Liberal Comunidade – 14AGO2022 – LABTEC-FAU-ITEC-UFPA

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Grande Hotel em 1957

Veja a publicação original para mais.

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Palacete Silva Santos/Faciola – imagens de referência colorizadas

Site de colorização IMG2GO
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O Palacete – experimentos

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Palacete Silva Santos/Faciola

Hipótese do Laboratório Virtual: projeto e construção, entre 1895-98, Bento Silva Santos; ampliação e reforma, entre 1916-17, Antonio Faciola
Superposição de quatro imagens: Projeto Bento 1895, Bento 1898, Faciola 1929 e Faciola anos 1990 (gifs ampliáveis)

Bento é Bento José da Silva Santos, proprietário desde o projeto de José de Castro Figueiredo, ficando o imóvel com a família até o ano de 1916, quando Faciola (Antonio d’Almeida Faciola) o adquire no nome de sua mulher Servita d’Almeida Faciola.

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Palacete Silva Santos/Faciola – a dinâmica da investigação

As duas únicas fotos fiáveis em datação dão certeza visual à propriedade de Bento (1895-1916) e de Antonio (1916-desapropriação) – os registros foram feitos em períodos distintos do domínio do Palacete; assim, conjugadas, são parâmetro à percepção de outras estampas que porventura apareçam (jpg ampliável)
A fotografia de 1899 – a de 1930 tem o ponto de interesse escondido – comparada a um cartão postal publicado no Belém da Saudade sem datação (jpg ampliável)

A descoberta de Bento José da Silva Santos como primeiro proprietário e construtor do palacete da equina da Avenida Nazaré com a Doutor Moraes tirou de Antonio d’Almeida Faciola a responsabilidade por tudo que tenha ocorrido desde o projeto do prédio em 1895 – aqui publicado – até sua posse como proprietário em 1916.
Esses dois períodos, já demarcados, de ocupação residencial por duas famílias abastadas, de gerações distintas, trazem questionamentos inexistentes quando se acreditava que Antonio Faciola fora o único dono – história oficial anotada na popular Wikipédia.
Saber que Bento contratou José de Castro Figueiredo foi novidade, mas endossou a presunção de Jussara Derenji como guardiã do projeto que agora revela as iniciais BJSS (de Bento José da Silva Santos) antes, sem sentido, imperceptível no meio das flores de ferro designadas.
O Laboratório Virtual, baseado em evidências sutis, dá como hipótese uma reforma significativa ocorrida com a chegada de Faciola ao casarão, em 1916; tal obra, certamente estendida ao ano de 1917, seria um marco da ocupação da família Faciola – ou seja: Antonio fez o que está na fotografia datada de 1930.
Trabalhamos com essa possibilidade; contudo, não intencionamos fabricar verdades, apenas estabelecer parâmetros que nos facilitem analisar e compreender diferenças em imagens que porventura sujam como no caso do cartão postal acima, publicado no álbum Belém da Saudade, que não possuí datação.
Independentemente das interpretações possíveis do entorno: prédios vizinhos, árvores, bonde… comparamos o postal com a estampa publicada em 1899 – como o prédio foi entregue a Bento:

Anos das imagens: 1899 – sem datação – 2008 (jpg ampliável)

O que se percebe no detalhe do cartão postal, donde se enxerga o Palacete em escorço, é uma pequena reforma para assentamento de ladrilhos no embasamento da fachada projetada à Avenida Nazareth; mas o sobrado, tal qual foi entregue a Bento, permanece pintado – sem os azulejos que revestiriam as duas fachadas num porvir ainda dessabido -; bem como: as soleiras das janelas continuam individualizadas, sem o friso contínuo, interrompido pelo vão da porta, que as camuflaria; permanecem, também, as molduras nas gateiras (ou óculos) do porão.
Observamos que o assentamento de azulejos, a confecção do friso e a retirada das molduras já são vistos na fotografia de 1930 – dentre outras mudanças até mais significativas.
Por pequena que tenha sido a intervenção vista no postal, antes de uma especulativa “grande reforma”, ela chegou aos dias de hoje, talvez como marca indelével da família Silva Santos na construção de Castro Figueiredo.


Postscriptvm:
O bonde elétrico presente no postal afirma que a imagem é de 1907 para mais – Bento José da Silva Santos faleceu em 1908, deixando o palacete como herança ao filho Bento Júnior que morreria em 1915.
Diante da imagem analisada a hipótese da grande reforma entre 1916-17 não foi refutada.

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Divulgação do adeus à Dona Antônia

Dona Antônia: sogra do professor Jorge Eiró – amiga
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Divulgação do adeus ao Albertinho

Albertinho: uma das excentricidades da Cidade: o maior varredor da Quintino – amigo
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A sede da agência de Correio e Telégrafos em Belém; por Celma Chaves Pont Vidal

A sede da agência de Correio e Telégrafos em Belém – avenida 15 de Agosto

Na Belém de final dos anos 30, entre as arquiteturas que se modernizavam na Avenida 15 de Agosto, encontra-se a da sede da agência de Correios e Telégrafos. O projeto, segundo as evidências encontradas até o momento, seria do engenheiro e arquiteto ex-diretor da ENBA Archimedes Memória, que havia vencido o concurso para o Ministério de Educação e Saúde em 1936, com uma proposta que apresentava as linhas decorativas e grafismos do então chamado “estilo marajoara”. A construção de edifícios capazes de estruturar uma imagem clara da ideologia do poder vigente, era uma das estratégias da política de Getúlio Vargas e visava, entre outros objetivos, uniformizar e fortalecer a imagem de instituição públicas das principais capitais brasileiras entre os anos 1930 e 1940. Nesse período foram construídas 141 agências cujos projetos eram elaborados na então capital federal Rio do Janeiro, e enviados às respectivas sucursais. O projeto de Belém como os de outras cidades como Belo Horizonte e Curitiba, alude a essa vontade de transpor o tradicional, em um corpo volumétrico que conforma um conjunto com três partes distintas, marcadas por ritmos e simetrias. A esquina esquerda é um bloco de superfície curvilínea, prescindindo de qualquer ornato decorativo, em clara alusão às composições da nova objetividade. O corpo central reaviva os arabescos de inspiração marajoara, nas grades de portas e janelas, motivos que já tinham aparecido no projeto do suposto autor para o MÊS, porém emolduradas por uma superfície limpa e geométrica. A partir de álbum encontrado no blog http://antiguinho.blogspot.com/2018/06/antigo-edificiosede-dos-correios-e.html, observa-se um interior onde predominavam espaços amplos, pisos em ladrilho hidráulico, estrutura inovadora, com uso do concreto, e algum decorativismo déco, o que determinava um claro contraste entre exterior e interior. Escadas com desenhos orgânicos e elegantes, as aberturas moduladas em vãos com basculantes em vidro e outras, ao que parece, em persianas de madeira, evidenciam uma linguagem que oscila entre um tradicionalismo e as novas soluções formais do racionalismo.


Obs.: Nas imagens das plantas e elevações que tivemos acesso não está legível a assinatura nem data do projeto, no entanto, a notícia publicada no jornal Folha do Norte afirma que o projeto já havia sido aprovado pelo governo e que era de autoria de Archimedes Memória.

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Representação e Expressão I 2022 – trabalho final: Camiseta do Círio

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Entrevista com o professor Jorge Eiró

Entrará no ar às 14 horas de hoje, sábado, 30JUL2022
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O Palacete Silva Santos tinha suas fachadas pintadas

Página 154 do Álbum do Pará em 1899 – colorizada pelo LV

A analise acurada da fotografia publicada no Álbum do Pará em 1899 (provavelmente de 1898) mostra que as fachadas do Palacete Silva Santos (Nazareth 28) – e da casa vizinha (Nazareth 26) – eram revestidas de material pictórico e não por azulejos como se conhece hoje o Palacete Faciola.
Questão: os azulejos foram aplicados quando virou Palacete Facióla, entre 1916 e 1917?

