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Arquitetura Restauração

A evidência gráfica do Palacete Silva Santos (Faciola)

Plano de fachada assinado por José de Castro Figueiredo em 1895

Em Crônica de algumas perdas anunciadas; por Jussara Derenji, publicada no jornal O Liberal de 30JUL2000 e aqui reproduzida em 17OUT2011, há o plano de fachada do Palacete Faciola assinado pelo engenheiro-arquiteto José de Castro Figueiredo em 1895; entretanto, sob a bandeira da porta de entrada, encimando-a, há as iniciais de Bento José da Silva Santos: B. J. S. S. (seguidas de pontos) à semelhança do que há na Rocinha do Museu Paraense Emílio Goeldi vendida ao governo do Estado do Pará em 1895 por Bento e sua primeira esposa Maria Catharina.

Fotografia da Rocinha do Museu Goeldi, com a inscrição “1879 – BJSS” na bandeira da porta principal; fotografia de Pedro Pompei/MPEG


Isto elimina qualquer dúvida sobre o contratante dos serviços profissionais de Castro Figueiredo: Bento José da Silva Santos.
A descoberta traz outras incertezas: essas iniciais (B. J. S. S.) foram de fato executadas em argamassa ou outro material (ferro como no exemplo da Rocinha) no lugar programado; ou: já se via, na inauguração do prédio, o FS que está lá até hoje?
Isto abre espaço ao Servita Faciola numa possível reforma como a que alterou a platibanda acrescentando a ela elementos como concha, volutas e anjo (?) em composição no frontão.
A foto emblemática de 1898 (publicada em 1899) mostra que tal ornato arquitetônico inexistia nos primórdios do Palacete Silva Santos; já as iniciais de Bento, se foram levadas à prática na fachada, a mangueira encobre.

(Aliás: só quem viu o B. J. S. S. foi o nosso editor sênior – todos somos -, Fernando Marques.)

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Arquitetura Restauração

A casa vizinha ao Palacete Silva Santos/Faciola

Numeração antiga da Avenida Nazaré: 28 e 26
Páginas 05 e 75 do inventário de Bento José da Silva Santos, aberto em 1908 por seu filho Junior

O inventário de Bento José da Silva Santos nos dá conhecimento de que ele fora casado, em suas segundas núpcias, com dona Marianna Fernandes da Silva Santos, em regime de separação de bens; entretanto: dona Marianna era proprietária da casa 26, moradia de uma das filhas de Bento, casada com o médico e deputado federal Pedro Leite Chermont, Maria da Silva Santos Chermont.
Isto explica a semelhança de estilos e acabamentos em suas fachadas e o uso do mesmo padrão de azulejos; e que, certamente, foram levantadas junto, já que ambas aparecem na fotografia publicada em 1899.
A relação entre as duas casas pode ser comprovada pelos jornais que noticiaram os velórios de Pedro Chermont em 1911 e de Bento Junior em 1915: Chermont foi velado no Palacete Silva Santos (Nazaré, 28) e Bento Junior na casa da irmã (Nazaré, 26), viúva de Chermont.
Corrobora à tese o fato dos dois imóveis, juntos, serem adquiridos por Antonio d’Almeida Facióla, em data dessabida, mas posterior ou mesmo no ano de 1916, comprovadamente; contudo: a casa térrea foi deixada de herança à sua filha: Inah d’Almeida Faciola (casou-se com Armando Chermont em 1924 e passou a se chamar Inah Faciola Chermont), que a transmitiu aos sucessores, sendo vendida em 1991 à partilha em espécie.
Dizem os familiares de Inah que na casa havia metragem suficiente de Mármore de Carrara para um novo piso e que quem comprou o imóvel teria levado (o mármore) de bônus por desatenção dos herdeiros – nenhuma comprovação disto.

Curiosidade: na lista de pessoas presentes ao enterramento de Bento Junior em 1915 não se vê o nome de Antonio de Almeida Faciola; nem por si, nem por suas firmas; o que pressupõe que Faciola não pertencia ao círculo social dos Silva Santos naquele período – especulação nossa.

Aguardamos a transcrição exata das páginas 05 e 06 do inventário que está sendo feita pelo pesquisador do Goeldi, professor Nelson Sanjad.

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Arquitetura Arquitetura e Natureza

Bem-bom – a casa dos Faciola

Bem-bom em foto atribuída a George Huebner (entre 1890/1910) – coleção Guto Quaresma

Não sabemos exatamente o início da relação de Antonio d’Almeida Faciola com a Chácara Bem-bom, mas há dois registros fotográficos, pertencentes à família, que remontam ao século XIX; o Bem-bom, paraíso para seu proprietário, era local de criar bichos, plantar ordenadamente árvores frutíferas e cultivar a diversidade das flores em jardins; a rocinha, afastada, foi xodó de Antonio até sua morte em 1936, aos 70 anos.
A sequência de fotografias, todas de 1916, comprova que a família nuclear de Antonio Faciola (ele, sua mulher e três filhos) mantinha residência e domicílio no Marco da Légua, às proximidades da linha férrea da Belém-Bragança, na esquina da travessa Barão do Triunfo; um ano antes desses registros houve o falecimento de Bento José da Silva Santos Junior, um dos herdeiros do Palacete Silva Santos, prédio que seria adquirido por Antonio – não se sabe a data de compra do imóvel na esquina Nazaré-Dr. Moraes, nem da mudança dos Faciola para lá.
Ou seja: qualquer interferência dos Faciola no Palacete Silva Santos só pode ser considerada real a partir de 1916 para mais – nunca retroceder.
É fácil perceber o local como de moradia fixa (casa, lar…), repleto de obras de arte, movelário de estilo e piano; com pinturas e volumes decorativos nas paredes dos dois pavimentos – Antonio edificou o piso de cima em momento dessabido, mas aparentemente recente nas estampas.
Por mais que os Faciola tenham adquirido o Palacete Silva Santos, jamais deixaram de frequentar com assiduidade o Bem-bom – Antonio tinha o hábito de dormir lá algumas vezes na semana.
Muito do que se vê nas imagens passou a compor os cômodos térreos do Palacete Silva Santos com a mudança dos Faciola para Nazaré.
Damos relevância ao fato de Antonio d’Almeida Faciola ter a mesma idade de Junior, filho de Bento José da Silva Santos, morto em 11 de maio de 1915, deixando cinco órfãos (de pai e mãe): quatro em Liverpool, na Inglaterra, e um em Belém, Brasil.
Há fortes evidências de Antonio ter adquirido o Palacete Silva Santos já mobiliado, pois nele havia móveis, vidraças e cristais com o mesmo monograma visto na fachada: FS (Família Silva Santos) ou SF (Silva Santos e Filhos).
O cenário aponta a aquisição do Palacete Silva Santos como negócio oportuno para Antonio – sem necessidade de pressa.

Pavimento inferior do Bem-bom em 1916
Pavimento inferior do Bem-bom em 1916
Pavimento superior do Bem-bom em 1916
Pavimento superior do Bem-bom em 1916

Todas as imagens que compõem a publicação são ampliáveis.

Bem-bom em 1916 – a casa dos Faciola.

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Arquitetura Restauração

Palacete Silva Santos – antes dos Faciola

Palacete Silva Santos – avenida Nazareth, 28 (foto publicada à página 154 do Álbum do PARÁ em 1899)

Equivocou-se a história oficial, pelo menos a contada ao microfone na cerimônia de inauguração do Centro Cultural Palacete Faciola, dia 25 de junho passado, quando afirmou, pela boca de vários, ser Antonio Faciola o encomendador e primeiro morador da “edificação moderna e sólida” situada na esquina nobre Nazaré-Doutor Moraes; nesse tempo Faciola residia e era domiciliado no Bem-Bom, na Estrada de Ferro de Bragança-Avenida Tito Franco canto com a Barão do Triunfo, no Marco da Légua – e nem se alcançou, ainda, o desde quando (?), mas a chácara finou pra ele em 1936.

