João Figueiras Lima, o Lelé

“João Filgueiras Lima (Rio de Janeiro RJ 1932). Arquiteto, urbanista, construtor. Forma-se em 1955 na Escola Nacional de Belas Artes – Enba, no Rio de Janeiro. Recém-formado, trabalha como desenhista no Instituto dos Aposentados e Pensionistas – IAP, e em 1957 recebe a incumbência de desenvolver e acompanhar a construção dos alojamentos de operários em Brasília. Mudando-se para a futura capital do Brasil, em início de construção, Lelé envolve-se na pesquisa de componentes industriais para obras em grande escala, estudo que o leva, em seguida, a viagens para países do bloco socialista europeu. Entre meados dos anos 1960 e início dos 1970, realiza seus primeiros projetos autorais: a residência para a embaixada da África do Sul, 1965, e as sedes das montadoras Disbrave-Volkswagen, 1965, Planalto Automóveis-Ford, 1972, e Codipe-Mercedes Benz, 1973, todos em Brasília. Usando os sistemas pré-fabricados de construção em série, esses projetos demonstram sua capacidade de especulação formal para componentes de concreto armado, consolidando uma linguagem própria. Suas primeiras fábricas de pré-moldados são montadas em Salvador, em 1979, para projetos urbanos criados pelo prefeito Mario Kertész (1945).

Procurando otimizar o transporte das peças e o trabalho nos canteiros de obras, desenvolve estudos com um material mais leve: a argamassa armada. Esse trabalho tem prosseguimento nas escolinhas de Abadiânia, 1982, no interior de Goiás, na “fábrica de escolas” do Rio de Janeiro, em 1984, e na Fábrica de Equipamentos Comunitários – Faec, 1985, em Salvador, voltada para a produção de peças de equipamento urbano: escada, arrimo, canaleta pluvial, banco, ponto de ônibus, passarela etc. As “fábricas de hospitais”, montadas para a construção da rede Sarah Kubitschek, para tratamento de doenças do aparelho locomotor, se iniciam concomitantemente a essas, abrindo um campo experimental que ultrapassa a fabricação de elementos construtivos unicamente arquitetônicos, incluindo objetos hospitalares. A maior conquista técnica desses projetos refere-se à qualidade do sistema de ventilação e iluminação natural, que ajuda no processo de cura dos pacientes.

Vale observar que a relação de Lelé com o programa hospitalar, que se torna íntima, nasce de um acontecimento fortuito: um acidente de automóvel com sua esposa, em 1963, que o leva a conhecer Aloysio Campos da Paz (1934), médico que depois preside a Fundação das Pioneiras Sociais dos Hospitais Sarah Kubitschek. Posteriormente, o mesmo sistema de iluminação, ventilação e pré-fabricação de componentes é aplicado em projetos de tribunais de contas e centros administrativos municipais em diversas capitais brasileiras. Seu reconhecimento em âmbito internacional se consolida com o prêmio da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, em Madri, 1998; a Sala Especial na Bienal de Veneza de 2000; e o Grande Prêmio Latino-Americano de Arquitetura da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, em 2001.” Itaú Cultural.

Um quebra-cabeça chamado Lelé (1)

Sobre Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Coordenação: professor Haroldo Baleixe.
Esta entrada foi publicada em Sem categoria e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta