A Casa Palafita e seu democrático uso

Ler mais sobre a CASA PALAFITA no Laboratório Virtual.

Composição com figura humana.


(Sem Inteligência Artificial)

Publicado em Dança, Música | Com a tag , , | 1 Comentário

O Raio-que-o-parta no Jornal Hoje (18ABR2026)

Matéria televisiva publicada no Jornal Hoje de sábado, dia 18ABR2026.

“… Mas a inspiração veio do Modernismo; no Brasil, um dos artistas mais importantes da Arquitetura Modernista, foi o paulista Burle Marx, o paisagista também usava azulejos para produzir mosaicos.
Na época, em Belém, não existia fábrica de azulejos, tudo vinha de fora do Estado, de caminhão; mas, na estrada, muito material quebrava; para não ficar no prejuízo, as lojas vendiam os cacos coloridos, a kilo, mais baratos; a criatividade dos compradores deu origem a essa arquitetura tipicamente paraense e o estilo conquistou, principalmente, quem não tinha dinheiro pra contratar engenheiros, e arquitetos.” (Jalília Messias)


O texto acima é a transcrição da fala da telejornalista Jalília Messias com repercussão nacional pelo canal aberto da Tv. Globo.
Em primeiro lugar não entendemos o porquê da referência direta a Roberto Burle Marx: o mosaico é uma técnica milenar (3.000 antes de Christo); portanto, há muito, de domínio público a todos os povos.
Seria pela mudança das ondas em Copacabana feita por ele (Burle Marx) nos anos 1970, tornando o calçadão da praia carioca o “maior exemplo de obra de arte aplicada existente no mundo” (mais de 4km de abstração portuguesa girada em 90°)? sabe Deus.
Por que Jamília não citou Athos Bulcão, ou outro, dentre tantos artistas contumazes fazedores de painéis para prédios?
Outro fato esquisito é atrelar o uso de cacos de azulejo à Belém-Brasília, como se Belém não se comunicasse por navio e avião com as outras regiões do país ou continentes – e azulejo (europeu) tem por aqui faz tempo, né?
Estilo também parece um termo inadequado diante do que disse a professora Cybelle Miranda: “Daí terem dado esse apelido né, de Raio-que-o-parta; uma coisa cafona, kitsch, né: algo que não merecia ser considerado inclusive como arquitetura”.
Espécie de estilo é como o professor Aldrin Moura de Figueiredo enquadra tal prática: … uma leitura popular do moderno. O “Raio que o parta” é uma expressão de modernidade dos anos 1940 e 1950, vinda da engenharia e da arquitetura, lida pelos mestres de obra paraenses de classes baixa e média e transformada numa espécie de estilo incorporado pela população.
Seria possível sintetizar os doutos no assunto dizendo que é A ARQUITETURA BREGA DO PARÁ?
E como arquitetura de enfeitar e impermeabilizar fachadas, tem sua história baseada nos experimentos modernistas em mosaico de cacos de azulejos praticados pelo artista plástico e engenheiro civil paraense Ruy Augusto de Bastos Meira.
Ruy Meira, de família com posses e poder, tinha sua antena voltada às vanguardas do mundo: bebia em Paul Klee e Kandinsky (professores da Bauhaus que trabalhavam com gestalt) para praticar (ou manufaturar) o seu ABSTRACIONISMO.
Ruy Meira criava suas composições combinando figuras orgânicas com geométricas, uma das quais o triângulo irregular, que poderia tanto se parecer com um origâmi, quanto com um raio.
Em outras palavras: o abstracionismo (você vê o que você reconhece) de Ruy figurativou o hoje nacionalmente famoso Raio-que-o-parta (A Arquitetura Brega do Pará) à revelia de seu autor.
Ruy Meira não é o Raio-que-o-parta; contudo, o Raio-que-o-parta é Ruy Meira: afinal: enxergaram em suas especulações triangulares os raios que careciam ver e ter no frontispício dos lares).

Ruy Meira em seu ateliê e fotos de sua casa modernista no Mosqueiro (construção de 1952) cravejada de azulejos em cacos: nenhum raio.

O rigor técnico de Ruy em mosaico de cacos de 1953 na casa construída em parceria com a também engenheira civil Angelita Silva, proprietária do imóvel herdado por Sílvia e Benedito Nunes: nenhum raio.

