
A colagem digital acima utilizou duas fotografias de época: a do Cinema Olympia, de 1915 e a do Museu Commercial do Pará (originalmente Cinema Radium), de 1919; na realidade são duas edificações planejadas à diversão púbica: o Olympia foi uma adaptação feita no Café Madrid, já o Radium, uma obra que, desde os alicerces, intentava a exibição de filmes.
Cinema RADIUM?
Certamente o RADIUM não habita o imaginário popular; afinal: nenhuma alma do planeta assistiu a uma fita naquele prédio que todos conhecemos (hoje) como Teatro Experimental Waldemar Henrique.
Ao contrário do anunciado pelo jornal o Estado do Pará de 27JAN1913, o Radium jamais inaugurou; o prédio ficou abandonado de 1913 até 1918 – 5 anos, tal qual o Theatro Nossa Senhora da Paz.
A história dessa edificação levantada em plena Praça da República é resumida por Vicente Salles no artigo O RETÁBULO DE WALDEMAR HENRIQUE, escrito que compõe o primeiro álbum da Série Restauro da Secult.
Mas… tratemos o RADIUM como cinematógrafo: função específica de seu projeto, de sua execução e na condição em que foi abandonado no dia 04 de abril de 1913 em consequência da rescisão contratual publicada no Estado do Pará – no pós hiato (1913-18), resumimos Vicente: o prédio, desde 1919, hospedou o Museu Commercial do Pará, a Caixa Econômica Federal e a Paratur; até se transformar no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em 1979.

O jornal Estado do Pará, nas publicações dos dias 17 e 19 de julho de 1913, dá detalhes construtivos tanto do CINEMA (RADIUM), quanto do BAR a ele vizinho, também objeto do mesmo contrato com a Intendência Municipal – o tal bar é hoje a sede do Instituto de Ciências da Arte da UFPA.
A descrição das obras, ambas contemporâneas ao Olympia e ao Grande Hotel (isento de décimas em 1913 por 5 anos), revela-nos o uso de trilhos de ferro como vigas (vergas); no caso do cinema o texto ressalta o propósito: “… com grande número de janelas laterais para a ventilação …”.
Diante de diversas fotos da remodelação do Olympia publicadas na Internet, chamou-nos a atenção as que mostram um perfil de trilho de ferro assentado sobre pilares de alvenaria; assim, em consulta técnica ao professor Márcio Barata – também editor deste laboratório -, soube-se que a peça tinha a função de reduzir a altura dos pilares, evitando a flambagem desses pela carga vertical; também definia os vãos-luz do salão de concertos e os acessos ao edifício; desse modo se deduz que o trilho fora componente imprescindível à fachada original de 1912 e, por consequência, a viga de concreto mais acima, seria do plano de Arlindo Guimarães, executado na reforma de 1940: de características modernistas.
(O vigão mais abaixo não nos interessa porque é pós Arlindo: quando tudo se torna miscelânea.)

Veja a superposição em melhor definição
Poder-se-ia dizer que o trilho de ferro, no Olympia, compõe o arcabouço da fachada de 1912; sem ele o cinema não teria a conformação que perdurou até 1940.

Os vãos-luz da lateral do prédio projetado para ser o cinematógrafo Radium, fechado entre 1913 e 1918, quando passa a ser explorado, com aval do governador Lauro Sodré, pela Associação Commercial do Pará.

O vasto espaço da sala de exibições do Cine Radium em 1919 já adaptada para funcionar como Museu Commercial do Pará; pela fotografia é possível compreender o emprego dos trilhos ou vigas de ferro (vergas) agregados às paredes que suportaram a pesada cobertura e forro, assegurando a necessária abertura dos múltiplos e simétricos vãos-luz.

Aqui se juntou os cinemas belenenses Olympia (1912) e Radium (1913) ao Kurssal Bahiano (1919) do engenheiro italiano Filinto Santoro; além da similitude tipológica dos edifícios, há de se frisar que o Kurssal Bahiano foi uma concessão de espaço público (Praça Castro Alves) à exploração privada (por Portella Passos & Cia – Filinto era o único sócio de José Portella Passos): uma casa de espetáculos (teatro e cinema) e um kiosque (bar) vizinho – tal qual o contrato que o também engenheiro italiano Arthur Liguori assinou com a Intendência Municipal de Belém.
Referências:
O RETÁBULO DE WALDEMAR HENRIQUE – Vicente Salles
Revista Commercial, Industrial e Agrícola do Pará – JUL1919
Revista Renascença – DEZ1919
Grande Hotel – isenção de décimas por 5 anos
Sugestão de leitura:
A fachada original do Olympia
O OLYMPIA e a rua SILVA SANTOS JUNIOR























































































































