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História da Arquitetura Restauração

Palacete Silva Santos/Faciola – a dinâmica da investigação

As duas únicas fotos fiáveis em datação dão certeza visual à propriedade de Bento (1895-1916) e de Antonio (1916-desapropriação) – os registros foram feitos em períodos distintos do domínio do Palacete; assim, conjugadas, são parâmetro à percepção de outras estampas que porventura apareçam (jpg ampliável)
A fotografia de 1899 – a de 1930 tem o ponto de interesse escondido – comparada a um cartão postal publicado no Belém da Saudade sem datação (jpg ampliável)

A descoberta de Bento José da Silva Santos como primeiro proprietário e construtor do palacete da equina da Avenida Nazaré com a Doutor Moraes tirou de Antonio d’Almeida Faciola a responsabilidade por tudo que tenha ocorrido desde o projeto do prédio em 1895 – aqui publicado – até sua posse como proprietário em 1916.
Esses dois períodos, já demarcados, de ocupação residencial por duas famílias abastadas, de gerações distintas, trazem questionamentos inexistentes quando se acreditava que Antonio Faciola fora o único dono – história oficial anotada na popular Wikipédia.
Saber que Bento contratou José de Castro Figueiredo foi novidade, mas endossou a presunção de Jussara Derenji como guardiã do projeto que agora revela as iniciais BJSS (de Bento José da Silva Santos) antes, sem sentido, imperceptível no meio das flores de ferro designadas.
O Laboratório Virtual, baseado em evidências sutis, dá como hipótese uma reforma significativa ocorrida com a chegada de Faciola ao casarão, em 1916; tal obra, certamente estendida ao ano de 1917, seria um marco da ocupação da família Faciola – ou seja: Antonio fez o que está na fotografia datada de 1930.
Trabalhamos com essa possibilidade; contudo, não intencionamos fabricar verdades, apenas estabelecer parâmetros que nos facilitem analisar e compreender diferenças em imagens que porventura surjam como no caso do cartão postal acima, publicado no álbum Belém da Saudade, que não possuí datação.
Independentemente das interpretações possíveis do entorno: prédios vizinhos, árvores, bonde… comparamos o postal com a estampa publicada em 1899 – como o prédio foi entregue a Bento:

Anos das imagens: 1899 – sem datação – 2008 (jpg ampliável)

O que se percebe no detalhe do cartão postal, donde se enxerga o Palacete em escorço, é uma pequena reforma para assentamento de ladrilhos no embasamento da fachada projetada à Avenida Nazareth; mas o sobrado, tal qual foi entregue a Bento, permanece pintado – sem os azulejos que revestiriam as duas fachadas num porvir ainda dessabido -; bem como: as soleiras das janelas continuam individualizadas, sem o friso contínuo, interrompido pelo vão da porta, que as camuflaria; permanecem, também, as molduras nas gateiras (ou óculos) do porão.
Observamos que o assentamento de azulejos, a confecção do friso e a retirada das molduras já são vistos na fotografia de 1930 – dentre outras mudanças até mais significativas.
Por pequena que tenha sido a intervenção vista no postal, antes de uma especulativa “grande reforma”, ela chegou aos dias de hoje, talvez como marca indelével da família Silva Santos na construção de Castro Figueiredo.


Postscriptvm:
O bonde elétrico presente no postal afirma que a imagem é de 1907 para mais – Bento José da Silva Santos faleceu em 1908, deixando o palacete como herança ao filho Bento Júnior que morreria em 1915.
Diante da imagem analisada a hipótese da grande reforma entre 1916-17 não foi refutada.

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História da Arquitetura

A sede da agência de Correio e Telégrafos em Belém; por Celma Chaves Pont Vidal

A sede da agência de Correio e Telégrafos em Belém – avenida 15 de Agosto

Na Belém de final dos anos 30, entre as arquiteturas que se modernizavam na Avenida 15 de Agosto, encontra-se a da sede da agência de Correios e Telégrafos. O projeto, segundo as evidências encontradas até o momento, seria do engenheiro e arquiteto ex-diretor da ENBA Archimedes Memória, que havia vencido o concurso para o Ministério de Educação e Saúde em 1936, com uma proposta que apresentava as linhas decorativas e grafismos do então chamado “estilo marajoara”. A construção de edifícios capazes de estruturar uma imagem clara da ideologia do poder vigente, era uma das estratégias da política de Getúlio Vargas e visava, entre outros objetivos, uniformizar e fortalecer a imagem de instituição públicas das principais capitais brasileiras entre os anos 1930 e 1940. Nesse período foram construídas 141 agências cujos projetos eram elaborados na então capital federal Rio do Janeiro, e enviados às respectivas sucursais. O projeto de Belém como os de outras cidades como Belo Horizonte e Curitiba, alude a essa vontade de transpor o tradicional, em um corpo volumétrico que conforma um conjunto com três partes distintas, marcadas por ritmos e simetrias. A esquina esquerda é um bloco de superfície curvilínea, prescindindo de qualquer ornato decorativo, em clara alusão às composições da nova objetividade. O corpo central reaviva os arabescos de inspiração marajoara, nas grades de portas e janelas, motivos que já tinham aparecido no projeto do suposto autor para o MÊS, porém emolduradas por uma superfície limpa e geométrica. A partir de álbum encontrado no blog http://antiguinho.blogspot.com/2018/06/antigo-edificiosede-dos-correios-e.html, observa-se um interior onde predominavam espaços amplos, pisos em ladrilho hidráulico, estrutura inovadora, com uso do concreto, e algum decorativismo déco, o que determinava um claro contraste entre exterior e interior. Escadas com desenhos orgânicos e elegantes, as aberturas moduladas em vãos com basculantes em vidro e outras, ao que parece, em persianas de madeira, evidenciam uma linguagem que oscila entre um tradicionalismo e as novas soluções formais do racionalismo.


Obs.: Nas imagens das plantas e elevações que tivemos acesso não está legível a assinatura nem data do projeto, no entanto, a notícia publicada no jornal Folha do Norte afirma que o projeto já havia sido aprovado pelo governo e que era de autoria de Archimedes Memória.

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História da Arquitetura História da UFPA

Flávio Nassar, biografia e trajetória

Entrevista em maio de 2012

Depoimento de Flávio Nassar a Edilza Fontes para o projeto de pesquisa 25 anos de Ensino Superior Regionalizado.

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Filmes História História da Arquitetura

A calçada do Grande Hotel (1964-1965)

Pelos registros fotográficos da postagem Grande Hotel e adjacências em 1935, em comparação ao trecho de Um dia qualquer…, é possível afirmar que as mesas e cadeiras habituais defronte ao Grande Hotel foram trocadas — tais conjuntos, todos em ferro maciço, foram substituídos por outros aparentemente revestidos com fórmica no topo das mesas e macarrão (?) no assento e espaldar das cadeiras.
As floreiras também constituem-se em novidade à fisionomia do edifício; vê-se, no início do recorte, uma placa de identificação nessa fachada, algo não percebido em fotografias de anos anteriores, mas nela se lê apenas o GRANDE, possivelmente de GRANDE HOTEL, sob monograma circular (GH?):

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Postscriptvm (12/11/2015):
Veja a notícia da inauguração do Grande Hotel em página do jornal Estado do Pará publicada em 20 de julho de 1913 sob o título Os progressos da cidade — O Grande Hotel.

