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A derradeira postagem de 2016 – o Jardim Mythologico de Belém do Pará

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Fonte: Hemeroteca Digital Brasileira Biblioteca Nacional.
Publicação relacionada: Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?


Veja o que foi o Jardim Mythológico de Belém do Pará – localizado na área do hoje Jardim Independência na Magalhães Barata – em crônica publicada em O Liberal do Pará do dia 21 de setembro de 1871:

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Chamamos a atenção dos leitores que o colunista Junior Sobrinho (pseudônimo?), quando se refere a wagons e machambombas (maxambombas), quer dizer os vagões e locomotivas da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense  que tinha sua estação e garagem defronte ao Jardim Mythologico na Estrada da Independência.
Como o jornal não dá a localização do Mythologico, tem-se que focar acuradamente no ano: 1871; caso contrário há a possibilidade, por má interpretação, de um deslocamento no espaço e no tempo à Estação da Estrada de Ferro de Bragança do Jardim Público  Estrada de São José em 1888, pelo menos.
O texto é uma armadilha aos pesquisadores (atuais e do passado) porque ambas as estações ferroviárias, tanto a da Urbana Paraense na Independência (1871) quanto  a de Bragança na São José (1888), estavam defronte de notórios jardins: o Mythologico e o Publico, respectivamente.

Fonte: recortes de jornais da Hemeroteca Digital Brasileira  Biblioteca Nacional.

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A atrapalhada memória de Heliodoro de Brito em 1930 – ficção?

estrada-de-sao-joseLitografia de Joseph León Righini publicada em 1867: Estrada de São José

Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU causou polêmica por “derrubar” a pesquisa contida em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?.
A resposta correta à pergunta do programa Feira do Som da Rádio Cultura do Pará não poderia ser outra que Estrada da Independência;  todavia, uma transcrição de matéria do jornal Folha do Norte datado de 01JAN1930 assinada por Heliodoro de Almeida Brito (irmão do amazonense Paulino de Almeida Brito)  fez com que o local real fosse substituído por outro vindo da complexa memória de seu autor: Estrada de São José, onde hoje se localiza o Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército Brasileiro e já foi a Estação do Jardim Público da Estrada de Ferro de Bragança – o texto veio à baila pelo professor Fabiano Homobono.
Heliodoro parece ter trocado, sem cerimônia, o nome dos Campos Elyseos por Jardim Mythologico; os Campos Elyseos (apodo que não se popularizou),  ao que tudo indica, constituíam a área do Jardim Público explorada por Antonio do Ó de Almeida de 1880 até 1888 com a implementação da estação ferroviária na Estrada de São José – do Ó pediu indenização em 1889 pelas benfeitorias que lá fez.
O verdadeiro Jardim Mythologico, inaugurado como Circo Olympico em 1870, funcionou até 1874 na Estrada da Independência; ou seja: seis anos antes do arrendamento feito, salvo improvável homônimo, pelo sogro de Lauro Sodré na Estrada de São José.
Vejamos a análise do documento de Heliodoro em confronto com periódicos da época em que atos e fatos se deram:

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Análise do artigo de Heliodoro de Almeida Brito em PDF.


Postscriptvm:

Na realidade o Jardim Público fora explorado pela família Ó de Almeida desde 1878 quando Leopoldo do Ó de Almeida firmou contrato com a Província; com seu falecimento em 1880 Antonio do Ó de Almeida – seu pai – passou a ser o arrendatário do terreno:

recortes-leopoldo-do-oEssa novidade pretérita pode habilitar mais um filho no quadro de descendentes de Antonio do Ó de Almeida mostrado no final de José do Ó de Almeida — precursor da fotografia em Belém.


Postscriptvm 2:

diario-de-belem-16fev1888
Paulino de Brito estava com 29 anos; Heliodoro, se mais moço, tem sua primeira memória na decadência que provocou o arrendamento do Jardim Publico em 1873; depois salta para os bailes públicos, possivelmente como frequentador, para compará-los ao “nosso horto” da “imaginação de cre(a)nça” que tinha “o tosco portão que se abria para a então estrada de São José” – um escrito a serviço da Literatura não da História.


Postscriptvm 3 (07JUN2017):

Heliodoro Brito, na foto com gravata borboleta, era secretário do intendente de Belém, Antonio Facióla, no ano de 1930.