Fotografia de Patrick Pardini cedida pelo professor Nelson Sanjad: Nelson escutou da própria Angelita que o trabalho fora uma homenagem dela ao arquiteto catalão Antoni Gaudí com a aquiescência e a corporificação de Ruy Meira.

Fotos da casa Silvio Meira e do mosaico de cacos de azulejos planejado e executado por Ruy, seu irmão: nenhum raio – material do acervo acadêmico da professora Celma Chaves.

Dois mosaicos de cacos assemelhados aos experimentos compositivos de Ruy Meira: nenhum raio, triângulos; o primeiro da Casa Gabbay em foto de Celma Chaves; o segundo, retirado do vídeo, é da sacada do apartamento de Manoel Pinto da Silva, no prédio de mesmo nome – investiga-se se saíram da prancheta de Ruy Meira; ou: da de algum pupilo seu.

Referências:
Antagonismo e afinidades – arte e arquitetura em Belém entre as décadas de 40 e 60; por Celma Chaves.
A ARTE DO FAZER: o artista Ruy Meira e as artes plásticas no Pará dos anos 1940 a 1990; por Maria Angélica Meira.
Mosaicos de Belém – História e Conservação; por Thais Zumero Toscano.


À próxima matéria:

A sede social do Clube do Remo (Palácio Azul), em verbete da popular Wikipédia, é carimbada como “… no estilo ‘Raio-que-o-parta’…”; o argumento: “cacos de azulejos”:

Os dois painéis do Palácio Azul, projeto arquitetônico de Camilo Porto de Oliveira, são de autoria do sobrinho de Ruy Meira: Alcyr Boris de Souza Meira, engenheiro civil 12 anos mais moço que o tio, que também usou planos de parede para se expressar plasticamente; todavia, Alcyr, jamais fez mosaicos de cacos de azulejos, planejou e executou tais painéis em pastilhas VIPAX – Mosáicos e Ladrilhos de Vidro Lompi S. A. treinando equipe em Belém para montá-los em “panos” para assentamento remoto; Alcyr também não se arriscou no abstracionismo, foi figurativo em obras públicas e privadas a ele encomendadas entre a segunda década dos anos 1950 e início dos anos 1960, como no caso do Remo: representando os esportes praticados pela agremiação em competições.

Fotografias de detalhes dos dois painéis da sede social do Clube do Remo assinados por Alcyr Meira: pastilhas vidrosas VIPAX aparentemente pintadas com esmalte em alguma “revitalização” (ou apagamento?) – certamente o painel recuperado ao original (vidro) revelará distintos tons de azul, incluindo o adversário celeste.

O Laboratório Virtual está angariando material necessário à publicação dessa vertente da obra de Alcyr Meira que não tem raios e nem é feita com cacos de azulejos; portanto: não é da hoje festejada Arquitetura Brega Parauara apelidada pejorativamente de Raio-que-o-parta.

Publicado em Reprodução de notícias | Com a tag , , , | 1 Comentário

De Belém a São João do Araguaya; por Ignacio Baptista de Moura

Publicação enviada por Wanda Luczynski.

De Belém a São João do Araguaya Valle do Rio Tocantins; por Ignacio Baptista de Moura (pdf).

Publicado em Livro | Com a tag , | Deixe um comentário

Representação e Expressão I – 2026

Publicado em Desenho | Com a tag , , | Deixe um comentário

Representação e Expressão I – 2026

Primeiro experimento – manhã:



Postscriptvm (10ABR2026):


Publicado em Desenho | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Representação e Expressão I – 2026

Primeiro experimento – tarde:



Postscriptvm (08ABR2026):

Ação subsequente.


Publicado em Desenho | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Divulgação/convite à FAU

Publicado em Artes Plásticas | Com a tag , , | Deixe um comentário

O uso de trilhos de ferro nos cinemas Olympia e Radium

A colagem digital acima utilizou duas fotografias de época: a do Cinema Olympia, de 1915 e a do Museu Commercial do Pará (originalmente Cinema Radium), de 1919; na realidade são duas edificações planejadas à diversão púbica: o Olympia foi uma adaptação feita no Café Madrid; já o Radium, uma obra que desde os alicerces intentava a exibição de filmes.


Cinema RADIUM?

Certamente o RADIUM não habita o imaginário popular; afinal: nenhuma alma do planeta assistiu a uma fita naquele prédio que todos conhecemos (hoje) como Teatro Experimental Waldemar Henrique.