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História da Arquitetura Pesquisa

O Super Clipper Brasil no enterro do Barata

GCB

Homenagem póstuma a Magalhães Barata; por Junior Pirata trouxe ao blog da FAU, em 2013, o filme com esse “título atribuído” produzido por Líbero Luxardo; mais recentemente, neste ano, obtivemos a notícia sobre A inauguração do Super Clipper Brasil  em 1949.
A correlação entre essas duas postagens nos possibilita ver, no recorte de uma cena do cortejo fúnebre ao governador Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, o Supper Clipper Brasil exatamente uma década depois: em 1959.
Tal Clipper (PARADA) localizava-se no Largo de Nazaré — hoje Centro Arquitetônico de Nazaré: CAN — e em 1966: autoridades demolem CLIPPER em ritual bizarro.

Referência sobre o filme: Cinemateca Brasileira.

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Arquitetura e Urbanismo Filmes História da Arquitetura

Um pequeno passeio pela Belém de 1966/67

Na postagem Marajó Barreira do Mar (1967); por Líbero Luxardo é possível assistir ao filme completo do qual recortamos o início que contém imagens do sobrevoo à ilha do Marajó e à capital paraense, da aterrissagem no antigo aeroporto de Belém do Pará, de um curto passeio pelo centro da cidade e de cenas do Ver-o-Peso.

Esmiuçando:

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O avião da Paraense Transportes Aéreos — de sigla PTA que popularmente ensejava “Pubre Tumbém Avua”  ou “Prepara Tua Alma” — quando no ar se apresenta como quadrimotor, já no solo: bimotor.

dfretAs pouco nítidas imagens do voo sobre a doca do Ver-o-Peso nos dão à percepção três equipamentos urbanos alinhados no canteiro central da Marquês de Pombal na sequência do Necrotério à praça Dom Pedro II: o Posto Atlantic (no círculo), um Clipper e o  Posto Pará (?); noutra tomada, ao final do recorte, se vê o Posto Atlantic — as pessoas que cruzam a pista, entre os barcos e o posto de combustíveis, confirmam que é uma construção em terra firme e não uma embarcação.

hjhkhkhCom base nas postagens Ver-o-peso; por Dmitri Kessel (Abril de 1957) e LP internacional de 1958 é ilustrado pelo Ver-o-Peso é possível entender o ponto de vista de Luxardo na confluência da Marquês de Pombal com a Ladeira do Castelo (Feira do Açaí) — por trás do Posto Atlantic.

dfrtAntigo aeroporto de Belém (Val-de-cães) aparece nas filmagens: seu interior, sua fachada posterior (que se projetava ao pátio das aeronaves) e anterior (nesta se vê um automóvel Gordini).

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Outra cena de Marajó Barreira do Mar é a passagem do automóvel pela travessa Frutuoso Guimarães, dobrando da João Alfredo em direção à 15 de Novembro; nela se vê o Clipper da praça das Mercês em funcionamento.


Postscriptvm (19/11/2015):

Igor Pacheco, editor do Fragmentos de Belém, chamou-nos a atenção para outra imagem relevante, a do Hotel Vanja:

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História História da Arquitetura

Capela do cemitério da Ordem 3ª de São Francisco; por José Sidrim

No domingo dia 03 de outubro de 1915 foi inaugurada a capela do cemitério da Ordem 3ª de São Francisco, situado à travessa José Bonifácio, defronte ao Santa Isabel:

A capella foi construida toda de alvenaria, sob planta do hábil architecto sr. José Sidrin e está dividida em três partes: capella, onde se acha erguido o altar, todo de marmore, e a eça para colocação dos corpos; sachristia e secretaria, com rico e luxuoso mobiliário.
Da parte principal do cemiterio á da capella foi construida uma avenida, toda de mosaicos, erguendo-se no centro artistico cruzeiro de 3,m5
de altura, sobre um pequeno monte tosco.
O cemiterio foi completamente reedificado, recebendo caiação e pintura geraes. Ao fundo da capella há 77 carneiras
para deposito de ossadas, feito de accôrdo com o plano do sr. Sidrin, pelo empreiteiro sr. Antônio Pita.

Referência: Templos Catholicos.

 Templos Catholicos

Ampliável à leitura.

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Imagens recentes da capela:

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História da Arquitetura

A fotografia invertida da maquete da Cidade Universitária (UFPA) publicada em 1966

Na postagem anterior, bem como em outra ocasião, publicamos a fotografia de uma maquete do Núcleo Pioneiro da UFPA veiculada em 1966 no impresso de ideologia favorável à Ditadura Militar intitulado Amazônia é Brasil – Comemoração do primeiro centenário da abertura dos portos da amazônia. Vitória Régia Editora, Brasília. Organizador Aldebaro Klautau:

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Na comparação desta com uma fotografia da virada dos anos 1960/70, que mostra a situação real da construção do Núcleo Pioneiro da Cidade Universitária (UFPA), vê-se que a fotografia da Amazônia é Brasil está invertida (espelhada), apontando, em correção, à seguinte lógica perceptiva:

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Abaixo os argumentos a essa hipótese, mesmo que na maquete se tenha o vazio de dois blocos na segunda fileira e a ausência do quadrante executado para estacionamento:

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1: descontinuidade nas coberturas dos dois últimos blocos; 2: os quatro blocos frontais construídos mostrando parte de uma praça com estacionamento; e, 3: o quadrante próximo ao rio Guamá com estacionamento, onde se erigiu, mas não há na maquete, o Bloco A, que hospedou o curso de Arquitetura no início da década de 1970.
Observar que o Bloco A é o mais próximo à rodagem e de franca vista ao rio tal qual o é o Ateliê de Arquitetura e Urbanismo (coincidência?).

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Arquitetura e Urbanismo História História da Arquitetura Pesquisa

Como se chegava ao Hospital Domingos Freire?

BF Cemitério - Domingos Freire
Imagem ampliável para melhor visualização (opção em PDF).

Theodoro Braga, no Guia do Estado do Pará de 1916, na página 56, diz: “… Adiante, deixando á esquerda o hospital Domingos Freire e á direita, o novo e não acabado convento dos frades capuchinhos, chegamos ao fim da linha, e onde estão situados os cemiterios da cidade: o Publico, o da Ordem 3ª de São Francisco e o dos Israelitas. De volta, e á direita, podemos ver, ao longe, a massa branca do edifício, em meio da mata verde, do hospital Domingos Freire, para os tuberculosos…” (sic).
A descrição do lugar, visto da janela de um bonde no ano de 1915, parece insuficiente à montagem de um cenário, contudo, se associada à aerofotografia publicada em Situação e locação aproximadas do Hospital Domingos Freire, a circunstância torna-se diversa; é o que dá alento à equipe do Laboratório de Historiografia e Cultura Arquitetônica, coordenado pela professora Celma Chaves Pont Vidal.
Discussões animadas com o professor Fabiano Homobono geraram algumas especulações; plausíveis, mas carentes de comprovação documental:
Quando se associa o Domingos Freire ao Barros Barreto torna-se difícil crer que o acesso a ele fosse outro que não a rua dos Mundurucus, afinal, há muito nos habituamos aos gradis do Cemitério de Santa Isabel, pela José Bonifácio, em boa lonjura, da esquina da Paz de Souza até a Escola Estadual Paulo Maranhão ‒ em um quarteirão com mais de 500 metros sem nenhuma conexão externa à Barão de Mamoré.
Mas o Santa Isabel não foi sempre assim, cresceu com os anos, ocupando áreas no sentido Norte, até desenhar-se como hoje.
Antonio Lemos, em seus relatórios de 1902, 1905 e 1908 
‒ esse último dá a saber que, por sua intenção e esforços, o Cemitério chegaria na rua dos Pariquis ‒, mostra o crescimento da necrópole a partir de sua área original, calculada em 1880, pela multiplicação dos 292,20m de frente pelos 339,10m de fundo.
Sobre o primeiro acréscimo diz Lemos: “… expropriei um terreno contíguo áquelle e de propriedade de Manoel Severo de Souza e sua mulher… ” (sic), “… Esse terreno mede 6 braças* de frente, com os fundos até ao igarapé Tucunduba… “. (À página 213 do Relatório de 1902).
A segunda expansão aparece no Relatório de 1905, à página 77: “Reverteram ao usufruto do Município o terreno de 6 braças de frente e 150 de fundos, aforado a Cesario Naziazeno Gregorio; e o de 10 braças de frente, com egual fundo ao do primeiro, aforado a Margarida Maria do Carmo; ambos contiguos ao referido cemiterio” (sic); no geral, tem-se um avanço de 35,52m além dos já computados 13,32m: ou 48,84m distantes da fronteira original, 16,41% de ganho em relação ao quadrilátero do século XIX.
Por último Lemos dá ao conhecimento de todos, na página 213 do Relatório de 1908, sua pretensão como intendente: “… Releva ainda notar que o grande numero de sepulturas perpetuas, cujo total é de 1.781, occupa uma superfície de 4.310m²02 da qual o cemiterio perdeu a propriedade e se não pode de modo algum utilizar. Por essas razões estou tratando de ampliar ainda o cemiterio até a rua Pariquis” (sic); logo, a Pariquis era materializada, caso contrário a ela Lemos não se referiria como “mestér” de sua campanha de conquista territorial ‒ que ele não dista por número, mas pelo marco Pariquis ‒ para “fazer crescer” o “campo santo”.
Como os dados são insuficientes, não é possível estabelecer agora, no mapa, um limite fiável que represente a Pariquis, já que não se sabe como e quando ocorreram as ocupações das áreas posteriores às autenticadas pelo Intendente ‒ precisaríamos de outra investigação para identificar esses processos de extensão do cemitério no pós-Lemos.