Comparativo ampliável à percepção das diferenças no intervalo de 31 anos

Foto colorizada (pdf).

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Centro Cultural Palacete Faciola: a casa de Jovita

Comprovou-se que Antonio d’Almeida Faciola ocupou, como proprietário, os dois imóveis, o 26 e o 28 da Avenida Nazareth em 1916; sobrou a última casa (Nazareth, 24) dentre as restauradas e revitalizadas pelo Governo do Estado, esta agora descoberta como de José Jovita Corrêa da Silva.
José Jovita Corrêa da Silva era genro de Bento José da Silva Santos – citado nas publicações anteriores -, já que casado com Adélia Augusta de Lemos Santos (nome de solteira), que passou a se chamar Adélia Santos Corrêa da Silva – vide Inventário de Bento José da Silva Santos.
Ou seja: todo o complexo (palacete e duas casas) que abriga o Centro Cultural Palacete Faciola teve origem na família Silva Santos.
Talvez a maior homenagem ao Bento seja a recuperação do conjunto com a interligação que lá há; seu propósito de união familiar – quem sabe se o acesso franqueado às três casas seja algo do passado?


A mesma nota reforça a propriedade de Faciola com a cobrança do Imposto Predial para o ano de 1917 no nome de Servita Almeida (que deveria ser Servita d’Almeida Faciola) titular do pagamento ao tributo do número 28 de Narareth.
Já o imóvel 26, o primeiro a ser ocupado por Antonio Faciola, permanece no nome da segunda mulher de José Bento da Silva Santos, Marianna Fernandes da Silva Santos, casada com separação de bens e única dona do imóvel – tal atraso na retificação, possivelmente, se deve ao fato de Marianna ser a única proprietária do imóvel, não causando preocupações ao Faciola que já tinha a posse – o jornal em questão é de novembro de 1916.
Esse assunto se torna secundário porque a casa de número 26 foi deixada à filha de Antonio Faciola, Inah Faciola, e vendida por seus sucessores em 1991.

Nossas especulações atuais são sobre uma possível grande reforma e ampliação no palacete (28), capaz de aumentar seu poder ostentativo e marcar visualmente a mudança de dono; certamente iniciada ainda em 1916, motivo de Faciola se ter instalado no 26.
Consideramos que essa obra tenha acrescido dois volumes arquitetônicos encadeados – pela Doutor Moraes -, engastado o frontão na platibanda que existia e, quem sabe, substituído a grade projetada por Castro Figueiredo com a sigla BJSS pelo monograma que lá se vê: SF (de Servita Faciola, a verdadeira proprietária do Palacete Faciola desde 1916).


A sociedade de Bento com o genro José e seu irmão Eduardo Jovita
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1916 – Faciola assume o Palacete Silva Santos

Comparação de duas notas de jornal: uma de 17 de setembro e outra de 20 de novembro de 1916