Antonio Facióla com netos e Heliodoro nos jardins da Chácara Bem-bom.

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Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU e erra

Não sabemos, por ora, se houve outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência, defronte à Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense como publicamos em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? exatamente a mesma pergunta, sem tirar nem por, feita hoje, 21DEZ2016, no programa Feira do Som de Edgar Augusto Proença na Rádio Cultura do Pará.
O Jardim Mythologico – inaugurado como Circo Olympico –, propriedade de Gomes Junior & Cia, funcionou entre 1871 e 1874; ou seja: anterior à Estrada de Ferro de Bragança e suas estações em Belém: tanto a de São Brás, quanto a da Estrada de São José, dita do Jardim Público.
Especula-se que no terreno do Mythologico erigiu-se a Fábrica de Cerveja Paraense e seja hoje parte do Jardim Independência na avenida Governador Magalhães Barata, entre 14 de Março e Alcindo Cacela.


Postscriptvm (22DEZ2016):

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Os recortes dos Relatórios Provinciais entre 1866 e 1879 dão destaque às dificuldades da implementação e manutenção do Jardim Público da Estrada de São José; são eles (os recortes) anteriores, do ano do surgimento do Jardim Mythologico na Estrada da Independência (1871) e posteriores ao seu fechamento (1874).
Nenhuma de nossas buscas apontou a localização do Jardim Mythologico nas imediações ou no lugar que edificar-se-ia a Estação da Estrada de Ferro de Bragança da São José (ou do Jardim Público) inaugurada em 1888.
Ao que tudo indica a Rádio Cultura do Pará confundiu as estações:  a da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, na Estrada da Independência (1871), com a da Estrada de Ferro de Bragança, na Estrada de São José (1888) – atual avenida 16 de Novembro.
Existe coincidência no fato de as estações terem jardins notórios nas cercanias; o que pode causar interpretações dúbias se não observadas as datações e o fato da Estrada de Ferro Paraense, em 1871, utilizar locomotivas a vapor atreladas a vagões de passageiros e cargas   trens urbanos provocadores de inúmeros acidentes à época, daí a introdução da tração animal em algumas linhas.
Pela descrição do Jardim Mytologico em 1871, é-nos contraditório qualquer semelhança com o cenário do Jardim Público de 1868:

corel095

O Relatorio da Repartição de Obras Publicas dá-nos mais detalhes do que havia no pequeno e acanhado espaço occupado pelo jardim publico:

ctui


Postscriptvm 2 (27DEZ2016):

Em resposta ao comentário de Alessandra Caleja em nome do Programa Feira do Som:

É verdade que o professor Fabiano Homobono, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e também colaborador do Blog da FAU, contestou, pós Feira do Som, a publicação apresentando uma transcrição do jornal Folha do Norte de 01JAN1930; tal documento, ora incompleto, está sendo analisado por outros colaboradores do BF, uma vez que não encontramos, ainda, nenhuma evidência em periódicos ou documentos antigos de que houvesse outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência em Belém do Pará; também nada achamos na dissertação de Nelson Rodrigues Sanjad  – referência sobre a análise da área de São José.
Obviamente o professor Fabiano pode estar certo e a ele é franqueado espaço para apresentar sua hipótese, ou mesmo tese, à apreciação pública e à contestação de Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?; por enquanto a resposta correta permanece Estrada da Independência, hoje avenida Magalhães Barata – se outro houve não mereceu a publicidade deste.


Postscriptvm 3 (27DEZ2016):

Heliodoro de Almeida Brito ao escrever na Folha do Norte de 01JAN1930 sobre sua imaginação de crença (creança?) e completando o quadro diluído por uma farta penca de janeiros… pode ter confundido o Jardim Mythologico com os Campos Elyseos, propagandeado como Antigo Jardim Publico em 1881:

campos-elyseos-diario-de-noticias-10jul1881

As investigações permanecem.


