O filme acima é uma edição com recorte do filme abaixo:
Filme completo sobre as indústrias Renda Priori CIA. LTDA. nos anos 1950
O material é a reedição (mudança de áudio) do filme publicitário baixado do canal de Alexandre Antunes Renda sob o título Grupo Renda Priori. Na publicação Alexandre coloca o seguinte texto:
Pedro Renda ainda adolescente emigrou com os pais e restante da Família, vindos da Sicília para Buenos Aires na Argentina e lá já rapazinho trabalhava em calçamentos de rua em paralelepípedos que no Brasil chama-se “calceteiro”. Um tempo depois sua Mãe faleceu e o Pai casou-se novamente com uma moça que não se deu bem ou não se entendeu com o rapaz Pedro. Devido a este problema o Pedro resolveu ir morar com um Tio que morava em uma cidade vizinha ao Rio Grande do Sul e que ganhava a vida como barbeiro. Daí a segunda profissão do Pedro Renda ser barbeiro, na barbearia do Tio. Bem novo e talentoso foi bem na profissão e com o tempo os fregueses preferiam a ele do que o Tio. Vendo isto é sem querer ter problemas com o Tio que o ajudou, resolveu tentar a vida como barbeiro em Porto Alegre no Rio Grande do Sul onde abriu a sua barbearia com sucesso. Bem instalado em Porto Alegre, ele conheceu a moça Margarida Priori com quem casou. Margarida tinha 2 irmãs que eram Olinda e Maria (ambas nascidas na Italia) e 5 irmãos que eram da Igreja: Luiz, Octávio, Cezar, Menotti (meu Avô), e Eduardo (Margarida, Menotti e Eduardo já nasceram no Brasil). A Família Priori emigrou da cidadezinha Buldrio que é vizinha a Bolongna. Os irmãos Priori eram todos funcionários da primeira Fábrica de chocolates e bombons do Brasil, a NEUGEBAUER, que ainda existe. Eram funcionários braçais, gente muito simples. Pedro Renda sempre foi um poupador equilibrado e junto com os cunhados que já tinham o conhecimento resolveram fundar uma fabriqueta de fundo de quintal de chocolates e bombons. Nascia assim em Porto Alegre, antes de 1921 , a Renda Priori. Em Porto Alegre o negócio começou a crescer e a tal ponto que tendo de comprar as matérias primas (açúcar em Pernambuco e cacau na Bahia), resolveram vir todos para Recife, onde se instalou num prédio atrás do Mercado São José. A Fábrica era no térreo e os Priori (todos) moravam em cima. Pedro Renda nesta época morava na Rua das Calçadas bem perto do Mercado São José. No prédio vizinho morava uma Família também de italianos que tinham vindo de São Paulo e era a Família Dalla Nora. Depois a Fábrica cresceu e foi intalada na Rua Padre Muniz, vizinha ao Mercado e posteriormente já como uma grande indústria foi para o endereço definitivo na Rua da Aurora 1313 em Recife e se expandindo para o Pará e Salvador. Está História me foi narrada por Ítalo Renda há cerca de 25 anos atrás.
Alexandre Renda não se refere à datação do material que está sendo investigada pelo Laboratório Virtual: com estimativas para meados da década de 1950.
A imagem ampliável mostra a correspondência do edifício em 1964 com estampas contemporâneas; as evidências indicam que houve mudança na numeração: de 360 para 648 – isto entre as filmagens e a publicação do catálogo de 1965.
O trem da EFB (Estrada de Ferro de Bragança) passa defronte à casa do engenheiro civil Belisário Dias em 1957 – então: o que se vê é uma edificação recente: com três anos de uso. No ano seguinte Belisário é assassinado por seu advogado com três tiros de revólver – segundo O Jornal de 23JUN1958.