Das especulações:
Supondo que as árvores sejam centenárias, há de se observar que, justamente nas marcações das somas ao terreno primitivo do Santa Isabel, é onde se tem, pelo menos de modo aparente no Google Maps, as mais regulares fileiras transversais (direção Leste/Oeste) compostas por mangueiras; sobre o prolongamento da Pariquis, em risco que junta dois pontos lógicos, percebe-se uma ordem mais alongada, “extrapolando” os muros da cidade dos mortos.
O cemitério de Santa Isabel desde 1880 possuía uma área estabelecida que, por si só, impediria o traçado da rua dos Caripunas em plantas de Belém contemporâneas ou extemporâneas ao período, exceto as pretéritas; já a rua dos Pariquis, que consta na escritura do Hospital Domingos Freire, é um dado sólido, senão, registro cartorial.
Desse modo surge a hipótese de que havia um caminho arborizado na altura da rua dos Pariquis em direção à Barão de Mamoré, chegando-se por esse trajeto ao portão de ferro com a inscrição em relevo Hospital Domingos Freire.
Não encontramos evidências concretas que factualizem tal lucubração (ou a descarte), muito menos que os pés de manga tenham sido planejadamente plantados, ou mesmo: que já passem, atualmente, dos 100 anos.
Isso tudo pode cair por terra e virar piada acadêmica, mas, como diria Millôr Fernandes: “Livre pensar é só pensar.“; portanto: aprendamos com os erros, porque os acertos estão encaix(ã)otados para descansar em paz no cemitério das criatividades.


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Apesar de alguns sites considerarem a braça com 2,2m; trabalhamos com a definição da Wikipédia: 2,22m ‒ por ser a mais popular informação da Internet contestável por colaboradores ‒; a diferença: 0,44m para menos em 48,84m.
O verbete acima pertence ao Aurélio.