Reclame da firma Silva Santos & filhos do Coronel Bento José da Silva Santos

Na realidade quem mandou erigir o casarão fora o coronel da Guarda Nacional Bento José da Silva Santos: comerciante, pecuarista e industrial: dono da Olaria e Serrariâ do Arâpiranga.
Possivelmente intentou um lugar para a família, acolhendo filhos casados e netos – é o que nos transmitem as notas consultadas.
Bento José da Silva Santos é a mesma pessoa que vendeu a Rocinha (sua morada e dos seus) ao Goeldi (governo) em 1895 – sugerindo um intervalo construtivo ao Palacete entre 1896 e 1898; ou anterior, se o empreendimento independeu da negociação com o Estado.
De todo modo é sabido pelos jornais que em dezembro de 1899 o Palacete Silva Santos já estava habitado: foi registrada a parada dos deputados federais Augusto Montenegro e Pedro Leite Chermont no endereço; o mesmo que hospedaria o médico Chermont naquele dia e no seu velório em 22 de outubro de 1911 – Bento José era sogro do parlamentar doutor que regressava do Rio de Janeiro.
O dono do Palacete (Silva Santos) faleceu em 01 de março de 1908 sem deixar testamento; entretanto, o inventário aberto por seu filho (Junior) – tinha 3 filhas – é bastante elucidativo quanto à essência do imóvel em 1908:

Texto de 1908
Monograma original da Família Santos ou Silva Santos.

Há um ente da família Faciola que já é o único – e último – a balbuciar que o Palacete teve outro dono: “um tal Francisco Santos”, o que justificaria o monograma FS em contraponto ao romanceado SF em suposta homenagem à Servita Faciola, esposa do Intendente; todavia, o mais pertinente seria Família Santos, ou mesmo Família Silva Santos – do Palacete Silva Santos – proprietária de um sobrado portentoso capaz de abrigar muitos e de gerações diversas.
É possível também especular pelo Santos e Filhos – SF – da firma, o que redunda em descendência, prole… Família.
Provavelmente a morte dos mais velhos dos ditos Silva Santos (e cônjuges) e a debandada dos remanescentes à Europa esvaziou e entristeceu a enorme vivenda – ao fim iminente provocado pelo passamento de Bento José da Silva Santos Júnior, viúvo, em 11 de maio de 1915, velado na casa ao lado, o 26 da Nazaré, moradia de sua irmã, também viúva: Maria Silva Santos Chermont -; poderíamos resumir: uma habitação nova com jovens, crianças e idosos expirando: concebendo órfãos.
Por ora é impossível precisar a data de aquisição do bem ou a da mudança dos cinco Facióla (e comitiva) ao Palacete Silva Santos; mas, afirma-se, com base em documentos e fotos, que não ocorreu antes de 1916.

Desenho da fachada do Palacete Silva Santos (hoje Facióla) publicada em 2000 – plano de 1895

Fonte da imagem: Crônica de algumas perdas anunciadas; por Jussara Derenji


As investigações continuarão, agora mais complexas, porque se lidará com duas famílias em composições e momentos distintos ocupando o mesmo espaço como lar; de comum, o que se tem de fato, são apenas as produtivas vigílias aos defuntos no emblemático salão que se projeta à velha Nazareth.

Referências:
Bento José da Silva Santos e Antonio d’Almeida Faciola.
A escrava Clara confirma conexão Jardim Mythologico-Museu Goeldi.


Colaboraram com esta publicação, além dos editores de plantão, os pesquisadores Aldrin Moura de Figueiredo (PPGH-UFPA), Nelson Sanjad (Museu Paraense Emílio Goeldi) e Diego Leal (PPGH-UFPA).

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Postscriptvm (25JUL2022)
Em comentário (no Laboratório Virtual) o professor Fábio Fonseca Horácio-Castro afirma que a mãe de José Bento da Silva Santos se chamava Anna Francisca dos Santos.
Tal informação abre a possibilidade do monograma FS, acima referido, significar Francisca Santos – isto justificaria “um tal Francisco Santos” lembrado por membro idoso da família Faciola.
Se foi uma homenagem à mãe de Bento: o Servita Faciola, como tributo de Antonio Faciola à esposa, soa como clara adaptação da história (real) pregressa.
Agora: quem foi Anna Francisca dos Santos?