Duas prosaicas noticias publicadas no jornal Estado do Pará, ambas de 1916, revelam quando Antonio d’Almeida Faciola chegou ao Palacete Silva Santos para transformá-lo em Palacete Faciola.
A presença de Armando Chermont no nº26 de Nazareth, mesmo que não listado como filho de Pedro Leite Chermont e Maria da Silva Santos Chermont na nota de falecimento de 23OUT1911, confirma um membro da família Chermont dando como seu o endereço do imóvel colado ao Palacete da equina com a Doutor Moraes.
De outro modo, recebendo parabéns por seu aniversário em 18 de novembro de 1916, estava Antonio Faciola “em sua residência”, no mesmo n°26 de Nazareth, instalado na dita casa dois meses depois: saiu um e entrou o outro (e suas famílias).
Tal edificação, que surgira junto com o Palacete em 1898 (?), de fato (e de direito), era propriedade documentada de Marianna Fernandes da Silva Santos, esposa em segundas núpcias de Bento José da Silva Santos, casada em regime de separação de bens, contudo: estava pública socialmente como moradia do casal Pedro Chermont e filhos – no caso só a viúva, Maria.
Faciola, no que se sabe, adquiriu os dois prédios sem se desfazer de sua chácara e domicílio na Tito Franco, o Bem-bom; possivelmente ocupou o n°26 para gerenciar obras no Palacete de número 28, já que o mesmo fora, por algum motivo, preterido ao velório de Bento Júnior em 11 de maio de 1915, que se deu no 26 – “residência da irmã do morto” – teríamos um sinal de degradação pelos 16, 17 anos da construção?
O fato de Antonio se alojar no 26 e não no 28 dá à imaginação a hipótese de uma considerável reforma no Palacete para onde traria sua família e suas obras de arte; nela poderíamos pensar nos dois volumes arquitetônicos acrescidos, no surgimento do frontão e nas pinturas que decorariam o Palacete em equivalência ao que se vê no Bem-bom.
Por ora estamos diante de possibilidades; para que se tornem reais, carecem de comprovações.

Curiosidade:
Ainda não descobrimos quem é esse Armando Chermont, se um neto do Bento José da Silva Santos, ou outro membro da popular família Chermont, diferenciado pelo sobrenome interno, da mãe (que seria Santos); o fato é que em 1924, a filha de Antonio Faciola, Inah, casa-se com um Armando Chermont – homônimos ou a mesma pessoa?
Armando Chermont, por sorte ou casualidade, apareceu para ajudar na datação que questionávamos; mas, instaurou outras dúvidas.

Um palacete de velórios e festas

A publicação ficará aberta à construção do texto.


Postscriptvm (27JUL2022):
Segundo o jornal Estado do Pará, de 23 de outubro de 1911, que noticiou o falecimento do médico e deputado federal Pedro Leite Chermont, casado com dona Maria da Silva Santos Chermont, o casal tinha 5 (cinco) filhos: Pedro (estudante de engenharia), Edmundo, Rodolfo, Carmen e Ítala – não há Armando na lista.

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Inventário dos bens de Bento José da Silva Santos, 1908

Documento repassado à divulgação pública pelo pesquisador Nelson Sanjad do Museu Paraense Emílio Goeldi

Inventário de Bento José da Silva Santos, 1908. 4ª Vara Cível – Cartório Leão. Universidade Federal do Pará, Centro de Memória da Amazônia, Belém.

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A evidência gráfica do Palacete Silva Santos (Faciola)

Plano de fachada assinado por José de Castro Figueiredo em 1895

Em Crônica de algumas perdas anunciadas; por Jussara Derenji, publicada no jornal O Liberal de 30JUL2000 e aqui reproduzida em 17OUT2011, há o plano de fachada do Palacete Faciola assinado pelo engenheiro-arquiteto José de Castro Figueiredo em 1895; entretanto, sob a bandeira da porta de entrada, encimando-a, há as iniciais de Bento José da Silva Santos: B. J. S. S. (seguidas de pontos) à semelhança do que há na Rocinha do Museu Paraense Emílio Goeldi vendida ao governo do Estado do Pará em 1895 por Bento e sua primeira esposa Maria Catharina.

Fotografia da Rocinha do Museu Goeldi, com a inscrição “1879 – BJSS” na bandeira da porta principal; fotografia de Pedro Pompei/MPEG


Isto elimina qualquer dúvida sobre o contratante dos serviços profissionais de Castro Figueiredo: Bento José da Silva Santos.
A descoberta traz outras incertezas: essas iniciais (B. J. S. S.) foram de fato executadas em argamassa ou outro material (ferro como no exemplo da Rocinha) no lugar programado; ou: já se via, na inauguração do prédio, o FS que está lá até hoje?
Isto abre espaço ao Servita Faciola numa possível reforma como a que alterou a platibanda acrescentando a ela elementos como concha, volutas e anjo (?) em composição no frontão.
A foto emblemática de 1898 (publicada em 1899) mostra que tal ornato arquitetônico inexistia nos primórdios do Palacete Silva Santos; já as iniciais de Bento, se foram levadas à prática na fachada, a mangueira encobre.

