A exposição “Rastros Expressivos – Embates de uma geração 80/90 – Belém” segue em cartaz na Galeria Graça Landeira do Museu de Arte da UNAMA com obras de Nina Matos, Dina Oliveira, Rosangela Britto, Simões, Jorge Eiró, Geraldo Teixeira e Charles Nascimento. E temos uma novidade para hoje, dia 21/05, quinta-feira, às 19h. Vamos iniciar a série de Rodas de Conversa da programação da mostra. O Abre Alas das rodas ficará a cargo da dupla Jorge Eiró e Geraldo Teixeira. Sob o título BELÉM ANOS 80 – POÉTICAS PICTÓRICAS E DEVANEIOS DE UMA CENA, Eiró e Geraldo farão um relato sobre a produção plástica daquela década, incluindo as diversas histórias dos loucos anos 80 e da constante militância artística que envolve o circuito da arte. Com mediação de Yasmin Gomes, curadora da mostra, os artistas também irão falar do diálogo estabelecido entre as poéticas da cena de Belém e a produção nacional, animada pelo eixo Rio-SP e denominada de GERAÇÃO 80. A roda de conversa acontece no contexto temático da mostra, recorte da pesquisa de mestrado de Yasmin Gomes defendida no Programa de Pós-graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura, sobre a poética expressiva brasileira das décadas de 80 e 90, em diálogo com movimentos anteriores da história da arte ocidental. “Rastros Expressivos – Embates de uma geração 80/90 – Belém” é uma realização do PPGCLC e Grupo de Estudos e Pesquisa Arte, Imagem e Cultura, coordenado pelo Prof. Mariano Klautau Filho. Visitação de segunda a sexta, das 14h às 18h. (release)
Os conversadores Geraldo Teixeira e Jorge Eiró hoje (quinta), às 19 horas, na UNAMA Alcindo Cacela
Matéria televisiva publicada no Jornal Hoje de sábado, dia 18ABR2026.
“… Mas a inspiração veio do Modernismo; no Brasil, um dos artistas mais importantes da Arquitetura Modernista, foi o paulista Burle Marx, o paisagista também usava azulejos para produzir mosaicos. Na época, em Belém, não existia fábrica de azulejos, tudo vinha de fora do Estado, de caminhão; mas, na estrada, muito material quebrava; para não ficar no prejuízo, as lojas vendiam os cacos coloridos, a kilo, mais baratos; a criatividade dos compradores deu origem a essa arquitetura tipicamente paraense e o estilo conquistou, principalmente, quem não tinha dinheiro pra contratar engenheiros, e arquitetos.” (Jalília Messias)
O texto acima é a transcrição da fala da telejornalista Jalília Messias com repercussão nacional pelo canal aberto da Tv. Globo. Em primeiro lugar não entendemos o porquê da referência direta a Roberto Burle Marx: o mosaico é uma técnica milenar (3.000 antes de Christo); portanto, há muito, de domínio público a todos os povos. Seria pela mudança das ondas em Copacabana feita por ele (Burle Marx) nos anos 1970, tornando o calçadão da praia carioca o “maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo” (mais de 4km de abstração portuguesa girada em 90°)? sabe Deus. Por que Jamília não citou Athos Bulcão, ou outro, dentre tantos artistas contumazes fazedores de painéis para prédios? Outro fato esquisito é atrelar o uso de cacos de azulejo à Belém-Brasília, como se Belém não se comunicasse por navio e avião com as outras regiões do país ou continentes – e azulejo (europeu) tem por aqui faz tempo, né? Estilo também parece um termo inadequado diante do que disse a professora Cybelle Miranda: “Daí terem dado esse apelido né, de Raio-que-o-parta; uma coisa cafona, kitsch, né: algo que não merecia ser considerado inclusive como arquitetura”. Espécie de estilo é como o professor Aldrin Moura de Figueiredo enquadra tal prática: … uma leitura popular do moderno. O “Raio que o parta” é uma expressão de modernidade dos anos 1940 e 1950, vinda da engenharia e da arquitetura, lida pelos mestres de obra paraenses de classes baixa e média e transformada numa espécie de estiloincorporado pela população. Seria possível sintetizar os doutos no assunto dizendo que é A ARQUITETURA BREGA DO PARÁ? E como arquitetura de enfeitar e impermeabilizar fachadas, tem sua história baseada nos experimentos modernistas em mosaico de cacos de azulejos praticados pelo artista plástico e engenheiro civil paraense Ruy Augusto de Bastos Meira. Ruy Meira, de família com posses e poder, tinha sua antena voltada às vanguardas do mundo: bebia em Paul Klee e Kandinsky (professores da Bauhaus que trabalhavam com gestalt) para praticar (ou manufaturar) o seu ABSTRACIONISMO. Ruy Meira criava suas composições combinando figuras orgânicas com geométricas, uma das quais o triângulo (regular ou irregular), que poderia tanto se parecer com um milenar origâmi, quanto com uma cadeira Zig-Zagcriada por Gerrit Rietveld em 1934; ou: com banal estilização de raio ilustrada no peito do Capitão Marvel no início dos 1940 – cabe ao intelecto o nível dessas associações. Em outras palavras: o abstracionismo (no qual você vê o que você reconhece) de Ruy figurativou o hoje nacionalmente famoso Raio-que-o-parta (A Arquitetura Brega do Pará) à revelia de seu autor. Ruy Meira não é o Raio-que-o-parta; contudo, o Raio-que-o-parta é Ruy Meira: afinal: enxergaram em suas especulações triangulares os raios que careciam ver e ter no frontispício dos lares).