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Arquitetura e Urbanismo Documentos História da Arquitetura

Nicholas Elias Chase: engenheiro construtor do Alacid Nunes

Na postagem Hospital Domingos Freire ‒ fora dos limites do Barros Barreto publicamos a fotografia da placa de granito em alusão à inauguração do Conjunto Residencial Governador Alacid Nunes, datada de 12 de agosto de 1968, até hoje preservada, junto com a pracinha que a hospeda.
Igor Pacheco, editor do Fragmentos de Belém, detectou, dentre as personalidades públicas que concorreram à execução e conclusão da obra, o engenheiro civil Nicholas Elias Chase, um de seus dois construtores.
Igor, para ilustrar o assunto, nos enviou O engenheiro do Monumento a Lauro Sodré, escrito pelo professor Oswaldo Coimbra e publicado no jornal Diário do Pará de 6 de março de 2010.

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Ampliável por clique à melhor leitura.

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Situação e locação aproximadas do Hospital Domingos Freire

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Informações sobre a escritura do terreno do Hospital Domingos Freire publicadas no site Flanar.

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Levantamento aerofotográfico da área com a construção do Hospital Barros Barreto convivendo com o Hospital Domingos Freire; datação imprecisa, entre os anos 1950 e 1960 ‒ imagem pertencente ao acervo do pesquisador e colaborador do BF, professor José Maria de Castro Abreu Júnior.

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Marcação aproximada do terreno do Domingos Freire e a locação da edificação antiga desaparecida em 1964; no local hoje existe o conjunto habitacional Alacid Nunes, na rua dos Mundurucus no sentido Barão de Mamoré/Guerra Passos.

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Vista ampla da área do mapa atual para melhor compreensão da situação e orientação do Hospital Domingos Freire, junto à superposição da aerofotografia do professor Zé Maria.

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O professor Fabiano Homobono, em resposta ao questionamento do médico Aristóteles Guilliod de Miranda, lembra que tanto a Pariquis quanto a Caripunas transpassavam a área do Cemitério de Santa Isabel, o que pode ser comprovado no mapa publicado em 1899 (MDCCCXCIX AMAZONIA ARTHUR CACCAVONI), ano anterior à inauguração do Hospital Domingos Freire, em “fins de abril de 1900”, segundo o texto de José Maria de Castro Abreu Júnior, publicado no post anterior.

Este trabalho revela parte de uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Historiografia e Cultura Arquitetônica, coordenado pela professora Celma Chaves Pont Vidal.

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CLIPPER 1º (primeiro)?

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Ainda no governo de Eurico de Freitas Valle (1929/1930), antes da Revolução de 1930 e Vargas, a população belenense via, a cruzar os céus e amerissar na baía do Guajará, os hidroaviões da NYRBA LINE − linha Nova York/Rio/Buenos Aires −, depois, com a queda da bolsa de Nova York, incorporada pela rival Pan Air − Pan American Airways System.
As atividades desses voos eram frequentes e intensas na década de 1930 porque Belém, além de rota do transporte de pessoas e correio, era base da oficina de manutenção dos chamados CLIPPERS.
O termo inglês clipper, dado a hidroaviões de fabricantes distintos, tinha alusão à autonomia de cruzeiro, simbolizada pelos velozes veleiros sem propulsão mecânica do século XIX que singravam (cortavam), desenvoltos, oceanos.
Referência da referência pode ser o mais acertado para avalizar um apelido popular aos abrigos com serviço destinados aos passageiros dos bondes e ônibus da capital paraense: clippers, que viraram Clippers (nome próprio) na História da Cidade.
Estações de bondes e/ou ônibus construídas em concreto armado foram equipamentos urbanos comuns nas cidades brasileiras e no resto do mundo, contudo, pelo que se saiba, ninguém as chamava clippers; só por aqui, assim como “Pana-ir“, em pronúncia parauara à companhia aérea estadunidense, como recordou Haroldo Maranhão.
Apelido, alcunha, ou apodo é, segundo o Aulete Digital, uma “Comparação jocosa, depreciativa”: acreditar que uma edificação necessariamente imóvel para proteção das pessoas fosse uma aeronave,  ou vagaria pelo campo do delírio vindo com a insolação coletiva dos habitantes, ou se justificaria  racionalmente nalguma semelhança formal, como no caso dos folclóricos Arara, Ararinha e Periquito − personagens citadinos das décadas de 1970/80 que tinham grandes narizes aduncos e voz fanha.
Das PARADAS (assim grafadas em caixa-alta por moldes no cimento) de Belém só uma lembra, em nuances, um hidroavião, mais pelo jogo construtivo de encadeamentos que sugere “asas” como no caso da erguida, e posteriormente duplicada no mesmo gabarito, defronte à Praça do Relógio, entre a 15 de Novembro e a João Alfredo, possivelmente a primeira de uma série disseminada nas adjacências e por outros bairros, distritos e municípios do Estado nas três décadas que estavam por vir.
Para que essa hipótese se resguarde na lógica há que ter sido a obra uma novidade no cenário, ainda no limite dos anos 1930, pois na década seguinte o pouso em solo deixaria de ser tendência para virar rotina de interiorização, um aprendizado de guerra.
Na sequência, novas fotos, ou análises recentes de imagens conhecidas, tentarão justificar o dito:

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A Praça do Relógio retratada por Robert Platt no período da Quadra Nazarena de 1935 mostra o calçamento original em ondas, a vegetação aérea ainda baixa sem adensamento e a ausência da PARADA em questão.
As fotografias do geógrafo e professor Platt, que têm o aval da Universidade de Wisconsin, muito ajudam na revisão de datas; neste caso, o único relatório que nos poderia ajudar, seria o do prefeito Abelardo Condurú (1936-1943), resta saber onde encontrá-lo.

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A comparação de detalhes de imagens já utilizadas no BF revela o crescimento da vegetação na Praça do Relógio e a aposição do termo CLIPPER no equipamento urbano, mesmo com a existência de um letreiro superdimensionado em decó com a palavra PARADA modelada na construção − as fotos não possuem datações, mas registram o calçamento original ainda com as ondas; há esperanças que elas (as fotos) tenham sido feitas entre os anos 1936 e 1939, pois quanto mais distantes os voos e as amerissagens ocorrentes nas cercanias, menor a importância do hidroplano para o imaginário popular.

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Por último a novidade que deu origem a esta postagem: a foto, por nós digitalizada, há muito em circulação na Internet, foi novamente escaneada e minuciosamente analisada.
No canto esquerdo aparece a ponta do CLIPPER/PARADA com a inscrição perceptível: “ER 1º”.
Não há como precisar a data, mas o calçamento é outro, dentado 45º em relação ao perímetro da Praça do Relógio, para facilitar o estacionamento de automóveis e a desobstrução da via.
Tanto faz se a foto é da década de 1940 ou início dos anos 1950, o importante é entender a autoafirmação do que estaria escrito naquela viga de envergadura inútil ao planar: CLIPPER 1º (primeiro). Por que isso?
Talvez a busca da identidade perdida, sinal da vaidade do concessionário diante da proliferação de esquisitos nichos com a mesma alcunha glamourosa, dê luz à suposição que perseguimos comprovar.
“ER 1º” pode significar um sussurro de esguelha misturado com desespero: “−Ei! Olha aqui! Eu sou o primeiro e único CLIPPER de Belém; o resto é consequência, nunca alada aparência.”.

Um voo sobre Belém em 1935:


Postscriptvm (o1/11/2014):
Acompanhe a evolução da pesquisa pelo SUMÁRIO que dá acesso às postagens sobre CLIPPERS até 24/10/2014.
Algumas informação contidas nesta postagem podem ter caído por terra em consequência da aparição de novos registros documentais.
Não fazemos nenhuma reparação nos textos originais, apenas colocamos esta nota ao final das publicações cobertas pelo período do resumo.
Aprendamos com os nossos erros.

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Arquitetura e Urbanismo História da Arquitetura

REVEJA BELÉM 2014 – ARQUITETURA

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Arquitetura e Natureza História da Arquitetura

Divulgação

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Material enviado pelo professor Juliano Ximenes.