Postscriptvm 4 (27DEZ2016):

O Artigo 25 da Lei 778 de 09SET1873, por intermédio do Diario de Belém de 14OUT1873, diz:

diario-de-belem-14out1873

O Jardim Mythologico da Estrada da Independência é anterior à tal lei: com funcionamento entre 1870 (Circo Olympico) e 1874  em local privado de propriedade de Gomes Junior & Cia sito à Estrada da Independência.
A autorização à abertura de concessões do espaço público pode ter propiciado diversas ideias à exploração daquela área como se vê nos anos de 1882, 1883 e 1884 (antes da inauguração da Estação de São José da Estrada de Ferro de Bragança, mas posteriores ao Mythologico da Independência):

jp-1882-1884


Postscriptvm 5 (27DEZ2016):

Definitivamente o artigo escrito por Heliodoro de Almeida Brito na Folha do Norte de 01JAN1930 não se sustenta diante das notas dos jornais da época dos acontecimentos reais:

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Em demolição a obra brutalista de Roberto de La Rocque Soares

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Google Street View 2016

Resultado da pesquisa: Roberto de La Rocque Soares no Blog da FAU.
Veja o álbum montado com fotografias tiradas em 08NOV2016 com a permissão da construtora: Residência Reinaldo Silva – projeto Roberto de La Rocque Soares.

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Independência, Cypriano Santos, Independência ― 10 anos de confusão na avenida

corel057A fotografia acima ilustra o Relatório 1930 do intendente Antonio de Almeida Facióla; chamamos a atenção para o Avenida da Independencia em seu título.
De fato enxergamos a Avenida da Independência (hoje Magalhães Barata) na esquina da 22 de Junho (atual Alcindo Cacela) com fuga à Avenida Nazareth.
O prédio do canto esquerdo ainda está lá, conservado:

corel060Imagem do Google View 2016

Em outra página (32) do Relatório 1930 de Facióla encontramos uma nota de isenção de imposto predial na referida via com o nome de Avenida Cypriano Santos:

corel055Supomos tratar-se do Palacete Passarinho erigido em área urbanizada, todavia, os herdeiros não reconhecem o nome Amélia Pereira Passarinho que pode ter sido grafado de modo equivocado pelo senador estadual e intendente de Belém.
Acreditamos, além das informações contidas em periódicos, que a homenagem feita ao médico e político Cypriano José dos Santos não se popularizou naquela área, já que a própria Intendência Municipal de Belém a renegou ao dualizá-la em documento público.

casa-salomao-almanak-laemmert-1931A até hoje emblemática Casa Salomão situava-se na Avenida Cypriano Santos nº35, lado ímpar, em 1931

Diante da ausência da documentação oficial que instituiu e destituiu o nome do doutor Cypriano Santos à Avenida da Independência o professor Fabiano Homobono fez um alerta ao mapa coordenado por José Sidrim em 1905; naquela carta Sidrim dá a projeção da Avenida da Independência em linha reta até um bosque fronteiriço ao Boulevard da Câmara (hoje Perimetral da Ciência).
Das plantas mais populares de Belém a de Sidrim é a única que estica a via nominando-a como da Independência, transpassando, em seu planejamento, o centro do grande largo de São Brás (ou Floriano Peixoto com a República).
Odorico Nina Ribeiro (1886) e Theodoro Braga (1918) usam o mesmo traçado sem identificar o logradouro naquele prosseguimento.
Um mapa comercial elaborado por Maÿr Sampaio Fortuna (1948) representa a realidade aproximada do Google Maps: o desalinhamento da avenida que só recupera o gabarito projectual em seu final, na Passagem Santa Cruz, uma continuação recente (pós Maÿr) da Cypriano Santos:

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Maÿr parece dizer em seu desenho que o Mercado Renascença (ou de São Brás) rompe a visão posterior à Avenida (seja da Independência, Cypriano Santos ou a hoje Magalhães Barata), estabelecendo aí seu ponto terminal lógico à percepção da população.
Esse hiato, ou independência das duas vias, possivelmente garantiu a permanência do nome de Cypriano no periférico e populoso bairro de Canudos originado com as atividades da Estação da Estrada de Ferro de Bragança no início do século XX em parte da superfície da Quinta de Queluz.


Postscriptvm (17MAR1917):

Nota enviada pelo colaborador Aristóteles Guilliot de Miranda estende o período da mudança no nome da avenida.

