitativo porque as cercanias do poder são movediças e enterram o caráter do fraco fazendo-o acreditar-se forte quando morto já está, mesmo que o hiato entre o sinistro e o funeral tenha a duração de uma gestão.
Estar à frente da FAU não requer sorriso colgate, vai além, porque todo dia choverá pedras, uma vez que os interesses dos que a constituem sempre serão conflituosos aos que rolarão do topo da montanha, com o intuito de esmagá-los.
A Lei Nº10.741, que instituiu o Estatuto do Idoso, “… destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.” nos faz acreditar que haja um “prêmio” ao envelhecimento dos brasileiros.
Quantos professores da FAU têm 60 ou mais?
Talvez seja esse o mais importante pré-requisito à função, porque esses docentes impõem respeito de modo natural, tendo ou não os mais altos títulos acadêmicos.
São eles capazes ─ é o que se pressupõe pelo amadurecimento ─ de enfrentar adversidades sem perder de vista o bom senso; e isto significa dizer, em teoria, que podem vencer guerras antes mesmo que elas se desenhem.
Não confundamos idosos com ultrapassados, chamemo-los seniores, porque há juniores há muito afogados em ideologias arcaicas que os impedem de respirar aprendizados consequentes à dinâmica da vida ─ entendamos isto como um alerta axiomático, sem destinatários.
Causa espécie que a enquete do CAAU não revele o engrandecimento de nenhum dos mais velhos professores justamente quando a Faculdade está em júbilo por ocasião do seu 50º aniversário.
É uma perda de oportunidade não os ter como patronos e anfitriões, já que são eles os últimos elos à velha-guarda aposentada que muito tem a nos ensinar antes do inato fim.
Em outras palavra: as eleições à Direção da FAU serão tão complicadas quanto merecerão o ser em suas três categorias indissociáveis; salvo a possibilidade de um consenso, ventilado pela maturidade quinquagenária no rumo dos nossos sessentões.

Haroldo Baleixe.

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Divulgação/convite à FAU

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Arquitetura e Urbanismo Opinião

Depois de Belém, só o além

DBAAvenida Perimetral 13:35h de hoje: um ônibus atola (e/ou prega) em plena curva defronte ao PCT Guamá.
Além de uma duplicação tumultuada da Perimetral, sem nenhuma indicação de rotas alternativas seguras ou mediadores do tráfego, toda sorte de desmandos por ali ocorrem.
É exatamente a velha máxima: “todos os caminhos à Universidade são tortuosos”, levada ao pé da letra.
Pagamos pesadíssimos impostos a Governo nenhum.

Opinião assinada: Haroldo Baleixe.

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Postscriptvum:

Curiosidade: o nome da dita-cuja, em cruz-credo, é Perimetral DA CIÊNCIA.

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Ensinamentos de Omar Arroyo Arriaga em anotações de Kaki Afonso

corel667No início do ano de 1989 fiz concurso à carreira do magistério superior na antiga FEP ─ Fundação Educacional do Pará ─ que mais tarde se transformaria na Universidade do Estado do Pará ─ UEPA; a matéria, Desenho e Plástica, serviria ao Curso de Música da FAED, Faculdade de Educação.
A banca fora composta por três professores da UFPA, todos do curso de Arquitetura: Bodhan Bujnovisk, Dina Oliveira e Jaime Bibas.
Quatro provas compuseram a maratona: a de títulos, a escrita, a didática e a prática; não lembro com exatidão os “pontos” sorteados, mas acredito que a didática versasse sobre Imagem: Forma e Conteúdo e a prática estivesse voltada à Identidade Visual: Logomarcas, Marcas e Logotipos.
Diante da amplitude da primeira temática o desespero surgiu de modo inevitável, contudo, dois alentos se seguiram:
O primeiro do Jorge Eiró quando lembrou que o filme Koyaanisqatsi: Life Out of Balance estava disponível para locação na FOXVIDEO; nesse  documentário de 1982 dirigido por Godfrey Reggio com música de Philip Glass, não há diálogos, o que dá relevância à comunicação não verbal.
O segundo da recordação do organizado caderno da minha colega Alcília Afonso de Albuquerque Melo, a Kaki Afonso; nele ela anotava as aulas do “velho” (ele próprio se dizia com mais de 60) Omar Arroyo Arriaga, um dos nossos maestros de diseño no VII Curso Interamericano de Diseño Artesanal ─ enseñanza essa em hiato de quase 28 anos.
O filme o Jorge pegou na FOX.
O Caderno da Kakiah!ah!… esse ela mandou em xérox via SEDEX e chegou a tempo, não só para organizar as ideias e montar um plano de aula coerente, mas para gabaritar a análise da película ─ e, como plus, recordar as broncas que o Omar nos dera e assim bem usar o intelecto do diseño gráfico na missão subsequente: a bendita prova prática.
Entrei para a FEP em maio de 1989 e dela saí, como de outros trabalhos,  em dezembro do mesmo ano para ser DE na UFPA.
O Caderno da Kaki tem apontamentos de 1986 atemporais e extremamente úteis às atuais atividades do oficial Laboratório de Modelos (ou do marginal LAFORA); desse modo, será ele citado na bibliografia do material didático virtual que o professor Jaime de Oliveira Bibas coordena para este ano.

Ei-lo (com reforços de agradecimentos à Kaki):

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Haroldo Baleixe.

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Postscriptvm:

Apesar das dificuldades em encontrar o professor Omar Arroyo Arriaga, uma pesquisa na Internet acusa que em 2012 ele estava como diretor do Museo  de La Medicina Mexicana.

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Postscriptvm2:

O BF já publicou Punto y línea… un cuento para diseñadores, por Omar Arroyo; nessa  “cartilha” de diseño básico, um regalo do amado mestre em 1986 aos seus monitores*, há uma dedicatória:

OAA

*Omar montou um grupo com quatro rebeldes que moravam no mesmo alojamento, a eles era dada a tarefa de preparar o material didático às suas aulas do dia seguinte (geralmente à tarde); mas, no comando, estava a poderosa maestrina Kaki, com seu traço seguro, preciso e sensual; o pagamento: cerveja e pizza na madrugada, vindas nos táxis assépticos e honestos de um Distrito Federal fake do primeiro mundo ─ era a Brasília do Sarney, sem carne por causa do natimorto Cruzado.

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Divulgação

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CONTRA PROIBIÇÃO TACANHA DA ARTHUR VIANNA


A Biblioteca Pública Arthur Vianna VETOU de modo ABSOLUTO o registro fotográfico de qualquer OBRA RARA de seu acervo, dando uma clara demonstração que caminha na contramão da democratização da informação.
Hoje ninguém pode sacar do celular — aquele aparelhinho que propicia as absurdas contas emitidas pelas operadoras e arrecada altos impostos ao Estado via ICMS —, ou máquina fotográfica (que também gera recursos ao Estado), para clicar algo de interesse no Setor de Obras Raras da BPAV; há de se fazer solicitação da digitalização de tal material, pagar R$2,00 por lauda e aguardar um prazo de mais ou menos 10 dias para…seguir assuntando.
O equipamento disponível para esse serviço é amador e de dimensão restrita, cobre apenas a superfície do formato A-4; ou seja: se pagará por um produto ordinário, sem nenhum controle de qualidade.
É astucioso impedir pessoas da utilização de instrumentos próprios de captação de imagens para obrigá-las a COMPRAR uma MERCADORIA cartelizada-virtual-insatisfatória por preço abusivo (um caso de PROCON, não?).
Isto é um desserviço à EDUCAÇÃO e à CULTURA do povo paraense que vê na guardiã de sua memória uma madrasta cruel e insensata.
Desse modo, acabaram-se as pesquisas acadêmicas, porque professores e/ou alunos não terão como custeá-las, a não ser que haja previsão dessa nova rubrica nos orçamentos dos projetos financiados.
E como ficarão crianças e jovens que têm no conhecimento a única saída à miséria social?
Aparelhos celulares, que geralmente não possuem flash, são inofensivos às obras, raras ou não; pode-se dizer o mesmo da luminosidade emitida pelo escâner?
Que a Arthur Vianna ache outro meio de ganhar dinheiro*, que não usurpando o pobre cidadão que busca sua identidade, supra-necessária ao amor pátrio e ao desenvolvimento do intelecto — alimentos sãos do Estado Justo —, nos rincões dessa uma daí.

Se você concorda com o raciocínio, envie um e-mail ao Gabinete da Biblioteca Pública Arthur Vianna (gbpav@fcptn.pa.gov.br) e pergunte o PORQUÊ de tudo isso?

*Buscar parceria com as operadoras de telefonia móvel já seria um bom começo; talvez essa atitude desse um respaldo profissional e sistemático à preservação do inestimável patrimônio documental do Pará, bem como viabilizaria disponibilizá-lo na Internet com qualidade indiscutível.
Quantas publicações digitais a Biblioteca Pública Arthur Vianna possui hoje? Pelo que saibamos, nenhuma.