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História

O Breguet 118 no Chapéu Virado; por Alan Watrin Coelho

Jornal Folha do Norte de 14DEZ1927

Todo 6 de julho, quando Mosqueiro comemora aniversário, lembro de uma postagem do Laboratório Virtual – FAU feita a 16 de novembro de 2015 e intitulada “O avião que pousou nas areias do Chapéu-virado em 1929”. Isso porque Mosqueiro foi o local onde passei minhas férias de infância no início da década de 1980 e uma das muitas lembranças que guardo delas era torcer para um avião de verdade pousar na “pista do aeroporto” da Vila, algo que nunca passou de sonho de criança, já que nessa época, a pista já havia sido fechada devido a instalação de cabos de alto tensão. Daí a surpresa ao ler “O avião que pousou nas areias do Chapéu-virado em 1929” e descobrir que aviões pousaram nas areias da justamente praia que frequentava quando criança.
Outra coisa que me chamou atenção na postagem foi com relação ao “Postscriptvm” publicado a 18 de novembro de 2015 e que se refere ao pouso no Chapéu Virado do “Breguet 118” da companhia francesa Latécoère em 1927. Nele estão presentes duas dúvidas: a data do pouso, sobre o qual o historiador Augusto Meira Filho afirma em seu “Mosqueiro Ilhas e Vilas” (1978) como tendo ocorrido a 13 de outubro de 1927, enquanto os recortes dos jornais citados no site se referem como tendo ocorrido a 13 de dezembro; depois com relação ao tipo de avião, tanto pelo fato de que a Breguet nunca produziu um modelo designado “118” como pela dúvida se ele teria aterrissado ou amerrissado, segundo notícia do Jornal do Brasil de 16 de novembro de 1927.
Para resolver a questão, me dirigi ao setor de microfilmes da Biblioteca Pública Arthur Vianna e solicitei primeiramente os jornais disponíveis de outubro de 1927. Havia dois títulos, “Folha do Norte” e o “Estado do Pará”, mas em nenhum achei referência a chegada do “Breguet 118” ao Chapéu Virado. Em seguida, solicitei os mesmos jornais referentes a dezembro de 1927 e na primeira página da “Folha do Norte” de 14 de dezembro de 1927 encontrei a notícia “A navegação aérea no Brasil: Desde ontem se acha em Belém o ‘Breguet 118’ da Companhia Latécoère, tendo descido na praia do Chapéu Virado”.
A foto que ilustra a notícia não deixa dúvidas de que se trata de um Breguet XIV, originalmente um bombardeiro da Primeira Guerra Mundial e que, ao final do conflito, teve unidades adaptadas como avião de correio aéreo pela Latécoère. Esse avião não possui capacidade para pousar na água (amerrissar). Uma nova pesquisa na internet revelou que esse avião foi produzido em 1922 e que “118” é, na verdade, o seu número de produção pela Breguet. Registrado F-ALXE, na chegada ao Chapéu Virado no dia 13 de dezembro, ele era pilotado por Paul Vachet (1897-1964), um dos principais pilotos da Latécoère e que em 1922 foi o responsável pelos estudos para o estabelecimento da linha da companhia para o Norte da África. Completava a sua tripulação o engenheiro mecânico Michel do Goull e o mecânico Marcel Gaffé.
O objetivo da viagem era, segundo a “Folha do Norte”, “proceder a estudos sobre locaes que se adaptem á construcção de um aeródromo, ponto essencial para os fins visados pela Latecoère”, no caso a instalação “de uma linha de navegação aérea, ligando, por um processo mais rápido de communicações, os diversos Estados do Norte com os do sul do paiz e outros pontos do continente americano”.
Mas porque pousar no Chapéu Virado? Primeiro, porque não havia naquela época pistas de pouso tanto em Belém, algo que só apareceria com o Campo do Sousa em 1930. Isso não era uma condição apenas de Belém, já que em outras cidades brasileiras era comum os aviadores buscarem uma superfície mais ou menos plana o suficiente para aterrissar como, por exemplo, uma praia. O próprio Vachet fez isso na escala anterior a Belém, no caso São Luís, quando pousou e decolou na praia de São Marcos. Segundo a “Folha do Norte”, a ideia dos aviadores era sobrevoar Belém, mas como notaram “que a maré já enchia quando passavam ao Mosqueiro”, foram “obrigados a aterrar antes que as praias ficassem tomadas pela água”. Para ajudá-los no pouso, o cônsul francês, François Chiarasini, em companhia de funcionários da Port of Pará, foram até “a alludida praia” e acenderam “uma fogueira para, com a fumaça da mesma, indicar aos aviadores a direcção do vento, tendo também mandado fincar ao longo da praia as bandeiras franceza e paraense”.
Após o pouso, os aviadores foram recepcionados “com applausos delirantes e vivas a França e ao Brasil” por uma “multidão, na sua maioria composta por senhoras e senhorinhas”. Os pilotos então foram descansar no hotel do Chapéu Virado, onde “Vachet pediu que lhe servissem Guaraná Simões, gelado, no que foi attendido”.