Ruy Meira em seu ateliê e fotos de sua casa modernista no Mosqueiro (construção de 1952) cravejada de azulejos em cacos: nenhum raio.
O rigor técnico de Ruy em mosaico de cacos de 1953 na casa construída em parceria com a também engenheira civil Angelita Silva, proprietária do imóvel herdado por Sílvia e Benedito Nunes: nenhum raio.
Fotografia de Patrick Pardini cedida pelo professor Nelson Sanjad: Nelson escutou da própria Angelita que o trabalho fora uma homenagem dela ao arquiteto catalão Antoni Gaudí com a aquiescência e a corporificação de Ruy Meira.
Fotos da casa Silvio Meira (irmão de Ruy) e do mosaico de cacos de azulejos planejado e executado por Ruy em 1954: nenhum raio – material do acervo acadêmico da professora Celma Chaves.
Dois mosaicos de cacos assemelhados aos experimentos compositivos de Ruy Meira: nenhum raio, triângulos; o primeiro da Casa Gabbay em foto de Celma Chaves; o segundo, retirado do vídeo, é da sacada do apartamento de Manoel Pinto da Silva, no prédio de mesmo nome – investiga-se se saíram da prancheta de Ruy Meira; ou: da de algum pupilo seu.
A sede social do Clube do Remo (Palácio Azul), em verbete da popular Wikipédia, é carimbada como “… no estilo ‘Raio-que-o-parta’…”; o argumento: “cacos de azulejos”:
Os dois painéis do Palácio Azul, projeto arquitetônico de Camilo Porto de Oliveira, são de autoria do sobrinho de Ruy Meira: Alcyr Boris de Souza Meira, engenheiro civil 12 anos mais moço que o tio, que também usou planos de parede para se expressar plasticamente; todavia, Alcyr, jamais fez mosaicos de cacos de azulejos, planejou e executou tais painéis em pastilhas VIPAX – Mosáicos e Ladrilhos de Vidro Lompi S. A. treinando equipe em Belém para montá-los em “panos” para assentamento remoto; Alcyr também não se arriscou no abstracionismo, foi figurativo em obras públicas e privadas a ele encomendadas entre a segunda década dos anos 1950 e início dos anos 1960, como no caso do Remo: representando os esportes praticados pela agremiação em competições.
Fotografias de detalhes dos dois painéis da sede social do Clube do Remo assinados por Alcyr Meira: pastilhas vidrosas VIPAX aparentemente pintadas com esmalte em alguma “revitalização” (ou apagamento?) – certamente o painel recuperado ao original (vidro) revelará distintos tons de azul, incluindo o adversário celeste.
O Laboratório Virtual está angariando material necessário à publicação dessa vertente da obra de Alcyr Meira que não tem raios e nem é feita com cacos de azulejos; portanto: não é da hoje festejada Arquitetura Brega Parauara apelidada pejorativamente de Raio-que-o-parta.
A colagem digital acima utilizou duas fotografias de época: a do Cinema Olympia, de 1915 e a do Museu Commercial do Pará (originalmente Cinema Radium), de 1919; na realidade são duas edificações planejadas à diversão púbica: o Olympia foi uma adaptação feita no Café Madrid; já o Radium, uma obra que desde os alicerces intentava a exibição de filmes.