Uma vista da fachada frontal de acesso à piscina na direção do portão
Demos destaque a um fato político, que pela polarização ideológica entre Barata e Assupção, foi parar nas páginas policiais – Belisário esteve à frente do D. E. R. – Departamento de Estradas de Rodagem no governo de Assumpção; contudo: tais assuntos são irrelevantes às análises técnicas e estéticas que a exposição no hall da FAU com banners elaborados por alunos da disciplina THAU VI ministrada pela professora Celma Chaves faz. O material disposto à visitação pública é resultado das pesquisas realizadas no acervo do LAHCA sobre projetos do engenheiro e arquiteto Camilo Sá e Souza Porto de Oliveira doados em 2018 pelo engenheiro Antônio Couceiro àquele Laboratório. A mostra reúne análises de 11 casas datadas das décadas de 1950 e 1960 que, dentre as mais conhecidas como a Casa do Arquiteto (1956), resiste em meio a tantas já quase totalmente destruídas, como a Casa Chamié (1960); ou: a Casa Maria Deolinda (1956), exemplar desaparecido. A organização da exposição contou com a colaboração dos estagiários de mestrado Igor Araujo, Lohanna Souza e Vanessa Souza; além Rebeca Dias, doutoranda. A iniciativa de caráter didático permanecerá montada até o dia 26 de fevereiro. A exposição dá ao conhecimento exames, feitos pelos alunos, nos planos originais de Camilo, redesenhando-os a partir de visitas às casas remanescentes fundamentados em categorias compiladas de autores locais e não locais dedicados ao estudo da Arquitetura Moderna. Há mais de 15 anos em atividade o LAHCA envolve estudantes da graduação e da pós, gerando fluxo de conhecimento nos dois níveis e incentivo amplo às investigações inéditas. Identificar o valor cultural dessas obras é reconhecê-las como patrimônio da cidade, daí a necessidade da divulgação dos resultados aos que estão do lado de fora do LAHCA, olhando pela janela. Mas… ao que interessa (como ventana):
Imagem ampliável para melhor visualização
Até o dia 26 de fevereiro, fim da mostra no Ateliê, publicaremos os 11 banners; isto: por dois motivos: o primeiro é que todos os painéis juntos nessa página seria um excesso; o segundo: é pra todo mundo ir lá.
Sugestão de leitura: A ARQUITETURA DO “RAIOS-QUE-O-PARTAM – entrevista concedida por Camilo Sá e Souza Porto de Oliveira à jornalista Rose Silveira publicada no jornal O Liberal de 10 de fevereiro de 1994.
Direção/Realização: Organização dos Professores Indígenas Mura e Raoni Valle – Brasil – (2008) Duração: 12 min Sinopse: O documentário “Dirijo” começa com uma longa lista de nomes para uma determinada erva: “Dirijo”, “Dega”, “Meri’i” ou, depois da proibição, “Maconha”. Era utilizada amplamente por comunidades amazonenses para curar mal-estar (“As vezes o caboclo está meio mal, fazia um chazinho com duas folhas e ele comia que dava gosto”), dar paciência pro trabalho (de roçado ou de pesca) ou apenas para uso recreativo, algo estabelecido dentro da comunidade e com importante função de sociabilidade (é interessante notar, a partir dos depoimentos do documentário, os relatos de como era consumida a erva: em roda). (CINE PET)
Anotem na agenda o programa imperdível na Galeria Graça Landeira da UNAMA. A exposição “…na floresta dos signos e das coisas…” realizará no próximo dia 28, quarta-feira da semana que vem, a Roda de Conversa “Fisionomias da Cidade – Memória e Cotidiano”, com Luiz Braga, Bruno Carachesti, artistas participantes da mostra, e o historiador e pesquisador do Museu Goeldi, Nelson Sanjad. O tema da conversa será a importância da fotografia urbana para o conhecimento sobre o cotidiano da cidade e a dimensão histórica que as imagens fotográficas assumem ao longo do tempo. Braga e Carachesti irão relatar suas práticas e observações sobre Belém, enquanto Sanjad vai comentar um conjunto de fotografias históricas do acervo do Goeldi que entrou recentemente para a Brasilianas, importante coleção nacional. A exposição”…na floresta dos signos e das coisas…” tem curadoria do Prof. Mariano Klautau Filho, assistência da aluna Emily Guimarães, expografia da Profa. Ana Isabel Santos e está em suas últimas semanas de exibição, aberta sempre de segunda a sexta das 14h às 18h. Na imagem, fragmento da obra de Bruno Carachesti, Canal do Tucunduba, 2014.
Fotos da exposição do trabalho na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA
SEMENTES DA ILHA:
Registros em audiovisual do SEMENTES DA ILHA
Registros de 24SET2025 da Oficina de InstrumentalizaçãoTécnica ministrada pela professora Dina Oliveira aos alunos participantes do projeto Sementes da Ilha
A ilha de São João dos Ramos (divulgação) é um audiovisual produzido pelo LASSAM – Laboratório de Ambiências, Subjetividade e Sustentabilidade na Amazônia. O tema do documento é a arquitetura do lugar e os recursos construtivos na história da ilha. Observamos que a aluna Beatriz Chagas é filha do lugar.
