O Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci) — 1908


Carvão - Pinheiro

As três fotografias acima ilustram o relatório do governador do Pará, Augusto Montenegro, publicado como O Pará – 1908;  nelas se vê uma ponte, ou trapiche, de estrutura metálica na forma de T com a finalidade de desembarque do carvão importado de Liverpool pela firma Booth & C.ª contratada pela Secretaria da Fazenda ao fornecimento desse combustível, então recém substituto da lenha em Belém, à Estrada de Ferro de Bragança que o repartia entre si (47,9%), a Diretoria das Águas (32,4%) e outros próprios do Estado: Theatro da Paz (0,67%), Instituto Orphanologico do Outeiro (0,22%), Recebedoria do Estado (0,07%),  Diário Oficial (0,07%) e Serviço Sanitário (0,018%) — mantendo o estoque de 18% em seus depósitos.
O que aqui chamamos, por dedução, de Porto do Carvão, fora planejado para operar em consonância com a Estrada de Ferro de Bragança, imprescindível tanto ao funcionamento desta quanto ao das estratégicas usinas do manancial do Utinga pertencentes ao Estado por intermédio da Diretoria das Águas — certamente o transporte de passageiros e cargas particulares ocupou importância secundária já que havia linha marítima subvencionada e regular à Villa do Pinheiro (Icoaraci).
De todo modo a Estação de Passageiros à Praça Paes de Carvalho no Pinheiro seria inaugurada provisoriamente em 07 de janeiro de 1906 e em definitivo quatro meses e três dias depois, a 10 de maio de 1906; já o Porto do Carvão, situado á margem do rio, entre o logar Ponta Grossa e a foz do Maguary, o ponto escolhido para esta construção, fez-se ao prolongamento do eixo da travessa Andradas só seria entregue em 30 de novembro de 1906.
Em outubro de 1905, diz a Mensagem de 1906: … o carvão excluiu completamente a estrada (de Ferro de Bragança) da lenha; entretanto, tal permuta se dera por um custo elevado, já que a entrada desse novo combustível às caldeiras estatais ocorrera improvisadamente pelo Arsenal de Marinha antes de entrar em atividade o Porto do Carvão em Pinheiro.

Utinga — assentamento de tubulação auxiliada pelos desmontáveis trilhos Decauville

O engenheiro civil João de Palma Muniz em sua Carta da Zona da Estrada de Ferro de Bragança e da Colonização do Estado publicada em 1908 não dá à visão os 1.000 metros que separavam a Estação do Pinheiro (terminal do ramal) do Porto do Carvão; da mesma maneira não há informações sobre o traçado no ramal do Utinga, com 1.800 metros para onde se transportava o cavão às usinas da Diretoria das Águas que possuía 6 quilômetros de trilhos Decauville (bitola estreita de 0,60m) para o trabalho interno; assim, também sem desenho, é tratado o ramal do Catú com 1.200 metros que teria entrada em um ponto da Estrada de Ferro de Bragança, entre o Asylo da Mendicidade e o Entroncamento, donde se buscava, no igarapé Buiussuquara, aterro (resultado de dragagens) às obras da malha ferroviária da E.F.B..

Projeto da ponte do Entreposto Municipal/Deposito de Inflammaveis

A ponte metálica projetada ao Entreposto Municipal-Deposito de Inflammaveis publicada no Álbum de Belém 1902 — que por ora não sabemos se foi ou não construída — mostra, na representação gráfica, semelhanças nas descrições técnicas da ponte do Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci), já que ambas se utilizam do sistema construtivo denominado Mitchell patenteado pelo engenheiro irlandês Alexander Mitchell para erigir arcabouços metálicos em terrenos instáveis, o mesmo utilizado na primeira montagem do Farol do Apehu, em setembro de 1902, na ilha defronte à foz do rio Gurupi em Viseu — fronteira costeira entre Pará e Maranhão.
As investigações prosseguem com o intuito da virtualização/animação do Porto do Carvão:

Pelos dados publicados nas mensagens do governador Augusto Montenegro ao Congresso Legislativo do Estado do Pará junto às fotos de seu álbum conclui-se que o Porto do Carvão ficava na Siqueira Mendes no prolongamento da travessa dos Andradas como se vê nas imagens do Google.


Referência: A Estrada de Ferro Belém-Bragança: para além da integração (1901-1908); de Luís Augusto Barbosa Quaresma.

Fontes: Mensagem 1904, Mensagem 1906, Mensagem 1907Mensagem 1908, Correio Paulistano de 25JAN1910 A PROPHYLAXIA RURAL NO ESTADO DO PARÁ – VOLUME I.