(Aliás: só quem viu o B. J. S. S. foi o nosso editor sênior – todos somos -, Fernando Marques.)

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A casa vizinha ao Palacete Silva Santos/Faciola

Numeração antiga da Avenida Nazaré: 28 e 26
Páginas 05 e 75 do inventário de Bento José da Silva Santos, aberto em 1908 por seu filho Junior

O inventário de Bento José da Silva Santos nos dá conhecimento de que ele fora casado, em suas segundas núpcias, com dona Marianna Fernandes da Silva Santos, em regime de separação de bens; entretanto: dona Marianna era proprietária da casa 26, moradia de uma das filhas de Bento, casada com o médico e deputado federal Pedro Leite Chermont, Maria da Silva Santos Chermont.
Isto explica a semelhança de estilos e acabamentos em suas fachadas e o uso do mesmo padrão de azulejos; e que, certamente, foram levantadas junto, já que ambas aparecem na fotografia publicada em 1899.
A relação entre as duas casas pode ser comprovada pelos jornais que noticiaram os velórios de Pedro Chermont em 1911 e de Bento Junior em 1915: Chermont foi velado no Palacete Silva Santos (Nazaré, 28) e Bento Junior na casa da irmã (Nazaré, 26), viúva de Chermont.
Corrobora à tese o fato dos dois imóveis, juntos, serem adquiridos por Antonio d’Almeida Facióla, em data dessabida, mas posterior ao ano de 1916, comprovadamente; contudo: a casa térrea foi deixada de herança à sua filha: Inah d’Almeida Faciola (casou-se com Armando Chermont em 1924 e passou a se chamar Inah Faciola Chermont), que a transmitiu aos sucessores, sendo vendida em 1991 à partilha em espécie.
Dizem os familiares de Inah que na casa havia metragem suficiente de Mármore de Carrara para um novo piso e que quem comprou o imóvel teria levado (o mármore) de bônus por desatenção dos herdeiros – nenhuma comprovação disto.

Curiosidade: na lista de pessoas presentes ao enterramento de Bento Junior em 1915 não se vê o nome de Antonio de Almeida Faciola; nem por si, nem por suas firmas; o que pressupõe que Faciola não pertencia ao círculo social dos Silva Santos naquele período – especulação nossa.

Aguardamos a transcrição exata das páginas 05 e 06 do inventário que está sendo feita pelo pesquisador do Goeldi, professor Nelson Sanjad.

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Bem-bom – a casa dos Faciola

Bem-bom em foto atribuída a George Huebner (entre 1890/1910) – coleção Guto Quaresma

Não sabemos exatamente o início da relação de Antonio d’Almeida Faciola com a Chácara Bem-bom, mas há dois registros fotográficos, pertencentes à família, que remontam ao século XIX; o Bem-bom, paraíso para seu proprietário, era local de criar bichos, plantar ordenadamente árvores frutíferas e cultivar a diversidade das flores em jardins; a rocinha, afastada, foi xodó de Antonio até sua morte em 1936, aos 70 anos.
A sequência de fotografias, todas de 1916, comprova que a família nuclear de Antonio Faciola (ele, sua mulher e três filhos) mantinha residência e domicílio no Marco da Légua, às proximidades da linha férrea da Belém-Bragança, na esquina da travessa Barão do Triunfo; um ano antes desses registros houve o falecimento de Bento José da Silva Santos Junior, um dos herdeiros do Palacete Silva Santos, prédio que seria adquirido por Antonio – não se sabe a data de compra do imóvel na esquina Nazaré-Dr. Moraes, nem da mudança dos Faciola para lá.
Ou seja: qualquer interferência dos Faciola no Palacete Silva Santos só pode ser considerada real a partir de 1916 para mais – nunca retroceder.
É fácil perceber o local como de moradia fixa (casa, lar…), repleto de obras de arte, movelário de estilo e piano; com pinturas e volumes decorativos nas paredes dos dois pavimentos – Antonio edificou o piso de cima em momento dessabido, mas aparentemente recente nas estampas.
Por mais que os Faciola tenham adquirido o Palacete Silva Santos, jamais deixaram de frequentar com assiduidade o Bem-bom – Antonio tinha o hábito de dormir lá algumas vezes na semana.
Muito do que se vê nas imagens passou a compor os cômodos térreos do Palacete Silva Santos com a mudança dos Faciola para Nazaré.
Damos relevância ao fato de Antonio d’Almeida Faciola ter a mesma idade de Junior, filho de Bento José da Silva Santos, morto em 11 de maio de 1915, deixando cinco órfãos (de pai e mãe): quatro em Liverpool, na Inglaterra, e um em Belém, Brasil.
Há fortes evidências de Antonio ter adquirido o Palacete Silva Santos já mobiliado, pois nele havia móveis, vidraças e cristais com o mesmo monograma visto na fachada: FS (Família Silva Santos) ou SF (Silva Santos e Filhos).
O cenário aponta a aquisição do Palacete Silva Santos como negócio oportuno para Antonio – sem necessidade de pressa.

Pavimento inferior do Bem-bom em 1916
Pavimento inferior do Bem-bom em 1916
Pavimento superior do Bem-bom em 1916
Pavimento superior do Bem-bom em 1916

Todas as imagens que compõem a publicação são ampliáveis.

Bem-bom em 1916 – a casa dos Faciola.

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Palacete Silva Santos – antes dos Faciola

Palacete Silva Santos – avenida Nazareth, 28 (foto publicada à página 154 do Álbum do PARÁ em 1899)

Equivocou-se a história oficial, pelo menos a contada ao microfone na cerimônia de inauguração do Centro Cultural Palacete Faciola, dia 25 de junho passado, quando afirmou, pela boca de vários, ser Antonio Faciola o encomendador e primeiro morador da “edificação moderna e sólida” situada na esquina nobre Nazaré-Doutor Moraes; nesse tempo Faciola residia e era domiciliado no Bem-Bom, na Estrada de Ferro de Bragança-Avenida Tito Franco canto com a Barão do Triunfo, no Marco da Légua – e nem se alcançou, ainda, o desde quando (?), mas a chácara finou pra ele em 1936.

Reclame da firma Silva Santos & filhos do Coronel Bento José da Silva Santos

Na realidade quem mandou erigir o casarão fora o coronel da Guarda Nacional Bento José da Silva Santos: comerciante, pecuarista e industrial: dono da Olaria e Serrariâ do Arâpiranga.
Possivelmente intentou um lugar para a família, acolhendo filhos casados e netos – é o que nos transmitem as notas consultadas.
Bento José da Silva Santos é a mesma pessoa que vendeu a Rocinha (sua morada e dos seus) ao Goeldi (governo) em 1895 – sugerindo um intervalo construtivo ao Palacete entre 1896 e 1898; ou anterior, se o empreendimento independeu da negociação com o Estado.
De todo modo é sabido pelos jornais que em dezembro de 1899 o Palacete Silva Santos já estava habitado: foi registrada a parada dos deputados federais Augusto Montenegro e Pedro Leite Chermont no endereço; o mesmo que hospedaria o médico Chermont naquele dia e no seu velório em 22 de outubro de 1911 – Bento José era sogro do parlamentar doutor que regressava do Rio de Janeiro.
O dono do Palacete (Silva Santos) faleceu em 01 de março de 1908 sem deixar testamento; entretanto, o inventário aberto por seu filho (Junior) – tinha 3 filhas – é bastante elucidativo quanto à essência do imóvel em 1908:

Texto de 1908
Monograma original da Família Santos ou Silva Santos.

Há um ente da família Faciola que já é o único – e último – a balbuciar que o Palacete teve outro dono: “um tal Francisco Santos”, o que justificaria o monograma FS em contraponto ao romanceado SF em suposta homenagem à Servita Faciola, esposa do Intendente; todavia, o mais pertinente seria Família Santos, ou mesmo Família Silva Santos – do Palacete Silva Santos – proprietária de um sobrado portentoso capaz de abrigar muitos e de gerações diversas.
É possível também especular pelo Santos e Filhos – SF – da firma, o que redunda em descendência, prole… Família.
Provavelmente a morte dos mais velhos dos ditos Silva Santos (e cônjuges) e a debandada dos remanescentes à Europa esvaziou e entristeceu a enorme vivenda – ao fim iminente provocado pelo passamento de Bento José da Silva Santos Júnior, viúvo, em 11 de maio de 1915, velado na casa ao lado, o 26 da Nazaré, moradia de sua irmã, também viúva: Maria Silva Santos Chermont -; poderíamos resumir: uma habitação nova com jovens, crianças e idosos expirando: concebendo órfãos.
Por ora é impossível precisar a data de aquisição do bem ou a da mudança dos cinco Facióla (e comitiva) ao Palacete Silva Santos; mas, afirma-se, com base em documentos e fotos, que não ocorreu antes de 1916.

Desenho da fachada do Palacete Silva Santos (hoje Facióla) publicada em 2000 – plano de 1895

Fonte da imagem: Crônica de algumas perdas anunciadas; por Jussara Derenji


As investigações continuarão, agora mais complexas, porque se lidará com duas famílias em composições e momentos distintos ocupando o mesmo espaço como lar; de comum, o que se tem de fato, são apenas as produtivas vigílias aos defuntos no emblemático salão que se projeta à velha Nazareth.

Referências:
Bento José da Silva Santos e Antonio d’Almeida Faciola.
A escrava Clara confirma conexão Jardim Mythologico-Museu Goeldi.


Colaboraram com esta publicação, além dos editores de plantão, os pesquisadores Aldrin Moura de Figueiredo (PPGH-UFPA), Nelson Sanjad (Museu Paraense Emílio Goeldi) e Diego Leal (PPGH-UFPA).

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Postscriptvm (25JUL2022)
Em comentário (no Laboratório Virtual) o professor Fábio Fonseca Horácio-Castro afirma que a mãe de José Bento da Silva Santos se chamava Anna Francisca dos Santos.
Tal informação abre a possibilidade do monograma FS, acima referido, significar Francisca Santos – isto justificaria “um tal Francisco Santos” lembrado por membro idoso da família Faciola.
Se foi uma homenagem à mãe de Bento: o Servita Faciola, como tributo de Antonio Faciola à esposa, soa como clara adaptação da história (real) pregressa.
Agora: quem foi Anna Francisca dos Santos?

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O Breguet 118 no Chapéu Virado; por Alan Watrin Coelho

Jornal Folha do Norte de 14DEZ1927

Todo 6 de julho, quando Mosqueiro comemora aniversário, lembro de uma postagem do Laboratório Virtual – FAU feita a 16 de novembro de 2015 e intitulada “O avião que pousou nas areias do Chapéu-virado em 1929”. Isso porque Mosqueiro foi o local onde passei minhas férias de infância no início da década de 1980 e uma das muitas lembranças que guardo delas era torcer para um avião de verdade pousar na “pista do aeroporto” da Vila, algo que nunca passou de sonho de criança, já que nessa época, a pista já havia sido fechada devido a instalação de cabos de alto tensão. Daí a surpresa ao ler “O avião que pousou nas areias do Chapéu-virado em 1929” e descobrir que aviões pousaram nas areias da justamente praia que frequentava quando criança.
Outra coisa que me chamou atenção na postagem foi com relação ao “Postscriptvm” publicado a 18 de novembro de 2015 e que se refere ao pouso no Chapéu Virado do “Breguet 118” da companhia francesa Latécoère em 1927. Nele estão presentes duas dúvidas: a data do pouso, sobre o qual o historiador Augusto Meira Filho afirma em seu “Mosqueiro Ilhas e Vilas” (1978) como tendo ocorrido a 13 de outubro de 1927, enquanto os recortes dos jornais citados no site se referem como tendo ocorrido a 13 de dezembro; depois com relação ao tipo de avião, tanto pelo fato de que a Breguet nunca produziu um modelo designado “118” como pela dúvida se ele teria aterrissado ou amerrissado, segundo notícia do Jornal do Brasil de 16 de novembro de 1927.
Para resolver a questão, me dirigi ao setor de microfilmes da Biblioteca Pública Arthur Vianna e solicitei primeiramente os jornais disponíveis de outubro de 1927. Havia dois títulos, “Folha do Norte” e o “Estado do Pará”, mas em nenhum achei referência a chegada do “Breguet 118” ao Chapéu Virado. Em seguida, solicitei os mesmos jornais referentes a dezembro de 1927 e na primeira página da “Folha do Norte” de 14 de dezembro de 1927 encontrei a notícia “A navegação aérea no Brasil: Desde ontem se acha em Belém o ‘Breguet 118’ da Companhia Latécoère, tendo descido na praia do Chapéu Virado”.
A foto que ilustra a notícia não deixa dúvidas de que se trata de um Breguet XIV, originalmente um bombardeiro da Primeira Guerra Mundial e que, ao final do conflito, teve unidades adaptadas como avião de correio aéreo pela Latécoère. Esse avião não possui capacidade para pousar na água (amerrissar). Uma nova pesquisa na internet revelou que esse avião foi produzido em 1922 e que “118” é, na verdade, o seu número de produção pela Breguet. Registrado F-ALXE, na chegada ao Chapéu Virado no dia 13 de dezembro, ele era pilotado por Paul Vachet (1897-1964), um dos principais pilotos da Latécoère e que em 1922 foi o responsável pelos estudos para o estabelecimento da linha da companhia para o Norte da África. Completava a sua tripulação o engenheiro mecânico Michel do Goull e o mecânico Marcel Gaffé.
O objetivo da viagem era, segundo a “Folha do Norte”, “proceder a estudos sobre locaes que se adaptem á construcção de um aeródromo, ponto essencial para os fins visados pela Latecoère”, no caso a instalação “de uma linha de navegação aérea, ligando, por um processo mais rápido de communicações, os diversos Estados do Norte com os do sul do paiz e outros pontos do continente americano”.
Mas porque pousar no Chapéu Virado? Primeiro, porque não havia naquela época pistas de pouso tanto em Belém, algo que só apareceria com o Campo do Sousa em 1930. Isso não era uma condição apenas de Belém, já que em outras cidades brasileiras era comum os aviadores buscarem uma superfície mais ou menos plana o suficiente para aterrissar como, por exemplo, uma praia. O próprio Vachet fez isso na escala anterior a Belém, no caso São Luís, quando pousou e decolou na praia de São Marcos. Segundo a “Folha do Norte”, a ideia dos aviadores era sobrevoar Belém, mas como notaram “que a maré já enchia quando passavam ao Mosqueiro”, foram “obrigados a aterrar antes que as praias ficassem tomadas pela água”. Para ajudá-los no pouso, o cônsul francês, François Chiarasini, em companhia de funcionários da Port of Pará, foram até “a alludida praia” e acenderam “uma fogueira para, com a fumaça da mesma, indicar aos aviadores a direcção do vento, tendo também mandado fincar ao longo da praia as bandeiras franceza e paraense”.
Após o pouso, os aviadores foram recepcionados “com applausos delirantes e vivas a França e ao Brasil” por uma “multidão, na sua maioria composta por senhoras e senhorinhas”. Os pilotos então foram descansar no hotel do Chapéu Virado, onde “Vachet pediu que lhe servissem Guaraná Simões, gelado, no que foi attendido”.

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