Cinema RADIUM?
Certamente o RADIUM não habita o imaginário popular; afinal: nenhuma alma do planeta assistiu a uma fita naquele prédio que todos conhecemos (hoje) como Teatro Experimental Waldemar Henrique.
Ao contrário do anunciado pelo jornal o Estado do Pará de 27JAN1913, o Radium jamais inaugurou; o prédio ficou abandonado de 1913 até 1918 – 5 anos, tal qual o Theatro Nossa Senhora da Paz. A história dessa edificação levantada em plena Praça da República (parque João Coelho) é resumida por Vicente Salles no artigo O RETÁBULO DE WALDEMAR HENRIQUE, escrito que compõe o primeiro álbum da Série Restauro da Secult.
Mas… tratemos o RADIUM como cinematógrafo: função específica de seu projeto, de sua execução e na condição em que foi abandonado no dia 04 de abril de 1913 em consequência da rescisão contratual publicada no Estado do Pará – no pós hiato (1913-18), resumimos Vicente: o prédio, desde 1919, hospedou o Museu Commercial do Pará, a Caixa Econômica Federal e a Paratur; até se transformar no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em 1979.
O jornal Estado do Pará, nas publicações dos dias 17 e 19 de julho de 1913, dá detalhes construtivos tanto do CINEMA (RADIUM), quanto do BAR a ele vizinho, também objeto do mesmo contrato com a Intendência Municipal – o tal bar é hoje a sede do Instituto de Ciências da Arte da UFPA. A descrição das obras, ambas contemporâneas ao Olympia e ao Grande Hotel (isento de décimas em 1913 por 5 anos), revela-nos o uso de trilhos de ferro como vigas (vergas); no caso do cinema (Radium) o texto ressalta o propósito: “… com grande número de janelas laterais para a ventilação …”.
Diante de diversas fotos da remodelação do Olympia publicadas na Internet, chamou-nos a atenção as que mostram um perfil de trilho de ferro assentado sobre pilares de alvenaria; assim, em consulta técnica ao professor Márcio Barata – também editor deste laboratório -, soube-se que a peça tinha a função de reduzir a altura dos pilares, evitando a flambagem desses pela carga vertical; também definia os vãos-luz do salão de concertos e os acessos principais ao edifício; desse modo se deduz que o trilho fora componente imprescindível à fachada original de 1912 e, por consequência, a viga de concreto mais acima, seria do plano de Arlindo Guimarães, executado na reforma de 1940: de características modernistas. (O vigão mais abaixo não nos interessa porque é pós Arlindo: quando tudo se torna miscelânea.)
Poder-se-ia dizer que o trilho de ferro, no Olympia, compõe o arcabouço da fachada de 1912; sem ele o cinema não teria a conformação que perdurou até 1940.
Os vãos-luz da lateral do prédio projetado para ser o cinematógrafo Radium, fechado entre 1913 e 1918, quando passa a ser explorado, com aval do governador Lauro Sodré, pela Associação Commercial do Pará.
O vasto espaço da sala de exibições do Cine Radium em 1919 já adaptada para funcionar como Museu Commercial do Pará; pela fotografia é possível compreender o emprego dos trilhos ou vigas de ferro (vergas) agregados às paredes que suportaram a pesada cobertura e forro, assegurando a necessária abertura dos múltiplos e simétricos vãos-luz.
Aqui se juntou os cinemas belenenses Olympia (1912) e Radium (1913) ao Kurssal Bahiano (1919) do engenheiro italiano Filinto Santoro; além da similitude tipológica dos edifícios, há de se frisar que o Kurssal Bahiano foi uma concessão de espaço público (Praça Castro Alves) à exploração privada (por Portella Passos & Cia – Filinto era o único sócio de José Portella Passos): uma casa de espetáculos (teatro e cinema) e um kiosque (bar) vizinho – tal qual o contrato que o também engenheiro italiano Arthur Liguori assinou com a Intendência Municipal de Belém.
