A foto acima tem provocado polêmica no Instagram, é ela o argumento visual que dá suporte ao vídeo:
Bem… quem trouxe à baila este assunto foi o Belém de Outrora (@belem_de_outrora), Instagram capitaneado por Felipe Pereira Rissato, que nos enviou o material acima publicado às considerações dos editores.
Foi-nos possível perceber uma ambiguidade na forma desse elemento estético e funcional: uma serpente com asas que à distância pode ser confundida com um cisne – um encantamento, uma camuflagem; alguma característica do Jugendstil (movimento de design alemão) no Pavilhão Primeiro de Dezembro?
A sua função de gárgula: dar vazão à água acumulada na calha, só poderia existir com o conduto abaixo da linha (da calha); desse jeito a água não jorrava pela “boca” do bicho e sim pelo seu “peito” – essa questão foi confirmada por Fernando Pessoa, o autor das esculturas em fiberglass atuais (com aproximadamente 36 anos no lugar) que encontrou indícios dessa vazão na parte inferior da peça – isto foi possível pelo auxílio de fotografias com pouca nitidez, as mesma que sugeriram o cisne (e não uma cobra) que eliminou a vazão por seu próprio corpo, tornando-se quimera; esta, segundo Fernando Pessoa, foi substituída por tubulações que passam pelas colunas e levam a água subterraneamente pela praça evitando bicas.

Detalhes de postais publicados na primeira edição do álbum Belém da Saudade parecem confirmar a percepção de Rissato; ou seja: essas imagens só vieram a público em 1996 e podem não ter sido vistas pela equipe de revitalização do pavilhão; ou: em hipótese cruel: faz de conta que não vi e não se fala mais nisso.
O fato é que publicamos Curiosidades do patrimônio público de Belém, matéria de 2012 citada no audiovisual do Belém de Outrora, tempo em que os protagonistas estavam vivos e o Jaime Bibas jamais se referiu à serpente alada – sabemos todos que o JB jamais guardaria esse segredo – assim como não o fizeram o Paulo Chaves e o Osmar Pinheiro de Souza.
E o maior absurdo é que uma dessas imagens compõe o texto e nenhum leitor se tocou disso em 14 anos; quer dizer: olhamos e vimos o módulo cisne porque é difícil ver cobras voadoras em bote dissimuladas em postura de cisnes – certamente a intenção do forjador alcançou seu intento ao ludibriar o Laboratório Virtual.
A palavra gárgula, em sua etimologia, refere-se a cobra ou dragão do rio; portanto: um cisne destoaria da estética aplicada à função.
Resta-nos parabenizar o Rissato pela descoberta; contudo: alertamos à falta de informações imagéticas suficientes para conformar o monstro aquático, sem isso a Inteligência Artificial não dará conta – como não deu no final do audiovisual do Belém de Outrora aqui exibido.
Acima se pode ouvir o depoimento do professor aposentado da FAU, Fernando Pessoa, em mensagem de 30AGO2026 – observamos que a gestão de Fernando Coutinho Jorge na PMB se deu entre janeiro de 1986 a janeiro de 1989, isto para situar cronologicamente o Fernando que nunca atinou a cobras nem lagartos, uma prova da novidade vertida do passado em fotografias que já tínhamos visto.



















































