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Arquitetura e Urbanismo Fotografia antiga História Memória

Complexo Fábrica de Cerveja Paraense (2)

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A fotografia acima, sem datação, nos é inédita; foi ela enviada pelo colaborador Igor Pacheco, editor do Fragmentos de Belém, e mostra a sequência dos prédios postos à venda em 1940: Cinema Popular, Bar Pilsen, Fábrica de Cerveja Paraense e Bar Theatro Paraense; todavia, o que se vê na marcação do Cinema Popular é o Botequim Casa Machado: Tabacaria, Botequim e Bilhares.

A Fábrica de Cerveja Paraense – que não possui relação alguma com a CERPASA, Cervejaria Paraense S. A. fundada em 1966 – ocupou o cenário da principal via de expansão e integração de Belém: a Avenida da Independência, antes Estrada do Utinga, do Maranhão; bem como viu seu endereço mudar nominalmente para Avenida Cypriano José dos Santos na década de 1920 e retornar à Independência nos anos 1930, com nova numeração que trocou o seu 12 por 78.
Ainda não descobrimos os extremos do intervalo em que a Avenida Independência foi chamada Cypriano Santos; possivelmente após a morte do próprio, médico e político, em 1923 – sabe-se, pelo Almanak Laemmert, que em 1935 já estava desfeita a homenagem e a F. C. P. era achada na Avenida da Independência nº78.
Ernesto Cruz, à página 94 de Ruas de Belém, equivoca-se, em cinco anos, com o falecimento de Cypriano – O Bar Pilsen, vizinho à F. C. P., quando explorado por Affonso Lopes & Cia. em 1925, já ocupava o número 14 da Cypriano Santos, indivíduo extinto na condição de vice-governador do Pará por ser o presidente do Senado do Estado.

Fontes: jornais 1923-1935.


relatorio-lemos-pg-257-1906A imagem publicada no Relatório 1906 do intendente Antonio José de Lemos mostra o núcleo fabril pioneiro no primeiro ano de funcionamento da Fábrica de Cerveja Paraense; observe-se a cerca de madeira, recém construída, no sentido longitudinal do terreno, com perspectiva à Estrada da Constituição (hoje Avenida Gentil Bitencourt); a iconografia sugere o limite lateral primitivo do terreno comprado de Dona Maria da Ponte e Souza em 1899, seis anos antes.

Se comparados dois recortes, um publicado em Os 21 anos da Fábrica de Cerveja Paraense e o outro em O Complexo Fábrica de Cerveja Paraense, notaremos a diferença de  10.240m² entre os anos de 1926 (29.760m²) e 1947 (40.000m²) quando a Fábrica de Cerveja Paraense foi vendida, pelo Governo do Estado do Pará, à Companhia Cervejaria Brahma:

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O acréscimo significativo na superfície do terreno, salvo falhas da impressão tipográfica dos jornais, abre dúvida para quando a Casa Machado e o Bar Pilsen passaram a integrar o patrimônio da F. C. P. que em 1926 teve melhoramentos divulgados em periódico carioca como inauguração (aos 21 anos de funcionamento) feita pela diretoria composta por Antonio de Almeida Facióla, Eduardo Tavares Cardoso e Menasses Belsimon.
Os investimentos dessa nova administração da usina propiciaram uma sobrevida de 13 anos; quando, em 1939 há a sua liquidação e inúmeros funcionários e operários, muitos dos quais com 15 e 30 anos de serviço, perdem seus empregos.
O Paiz de 12SET1926, mesmo na evidência da propaganda, deu sinais do risco: a F. C. P. tinha capacidade produtiva para 5 milhões de litros anuais de cerveja, porém, pela retração do mercado, só fabricava a metade, diversificando o potencial do novo maquinário com refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas.
O Correio da Manhã (RJ) de 22JUL1930 diz que as rendas gerais da F. C. P. caíram 470:919$740 em relação ao primeiro semestre de 1927 quando o decréscimo iniciou constância.
A situação  agravou-se paulatinamente e em 1933 surge uma greve que, dentre outras reivindicações trabalhistas, exige o restabelecimento de chopp aos reclamantes – some-se a isto, no mesmo momento, uma multa elevada (130:000$000) de imposto federal por sonegação aplicada à usina.
A Manhã (RJ) de 20AGO1935 dá panorama à política paraense destacando à imprevisibilidade do velho trapezista Antonio Facióla como um dentre os dois protagonistas da vitória na eleição indireta e fisiológica do advogado José Carneiro da Gama Malcher ao Governo do Pará – Facióla faleceria em 1936 como deputado estadual, mas fora senador do Estado e, concomitantemente, intendente municipal.
Morto Facióla a Fábrica de Cerveja Paraense ficaria mais três anos em funcionamento, até 1939; certamente a desenvoltura e prestigio do abastado comendador em governos distintos – Eurico Valle, Magalhães Barata e José Malcher – converteram-se em subsidio tácito à Sociedade Anônima que durou quarenta anos.
Em 27 de julho de 1940 a F. C. P. é posta em malogrado leilão; somente em 1943 é desapropriada, a bem da utilidade pública, pelo interventor Magalhães Barata que por ela pagou quatrocentos mil Cruzeiros; Barata intencionava instalar na antiga fábrica um magnífico modelo que resolveria o problema  de abastecimento de carne verde à população – a F. C. P. era dotada de espaçosas câmaras frigoríficas que alugava a importadores de gêneros perecíveis ou a qualquer que pudesse pagar por elas.
Em 1947, por decreto-lei, o major Moura Carvalho, então governador do Estado do Pará, vende a F. C. P. à Companhia Cervejaria Brahma do Rio de Janeiro, com a condição de que no local fosse instalada uma moderna fábrica de cerveja.
A Brahma fez da F. C. P. depósito e manteve em funcionamento, dentro do complexo que adquiriu, o Bar Pilsen (nota de revitalização do lugar em 1947) e o Cinema Popular (notícia policial de 1951).
Por ora desconhecemos as ocorrências com  a Fábrica de Cerveja Paraense entre 1951 e 1962, quando os paraenses Alcyr Boris de Souza Meira e Geneciano Fernandes Luz adquiriram, intermediados pelo escritório Freitas Valle do Rio de Janeiro, toda a área dita de 40.000m² da Brahma e lá planejaram o Loteamento Jardim Independência, objeto de matéria futura.

Fonte: jornais 1925-1951.


Postscriptvm (16/12/2016): o recorte abaixo mostra o Cinema Popular em funcionamento em 1929, ano em que Antonio de Almeida Facióla fora nomeado intendente municipal pelo governador Eurico de Freitas Valle:

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A mudança do nome da Avenida da Independência para Cypriano Santos, a qual estimamos uma duração de 10 anos entre 1925 e 1935, provoca confusões nas investigações.


Postscriptvm (17MAR1917):

Nota enviada pelo colaborador Aristóteles Guilliod de Miranda mostra que a avenida da Independência passou a ser chamada de Cypriano Santos em 1924.

 

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Divulgação

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Annuncio da Fábrica de Cerveja Paraense

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corel030Fonte: Annuncios do Almanak de Laemmert
1919, 1923 e 1924.

O mesmo annuncio fora publicado no Almanak Henault de 1910; só não sabemos se em cores.

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Vicente Salles diz que Theatro Bar Paraense tinha estrutura de ferro

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O postal mostra um pórtico com arco em ferro onde se consegue ler apenas ja Paraense sugerindo Fábrica de Cerveja Paraense; isto à esquerda do Theatro Bar Paraense que, segundo Vicente Salles, era bela estrutura de ferro.
Busca-se, para substituição, imagem com melhor resolução.

Fonte do texto:
Épocas do Teatro no Grão-Pará ou Apresentação do Teatro de Época (Tomo I).


Postscriptvum:
A afirmativa de Vicente Salles não vai de encontro ao que disse ao BF o professor Alcyr Boris de Souza Meira que em 1962 adquiriu toda a área da Fábrica de Cerveja Paraense da Brahma junto com sua família e o comandante Geneciano Fernandes Luz:

Quando compramos o terreno o Theatro Bar Paraense não estava mais lá, já tinha sido desmanchado; naquela área por trás dele (Theatro Bar Paraense) só sobraram os edifícios da fábrica com a grande chaminé, todos em ruínas. Havia um prédio industrial com uma estrutura toda de alvenaria com paredes de oitenta centímetros a um metro de espessura que necessitou de muita dinamite para a sua demolição. 