Ao contrário do anunciado pelo jornal o Estado do Pará de 27JAN1913, o Radium jamais inaugurou; o prédio ficou abandonado de 1913 até 1918 – 5 anos, tal qual o Theatro Nossa Senhora da Paz.
A história dessa edificação levantada em plena Praça da República (parque João Coelho) é resumida por Vicente Salles no artigo O RETÁBULO DE WALDEMAR HENRIQUE, escrito que compõe o primeiro álbum da Série Restauro da Secult.

Mas… tratemos o RADIUM como cinematógrafo: função específica de seu projeto, de sua execução e na condição em que foi abandonado no dia 04 de abril de 1913 em consequência da rescisão contratual publicada no Estado do Pará – no pós hiato (1913-18), resumimos Vicente: o prédio, desde 1919, hospedou o Museu Commercial do Pará, a Caixa Econômica Federal e a Paratur; até se transformar no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em 1979.

O jornal Estado do Pará, nas publicações dos dias 17 e 19 de julho de 1913, dá detalhes construtivos tanto do CINEMA (RADIUM), quanto do BAR a ele vizinho, também objeto do mesmo contrato com a Intendência Municipal – o tal bar é hoje a sede do Instituto de Ciências da Arte da UFPA.
A descrição das obras, ambas contemporâneas ao Olympia e ao Grande Hotel (isento de décimas em 1913 por 5 anos), revela-nos o uso de trilhos de ferro como vigas (vergas); no caso do cinema (Radium) o texto ressalta o propósito: “… com grande número de janelas laterais para a ventilação …”.


Diante de diversas fotos da remodelação do Olympia publicadas na Internet, chamou-nos a atenção as que mostram um perfil de trilho de ferro assentado sobre pilares de alvenaria; assim, em consulta técnica ao professor Márcio Barata – também editor deste laboratório -, soube-se que a peça tinha a função de reduzir a altura dos pilares, evitando a flambagem desses pela carga vertical; também definia os vãos-luz do salão de concertos e os acessos principais ao edifício; desse modo se deduz que o trilho fora componente imprescindível à fachada original de 1912 e, por consequência, a viga de concreto mais acima, seria do plano de Arlindo Guimarães, executado na reforma de 1940: de características modernistas.
(O vigão mais abaixo não nos interessa porque é pós Arlindo: quando tudo se torna miscelânea.)

Veja a superposição em melhor definição

Poder-se-ia dizer que o trilho de ferro, no Olympia, compõe o arcabouço da fachada de 1912; sem ele o cinema não teria a conformação que perdurou até 1940.

Os vãos-luz da lateral do prédio projetado para ser o cinematógrafo Radium, fechado entre 1913 e 1918, quando passa a ser explorado, com aval do governador Lauro Sodré, pela Associação Commercial do Pará.

O vasto espaço da sala de exibições do Cine Radium em 1919 já adaptada para funcionar como Museu Commercial do Pará; pela fotografia é possível compreender o emprego dos trilhos ou vigas de ferro (vergas) agregados às paredes que suportaram a pesada cobertura e forro, assegurando a necessária abertura dos múltiplos e simétricos vãos-luz.

Aqui se juntou os cinemas belenenses Olympia (1912) e Radium (1913) ao Kurssal Bahiano (1919) do engenheiro italiano Filinto Santoro; além da similitude tipológica dos edifícios, há de se frisar que o Kurssal Bahiano foi uma concessão de espaço público (Praça Castro Alves) à exploração privada (por Portella Passos & Cia – Filinto era o único sócio de José Portella Passos): uma casa de espetáculos (teatro e cinema) e um kiosque (bar) vizinho – tal qual o contrato que o também engenheiro italiano Arthur Liguori assinou com a Intendência Municipal de Belém.