Opinião assinada: Haroldo Baleixe.

Ronaldo Carvalho é o diretor interino da FAU

O professor Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho estará respondendo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo durante todo o mês de janeiro.
Ronaldo, na condição de decano da FAU, substitui o diretor, Juliano Ximenes, e seu vice, Haroldo Baleixe; ambos em férias regimentais.

1999: exposição dos alunos da Arquitetura no Ateliê de Arte

No dia 25 de março de 1999 houve uma exposição significativa na Universidade Federal do Pará: Exercícios de Desenho e Design; aqui registrada em VHS pelo aluno Bruno Parente.
Em tempos idos as disciplinas de Representação e Expressão do turno matutino eram ministradas no Ateliê de Arte do antigo Centro de Letras e Artes, daí a cedência do espaço, necessariamente amplo.
No caso específico da exposição Exercícios de Desenho e Design, resultado da produção das turmas ingressantes em 1997 e 1998 que concluíam Representação e Expressão IV e II respectivamente, houve o envolvimento interno da disciplina Soldas e Fundição, ministrada pelo professor Fernando Antonio de Sá no curso de Engenharia Mecânica; e externo, da COPALA Indústrias Reunidas S/A, por intermédio de seu presidente, José Maria Mendonça, engenheiro civil formado pela UFPA.
Com o conteúdo programático de Representação e Expressão IV e II (manhã e tarde) adaptado a uma produção tridimensional utlitária e conceitual, tanto o Laboratório de Solda e Fundição da Mecânica da UFPA, quanto o Laboratório de Solda da Copala foram utilizados pelos alunos; a turma de R.E. II da tarde, por incompatibilidade de horário nas tarefas extraclasse, participou da mostra com aquarelas e mistas feitas a partir de cenas da invasão na Perimetral.
A “sucata”, ponto de partida da criação, foi cedida pela COPALA; bem como a equipe de soldadores.
A Mecânica trabalhou a aplicação de soldagem MIG/MAG (MIG – Metal Inert Gas e MAG – Metal Active Gas) e TIG (Tungsten Inert Gas) em situações projetivas mais elaboradas pelas equipes discentes.
O vernissage, talvez o primeiro no Campus do Guamá, contou com a presença de artistas, empesários e autoridades; em especial destaque a Consul de Portugal que propôs apoio e intercãmbio para empreendimentos futuros, contudo a UFPA não entrou com a contrapartida necessária em tempo hábil.
A exposição foi montada e desmontada no Ateliê de Arte no dia 25 de março de 1999 pela falta de segurança do pátio aberto, problema que, resolvido, seria a compensação a Portugal; posteriormente os estudantes a remontaram em um Shopping Center de Belém.
Outras mostras dessa natureza ornamentaram o Ateliê de Arquitetura, contudo, sem registros.
Haroldo Baleixe e Jorge Eiró foram os professores responsáveis pela ação interativa multiciplinar.
As filmagens, feitas por Bruno Parente, seriam digitalizadas, editadas e postadas no YouTube somente em 2007.

FAU: 6 meses com Juliano Ximenes na diretoria

O professor doutor Juliano Pamplona Ximenes Ponte, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA por aclamação em Conselho, falou, sucintamente, ao Blog da FAU, sobre o marco  de seis meses à frente de alunos, funcionários e professores desta sub-unidade acadêmica fincada à beira do Guamá.
Juliano resume como a FAU segue seu curso natural: a passos curtos: cautelosos; e, à máxima distância da neurastenia provocada pela perniciosa má burocracia.

Cartaz de campanha: 2008 — foto na entrada do ateliê.

Juliano Ximenes e Haroldo Baleixe substituiram, respectivamente, Ronaldo Carvalho e Dina Oliveira (biênio 2008-2010), na direção e vice-direção da Faculdade, de acordo com a Portaria nº1979/2010-Reitoria, datada de 19 de maio do ano em curso.

Assista ao vídeo em full HD (700/30p): a mesma qualidade obtida no registro da premiação ao Euler Arruda à postagem passada.
Está em teste, desde ontem, a compacta e acessível Samsung E10, para demonstrar o quanto se poderia melhorar com o apoio cultural que não possuímos neste serviço voltado à comunidade (acadêmica ou não) e/ou, quiça, à sociedade “desfronteirada”.
O documento audiovisual do Juliano, na feitura, utilizou-se do tripé e foi agraciado pela luminosidade do poente; o do Euler prescindiu de tal equipamento, mesmo sob um sol de meio-dia.
Ossos do ofício de metalúrgico da museologia no Pará.

