Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?

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Alguém ouviu falar em Circo Olympico ou Jardim Mythologico? Parece que nem o filigranista Vicente Salles, que bem descreve o fervor da pluralidade cultural nas cercanias do Largo de Nazaré em A Música e o Tempo no Grão-Pará, tomou conhecimento desse paraíso privado explorado por Gomes Junior & Cia. que arrebatou público e notabilizou-se à semelhança do Theatro de N. S. da Paz e Theatro Chalet entre 1871 e 1874 no Almanach Administrativo, Mercantil, Industrial e Noticioso da Província do Pará.
Inaugurado como Circo Olympico no final de 1970 em 04 de junho de 1871 foi rebatizado Jardim Mythologico sem mudar de lugar: à Avenida da Independência defronte da estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense que naquele ano (1871) iniciara suas atividades de transporte coletivo e carga por wagons atrelados a locomotivas a vapor – só depois, em retrocesso, viriam os animais como força motriz complementar a essa atividade da Urbana.
Para melhor entendimento do que compunha aquele espaço particular de recreio público é fundamental ler Variedades Manduca em O Liberal do Pará de 21SET1871; essa matéria dá substância à especulação de que a área do Jardim Mythologico fora a mesma onde se erigiu a Fábrica de Cerveja Paraense.

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É difícil crer que uma usina implementada ao longo de cinco anos, ainda necessitada das ampliações que realmente teve com o aumento da produção e a diversidade de atividades comerciais em seu terreno, daria prioridade (o postal mostra o embrião do complexo) a um jardim com pavilhão delgado em franco contraste à fortificação inerente à Fábrica de Cerveja Paraense.
Seria mais convincente a hipótese de o jardim demarcado e o coreto serem equipamentos remanescentes do Jardim Mythologico; o qual, além de área planejada em harmonia com a flora, possuía edificações típicas e pavilhões; inclusive houve destaque em propaganda de 1872 à inauguração do Pavilhão de Apollo:

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Sabe-se, pelos relatos de Jacques Ourique em O Estado do Pará na Exposição de 1908, que o terreno destinado à construção da Fábrica de Cerveja Paraense fora adquirido de Dona Maria da Ponte e Souza em 1899; todavia, ainda não encontramos nenhuma relação desta com Gomes Junior e Cia. proprietários ou usuários do lugar 25 anos antes da negociação.

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O jardim acompanha a evolução construtiva da FCP tendo também seus acréscimos (pavilhão com telhas de barro e pombal) e reformulações paisagísticas

O texto trabalha com suposições portanto novas informações pretéritas podem tanto corroborar quanto combalir este raciocínio possível pelas raras imagens disponíveis da Fábrica de Cerveja Paraense (nenhuma do Jardim Mythologico).

Fontes da matéria:
Jardim Mithologico e Companhia Urbana da Estrada de Ferro de Bragança.

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