Referências:
O RETÁBULO DE WALDEMAR HENRIQUE – Vicente Salles
Revista Commercial, Industrial e Agrícola do Pará – JUL1919
Revista Renascença – DEZ1919
Grande Hotel – isenção de décimas por 5 anos


Sugestão de leitura:
A fachada original do Olympia
O OLYMPIA e a rua SILVA SANTOS JUNIOR

Publicado em História da Arquitetura | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Para ilustrar o artigo do professor Oswaldo Coimbra

Imagem-link ao artigo de Oswaldo Coimbra

O artigo do professor Oswaldo Coimbra, aposentado pelo ITEC – Instituto de Tecnologia da UFPA -, foi publicado no site VER-O-FATO no 29 passado.
Após a leitura dos nomes dados aos bois, observou-se que há dois registros audiovisuais que bem ilustram o escrito:

“Começamos a entrar em contato com fazendeiros de outras regiões do país. Fiz, na época, uma série de visitas por todo o país. Entrei em contato com pessoas do Norte, Sul, Sudeste e Leste do país e discutimos as formas de se obstruir o levante que estava sendo articulado.
Trocávamos informações sobre os principais líderes comunistas das regiões. Nestes contatos percebi também que todos os fazendeiros estavam se armando e distribuindo armas por todas as suas propriedades para serem usadas na eventualidade de termos que enfrentar as esquerdas organizadas da época.
Não foi necessário, felizmente. Feitos os contatos e com um completo dossiê dos principais líderes esquerdistas do Pará encaminhei-me para a 8a Região Militar e entreguei um relatório completo de todos os envolvidos.
Paralelamente, em minha casa, fazíamos reuniões, quase diariamente, para conseguirmos adesões dos indecisos e estabelecermos o plano final para o levante.
Entre os conspiradores, de então, encontrava-se o atual senador, na época, tenente-coronel Jarbas Passarinho, o atual governador Alacid Nunes, Clóvis Morais Rego, José Alberto Couto da Rocha, Laércio Franco e outros.
Concomitantemente, nossas esposas organizavam junto à Igreja, a famosa marcha, por todos conhecida, como Deus pela Família”.
(Médico e pecuarista Cláudio Dias em citação no artigo de Oswaldo.)

Material original do projeto ANOS DE CHUMBO E A UFPA (entrevista de 12SET2013 com Pedro Cruz Galvão de Lima) editado pelo Laboratório Virtual com a colocação de todos os arquivos num só audiovisual para facilitar à audiência – uma coisa faz entender a outra.

Havíamos perdido o contato com o professor Coimbra, um grande incentivador deste projeto de laboratório desde o piloto Blog da FAU; ora reestabelecido (o contato).

Referências:
1964 — Marcha da família com Deus pela liberdade e
A UFPA e os Anos de Chumbo: memórias, traumas, silêncios e cultura educacional (1964-1985) – Entrevista com Pedro Cruz Galvão de Lima.

Publicado em Reprodução de artigos | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Divulgação – Extensão UFES Ciências Sociais

Imagem-link ao site

Publicado em Palestras | Com a tag , , | Deixe um comentário

Divulgação/convite à FAU

Publicado em Palestras | Com a tag , , | Deixe um comentário

A fachada original do Olympia

Sabe-se que a fachada original do hall do cinema Olympia, construção anexada ao Café Madrid, foi executada, tal qual o Grande Hotel – dois empreendimentos que tiveram o aval financeiro de Bento José da Silva Santos Junior – pela firma Salvador Mesquita & Cia.
O português Ricardo Fernandes de Mesquita, segundo o jornal Folha do Norte de 04ABR1928, era arquiteto diplomado pela Escola Industrial de Figueira da Foz (Coimbra) e a ele são atribuídas obras, além do Olympia e do Grande Hotel: o Paris n’America, o Cinema Iracema, o Banco Ultramarino, a Fábrica Amazônia, o Leão d’America, o Palacete Antonio Gomes Loureiro e a sede da Tuna.
Todavia, em nenhuma dessas obras, vê-se um vão com arco tão generoso quanto o do Olympia – o prédio da firma Salvador Mesquita & Cia. ostentava um arco, mas de menor semicírculo.
Diante dessa peculiaridade os editores do Laboratório Virtual vasculharam edifícios europeus de funções assemelhadas que precederam o Olympia de Belém:

A estação Chemin de Fer du Nord, edificada em 1846 em Paris, mostra, em suas esquinas, alguma similitude, não em monumentalidade; do mesmo modo um pavilhão levantado em 1907 para exposições nas cercanias do Jardim Zoológico de Berlim poderia ser uma fonte de inspiração à fachada do Olympia belenense:

Uma ala do prédio é adaptada para teatro em 1912, na sequência passa a exibir filmes e se transforma no festejado Palast Am Zoo da UFA ainda na República de Weimar; com a ascensão do Nazismo o cinema vira um ícone da propaganda ideológica de Hitler quando estreia o filme Triumph des Wille, de Leni Riefenstahl:

A estreia do filme em 28 de março de 1935 mostra um átrio circular e a fachada revestida à estética estatal; o Palast Am Zoo da UFA foi bombardeado em 1943 e suas ruínas entraram em obras de reparação:

O Palast Am Zoo da UFA desnudado pelas bombas e em vias de recuperação em 1948, mas integralmente demolido em 1955.

