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Pastana disponível à venda

Imagem ampliável.

As postagens sobre o artista plástico paraense Manoel de Oliveira Pastana — possível autor do brasão original da UFPA — suscitaram o interesse de internautas.
As fotografias acima nos foram enviadas por e-mail com o seguinte texto:

Sou marchand e tenho 4 obras para venda do pintor Manuel de Oliveira Pastana, sendo 02 Óleos sobre madeira, título: “Paisagem de Cabo Frio” Tam.: 29x39cm , Datado: 1955 (Com moldura de época) 01 Óleo sobre tela, título: “Santa Ceia” Tam.: 45x80cm , Datado: 1961 (Com moldura de época) 01 Óleo sobre madeira, título: “Índios” Tam.: 42cm de diâmetro, Datado: 1969
Valor: R$50.000,00 (Cinquenta mil reais), o lote.
Obs.: Comissão para o vendedor – 10%
Aceito parcelamento e permuta.
Obras em excelente estado de conservação, as imagens são amadoras, o que prejudica na qualidade. Tenho disponibilidade para entrega via Sedex ou em mãos, estas obras são de procedência de leilões do Rio de Janeiro.
Pastana, Manuel de Oliveira (Belém, PA 1888 – 1984). Pintor, ceramista e artesão. Fêz estudos de arte com Franscisco Estrada e Theodoro Braga, em Belém. Interrompendo durante certo período seu trabalho como pintor, dedicou-se ao artesanato em bronze e cerâmica, realizando inclusive pesquisas no campo de arte indígena brasileira. Conquistou medalhas de bronze e de prata no Salão Paraense de Belas Artes de 1921 e 1922, medalha de prata e diploma de honra na Exposição Internacional das Artes e Técnicas ( Paris, 1937), medalha de ouro em arte decorativa e de bronze em pintura no Salão Nacional de Belas Artes de 1939 e 1955, medalha de ouro em arte decorativa no Salão de Belas Artes do Rio Grande do Sul de 1940, prêmio de aquisição no SPBA de 1948 e medalha de bronze no Salão de Maio (Guanabara, 1966). Foi por diversas vezes membro do júri de seleção e premiação do SNBA, entre 1937 e 1944, Theodoro Braga reuniu diversas referências bibliográficas a seu respeito em Artistas Pintores no Brasil (1942). Residia no Rio de Janeiro.
Bibliografia: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, Roberto Pontual, Ed.: 1969.
Att
Ediel Pimentel
(84)9973-4355
Natal-RN

A mensagem foi encaminhada à diretora do Museu da Universidade Federal do Pará, professora Jussara Derenji.

Do Brasão Original da UFPA

Imagens ampliáveis.

O ensaio gráfico acima, em construção indefinida*, é tão somente um “janelamento” do Brasão Original da “Universidade do Pará” registrado em fotografias no dia 31 de janeiro de 1959 ornando o fundo do palco do Teatro da Paz na solenidade tardia de instalação desta instituição federal de ensino superior.
Não concluímos as investigações sobre a autoria do emblema também reproduzido no medalhão utilizado pelos dois primeiros reitores, Mário Braga Henriques e José Rodrigues da Silveira Netto; artefato hoje em exposição no Museu da Universidade Federal do Pará.
Mantemos dúvidas entre três personagens: Manoel de Oliveira Pastana, pelo estilo repleto de ornamentos regionais, “alegórico”; Maÿr Sampaio Fortuna, por sua relação, inclusive profissional, com o Partido Social Democrático: Maÿr, em 1949, desenhou o Diploma de Honra, uma outorga assinada por Magalhães Barata e Rodolfo Chemont aos eleitores do PSD, sigla que influenciou na escolha política de Mário Henriques ao primeiro reitorado da UFPA; e, em última hipótese, Maÿr Obadia, ourives da Casa Cruzeiro, que, segundo Sueli Fraiha, funcionária da reitoria no período, fundiu o medalhão — o nome “Maÿr” está gravado no reverso, junto ao Brasão da República —; joia única confeccionada em liga metálica nobre**, assinada.
Entre os anos de 1964 e 1965 Alcyr Boris de Souza Meira “enxugou” a marca primitiva da “Universidade do Pará” com uma proposição “moderna” publicada nos “Anais Científicos” de 1965; um inconteste redesenho com foco estritamente direcionado à “águia sobre o livro” que eliminou os “regionalismos” do protótipo até agora anônimo, mas que agraciou-se da oficialização e perenização com a Resolução Nº17 de 12 de junho de 1969, no ocaso de Silveira Netto.
Essa “nova” simbologia fora por Meira emoldurada e acrescida de tocha — adereço heróico —  e fitilho com a inscrição que também desconsiderara a federalização da UFPA, corrigida no documento público quatro anos depois para “UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ” (datilografado em versais aspadas como lá está).
De acordo com Sueli Fraiha: “a UFPA usa o escudo reformulado por Alcyr Meira desde o segundo mandato de Silveira Netto, substituindo o Brasão Original inclusive em novo medalhão que compõe o Colar Reitoral“, ora em uso pelo Reitor; uma, dentre outras insígnias confeccionadas no Rio de Janeiro pela Industria de Distintivos Randal Ltda na forma de broches, abotoaduras, alfinetes de lapela, etc.
A UFPA não possui outras “marcas” institucionais que não essas duas, portanto, qualquer variação ou invenção será marginal ao oficial de Meira ou ao Histórico apócrifo, mesmo que a elas faça alusão.
A ideia do ensaio gráfico, além de beber em igual fonte que Meira, foi retomar a aparência imprimida no desenho primordial da “águia sobre o livro”; tal resultado ficará em destaque no Blog da FAU como imagem-link ao Portal da Universidade, ato provocativo às celeumas.