O artigo do professor Oswaldo Coimbra, aposentado pelo ITEC – Instituto de Tecnologia da UFPA -, foi publicado no siteVER-O-FATO no 29 passado. Após a leitura dos nomes dados aos bois, observou-se que há dois registros audiovisuais que bem ilustram o escrito:
“Começamos a entrar em contato com fazendeiros de outras regiões do país. Fiz, na época, uma série de visitas por todo o país. Entrei em contato com pessoas do Norte, Sul, Sudeste e Leste do país e discutimos as formas de se obstruir o levante que estava sendo articulado. Trocávamos informações sobre os principais líderes comunistas das regiões. Nestes contatos percebi também que todos os fazendeiros estavam se armando e distribuindo armas por todas as suas propriedades para serem usadas na eventualidade de termos que enfrentar as esquerdas organizadas da época. Não foi necessário, felizmente. Feitos os contatos e com um completo dossiê dos principais líderes esquerdistas do Pará encaminhei-me para a 8a Região Militar e entreguei um relatório completo de todos os envolvidos. Paralelamente, em minha casa, fazíamos reuniões, quase diariamente, para conseguirmos adesões dos indecisos e estabelecermos o plano final para o levante. Entre os conspiradores, de então, encontrava-se o atual senador, na época, tenente-coronel Jarbas Passarinho, o atual governador Alacid Nunes, Clóvis Morais Rego, José Alberto Couto da Rocha, Laércio Franco e outros. Concomitantemente, nossas esposas organizavam junto à Igreja, a famosa marcha, por todos conhecida, como Deus pela Família”. (Médico e pecuarista Cláudio Dias em citação no artigo de Oswaldo.)
Material original do projeto ANOS DE CHUMBO E A UFPA (entrevista de 12SET2013 com Pedro Cruz Galvão de Lima) editado pelo Laboratório Virtual com a colocação de todos os arquivos num só audiovisual para facilitar à audiência – uma coisa faz entender a outra.
Havíamos perdido o contato com o professor Coimbra, um grande incentivador deste projeto de laboratório desde o piloto Blog da FAU; ora reestabelecido (o contato).
Sabe-se que a fachada original do hall do cinema Olympia, construção anexada ao Café Madrid, foi executada, tal qual o Grande Hotel – dois empreendimentos que tiveram o aval financeiro de Bento José da Silva Santos Junior – pela firma Salvador Mesquita & Cia. O português Ricardo Fernandes de Mesquita, segundo o jornal Folha do Norte de 04ABR1928, era arquiteto diplomado pela Escola Industrial de Figueira da Foz (Coimbra) e a ele são atribuídas obras, além do Olympia e do Grande Hotel: o Paris n’America, o Cinema Iracema, o Banco Ultramarino, a Fábrica Amazônia, o Leão d’America, o Palacete Antonio Gomes Loureiro e a sede da Tuna. Todavia, em nenhuma dessas obras, vê-se um vão com arco tão generoso quanto o do Olympia – o prédio da firma Salvador Mesquita & Cia. ostentava um arco, mas de menor semicírculo. Diante dessa peculiaridade os editores do Laboratório Virtual vasculharam edifícios europeus de funções assemelhadas que precederam o Olympia de Belém:
A estação Chemin de Fer du Nord, edificada em 1846 em Paris, mostra, em suas esquinas, alguma similitude, não em monumentalidade; do mesmo modo um pavilhão levantado em 1907 para exposições nas cercanias do Jardim Zoológico de Berlim poderia ser uma fonte de inspiração à fachada do Olympia belenense:
Uma ala do prédio é adaptada para teatro em 1912, na sequência passa a exibir filmes e se transforma no festejado Palast Am Zoo da UFA ainda na República de Weimar; com a ascensão do Nazismo o cinema vira um ícone da propaganda ideológica de Hitler quando estreia o filme Triumph des Wille, de Leni Riefenstahl:
A estreia do filme em 28 de março de 1935 mostra um átrio circular e a fachada revestida à estética estatal; o Palast Am Zoo da UFA foi bombardeado em 1943 e suas ruínas entraram em obras de reparação:
O Palast Am Zoo da UFAdesnudado pelas bombas e em vias de recuperação em 1948, mas integralmente demolido em 1955.
Berlim em 1948 e Belém em 2025: cinemas transmutados no tempo com regresso à origem – o de Berlim foi à bola, o de Belém ressurge.
Até aqui tudo bem: pareceu-nos que as fontes do Velho Mundo consultadas pelo arquiteto português Ricardo Fernandes de Mesquita tinham sido descobertas; entretanto: a professora Jussara Derenji, que tomou conhecimento da fachada original do Olympia pelo Laboratório Virtual, lembrou-se de uma obra de Filinto Santoro: O Kurssal Bahiano, uma casa de espetáculos (teatro e cinema) inaugurada em 1919 em Salvador (como posterior ao Olympia, poder-se-ia supor uma mimese; será que o é? Eis a cisma):
O Kurssal Bahiano virou Cinema Guarany e hoje é o Glauber Rocha, uma das muitas obras do engenheiro Filinto Santoro espalhadas por alguns estados brasileiros.
