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Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada

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O professor Márcio Couto Henrique nos enviou o Croqui do Leprosário do Tucunduba reproduzido no livro de José Messiano Trindade Ramos a partir de publicação jornalistica.
A intenção do projeto Blog da FAU é dar sentido às poucas fotografias que registram as edificações de um setor do bairro do Guamá que preserva ruínas de uma delas.
Como o desenho não está em escala e pouco informa ao propósito resolvemos interpretá-lo à crítica dos experts:

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Considerou-se a base do layout orientação do Hospício (F); dessa forma estabeleceu-se duas vistas: a primeira (1) de rumo Este  — da Igarapé Miri  ao perpendicular Tucunduba — e a segunda (2) apontada ao Sul, para o rio Guamá, em via aparentemente paralela à Augusto Corrêa.
A Vista 1, que é precedida pelo portal, mostra fileiras de casinhas nos dois flancos, além dos edifícios maiores que as encobrem.
Observadas as fotografias do quadro vermelho também há coerência na Vista 2, pois o prédio que tem a tabuleta Hospício dos Lázaros possui pouco beiral à direita e é avarandado à frente e ao lado esquerdo (confirmando alpendres); também, na outra margem desse caminho, há uma fileira de casinhas.
Todavia há um senão: as ruínas que lá estão — paralelas e entre os quintais da Barão de Igarapé Miri e Jiparaná — a definir localização e orientação não podem, em hipótese alguma, ser desconsideradas; são elas a única referência real do lugar.
No croqui, o que já concluímos ser a muralha do porão da enfermaria mandada levantar por Enéas Martins em 1916 e reerguida pelo provedor Antonio Facióla em 1928 está em desobediência à razão e ao relatório desse governador:

Enéas Martins deixa claro que em 1916, na Leprosaria do Tucunduba, só havia um velho pavilhão e algumas barracas de palha.

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A Fazenda Olaria Sant’Anna da Pedreira

O conjunto de fotografias acima — todas de autoria do estagiário voluntário Mateus Nunes — mostra parte de uma sentença de partilha proferida pelo juiz Geraldo de Souza Paes de Andrade no ano de 1892; tal manuscrito foi gentilmente cedido à reprodução pela senhora Dulce Rosa Rocque e transcrito pela colaboradora Regina Vitória Alves:

A partir das informações dessa rara fonte primária arriscou-se uma figuração, em mapa atual do Google, à suposta área da Fazenda Olaria Sant’Anna da Pedreira, que englobava os terrenos do Mata-te Bem, com fundos até a sala que serve de hospital dos lázaros:


Obviamente o desenho da Fazenda Olaria Sant’Anna da Pedreira, em seus limites Norte e Oeste, não eram ortogonais como o riscado à percepção do ledor; sua conformação deveria ser orgânica tal qual os acidentes geográficos referenciados no texto.
Às páginas 12 e 13 do livro A Prophylaxia da Lepra e das Doenças Venereas do Pará, Volume II – 1922, quando seu autor, o médico Heraclides Cesar de Souza Araújo, historia a Leprosaria do Tucunduba, provoca também uma cisma à propriedade da Santa Casa de Misericórdia, ao reproduzir, ipsis verbis, o officio do provedor Fructuoso Guimarães datado de 11 de fevereiro de 1861, do qual se recorta o último trecho:

Clique sobre o texto para ler o documento completo

De fato — como dá a saber o mesmo officio — as 632 braças (1.390,4 metros) margeando o Tucunduba teriam fundos de apenas 47 1/2 braças (104,5 metros); ou seja: a Fazenda do Tucunduba não passava de uma nesga que compreenderia hoje, ao Sul, o prédio do Vadião da UFPA e, replicada essa distância ao Norte, a cento e sessenta e poucos metros acima da passagem Jiparaná, alcançaria a Passagem Nova II sem sequer alinhar-se a ela.
Ao que se percebe — e certamente também o notou in situ Heraclides — as edificações do complexo de isolamento do Tucunduba, pelo menos as significativas que conhecemos por clichês, estavam em terras que não pertenciam, na origem, nem aos Mercedários nem à Santa Casa de Misericórdia que as recebeu por esmola daqueles religiosos, mas à Fazenda Olaria Sant’Anna da Pedreira; a isto desatentaram os técnicos que auxiliaram o juiz Paes de Andrade.

O professor José Maria Coelho Bassalo procedeu cálculo da área das duas fazendas, Olaria Sant’Anna da Pedreira e Tucunduba, que ocupavam juntas aproximadamente 4.165 km²; ou seja: significativa superfície dos atuais bairros do Guamá e Condor.

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Outra foto do prédio do Tucunduba que deixou ruínas no Guamá

A fotografia de 1938 ilustra a matéria publicada no jornal Folha do Norte intitulada Asylo do Tocunduba simples e amarga recordação sobre o fim da leprosaria pela transferência dos hansenianos à Colônia do Prata.
O recorte, enviado pelo colaborador José Maria de Castro Abreu Júnior, consta da Hemeroteca Theodoro Braga do Arquivo Público de São Paulo, mas não possui datação além do ano.
Sabe-se agora que o chalé tinha nove vãos laterais; apesar do porão não ser visto, basta aos moradores da Barão de Igarapé Miri ou da Jiparaná fazerem a contagem à noção do que sobrou em seus quintais do paredão da velha enfermaria rebatizada de Pavilhão Antonio Lemos em 1928.
A legenda do clichê diz: Dois pavilhões da Cidade da Amargura, um dos quaes, o da esquerda, não será demolido, para servir de abrigo aos doentes que vierem do interior.


Mais sobre o assunto em:

O chalé das ruínas do Tucunduba em 1928

As ruínas do Tucunduba são do Pavilhão Antonio Lemos

Ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba

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Jorge Eiró .:. Salve Jorge!

 

Fonte: Ideias Possíveis de Alexandre Lima.

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A villa operária da Constructora de Lemos tinha açougue da Pastoril de Lemos

Em Redesenhando a Villa Operária Mac Dowell (2) levantou-se uma questão: haveria unidade(s) destinada(s) ao comércio na Villa?
O Democrata de 07AGO1892 esclarece e vai mais fundo no assumpto:


Um caminho ao sumário desta investigação: Anúncio do terreno onde foi construída a Villa Operária Mac Dowell — 1888.

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Sinais da invasão no Largo do Chafariz do Bispo em 1939

O recorte do jornal Folha do Norte, enviado pelo colaborador Aristóteles Guilliod de Miranda, associado à atual visualização volumétrica do Google demonstra que o Largo do Chafariz do Bispo — ou Largo dos Poços — foi ocupado por moradores da própria área que estenderam suas propriedades ao logradouro público como já dissemos em A localização do Chafariz do Bispo (2).
Na esquina da Aristides Lobo com a Piedade há uma clara reserva de domínio do espaço coletivo — murada, mas sem habitação — reveladora do alinhamento primitivo do Largo que tende ao sumiço.


Para melhor entendimentos das vias que compõem a quadra:
Travessa da Estrella = Índio do Brasil = Assis de Vasconcelos.
Rua das Flores = Paes de Carvalho = Ó de Almeida.
Rua do Rosário = Aristides Lobo.
Travessa da Piedade = (vulgo) Largo do Chafariz.

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