O Olympia:
Liberal Comunidade de 06ABR2025

Fotografia tirada no último domingo, dia 01 de março
A arquiteta e urbanista Elizabeth Almeida explica, na matéria do Liberal Comunidade, a mudança de rota na restauração do Cinema Olympia motivada pelos arcos originais emparedados na reforma do ano de 1940, planejada pelo arquiteto português Arlindo da Costa Guimarães:

É óbvio que Pedro Veriano – médico e cineasta diretor de O Brinquedo Perdido – romantiza a reforma empreendida por Arlindo Guimarães em 1940 com o “Nada de concreto (argamassa e argumento).”; as marquises projetadas pelo arquiteto necessitaram de lajes em cimento armado que deixaram vestígios nas fachadas do Cinema Olympia – confirmados pelo engenheiro civil Acácio Gonçalves, responsável técnico pela restauração do prédio histórico.
A ausência de registros sequenciais das interferências construtivas executas no Olympia pós 1940 atrapalham a percepção do que fora efetivamente materializado por Arlindo Guimarães, objeto de pesquisa deste laboratório.


Café Madrid – construção do final do século XIX
Na realidade o CINEMA OLYMPIA deriva do CAFÉ MADRID, um restaurante surgido no final do século XIX que em Caccavoni, de 1899, sugere-se como hospedaria aos senhores viajantes; no jardim frontal do Madrid a firma Salvador, Mesquita & Cia. construiria o vestíbulo do cinematographo inaugurado em 1912; ou seja: não foi uma obra nova e sim uma adaptação a outra função.
A rua SILVA SANTOS JUNIOR:
A rua da lateral do OLYMPIA, conhecida apenas por Silva Santos, uma via que compreende apenas três quarteirões (lado a lado seis) até a Padre Prudêncio; é, desde 1915: SILVA SANTOS JUNIOR, pela Portaria Nº428 de 05JUL1915 do Conselho Municipal de Belém, a mesma que a ele garantiu catacumba perpétua por ser um vogal (vereador) em exercício do mandato – tal catacumba não foi encontrada em pesquisas no cemitério de Santa Isabel pela ausência de identificação.
O nome completo de Silva Santos Junior era Bento José da Silva Santos Junior, capitalista de muitas posses, herdeiro de Bento José da Silva Santos – ambos primeiro e segundo proprietários do Palacete Faciola. (Palacete Faciola – selo “Série Restauro”)
Apesar da causa mortis definida como peritonite aguda, alguns escritos insinuam suicídio, sem comprovação.
Bento Júnior era sócio comandito da firma Figueira & Cia; entretanto, individualmente foi o avalista do empréstimo contratado por esta com o Banco da Província do Rio Grande do Sul, com sede na capital federal: Rio de Janeiro.
Esse empréstimo tinha por objetivo a construção tanto do Olympia quanto do Grande Hotel a serem administrados por outra firma: a Teixeira, Martins & Cia.
Tudo indica que Bento Júnior foi obrigado, pela justiça federal, a pagar a promissória que assinara como avalista tendo bens penhorados como no caso do Palacete Faciola e as casas adjacentes que hoje compõem o Complexo Cultural da avenida Nazaré.
Se convertida ao Real de hoje o total da dívida contratual chegaria a algumas dezenas de milhões, certamente com a maior parte dela investida no Grande Hotel – obra nova surgida desde as fundações também erigida por Salvador, Mesquita & Cia. (Ler o processo judicial no Estado do Pará de 27JUL1914)

Colagem eletrônica com fotografias publicadas no livro Portugal-Brasil – Migrações e Migrantes – 1850-1939
A rua oficialmente nomeada como SILVA SANTOS JUNIOR (antes Macapá) tem confluência com a atual Presidente Vargas e a Arcipreste Manoel Teodoro separando o OLYMPIA do Princesa Louçã, espaço antes ocupado pelo Grande Hotel – mais para trás: POLYTHEAMA.
É a rua que separa os dois empreendimentos pegos de surpresa com o debacle da Amazônia brasileira pela queda das exportações do látex que podem ter abreviado a vida de Bento Júnior aos 49 anos em 1915.













































































