Otimismo urbano: Tucunduba adentro

Postagem sugestionada por Ronaldo Marques de Carvalho.

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Depois do vernissage da Dina…à esbórnia

Após o vernissage de Dina Maria César de Oliveira, dia 15 de setembro passado, reuniram-se, junto ao crítico de arte Enock Sacramento (de paletó), alguns amigos artista plásticos e professores da UFPA: Luciano Oliveira, Haroldo Baleixe, Jorge Eiró, Ronaldo Moraes Rêgo e Geraldo Teixeira.
Enock, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), assinou FRUTOS MADUROS, em apresentação à exposição PINTURAS 2010 da professora da FAU, organizada no Museu de Arte do CCBEU com visitação pública até o dia 30 de outubro vindouro:

Roberto de La Rocque Soares, o nome do Laboratório de Modelos da FAU

ROBERTO DE LA ROCQUE SOARES (Belém, 28/10/1924 -19/05/2001)
O Mestre La Rocque, ou simplesmente O “Mestre”, foi exemplo de uma formação ampla que se iniciou pelo gosto do Desenho, ainda na infância, amadurecida na formação universitária em Engenharia Civil (1949) e Arquitetura (1966), e cristalizada na produção artística e também como pesquisador da Arquitetura paraense.
Exímio desenhista e produtor de caricaturas, que chegou a publicar sob a alcunha de “Comprido”, destacou-se pela humildade e dedicação aos estudos cristãos. Cultivava a curiosidade pelos detalhes, tanto da vida quanto da Arquitetura e da ciência da construção, e tinha admiração pela sabedoria japonesa, chegando a estudar a língua e a cultura deste povo, da qual aproveitou a técnica do sumiê em suas últimas obras.
Integrou a primeira turma de alunos do Curso de Arquitetura da UFPA, quando conheceu o professor Donato Mello Jr., de quem se tornou amigo. Este veio a Belém em 1966 ministrar a disciplina Arquitetura no Brasil, e solicitou aos discentes um trabalho com o tema “Clima e Arquitetura Residencial no Pará”, iniciando assim a pesquisa de La Rocque sobre as Rocinhas e, consequentemente, o seu interesse pela preservação do Patrimônio Cultural Paraense.
Isso ficou ainda mais claro quando Mestre La Rocque foi o responsável, entre 1972 e 1975, pela primeira restauração do Palácio Lauro Sodré, atual Museu Histórico do Estado do Pará. Concomitantemente, La Rocque participou em 1974 do primeiro curso de especialização em “Restauração e Conservação de Monumentos e Conjuntos Históricos” no Brasil, realizado na FAU-USP em parceria com o IPHAN, inspirando-o a organizar, em 1976, uma “Relação de Unidades Arquitetônicas e paisagísticas existentes no Estado do Pará a serem objeto de estudos para definir sobre a conveniência de seu tombamento”, encaminhada ao Diretor do IPHAN Renato Soeiro. Como reconhecimento, recebeu do SPHAN em 1987 a Medalha “Rodrigo Mello Franco de Andrade”, dedicada as personalidades que se destacam na defesa do patrimônio histórico brasileiro.
Ingressou no Magistério superior na Universidade Federal do Pará como professor Auxiliar, onde ministrou as disciplinas “Desenho a mão livre” na Escola de Engenharia, Desenho e Plástica I a IV e Introdução à Arquitetura e Teoria da Arquitetura (de 1967 a 1985) no Curso de Arquitetura. Como artista plástico, La Rocque foi pioneiro no Abstracionismo paraense [1] e destacado aquarelista, embora circulasse pelas técnicas do óleo, colagem, gravura, escultura em madeira, gesso e pedra, entre outras. O depoimento de sua esposa, Elza, reforça a originalidade do Mestre: este submeteu trabalhos da série com couro a um Salão de Arte paraense, os quais não foram aceitos, à época, por terem sido considerados “artesanais”.
Contudo, nunca deixou de lado a interpretação da alma humana, especialmente nas aquarelas delicadas que denunciam a decadência do patrimônio arquitetônico do Mercado de São Braz, do Casario do Boulevard Castilhos França ou do Porto do Sal. E tampouco o ensino da arte, participando no quadro docente da Universidade da Terceira Idade da UFPA.
Posteriormente, já como Docente da UFPA, deu continuidade ao estudo da arquitetura rural paraense com o levantamento de Rocinhas, como também de chácaras e sítios em Belém e localidades próximas, com o projeto “Contribuição das antigas rocinhas à Arquitetura histórica regional do Pará”, realizado quando professor do Departamento de Artes e Comunicação [2], no período de 1986 a 1991.
Depois de inegável montante de informações coletadas sobre estas tipologias rurais, em 1996 seu trabalho foi imortalizado no livro “Vivendas Rurais do Pará – Rocinhas e outras (do século XIX ao XX)” que certamente não deixará esquecer esta morfologia arquitetônica parte do Patrimônio Cultural Paraense.
Ocupou cargos como o de Engenheiro da Estrada de Ferro de Bragança e Engenheiro da Base Naval de Val-de-Cans na década de 50, engenheiro da SPEVEA (1954-1966), engenheiro do Ministério da Agricultura (1967-1968), além de diretor do Departamento de Obras da SEVOP (Pará) em 1972. Foi Conselheiro da Fundação Cultural do Estado do Pará e da SUDAM. Sem descuidar de sua formação de arquiteto projetista, concebeu obras beneficentes para entidades católicas, como a Igreja de São José de Queluz (1950) e a Capela no Centro Comunitário Santa Izabel de Hungria (Belém-1976) e residências como a Residência Reinaldo Silva e a sua própria casa, recanto síntese de uma versão modernista adaptada com carinho ao clima equatorial.
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[1] Conforme Pesquisa  Sobral, Acácio de Jesus Souza. Momentos iniciais do abstracionismo no Pará. Belém: IAP, 2002. e Sobral, Acácio. Paisagem após 2001 – Homenagem a Roberto de La Rocque Soares. Folder. IV Encontro da Associação dos Artistas Plásticos do Pará. Jul. 2002.
[2] Passou a ser lotado no Centro de Letras e Artes a partir de outubro de 1972.