Alcyr não soube responder qual o material empregado no Theatro Bar Paraense pois sua memória do lugar é remota, de criança, quando lá ia com seu pai tomar sorvetes.
Pelo anúncio de venda da Fábrica de Cerveja Paraense em 1940 é sabido que o Bar Paraense existira, pelo menos, até o referido ano.
Alcyr nasceu em Belém no dia 08 de abril de 1934.

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O Theatro Bar Paraense visto do bonde por Theodoro Braga em 1916

dd6Dahi entra êlle na bella, vasta e extensa Avenida da Independência, e logo no começo destacamos á esquerda, dentro de seu gracioso e florido jardim, o imponente edificio de educação de meninas orphãs e desvalidas, denominado Instituto Gentil Bitencourt e em frente o theatrinho Bar Paraense. Esse lugar é bastante movimentado: alem de ser ponto de passagem de bond, e final das linhas de tramways de Nazreth, ha o dito teatrinho, com uma confeitaria-bar, e junto, a grande Fábrica de Cerveja Paraense.

Theodoro Braga em foto e texto do  Guia do Estado do Pará de 1916.

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O Complexo Fábrica de Cerveja Paraense

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Postais ampliáveis

Os postais acima aparentam ser da mesma época – note-se o kiosque em ambos –, não possuem datação*, mas dão à vista o conjunto da Fábrica de Cerveja Paraense composto, na sequencia da numeração da via, pelo Theatro Bar Paraense (4), pelo gradil da Fábrica com dois portões para carros (3), o Bar Pilsen (2) e o Theatro Popular (1).
Esse complexo fabril e comercial foi posto à venda depois de decretada, em 12 de abril de 1940, sua penhora por ação judicial do Banco do Pará.
Anúncio da venda publicado em jornal da capital da República no mês de  junho de 1940:

jornal-do-commercio-09jun1940

Ampliável

O cruzamento das informações acima permitiu um esboço da localização dos prédios em questão na extensão da Avenida da Independência:

conjunto-perspectiva-fcp-2

A perspectiva (ampliável) será necessária às publicações futuras e a ela se recorrerá como referência do que fora (supostamente Circo Olympico/Jardim Mithologico) e do que seria o lugar (Jardim Independência).

*O selo de 50 Réis com a efígie de Alvares Cabral, segundo sites filatelistas, faz parte da coleção Alegorias e Próceres da República; o carimbo de postagem sugere o ano de 1911, mas o selo circulou entre 1906 e 1917 – há possibilidade das fotografias serem de 1910 no final da intendência de Antonio José de Lemos (1897-1911).


Postscriptvm:

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Postal do mesmo período revela o que se via a partir do portão de autos da Companhia de Cerveja Paraense.

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Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?

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Alguém ouviu falar em Circo Olympico ou Jardim Mythologico? Parece que nem o filigranista Vicente Salles, que bem descreve o fervor da pluralidade cultural nas cercanias do Largo de Nazaré em A Música e o Tempo no Grão-Pará, tomou conhecimento desse paraíso privado explorado por Gomes Junior & Cia. que arrebatou público e notabilizou-se à semelhança do Theatro de N. S. da Paz e Theatro Chalet entre 1871 e 1874 no Almanach Administrativo, Mercantil, Industrial e Noticioso da Província do Pará.
Inaugurado como Circo Olympico no final de 1870 em 04 de junho de 1871 foi rebatizado Jardim Mythologico sem mudar de lugar: à Avenida da Independência defronte da estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense que naquele ano (1871) iniciara suas atividades de transporte coletivo e carga por wagons atrelados a locomotivas a vapor – só depois, em retrocesso, viriam os animais como força motriz complementar a essa atividade da Urbana.
Para melhor entendimento do que compunha aquele espaço particular de recreio público é fundamental ler Variedades Manduca em O Liberal do Pará de 21SET1871; essa matéria dá substância à especulação de que a área do Jardim Mythologico fora a mesma onde se erigiu a Fábrica de Cerveja Paraense.