É possível que o Kurssal Bahiano de Santoro se tenha referenciado no Kurssal inglês de Southend-on-Sea projetado por George Sherrin e John Clarke e inaugurado em 1901; todavia, recorreu-se a outro projeto de Santoro que não passou do desenho: o Novo Palácio Municipal publicado no Relatório Antonio Lemos de 1906; tal obra, de acordo com o Jornal de 03ABR1907 ocuparia todo o quadrilátero existente entre a Avenida da República e travessa Primeiro de Março e ruas Carlos Gomes e Macapá, superfície que deveria ser desapropriada pela Intendência:
Um dos desenhos de Santoro constante no Relatório de Lemos de 1906: o Palácio Municipal ocuparia a área do Politheama que recebeu a edificação do Grande Hotel – observar a dimensão do arco redondo e as estátuas em escala humana, n’um projeto que precede o Olympia, tornado público pelo intendente.
Superposição do Palácio Municipal de Santoro ao Grande Hotel de Mesquita pra se ter a noção da grandiosidade do Rundbogenstil (Estilo Arco Redondo) proposto a Antonio Lemos pelo engenheiro italiano – neste local existiu outra casa de espetáculos, o Politheama, do qual ainda não possuímos imagem completa, mas um desenho a partir de fragmentos fotográficos.
O fato é que Ricardo Fernandes de Mesquita (português) e Filinto Santoro (italiano) eram imigrantes nascidos no mesmo ano de 1863 e foram responsáveis por obras relevantes na capital paraense; nada se encontrou que os ligasse à concepção do Olympia, além das evidências imagéticas apontadas por uma hipotética parceria; de todo modo, Mesquita era casado com uma italiana, Helena Reminolf Mesquita – aí pode estar um elo: a comunidade italiana em solidariedade de lavoro.
Sinopse: Em Recife, o diretor Kleber Mendonça Filho percorre os grandes cinemas da cidade, outrora espaços vitais da imaginação coletiva e da vida social. Materiais de arquivo, trechos de filmes e memórias traçam um século de sonhos, rupturas e transformações. (MUBI)
Conjunto ampliável
Uma hipótese à reforma do OLYMPIA de 1940: referenciada nos PALACIOS da Universum Film Aktien Gesellschaft (indústria cinematográfica alemã concorrente direta de Hollywood) construídos em São Paulo-SP e depois em Recife-PE sob projetos do arquiteto paulista Rino Levi. (UFA-PALACIO; posteriormente: ART-PALACIO.)
Leia a matéria Natal de 1953: inauguração do Posto Atlantic do Ver-o-peso; nela há um paralelo com o uso da força de trabalho feminino em Belém do Pará: tanto como frentistas no posto de combustíveis ATLANTIC, quanto como “aeromoças” dos ônibus (dirigíveis) Zepelim.
No ESPELHO DE VÊNUS não há alterações; já no ESCUDO E LANÇA DE MARTE a lança é (re)direcionada ao lado sinistro do escudo (vulnerável aos destros) e a ponta da lança invertida: de seta para cálice. Por mais que seja esse o raciocínio do argumento, a representação gráfica é ilimitada; não necessariamente como as aqui expostas em camisetas e no destaque do LV – contanto que sejam mantidas as tangencias ou proximidades determinantes das individualidades que compõem a parelha. A coisa é alquímica: em vez de MARTE apontar sua lança para VÊNUS, a ela ele oferece uma flor. Não esqueçamos que Marte era o Deus da Guerra; portanto: no popular: “um escroto, filho da puta”: “o” estereotipo do macho forte, belo e viril (mas, sagrado):
Vênus e Marte de Botticelli (c. 1485)
Acima se tratou (graficamente) da relação heteronormativa de um casal mitológico romano; já a vida real é campo fértil à violência contra a mulher (o assunto); todavia, seguindo a vertente do desenho: os símbolos básicos incorporados à biologia (macho-Marte, hermafrodita-Mercúrio e fêmea-Vênus) são combinados livremente à composição de panoramas gráficos de múltiplas orientações sexuais: