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A arquitetura de Theodoro Braga em pré-moldado regional de 1908 (2)

Audiovisual produzido em 2011 por alunos de Museologia e Comunicação IV da Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro — UNIRIO

Em A arquitetura de Theodoro Braga em pré-moldado regional de 1908 o Laboratório Virtual comprovou que Theodoro Braga se arriscou no projeto arquitetônico para um pavilhão que compôs a Exposição Nacional de 1908certamen internacional realizado no Rio de Janeiro com edificações, na maioria efêmeras, assinadas por medalhões da arquitetura e engenharia não poupados pela revista ilustrada O MALHO de 03OUT1908:

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O Pará, na condição de estado federado, não rubricou nenhuma edificação governamental como o fizeram outros, além do Distrito Federal: São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina —  esta rústica erigida em madeira aludida às casas de seus imigrantes; mostrou (o Pará) seus produtos no Pavilhão dos Estados em espaço exíguo diante da demanda.
A presença do Pará na cenográfica cidade solidificada à Exposição Nacional (de 1908) se deu pela iniciativa privada: pelo stand da Fábrica de Cerveja Paraense inaugurada em Belém no ano de 1905; o design tridimensional assinado por Theodoro Braga ganharia visibilidade (pelo menos fotográfica) pela vizinhança ao concorrido Theatro da Exposição (nomeado João Caetano):

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A foto de Augusto Malta registra, à esquerda, o kiosque da Fabrica de Cerveja Paraense de parecença a um búfalo encangado na carroça; tal stand estava ladeado por dois grandes edifícios: o Theatro e o Pavilhão dos Bombeiros

Theodoro Braga fora contratado pela diretoria da Fabrica de Cerveja Paraense à tarefa de delinear e decorar o seu elegante pavilhão; contudo, ao que se depura dos documentos analisados, não solicitaram ao artista paraense a funcionalidade de um bar que permitisse a degustação das suas marcas de bebidas, só a exibição dessas e de imagens (fotos e pinturas) das dependências de seu moderno parque industrial instalado em Belém do Pará.
Também corrobora o raciocínio a parte fechada do recinto ter sido reservada por Braga, na origem, ao guarda do pavilhão, rechaçando possibilidades à implementação de equipamentos aos serviços; de todo modo não foi a construcção de T. B. que ganhou o apelido de Casa do vigia chargeada como casinha de cachorro pela O MALHO.
Em matéria sequente, em elaboração, trataremos do objeto arquitetado por Theodoro como pré-moldado em Belém e desmontado ao transporte naval à Praia Vermelha.

Ler O Estado do Pará na exposição de 1908; por Jacques Ourique.

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Divulgação/convite à FAU

O Iphan-PA retoma a programação do ciclo de palestras Conversa Pai d’Égua: falando sobre patrimônio, que ocorre nesta sexta-feira, 24 de janeiro. Com o tema Arquitetura vernacular ribeirinha, Patrimônio Cultural nas amazônias: o caso de Afuá, apresentado pelo técnico em arquitetura do Iphan-PA e mestre em preservação do patrimônio, Fernando Mesquita.

Criado em 2012, o ciclo de palestras Conversa Pai d’Égua: falando sobre patrimônio é uma ação da área de Educação Patrimonial da Superintendência do Iphan no Pará. O evento tem como objetivo divulgar e refletir sobre as questões mais atuais relativas à identificação, preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural.

Serviço:
Conversa Pai d’Égua: falando sobre patrimônio
Data: 24 de janeiro de 2019, 15h
Local: Auditório do Iphan-PA (Avenida Governador José Malcher, 1131, 3º andar, entrada pela travessa Dom Romualdo de Seixas – Nazaré, Belém). A atividade terá emissão de certificado.