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É difícil crer que uma usina implementada ao longo de cinco anos, ainda necessitada das ampliações que realmente teve com o aumento da produção e a diversidade de atividades comerciais em seu terreno, daria prioridade (o postal mostra o embrião do complexo) a um jardim com pavilhão delgado em franco contraste à fortificação inerente à Fábrica de Cerveja Paraense.
Seria mais convincente a hipótese de o jardim demarcado e o coreto serem equipamentos remanescentes do Jardim Mythologico; o qual, além de área planejada em harmonia com a flora, possuía edificações típicas e pavilhões; inclusive houve destaque em propaganda de 1872 à inauguração do Pavilhão de Apollo:

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Ampliável

Sabe-se, pelos relatos de Jacques Ourique em O Estado do Pará na Exposição de 1908, que o terreno destinado à construção da Fábrica de Cerveja Paraense fora adquirido de Dona Maria da Ponte e Souza em 1899; todavia, ainda não encontramos nenhuma relação desta com Gomes Junior e Cia. proprietários ou usuários do lugar 25 anos antes da negociação.

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O jardim acompanha a evolução construtiva da FCP tendo também seus acréscimos (pavilhão com telhas de barro e pombal) e reformulações paisagísticas

O texto trabalha com suposições portanto novas informações pretéritas podem tanto corroborar quanto combalir este raciocínio possível pelas raras imagens disponíveis da Fábrica de Cerveja Paraense (nenhuma do Jardim Mythologico).

Fontes da matéria:
Jardim Mithologico e Companhia Urbana da Estrada de Ferro de Paraense.

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Succursal da Real Fábrica Palmeira à Avenida da Independência, 12

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O Almanak Henault de 1910 provoca grande confusão ao publicar uma fotografia da Succursal da Real Fábrica Palmeira antes da construção do Theatro Bar Paraense e, na mesma página comercial, a imagem do dito em pé e pleno funcionamento.
A Succursal da Independência fora erigida em terreno próprio e distinto – apesar de contíguo – ao do Theatro Bar Paraense; este levantado na área pertencente à Companhia de Cerveja Paraense adquirida em 1899, por tal sociedade anônima, de Maria da Ponte e Souza, segundo o livro O Estado do Pará na Exposição de 1908, de Jacques Ourique – por algum contrato, que não sabemos do teor, a firma de Jorge Corrêa e Cia. explorava o Theatro Bar Paraense:

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A Palmeira da Independência, como mostra o detalhe de um postal (sem datação) da última edição (2014) do Belém da Saudade, acoplou-se ao Theatro Bar Paraense desaparecendo da vista o alpendre que estava em território da Fábrica para dar lugar ao portal (moldura) com a inscrição Palmeira.
O hoje número 130 daquela via (avenida Governador Magalhães Barata) guarda em sua fachada raro resquício do que fora a Succursal da Independência: a bandeira gradeada em ferro, aparentemente original, na porta que remanesce:

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Por ora não se tem imagens do interior da Succursal da Independência (nem da época, nem atuais); contudo, o lugar conserva mais evidências:

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A marcação da cobertura original e os acréscimos feitos na edificação podem ser vistos pelo prédio a ela vizinho onde se percebe, com o declive do terreno, a dimensão de um pavimento inferior que hoje tem, por seu respiro na fachada e acesso interno, a conformação de porão e é habitado por  inquilino distinto ao do nível da rua com assoalho a menos de metro e subida por pequena escada com corre-mão – certamente arrumações de reformas e/ou adaptações.

muralha

Ao final da área construída (original mais aditivos), aproximadamente 40 metros pela régua do Google Earth no sentido longitudinal do terreno de uns 65, revela-se uma muralha não rebocada [propositalmente(?)] pela face no quintal da casa.
Sem acesso ao pavimento de baixo [porão(?)] e ao quintal não foi possível verificar se os tijolos possuem prensagem de alguma olaria regional ou mesmo da Companhia Fluminense de Tijolos ou outra usina carioca de cerâmica gerenciada pelo engenheiro industrial espanhol Claudio Solanes; o certo é que o espesso muro ou parede é parte da demarcação dos limites do Jardim Independência guardião do desenho e metragem da superfície de 40.000 m² que pertenceu à Fábrica de Cerveja Paraense.

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Arquitetura e Urbanismo Artes Plásticas História Memória

O Pavilhão de Flora; por Joseph Léon Righini

flora

O italiano Joseph León Righini litografou o Largo de Nazareth e nele o Pavilhão de Flora demolido à construção do Pavilhão de Vesta em 1891.

Mais em O desabamento do Pavilhão de Vesta no Largo de Nazareth.