Berlim em 1948 e Belém em 2025: cinemas transmutados no tempo com regresso à origem – o de Berlim foi à bola, o de Belém ressurge.

A relação entre esses dois afamados edifícios de capitais europeias de forte evidência, bem ilustram o artigo The German Rundbogenstil and Reflections on the American Round-Arched Style, que traz à baila o Rundbogenstil Alemão (e o Estilo Americano dos Arcos Redondos).


Até aqui tudo bem: pareceu-nos que as fontes do Velho Mundo consultadas pelo arquiteto português Ricardo Fernandes de Mesquita tinham sido descobertas; entretanto: a professora Jussara Derenji, que tomou conhecimento da fachada original do Olympia pelo Laboratório Virtual, lembrou-se de uma obra de Filinto Santoro: O Kurssal Bahiano, uma casa de espetáculos (teatro e cinema) inaugurada em 1919 em Salvador (como posterior ao Olympia, poder-se-ia supor uma mimese; será que o é? Eis a cisma):

O Kurssal Bahiano virou Cinema Guarany e hoje é o Glauber Rocha, uma das muitas obras do engenheiro Filinto Santoro espalhadas por alguns estados brasileiros.

É possível que o Kurssal Bahiano de Santoro se tenha referenciado no Kurssal inglês de Southend-on-Sea projetado por George Sherrin e John Clarke e inaugurado em 1901; todavia, recorreu-se a outro projeto de Santoro que não passou do desenho: o Novo Palácio Municipal publicado no Relatório Antonio Lemos de 1906; tal obra, de acordo com o Jornal de 03ABR1907 ocuparia todo o quadrilátero existente entre a Avenida da República e travessa Primeiro de Março e ruas Carlos Gomes e Macapá, superfície que deveria ser desapropriada pela Intendência:

Um dos desenhos de Santoro constante no Relatório de Lemos de 1906: o Palácio Municipal ocuparia a área do Politheama que recebeu a edificação do Grande Hotel – observar a dimensão do arco redondo e as estátuas em escala humana, n’um projeto que precede o Olympia, tornado público pelo intendente.

Superposição do Palácio Municipal de Santoro ao Grande Hotel de Mesquita pra se ter a noção da grandiosidade do Rundbogenstil (Estilo Arco Redondo) proposto a Antonio Lemos pelo engenheiro italiano – neste local existiu outra casa de espetáculos, o Politheama, do qual ainda não possuímos imagem completa, mas um desenho a partir de fragmentos fotográficos.

O fato é que Ricardo Fernandes de Mesquita (português) e Filinto Santoro (italiano) eram imigrantes nascidos no mesmo ano de 1863 e foram responsáveis por obras relevantes na capital paraense; nada se encontrou que os ligasse à concepção do Olympia, além das evidências imagéticas apontadas por uma hipotética parceria; de todo modo, Mesquita era casado com uma italiana, Helena Reminolf Mesquita – aí pode estar um elo: a comunidade italiana em solidariedade de lavoro.


Referências da matéria:
Relatórios de Lemos: 1906 e 1907;
The German Rundbogenstil and Reflections on the American Round-Arched Style (traduzido);
Filinto Santoro em Salvador-BA:
Renascença – NOVEMBRO 1916 – Casa João Garcez Froes;
Bahia Ilustrada – MARÇO 1918 – Palácio da Acclamação;
Renascença – JANEIRO 1920 – Kursaal Baihano;
Bahia Ilustrada – JANEIRO 1920 – Palácio Rio Branco;
Renascença – FEVEREIRO 1921 – Theatro São João; e:
Biografia de Felinto Santoro.