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Os “artistas especiaes” que reduziram e gravaram o selo de Theodoro Braga em 1915

O historiador Luís Augusto Barbosa Quaresma, colaborador deste Laboratório Virtual, nos enviou foto da matéria publicada hoje (14JAN2020) no jornal O Liberal que aparentemente nega, uma vez que omite, a autoria do selo do Tri-Centenário da Fundação de Belém (1616-1916) ao factótum Theodoro Braga.
Na realidade o periódico paraense complementa O selo do Tricentenário de Belém foi criado por Theodoro Braga, pois dá nomes aos artistas especiaes da Casa da Moeda onde tais selos foram impressos em dezembro de 1915; seriam eles, segundo O Liberal: F. Hilarião T. Silva [que teria transformado (ou formatado) o desenho de T. B. para clichê xilográfico (matriz em madeira) de 0,033 de comprimento por 0,024 de altura] e Bezerra Paiva (o impressor typographico das estampas resultantes desse “carimbo”).
O desenho, na qualidade de projeto, hoje entendido como design (ou projeto) gráfico, da lavra de Theodoro Braga, fora entregue ao diretor da Casa da Moeda, Ennes Souza, no dia 06 de novembro de 1915, para ser reduzido e gravado pelos seus artistas especiaes:

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Isto pressupõe que a arte apresentada por Theodoro Braga deveria ser analisada por tais artistas especiais da Casa da Moeda à definição do processo mais viável à reprodução da estampa [em calcografia (metal), litografia (pedra) ou xilografia (madeira)] à typographia; o que certamente foi feito; mas, por questões éticas e estéticas, com a aquiescência do autor — em outras palavras: F. Hilarião T. Silva adaptou o desenho de Braga à linguagem da xilografia, de modo estritamente técnico, salvaguardando o conteúdo de forte semelhança compositiva à tela A Fundação de Belém de 1908.
Na matéria Cadê a coroa com 600 gramas de ouro desenhada por Theodoro Braga? dissemos que Theodoro Braga fora o desenhador da coroa de louros com 600 gramas de ouro presenteada à atriz paulista Lucília Peres em 1910 no Theatro da Paz; mas deixamos claro que a execução coube ao ourives Manoel do Couto Monteiro sob desenho (hoje design) e orientação de Theodoro Braga.
Do mesmo modo ficará evidente, em artigo futuro com a colaboração de Aristoteles Guilliod de Miranda, que o projeto arquitetônico de Theodoro Braga ao pavilhão da Fábrica de Cerveja Paraense à Exposição Nacional de 1908 teve o trabalho de carpintaria e marcenaria nas oficinas A. Santos & C confeccionado pelo proficiente artista entalhador sr. F. Martins Domingues; aguardem.


Postscriptvm (15JAN2020):
Novas investigações revelaram que F. Hilarião T. Silva, como publicou O Liberal, é abreviatura de FRANCISCO HILARIÃO TEIXEIRA DA SILVA que em decreto do Ministério da Fazenda de 09OUT1901 fora desenhista nomeado Chefe da officina de xylographia da Casa da Moeda.
O Correio da Manhã de 06JAN1912 noticia a extinção da officina de xylographia ficando Hilarião apenas no logar de desenhista.
O outro citado por O Liberal, Bezerra Paiva, qualificado pelo jornal como gravador, não figura no quadro de funcionários da Casa da Moeda em 1915, de acordo com o Almanak Laemmert — nem em outros anos e fontes consultados —, o que nos faz crer na possibilidade de uma atividade específica, mas temporária: a impressão da (própria) xilo, que retira dele (Bezerra Paiva) a condição de artista especial nas modalidades de gravura restantes; seguindo pelos mesmos documentos: o diretor da Casa da Moeda, como já dito por nós, era o engenheiro e professor de docimasia e metallurgia da Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, Antonio Ennes de Souza, justamente para quem foi entregue, em 06NOV1915, o desenho da lavra de Theodoro Braga.
Deste modo não resta a menor dúvida que o Selo do Tri-centenário da Fundação de Belém é projeto gráfico do talvez primeiro designer genuinamente brasileiro: o paraense Theodoro Braga — sem olvidar a participação efetiva, mas coadjuvante, de Francisco Hilarião Teixeira da Silva à reprodução mecânica do motivo.


Postscriptvm 2 (16JAN2020):

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Em um convite enviado por Theodoro Braga à Folha do Norte para o vernissage (16DEZ1908) de sua exposição no Salão Nobre do Theatro da Paz que abriria no dia 17 há uma lista dos trabalhos que integrariam a mostra: o item 104 revela que T. B. projetara uma série de 7 sellos para o Estado do Pará sete anos antes da impressão do selo alusivo ao Tri-Centenário de Belém, que tanto pode ser um desses, quanto criação nova.

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Cadê a coroa com 600 gramas de ouro desenhada por Theodoro Braga?


A atriz paulista natural de Lorena, Lucília Peres, em imagem de acervo da revista FON-FON reproduzida em 22JUL1922

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Palace Theatre em Belém do Pará — espaço do Grande Hotel para 2 mil espectadores

Em 23 de janeiro de 1916, certamente por ocasião das festas do Tri-centenário de Belém do Pará que ainda não possuía data comprovável de sua fundação — isto só ocorreria em 1927 com a tradução de dois códices por Theodoro Braga* à Revista do Museu Paulista —, aportou na cidade o paquete Olinda trazendo a bordo a Grande Companhia Nacional pertencente à Lucília Peres** e Leopoldo Fróis tendo como empresário Jucá de Carvalho; a trupe aqui estava para a annunciada temporada do Palace Theatre do Grande Hotel da firma Teixeira, Martins & Cª inaugurado em 12DEZ1913.
Em artigo do jornal Estado do Pará, do mesmo dia do desembarque do Olinda, o collaborador artistico Ulysses Nobre rememorou, como testemunha ocular, o 1º de julho de 1910, depois de uma ausencia (de Lucília) de cinco longos annos, ocasião em que a atriz conhecera Belém e fora homenageada pela sociedade paraense no Theatro da Paz recebendo diversos regalos de valor, dentre os quais uma coroa de louros com seiscentos gramas em ouro maciço; tal joia, avaliada em 3 contos de Réis, fora ofertada pela Joalheria Krause [de Krause Irmãos e C.º que tinha como sócios: Max Lewinm e Krause & C.º (Pernambuco)] com trabalho executado na oficina do ourives Manoel  do Couto Monteiro sob desenho (hoje design) e orientação de Theodoro Braga.
A nota do periódico Estado do Pará (de 25JAN1916) que encabeça esta matéria nos dá a entender que a coroa de louros veio na bagagem da atriz que permitiu sua exibição na sede da Krause, situada na rua Santo Antonio nº17, logo após sua chegada.
A Gazeta de Notícias de 25JUL1910 — em texto retardado reproduzido de A Província do Pará  — revela-nos a cobertura da coroação, datada pelo cronista em 1916 como 1° de julho de 1910, que contou com a presença do designer Theodoro Braga; a do Governador do Estado, João Coelho; e: a ausência de Antonio Lemos, este representado por seu filho Antonio Pindobussu de Lemos.
A Gazeta também ousa na descrição do mimo dado à Lucília naquela ocasião: Fecham-se dous galhos de louros em circulo, com flores e fructos, numa flagrante naturalidade e inexcedivel relevo que lhe dão o lavor do artista, emprestando a perfeita semelhança dos usados nos tempos romanos. Pesa cerca de 600 gramas a custosa joia. Ao centro do laço posterior da coroa estão gravadas as iniciais L. P. e nas pontas lê-se esta inscripção: —”A Lucília Peres, a familia paraense”.
Por ora não conseguimos nenhum clichê da coroa designada pelo pintor T. B. que planejou e acompanhou igualmente as obras do Pavilhão da Fábrica de Cerveja Paraense, único exemplar de arquitetura do Estado do Pará na Exposição Nacional de 1908 na Praia Vermelha do Rio de Janeiro; curiosamente: tal kiosque fora erigido entre o Pavilhão dos Bombeiros e o Theatro João Caetano, palco onde Lucília Peres se apresentara, em espetáculos naquele mega evento da Capital da República, havia menos de dois anos.
Os personagens da vida real já se conheceriam?

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Recortes de fotografias de Augusto Malta que documentaram a proximidade entre as duas construções em 1908 — Theodoro e Lucília poderiam estar aí

O pesquisador Vicente Salles em seu livro Épocas do Teatro no Grão-Pará ou Apresentação do Teatro de Época tratou do assunto no tópico A coroação de Lucília Peres em 1910.

*Theodoro Braga (1872-1953).
**Lucília Peres (1882-1962).


Postscriptvm: o Laboratório Virtual está coletando imagens do Pavilhão da Fábrica de Cerveja Paraense, projetado por Theodoro Braga à Exposição Nacional de 1908, para que o professor José Maria Coelho Bassalo possa proceder sua virtualização gráfica animada.

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O selo do Tricentenário de Belém foi criado por Theodoro Braga

Selo Theodoro Braga

O selo acima, comemorativo do Tricentenário da Fundação da Cidade de Belém do Pará, foi criado por Theodoro Braga em 1915 — Theodoro Braga compunha o Diretório do Comitê Patriótico da Fundação de Belém.
No dia 06 de novembro de 1915 o desenho de Theodoro Braga foi entregue a Ennes de Souza, diretor da Casa da Moeda, para ser reduzido e gravado pelos seus artistas especiais; já impresso e descrito pelo jornal Estado do Pará de 15DEZ1915, seguiu no dia 17 do Rio de Janeiro (Capital Federal) para Belém.

Descrição do selo de Theodoro Braga no Estado do Pará (ampliável)

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Tela A Fundação da Cidade de Nossa Senhora da Graça de Belém do Grão-Pará concluída em 1908

O selo comemorativo de Braga não fugiu ao padrão compositivo da pintura encomendada por Antonio Lemos e para a qual ele (T. B.) fez investigações na Europa; provavelmente esses estudos históricos pretéritos o embasaram a publicar, no mesmo jornal Estado do Pará (de 09ABR1915), o artigo Póde-se precisar o dia da chegada de Cadeira de Castello Branco ao Pará? — um cisma diante da verdadeira data de fundação de Belém, já que para ele a provável chegada de Castello Branco ao Pará tivesse sido, o mais tardar, a 10 de janeiro d’esse anno (1616)?!
O escrito de T. B. joga uma provocação ao futuro: Entretanto, podemos ficar tranquilos, nós de 1916; porque os paraenses de 2016 acharão alguma coisa feita por nós, evocando a data magna de nossa história regional, cercando-a de louros e de estudos.
Em 1º de maio de 1916, pós Festas do Tri-centenário, Theodoro Braga assumiria a direção do Instituto Lauro Sodré por determinação do governador Enéas Martins; Braga viria a pedir demissão do cargo um ano depois.

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Fon-Fon, em sua cobertura das Festas do Tricentenário, não mostra a imaginável efusão do evento que se pretendia nacional (ampliável)


Postscriptvm (08JAN2020):
A questão levantada em 1915 por Theodoro Braga em Póde-se precisar o dia da chegada de Cadeira de Castello Branco ao Pará? foi por ele próprio elucidada em 1927 quando o artista plástico e historiador paraense traduziu dois códices manuscritos pertencentes ao Museu Paulista à revista editada pelo engenheiro civil Afonso d’Escragnolle Taunay, diretor da instituição  —  T. B. já estava radicado na cidade de São Paulo, na avenida São João nº185-A —; tais documentos, demolidores de teses que Braga considerava incongruentes, deram razão definitiva aos apontamentos de Frei Vicente Salvador analisados por Capistrano de Abreu que faleceria aos 74 anos incompletos no Rio de Janeiro naquele mesmo 1927.
Theodoro Braga especulara, por dedução, o dia 10 de janeiro de 1616 — mais tardar — como a data magna da fundação de Belém; errou por dois dias: é o que nos faz compreender Augusto Meira Filho em seu livro Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará:

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Ampliável à leitura

Por ora estamos na busca da Revista do Museu Paulista de 1927 para aqui disponibilizá-la aos leitores; mas segue, em pdf, o ANNUARIO DE BELÉM Em commemoração do seu Tricentenário citado por Meira Filho à página 58:

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Representação e Expressão II — audiovisual final

Audiovisual produzido pelas duas turmas da disciplina Representação e Expressão II do 4º período letivo de 2019: síntese panorâmica da produção destinada ao projeto de extensão do ITEC: Banco de Imagens e Audiovisuais do Laboratório Virtual.

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