Texto: Professora Cybelle Miranda
Pesquisa: Professora Cybelle Miranda e Nayara Barros (bolsista).


Assista, no Blog da FAU, ao vídeo UM HOMEM E SEU TEMPO de 1996, dividido em 06 partes.

Registros do PCT-Guamá — obra do Pórtico

Mais um projeto da Meia Dois Nove Arquitetura e Consultoria sai do papel.
No sábado, dia 21 de agosto, praticamente toda a estrutura em aço que apoiará a cobertura termoacústica sobre a guarita de entrada do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá fora erigida.
José Maria Coelho Bassalo — um dos diretores da Meia Dois Nove, junto com seu sócio Flávio Campos do Nascimento, ambos arquitetos e urbanistas — nos levou a uma visita técnica à obra do principal acesso ao PCT-Guamá.
Bassalo é professor de Projeto desta Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
As fotografias acima, em preto e branco, foram feitas entre os dia 04 e 21 de agosto; todas ampliáveis à melhor visualização.
Autores das imagens: Jô Bassalo, Irving Franco e Haroldo Baleixe. 

Assim ficará o Portal do PCT-Guamá:

 Vista virtual eletrônica para dentro do condomínio, ao contrário das tomadas reais anteriores.

Haroldo Baleixe

“Gravura e Gravadores – Aspectos da Cultura Brasileira”

“Trecho do documentário de Olívio Tavares de Araújo que faz um resumo histórico da gravura, com base em depoimentos de artistas que se utilizam desta técnica em suas obras. Faz parte da iniciativa do Itaú Cultural de pesquisar e divulgar os Aspectos da Cultura Brasileira.
O documentário está disponível para empréstimo gratuito na midiateca da sede do Itaú Cultural em São Paulo ou em bibliotecas e instituições parceiras do Instituto. Mais informações: (11)21681777.” (Descrição do Youtube)

COMPLEMENTAR, do mesmo autor:

Trecho de OMISSÃO DE SOCORRO — “Documentário de Olívio Tavares de Araújo que mostra a dura situação dos doentes mentais brasileiros após a reforma psiquiátrica. Falta tratamento e suporte. Os doentes graves vêem leitos fechados, eletroconvulsoterapia restrita, falta de CAPS e de residências terapêuticas. A demanda continua e os que sofrem têm a palavra.” (Descrição do Youtube)

Setembro de 1985: Haroldo Baleixe, Olívio Tavares de Araújo e Jorge Eiró na antiga Galeria Theodoro Braga, ainda no Theatro da Paz.