*Construção indefinida significa que há técnicas capazes de reproduzir com absoluta fidelidade a imagem registrada por fotos em 1959; infelizmente não alcançada nesta experimentação.
A todos é franqueado o direito de exercitar o melhoramento desse design gráfico.
**Liga metálica nobre justificaria a lembraça da nota de serviço da Casa Cruzeiro, onde Sueli Frahia acredita ter lido “ouro”, sem atentar ao percentual desse metal na composição do medalhão.
Observamos no MUFPA que o brilho  da irregular peça, de fundo martelado, é uniforme e intenso;  não se percebe, a olho nu, ponto algum de oxidação.

No rastro sequencial das postagens sobre o assunto obteve-se informações pertinentes e descabidas: ver, a partir de O brasão retrô da UFPA, início das investigações,  a quantas conclusões precipitadas chegamos; o que é, de certo modo, divertido: uma “comédia”.
Esta busca  é contributiva  ao Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural —LAMEMO — da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC-UFPA.

O que cercava MANOEL PASTANA?

 “Repertórios Ornamentais e Identidades no Brasil da 1ª República”, texto de Arthur Gomes Valle.

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Ex-libris de José Luiz de Araújo Mindello

Ex-libre* do médico José Luiz de Araújo Mindello enviado por Luiz Fernando de Souza Carvalho. O ornamento tipográfico ostenta o Brasão D’armas do Estado do Pará e não o da Universidade do Pará visto nas fotografias datatas de 31 de janeiro de 1959 que exibem a atual imagem-link do Blog da FAU à UFPA.
O senhor Luiz Fernando de Souza Carvalho é memorialista conterrâneo de Manoel de Oliveira Pastana, ambos nascidos na Vila de Apehu, hoje município de Castanal-PA. 
O médico José Luiz Mindello, já falecido, atribuiu; verbalmente à Jussara Derenji, diretora do MUFPA; a autoria da simbologia empregada pela Universidade no final da década de 1950 a PASTANA. (vide postagens anteriores)

 *”Ornamento tipográfico que os bibliófilos costumam colar na contracapa dos livros, no qual constam o seu nome ou divisa, de modo que sirva para indentificá-lo como dono da peça.” Aulete Digital.

A origem do nosso UNIVERSO: o BRASÃO da UFPA (percalços de uma averiguação pública)

O Blog da FAU tem se esmerado em investigação COLETIVA sobre a ORIGINAL simbologia adotada pela Universidade (Federal) do Pará, criada pela Lei nº 3.191 de 2 de julho de 1957.
Muitos têm colaborado e a estes somos imensamente gratos pela ciência de que todos possuímos pleno DIREITO à Memória e à História de nossa instituição.
A MEMÓRIA da UFPA não poderia VIBRAR em outro canto que não em seu Museu.
Assim víramos pela manhã de hoje, dia 28 de julho de 2010, a intensidade do brilho de um medalhão, forjado em liga ordinária, que esteve sobre as vestes talares reitoriais do primeiro MAGNÍFICO, Mário Braga Henriques, da então UNIVERSIDADE DO PARÁ, instalada em ato solene comandado pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1959, no Teatro da Paz — a mesma peça “barata” que ornou o capelo de José da Silveira Neto e, quiçá, doutros.
A diretora do MUSEU DA UFPA, Jussara Derenji, arquiteta e professora aposentada desta FAU, nos apresentou duas informações tão mais curiosas quanto insólitas:
1) O medalhão que ostenta o primeiro BRASÃO da UNIVERSIDADE no anverso e o da REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL no reverso saíra do cofre da reitoria para instalar-se, como mera CURIOSIDADE do passado, naquele Museu; fora ele substituído por outro em OURO, compondo o atual COLAR REITORIAL, sem a efígie PRIMORDIAL; e
2) O BRASÃO; “dotado de elementos da HERÁLDICA”, dito assim à Jussara Derenji pelo falecido médico José Luiz Araújo  Mindello; “fora concebido pelo ‘apeuense’ MANOEL DE OLIVEIRA PASTANA*”.
Se as informações forem precisas conclui-se que a UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, ao completar 50 anos, perdeu a oportunidade histórica de revitalizar sua TRADIÇÃO.

*”Pastana nasceu no dia 26 de julho de 1888 na cidade de Belém, ou talvez em Castanhal, no estado do Pará. Foi aluno de Theodoro Braga com quem estudou os objetos arqueológicos de Marajó, Santarém e Cunani, provavelmente alguns deles, pertencentes ao acervo do Museu Goeldi. Desenhou peças utilitárias e de decoração com elementos de origem indígena ou baseado na flora e fauna da região. Transferiu-se para o Rio de Janeiro na década de 1930. Trabalhou na Casa da Moeda, onde executou projetos para o Tesouro Nacional, criando moedas com motivos amazônicos. Para a Empresa Brasileira de Correios criou selos postais dessa mesma natureza. Suas obras podem ser encontradas no Museu do Estado do Pará, Museu Nacional e Museu de Belas Artes, os dois últimos na cidade do Rio de Janeiro. Morreu nessa cidade no ano de 1984, aos 96 anos (Informações fornecidas por Marisa Mokarzel, pesquisadora do Sistema Intergrado de Museus da SECULT/PA, através do pesquisador Nelson Sanjad do Museu Goeldi).” Publicado em história e-história (ISSN 1807-1783). 

Nossos agradecimentos à equipe técnica do Museu da UFPA: Silvana Modesto, Patrick Pardini e Jussara Derenji.