No dia 24 de novembro (segunda-feira), pós recesso pela COP30, encontrou-se um banco/banqueta bastante danificado sob uma das sapucaias defronte ao Ateliê de Arquitetura. Percebendo-se que o equipamento, apesar das avarias, poderia ser recuperado para uso, solicitou-se à direção [professores Vanessa Watrin (diretora) e José Júlio Lima (vice-diretor)] que o achado saísse do Campus para os devidos reparos – o que foi feito e o banco (ou banqueta) devolvido à instituição no dia 28NOV2025 (sexta-feira).
Recuperação à reutilização do banco/banqueta – edição de 08DEZ2025 (acréscimo da pintura)
O banco/banqueta em etapa de aplicação de anticorrosivo, mas sem pintura, servindo de modelo nas aulas de Representação e Expressão II – 2025
Sim: o banco/banqueta desempenado e estabilizado no nível volveu à sua função primitiva e está apto a ser usado por pessoas de peso (no amplo sentido); mas, que objeto seria esse? De onde veio? Em que época foi adquirido pela UFPA? Qual o ano de sua fabricação? Bem… é o que por ora se investiga: Vanessa e Zé Júlio lembram que o banco/banqueta estava no Chalé de Ferro, inicialmente nele trancado, mas passou a servir de barreira evitando que pessoas adentrassem as varandas do Chalé que também carece de consertos depois que o Numa (Núcleo de Meio Ambiente) o devolveu ao curso de Arquitetura e Urbanismo. A possiblidade dele ter pertencido ao Chalé de Ferro quando este hospedou o curso de arquitetura na sua implementação em 1964 foi descartada por Maria Beatriz Maneschy Faria, arquiteta responsável pela desmontagem (Almirante Barroso), restauração e remontagem do Chalé de Ferro no Campus no início da década de 1990 – Biá não o reconhece nesse contexto. Pesquisas revelaram que o banco/banqueta tem o desenho clássico (classic design) de uma corporação estadunidense fundada em 1901, a LYON que até hoje os fabrica redesenhados como Modelo 1901, ano de nascimento da empresa que se fez conhecer (marketing) pela robustez e durabilidade: “poderiam suportar dois gorilas”.
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O modelo básico do LYON 1901 custa hoje US$63,24 (R$343,42 em 09DEZ2025).
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Banqueta de BarLYON fabricada pela Dyke & Dean no Reino Unido à venda por €291,95 (R$1.853,88) obedecendo o primitivo desenho de 1920 que custava US$2,85 (atualizados: US$ 46,17– R$250,70 por quanto se compra um banco industrial em média hoje no Brasil). Atualmente a Dyke & Dean reproduz o banco tradicional da LYON (que a própria LYON excluiu de sua linha fabril) praticando um preço cinco vezes maior na Europa – há farta gama de cores à personalização. Os sites europeus valorizam esses bancos/banquetas criados pela estadunidense LYON METAL PRODCTS e comercializados no decorrer de décadas sem alterações; dependendo da altura e estado de conservação podem chegar a €500,00 (mais de 3 mil Reais) em sites de antiguidades.
Imagem ampliável à leitura
Se o banco/banqueta LYON iniciou sua produção em 1920 (como afirma a Dyke & Dean): até 1967 nada em seu desenho (e acessórios) fora modificado; apenas as alturas 20″ e 28″ pararam de ser manufaturadas, reduzindo de sete para cinco as opções de escolha. Os catálogos também revelam a contemporaneidade entre o autêntico Lyon estadunidense e a cópia brasileira ou paraense – um molde que vinha dando certo há 40 anos: um banco/banqueta tipo LYON.
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O uso do banco/banqueta LYON, com e sem espaldar, em atividades industriais e de oficinas; a questão: como ele era usado na UFPA sendo mais alto que uma cadeira convencional e mais baixo que um banco de prancheta?
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As comparações acima foram baseadas no LYON SHOP EQUIPMENT DE 1944 que demonstra a fidelidade ao modelo de 22″ (polegadas – reduzidas para 55cm descontada a espessura do eucatex) de altura com assento de eucatex (acessório em fibra de madeira); o encosto (ou espaldar) também era vendido separadamente: o equipamento industrial básico tinha seu corpo completo em metal; careca: sem prolongadores, pés ou cobertura no tampo. Uma banqueta (ou banco) com 22 polegadas não é considerada alta nem indicada para bancadas ou mesas de desenho; portando: o banco da UFPA pode ter sido adquirido para atividades administrativas ou laboratoriais na UFPA – certamente o requisito de durabilidade, atribuído aos móveis utilizados em indústrias, oficinais, ginásio de esportes, instalações militares… seria considerado para uma instituição com intenso fluxo e demandas; não é uma peça rara, mas emblemática, pelo que carrega em seu desenho industrial (design) datado dos anos 1920. O banco (ou banqueta) abandonado no jardim da FAU é um modelo cult até hoje reverenciado e referenciado no mundo pelo nome LYON. Mas existem diferenças que demostram não ser um LYON legítimo, made in USA: ele não veio da linha de produção estadunidense, pois os encaixes do espaldar são distintos, também não há nele a inscrição LYON AURORA. ILL. YORK. PA. na bordadura traseira do assento em aço – nenhuma identificação do fabricante foi encontrada na peça. Resta-nos saber quem os forneceu à UFPA: se oriundos de Belém ou outro estado da federação – ou: em hipótese remota: importados.
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Externamente o banco da UFPA é similar em tudo ao LYON de 1944; todavia, a estrutura possui receptáculos diferentes dos originais, impedindo a visão de círculos concêntricos desenhados pelos furos de ventilação do assento plenamente vedados pelo eucatex (no caso da UFPA).
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A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA guarda relíquias adquiridas ao serviço público antes e depois do FEDERAL vigorar em sua nomenclatura – 20 de agosto de 1965. Recorrendo às páginas amarelas do Catálogo Telefônico de 1965 [ainda Universidade do Pará (UP)], verifica-se a indústria e o comércio de móveis em Belém: que indica como indústria em aço a PORTUENSE GERAL DE EXPORTAÇÃO LTDA e a VICTOR C PORTELA SA REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO com representação comercial da MÓVEIS DE AÇO FIEL S. A. (indústria paulista). A “JS”, que tem sua logo afixada em um arquivo de aço com tombo posterior a 1965, figura no catálogo telefônico de 1965 como JOSÉ SOARES IMPORTAÇÃO DISTRIBUIÇÃO INDÚSTRIA especificamente para camas hospitalares situada na Padre Eutíquio nº467; a JS MOVEIS SA só seria criada em 25 de abril de 1967 com endereço na avenida Almirante Barroso 4871 – Souza. Pelas checagens feitas em jornais e revista dos anos 1960 não se detectou que a paulista MÓVEIS DE AÇO FIEL S. A. produzisse bancos/banquetas; nem alcançamos o que a PORTUENSE GERAL DE EXPORTAÇÃO LTDA fabricava como “móveis em aço”. Se a JS MOVEIS SA fabricou o arquivo da FAU, de sofisticada manufatura, é possível que o Banco LYON (modelo) tenha saído, também, de sua linha de montagem. É POSSÌVEL; mas, não CONCLUSIVO; então: segue a pesquisa.
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A fábrica da LYON em Aurora, subúrbio de Chicago, Illinois – Estados Unidos; local onde são fabricados os bancos/banquetas LYON1901, um redesenho do modelo primitivo LYON – “ADJUSTABLE-BACK” STIEL STOOL dos anos 1920.
O positivo dessa história é que o banco/banqueta foi encontrado na presença dos alunos e as investigações por eles acompanhadas em grupo de WhatsApp; a importância disto está no reconhecimento do lixo, muitas vezes as lixeiras guardam tesouros – compreender o desenho das coisas ajuda em identificações; para este entendimento daremos o exemplo do olho treinado das duas francesas que construíram a Casa Palafita: elas cataram no lixo da cidade (Belém) folhas de portas do final do século XIX início do XX feitas em acapu – tais peças raras estão como “vedação” nos fundos e n’uma lateral da palafita:
Folhas de portas/janelas antigas com venezianas feitas em acapu recolhidas no lixo pelas francesas Sara Lasagni e Églantine Schonbuch.
O Curupira falou pro Cássio que foi a Matinta quem arredou dois torós de janeiro do ano que vem pra segunda-feira passada; parece que ela tava muito invocada com um tar de Alemão e se mandou atrás dele pras Oropa; tadinho: esse tá na pica do quati, nem tabaco sarva.
Cássio Tavernard foi aluno da FAU na década de 1990, hoje é professor do Cinema na UFPA.
Matinta-perera e Curupira – esculturas em epoxi de Nelson Nabiça, ex-aluno da habilitação em Artes Plásticas da UFPA nos anos 2000.
Dimensões do corte do perfil dos trilhos encontrados no Utinga ditos como de ferrovia leve, portável: DECAUVILLE
Comparativo com objetos de pequeno porte: isqueiro Zippo, caixa de fósforos e Bic
Giro de 360º da amostra de 1,3cm do perfil do trilho leve do Utinga junto a um Zippo clássico
Tanto a tradicional imprensa quanto as mídias sociais têm se interessado pelos trilhos encontrados no parque estadual do Utinga: resultado de uma parceria investigativa entre o IDEFLOR-BIO e este Laboratório Virtual à demanda específica aqui publicada como 1929 – A aventura de Pola Brückner (Pola Bauer-Adamara) no Utinga – plenamente solucionada em abril passado. O que deu complexidade ao desdobramento daquela pesquisa foi que além dos trilhos Decauville (amostra do perfil em imagens acima) apareceram mais dois perfis distintos entre si e em dimensões superiores:
Ai temos esboçados três modelos de trilho encontrados no Utinga comparados a um tipo usual da Estrada de Ferro de Bragança (EFB) que possuía Bitola Métrica – um metro de distância entre as varas de trilho (distância entre trilhos). Se postos em proporção o Decauville é “engolido” pelo trilhão e segue diminuto diante dos dois restantes: os da EFB e os médios existentes no Utinga. É fato que dois ramais da EFB penetravam na área do Utinga: o Ramal do Catú, que vinha pelo Entroncamento com a finalidade de pegar aterro ao lastro da ferrovia; e: o Ramal do Utinga, construído à recepção do carvão em pedra importado que desembarcava no Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci) – esse trem deixava o carvão nas Usinas do Utinga possivelmente descrevendo um círculo ao redor dos cinco galpões que as compunham, descarregava e se ia embora como qualquer delivery.
O documento acima joga luz na questão quando afirma que os dois ramais (Utinga e Catú) possuem bitola métrica; ou seja: os outros dois perfis de trilho encontrados no Utinga podem pertencer a esses ramais da Estrada de Ferro de Bragança e são INCOMPATÍVEIS à ferrovia leve, portável: Decauville; esta de bitola inferior: 60 centímetros.
A leveza dos trilhos Decauville de baixo calibre usados em plantações, indústrias, construção civil, portos, minas, operações de guerra, etc… um bem de capital polivalente pelos equipamentos que acoplava sobre material rodante.
Alguns metros de trilhos submersos no canal do Yuna montados sobre dormentes metálicos à semelhança do sistema Decauville; entretanto: ainda não é possível afirmar que confeccionados na indústria francesa de Paul Decauville – podem ser similares de fabricação europeia ou estadunidenses igualmente de fácil transporte, montagem e desmontagem com diversos implementos – temos o produto, mas a marca (Decauville) ainda não apareceu em nenhuma peça. Sabe-se da aquisição e assentamento da via Decauville pela Folha do Norte de 03FEV1897; Souza Araújo em 1922 afirma que todo o serviço no Utinga, Buiussúquára e Catú está unido por uma linha Decauville de 0m,60 de bitola, em extensão de cerca de 6 kilometros – replicando o dito na mensagem de Augusto Montenegro de 1903 (vinte anos passados); e: Augusto Meira Filho, em 1947, diz haver no Utinga duas locomotivas de 5 toneladas, 60 vagonetes, 4.000 metros de trilhos “Decauville”… (dois quilômetros a menos na via Decauville – depreciação?). Não há dúvidas da existência dessa malha férrea dentro do Utinga porque, além dos relatos, há fotos em Souza Araújo e Meira Filho, bem como no álbum O PARÁ 1908; só não se pode atestar categoricamente que a marca e o produto tenham correspondência, já que a cineasta Pola Brückner, em seu livro de 1939, chama a “montanha russa” de sua aventura no Utinga de pequeno trem leve, sem se referir à grife Decauville – talvez algo que na Alemanha lhe fosse familiar com(o) o nome de outra forja. Diante desse dilema o Laboratório Virtual solicitou ao LABTEC – Laboratório de Tecnologia das Construções – uma análise pormenorizada desse pedaço de trilho aparentemente em aço carbono. Estão à frente dessa checagem os professores Márcio Barata e Euler Arruda Júnior para que possamos dar prosseguimento às verificações históricas em fontes fiáveis e comparações compositivas das ligas; assim, no tempo necessário, o caos se vai à ordem e o céu azula.
Observamos que além da habitual equipe de pesquisa composta pelos editores deste site houve, nesta publicação, a participação do engenheiro florestal Diego Barros do IDEFLOR-BIO.