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Restauração

Os Faciola do Palacete

Os futuros moradores do Palacete Faciola (pós 1916) quando residentes e domiciliados na chácara Bem-bom – fotografia de 1910 (ou 11) -: Servita, Oscar e Antonio; abaixo: Inah e Edgar
A superposição de fotografias que ajudou na identificação de Servita d’Almeida (Faciola?) na estampa de 1910 (ou 11)

Texto em elaboração.

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Arquitetura Memória

“Anjinho” de Julio Augusto Siza

Criança morta sobre sofá (madeira/palhinha) coberto por colcha
Verso da fotografia

Certamente uma fotografia rara de Julio A. Siza – o original compõe o acervo da
família de Antonio d’Almeida Facióla sem identificação do retratado.

Recorte: Álvaro e Tereza falam do bisavô Julio Augusto Siza no “arquigrafias” em 23SET2021

Fonte: Arquigrafias: Tereza Siza conversa com Álvaro Siza (Versão corrigida/Corrected version)

Livro de Tereza Siza sobre o bisavô

(Anjinho foi nominação nossa, obviamente a foto original não possui título.)

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História Memória

College Français de Margueritte Turiel (1914)

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Arquitetura

Servita – a morta do Pacalete Faciola?

Em Fotografias antigas mostram fidelidade na restauração do Palacete Faciola dissemos não saber da datação e da identidade da morta num dos quartos de cima do Palacete.
A nota do falecimento de Servita, mulher do Intendente Antonio Faciola dono do Palacete, chamou-nos a atenção para o paletó de linho branco que veste a personagem viva, talvez um médico em duas das imagens antigas – a moda rememora o final dos anos 1920 e metade dos trinta; assim, é compatível com a data da publicação de O Imparcial maranhense.
Já o recorte fotográfico, de cerca de 1916, é factível e compõe nosso acervo documental em O Intendente Senador Antonio Facióla.
As investigações continuam; entretanto: a ajuda dos leitores na tentativa de elucidar datação e identidade da retratada será benvinda por meio de comentários.

Superposição de imagens: Fernando Tavares

_______________________
Postscriptvm (08JUL2022):
Caso a identidade de Servita seja confirmada teremos fotos de 1930 com as paredes do andar superior do Palacete Faciola decoradas por pinturas emolduradas linearmente por frisos.
Sabe-se pelo pessoal da restauração que há duas camadas inferiores a essa pátina; em outras palavras: seria a terceira pintura interna da residência – a quarta subiria e substituiria a barra decorativa por outra utilitária: com escápulas pra atar redes.
Dessa quarta e última pintura temos depoimentos que, comparados aos fatos documentados, leva-nos ao ano de 1940; ano em que Oscar Faciola, o filho mais velho do Intendente, fez sua mudança “definitiva” do Palacete Montenegro, onde morava com os sogros – a sogra, Aninha Cardoso, morrera – para o Palacete Faciola.
Em 1940 Inah Faciola se casa no Uruguai, mudando-se do Palacete Faciola para a avenida Generalíssimo Deodoro com Narciso Braga.
Ainda no início da década de 1940 houve o casamento de Edgar Faciola, o caçula do pianista, com Cléa Corrêa – ambos constituíram família domiciliados na chácara Bem-bom (imóvel que desabou em 15JUN1999).
Essa reviravolta na vida dos personagens, certamente pelo recebimento dos bens partilhados em testamento (contestado, mas cumprido), deve ter impulsionado Oscar a “melhorar” o agora “seu” patrimônio para acolher mulher e três filhos – há dois mais jovens de outra união – numa “nova” casa.
Diante do que temos: hipóteses.

Base: jornais de época e depoimentos de Maria Regina Faciola Pesssôa.

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Urbanismo

JL 2: Passageiros reclamam do desconforto na espera por transporte em Belém – participação LABCAM

Participação LABCAM-ITEC-UFPA: Juliano Ximenes

Conteúdo divulgado na 2ª edição do Jornal Liberal, da TV Liberal, de 05JUL2022.

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Educação

Liberal Comunidade – UFPA 65 anos

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Arquitetura Restauração

Fotografias antigas mostram fidelidade na restauração do Palacete Faciola

Três ângulos levemente distintos – fotografias ampliáveis
Fotografia de 2021: trabalhos de revitalização do Palacete Faciola

As três fotografias do topo, das quais ainda não se possui a datação nem a identidade da mulher morta em um quarto do segundo pavimento que se projeta à Doutor Moraes, comprova que a restauração do Palacete Faciola foi fiel ao passado da edificação.
O friso alto é mais recente e utilitário – possui escápulas para redes; mas o antigo, no nível das almofadas inferiores das portas, tem sua marcação decorativa visível.
As duas cadeiras registradas na cena e o guarda-roupas com espelho elíptico compõem o acervo de objetos da família Faciola – ou seja: existem e estão em uso.
Faltou-nos uma imagem do ambiente recuperado que acrescentaremos em breve.

Detalhe ampliado de uma das fotografias: cadeiras, estampas decorativas e rodapé de um dos cômodos no andar superior do Palacete Faciola


Uma das cadeiras presentes na fotografia antiga hoje em processo de manutenção pela família Faciola
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Divulgação

Divulgação/convite à FAU

BOCA do AMAZONAS: Sociedade e cultura em Dalcídio Jurandir

(São Paulo: Edições SESC, 2020, 352 p.)

O livro, que estuda a obra do escritor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979),
mostra que o seu “Ciclo do Extremo Norte”, composto por dez romances (1941-1978),
apresenta uma visão exemplar da sociedade e cultura da Amazônia.
Nesse romance em série ou roman-fluvial acompanhamos o caminho de
formação de um jovem do interior da Amazônia, dos seus 10 aos seus 20 anos,
durante a década de 1920, marcada pelo declínio da economia da borracha, pela
estagnação e por tentativas de reestruturação. É também um romance social, com
elementos de estudos antropológicos de campo.
Inicialmente, a obra de D. Jurandir é situada no contexto da história política,
econômica, social e cultural da Amazônia. São descritos também o processo de criação
do ciclo romanesco e a sua recepção.
Nos capítulos principais, o leitor passa a conhecer, com base nos dez romances,
quatro cenários da vida cotidiana social e cultural da Amazônia:
— A ilha de Marajó (ambiente dos três romances iniciais), que representa uma
síntese do interior fluvial da Amazônia, habitado sobretudo por ribeirinhos e caboclos.
— A metrópole regional Belém, cuja topografia social é descrita no romance
Belém do Grão-Pará a partir de seus bairros centrais.
— A periferia de Belém, cenário de 5 dos 10 romances. Com base nessas obras
foram realizadas, entre 2009 e 2014, adaptações cênicas e montagens teatrais com um
grupo de professores e alunos de uma escola de ensino médio no bairro de Terra Firme.
Essa experiência é descrita detalhadamente e documentada com fotos.
— A vila de Gurupá, onde se passa o romance final, Ribanceira, é um retrato de
uma típica comunidade amazônica.
Na contribuição do ciclo romanesco de Dalcídio Jurandir para o
conhecimento da Amazônia destacamos três aspectos:
1) a descrição da cultura cotidiana dos que vivem na periferia da sociedade;
2) o engajamento por uma educação de qualidade para todos;
3) a importância dada às falas dos habitantes da Amazônia. O romancista
captou na boca do povo dizeres significativos, que são documentos da memória cultural
e do desejo dessas pessoas de se tornarem sujeitos da História.
Com tudo isso, o retrato exemplar da Amazônia apresentada no Ciclo do
Extremo Norte estimula também a reflexão sobre os problemas sociais e educacionais
de todo o Brasil.

(Release do livro.)

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Arquitetura

O Fantasma da Repartição; por Haroldo Baleixe

Imagem ampliável por clique

Década de 1940: a moderna casa de Narciso Braga e Inah Faciola

Incompatibilidade de Gênios

Fotografias de mulher morta no Palacete Facióla (sem datação e identificação)

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Arquitetura

Palacete Faciola em 2022 (2)

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Arquitetura

Palacete Faciola em 2022

A Maquete de Belém já foi desmontada do Fórum Landi, onde foi construída, e remontada no Palacete Faciola

Material fornecido pela Marina Ramos.

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Arquitetura

Palacete Faciola em 2021

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Arquitetura

Palacete Faciola em 2008

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Arquitetura

Palacete Faciola em 1930

Reparos da Intendência Antonio Facióla (1929-30) – imagem ampliável
O bonde dobra na mesma esquina (Nazaré com a Doutor Moraes) em 1932
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Arquitetura

Palacete Faciola em 1951

Material recuperado pelo Laboratório Virtual em março de 2021.