Leia também:
Retratos Fantasmas; por Kleber Mendonça Filho
O OLYMPIA e a rua SILVA SANTOS JUNIOR

Publicado em História da Arquitetura | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Retratos Fantasmas; por Kleber Mendonça Filho

Sinopse:
Em Recife, o diretor Kleber Mendonça Filho percorre os grandes cinemas da cidade, outrora espaços vitais da imaginação coletiva e da vida social. Materiais de arquivo, trechos de filmes e memórias traçam um século de sonhos, rupturas e transformações. (MUBI)

Conjunto ampliável

Uma hipótese à reforma do OLYMPIA de 1940: referenciada nos PALACIOS da Universum Film Aktien Gesellschaft (indústria cinematográfica alemã concorrente direta de Hollywood) construídos em São Paulo-SP e depois em Recife-PE sob projetos do arquiteto paulista Rino Levi.
(UFA-PALACIO; posteriormente: ART-PALACIO.)

Publicado em Cinema | Com a tag , , | Deixe um comentário

Belém aos 80; por Alan Kardec Guimarães

Uma panorâmica cultural da década de 1980

Publicado em Cinema | Com a tag , , | Deixe um comentário

As mulheres do lixo – limpeza pública em Manaus (1950’s)

Ampliável à leitura

Leia a matéria Natal de 1953: inauguração do Posto Atlantic do Ver-o-peso; nela há um paralelo com o uso da força de trabalho feminino em Belém do Pará: tanto como frentistas no posto de combustíveis ATLANTIC, quanto como “aeromoças” dos ônibus (dirigíveis) Zepelim.

Publicado em Documentos Históricos | Com a tag , , , | Deixe um comentário

O AGENTE SECRETO


(Sem IA: aquarela e lápis de cor.)

Publicado em Artes Plásticas | Com a tag , , | Deixe um comentário

Representação e Expressão II – 2025

Publicado em Animação | Com a tag , , | Deixe um comentário

Deixa…

Variações gráficas:

Raciocínio gráfico

Referência da pesquisa gráfica: The Origin of the Male and Female Symbols of Biology.

No ESPELHO DE VÊNUS não há alterações; já no ESCUDO E LANÇA DE MARTE a lança é (re)direcionada ao lado sinistro do escudo (vulnerável aos destros) e a ponta da lança invertida: de seta para cálice.
Por mais que seja esse o raciocínio do argumento, a representação gráfica é ilimitada; não necessariamente como as aqui expostas em camisetas e no destaque do LV – contanto que sejam mantidas as tangencias ou proximidades determinantes das individualidades que compõem a parelha.
A coisa é alquímica: em vez de MARTE apontar sua lança para VÊNUS, a ela ele oferece uma flor.
Não esqueçamos que Marte era o Deus da Guerra; portanto: no popular: “um escroto, filho da puta”: “o” estereotipo do macho forte, belo e viril (mas, sagrado):

Vênus e Marte de Botticelli (c. 1485)


Acima se tratou (graficamente) da relação heteronormativa de um casal mitológico romano; já a vida real é campo fértil à violência contra a mulher (o assunto); todavia, seguindo a vertente do desenho: os símbolos básicos incorporados à biologia (macho-Marte, hermafrodita-Mercúrio e fêmea-Vênus) são combinados livremente à composição de panoramas gráficos de múltiplas orientações sexuais:


Síntese gráfica com o áudio

Publicado em Design | Com a tag , , | Deixe um comentário

The Lost Voice – Teaser Trailler

Referências:

Um ano de movimento, poder e possibilidades.

Pioneiras do cinema!

ANÚNCIO DE NOVO DOCUMENTÁRIO

Publicado em Cinema | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Cinema Olympia; por Mirror Water Entertainment, LLC

Material gentilmente cedido pela cineasta teuto-americana Christina Rose (Polinha) ao Laboratório Virtual.

Os registros feitos por drone são do dia 19 de maio de 2025 e mostram o estado d’arte da revitalização do Cinema Olympia.


Outro registro da Mirror enviado por Chris tomado no dia 02 de setembro de 2025 onde também se vê o Cinema Olympia na evolução das obras.


Leia mais da parceria entre a Mirror Water Entertainment e o Laboratório Virtual (demanda externa à UFPA encaminhada ao laboratório: totalmente solucionada):

1929 – A aventura de Pola Brückner (Pola Bauer-Adamara) no Utinga

Documentário PROCURANDO POR POLA – registros do Laboratório Virtual

O trilho Decauville do Utinga

Publicado em Cinema | Com a tag , , , | Deixe um comentário