Colaboração: Confraria da Memória.

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Quatro Estrelas no Guia do Estudante 2018

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Clichê da Montanha Russa de Francisco Bolonha (1899)

Fotografia tirada do Botequim Aéreo com 600m² à entrada da Scenic Railway

Após quase dois anos de pesquisas sobre a Ferro Via Aérea Sensacional — ou simplesmente Montanha Russa de Francisco Bolonha & Comandita — encontrou-se, hoje, a primeira imagem do equipamento de diversão pública assentado no leito da travessa Piedade [apelidada Largo do Chafariz (do Bispo)].
A Roller Coaster, de fabricação estadunidense, teve um custo de US$30.000, pagando-se  em 10 semanas (de funcionamento) — observemos que os US$30.000 de 1900 equivaleria hoje a aproximadamente 900 mil dólares; ou seja: R$3.380.000,00.
A Montanha Russa do Bolonha foi inaugurada em 06 de agosto de 1899 possuindo um percurso total de 1.000 metros (um quilômetro) percorridos entre 2 e 3 minutos — o que equivaleria a uma velocidade média de 25km/h, atingindo a máxima de 96km/h.
No clichê publicado no dia 11 de setembro de 1910 pelo jornal NEW-YORK DAILY TRIBUNE dando o histórico dessa invenção, vê-se ao fundo a Baía do Guajará revelando, no raro skyline, a chaminé da usina de eletricidade da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense que em 1905 passou a ser propriedade da Parah Electric Railways and Lighting Company Ltd.— não sabemos quando o equipamento foi desmontado e a última nota de sua existência (operando ou não), dada no periódico Commercio  do Amazonas (AM), é de dezembro de 1900.
À esquerda da Montanha nota-se o espaço ao trânsito de pedestres no calçamento do casario do Largo do Chafariz; já à direita, o terreno quase baldio (de aproximadamente 77.500m²) pertencente à Intendência Municipal de Belém que fora expropriado em setembro de 1899 a favor do Instituto Kinesitherapico, segundo o Relatório de Antonio Lemos (1897-1902); a Villa e Avenida Bolonha, bem como o Palacete (este por último), foram edificados quase uma década depois dentro dessa área de cota baixa remanescente do vale do Igarapé da Fábrica de Sola (depois Igarapé do Reducto) que até hoje deságua na Doca do Reduto construída em 1852.
Estamos analisando a foto da Roller Coaster (ou Scenic Railway) do Bolonha para compreender seu desenho e determinar a superfície necessária para perfazer os 1000 metros de trilhos.
O Chafariz do Bispo, inaugurado em 1802 por Souza Coutinho e soterrado com a expansão da água encanada em Belém, apesar de localizado às proximidades da rua Ó de Almeida, nomeou popularmente as atuais Piedade, Aristides Lobo e também a Doutor Moraes — sem considerar o Becco do Bispo que ainda não identificamos sua localização no bairro do Reduto.

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À Liberdade de Cátedra — divulgação


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Mais um vacilo da Feira do Som

A pergunta de hoje (08NOV2018) feita na Feira do Som da Rádio Cultura do Pará FM foi: qual o nome original da rua Tiradentes no bairro do Reduto?
A resposta, certamente baseada no livro de Ernesto Cruz intitulado Ruas de Belém…, foi: “Sem modificação” — “uma pegadinha do Grisalho Couto”, disse Edgar Augusto, apresentador do longevo programa, depois de revelá-la.
Na realidade a rua Tiradentes se chamava rua da Pedreira como comprovam o mapa levantado pelo engenheiro inglês Edmund Compton em 1881 e o jornal A República de 02 de outubro de 1890.
Infelizmente não ficamos atentos às questões diárias que habilitam os participantes ao sorteio dos prêmios, mas hoje (mais uma vez) detectamos deslize da produção, mesmo por nós alertada, pelo telefone divulgado aos ouvintes, indicando as fiáveis referências primárias: a planta e o periódico.
Se as fontes (neste caso o Ruas de Belém…) da Feira do Som fossem sempre citadas a responsabilidade recairia sobre os autores (neste caso o Ernesto Cruz) das informações e não os produtores do programa.
Também seria interessante, pelo alcance da radiodifusão, que a Feira abrisse espaço às contestações; afinal: a única coisa que muda do passado é a História.

Veja a completude do material em Belém — a Planta de 1881 e as vias republicanas de 1890.

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