José do Ó de Almeida — precursor da fotografia em Belém

José do O' de Almeida
O equipamento e a chapa vistos acima são meramente didáticos (não são do retratista), porém, o texto foi extraído do jornal paraense Treze de Maio de 24 de setembro de 1848.
José do Ó de Almeida desde 1846 usava seu Garreotip para tirar copias de Mappas Geograficos e Hidograficos; é o que diz o mesmo Treze de Maio de 30 de maio de 1846:

1846

O artigo de Maria Inez Turazzi intitulado Foco na Viagem mostra a expedição francesa que trouxe o daguerreótipo ao Brasil; é o caso de investigar como José do Ó de Almeida, em tão pouco tempo, conheceu e dominou profissionalmente o gênero de Retratos pela Garreotip.
Vejamos a notícia original do carioca Jornal do Commercio de 17 de janeiro de 1840 sobre a novidade:

1840

Seguindo o roteiro biográfico de José do Ó de Almeida publicado no periódico  A Constituição (18OUT1883), por ocasião de seu enterramento, chegou-se a uma série de informações que cobrem o período de 1846 (pós nascimento) a 1884 (pós morte):
As primeiras notas da década de 1840 aqui já foram postas, mas seguiremos com outras de relevância à montagem de um perfil daquele que chamaremos Designador do Mosqueiro, já que a atual Vila originou-se organizada a partir de seus conhecimentos geodésicos aplicados para regularisar as linhas divisorias do arruamento da mesma povoação na segunda metade da década de 1860.
José do Ó de Almeida além de militar da Guarda Nacional era industrial e possuía uma Saboaria na rua Longa (Ângelo Custódio) nº3, possivelmente próxima à sua morada e avançado bureau gráfico — supomos que o terreno atravessasse a quadra entre a São José (16 de Novembro) e a Longa fazendo um caminho privado paralelo à São João (João Diogo) e, quase, à Athalaia (Joaquim Távora):

mapa01Vale observar que o jornal Treze de Maio, maior fonte primária virtualizada acerca de José do Ó de Almeida, tem como endereço a rua de São João (João Diogo) canto da estrada de São José (16 de Novembro) — não marcado no mapa pela incerteza das três esquinas ainda possíveis caso os Bombeiros lá não estivessem instalados.

Em 1855 José do Ó criaria a primeira colônia (não militar) agrícola da Província do Gram-Pará batizada de Colonia Nossa Senhora do Ó, instalando-a na Ilha das Onças, nas redondezas de seu Engenho Boa Vista; na sequência, ainda em 1855, lança o jornal O Colono de Nossa Senhora do Ó; em 1856 inaugura, com festa (fogos e banda de música) na Colônia, a Sociedade Auxiliadora da Agricultura, Industria e Recreio da Povoação de Nossa Senhora do Ó que contou, além das autoridades, com a presença consular de Portugal, Russia, Hespanha, Prussia e Estados Unidos.
Não alcançamos a dinâmica desse investimento capitalista malogrado que fez José do Ó de Almeida guinar seus propósitos colonizadores ao Mosqueiro e à Benfica na década seguinte chegando a assistir ao transporte de cargas, por tração animal, na Estrada de Ferro de Benevides em 1882.
José do Ó de Almeida, político ativo, pertencia ao Partido Conservador  — correligionário do cônego José Francisco de Siqueira Mendes — sendo eleito tanto para a Assembléia Provincial quanto à Câmara Municipal na qual trabalhou como agrimensor até à véspera de seu acamamento em 16 de outubro de 1883.
Possuía diversos escravos em suas propriedades, quando fugiam eram objeto de propaganda de captura pelos jornais, com recompensas; curiosamente embarcou para o Rio de Janeiro um deles: Gualdino, em fevereiro de 1874.
Se considerarmos o termo Concidadão, atribuído a José do Ó de Almeida, seria ele paraense, nascido em data por ora incógnita; já estava casado com Maria Romana Paes de Almeida em ocorrência de 1855; sabe-se, sem noção da ordem, que com ela teve três filhos:  Anesia do Ó de Almeida Mamoré (esposa do médico João Baptista Bueno Mamoré), Esculápio José do Ó de Almeida (não encontramos a consorte) e Lydia do Ó de Almeida Paumgartten (Baronesa mulher do Barão de Paumgartten: Segismundo Francisco Maria de Paumgartten).
Lydia faleceu no dia 24 do mês abril e seu pai, o Coronel José do Ó de Almeida, em 17  de outubro de 1883, ainda na atividade profissional procedendo, in locu, demarcações nos terrenos da povoação de Santa Izabel do Pinheiro (Icoaraci).
Para não perdermos o rumo da Quinta de Queluz, objeto principal desta busca, observamos que José do Ó de Almeida, segundo A Contituição (25JAN1880) mudou sua residência para a estrada de Nazareth casa contigua á do sr. dr. Danin — seria o sobrado do Coronel José do Ó já citado (1876) pelo cônego Siqueira Mendes?

O levantamento sobre a vida de José do Ó de Almeida permanece e esta publicação deverá ser alterada em conformidade com os avanços; até o momento foram achados poucos indícios de parentesco [talvez irmãos (?)] com o Coronel Antonio do Ó de Almeida, sogro de Lauro Sodré, de quem Ernesto Cruz emprestou parte da biografia publicada no livro Ruas de Belém.

As fontes da pesquisa estão nos hiperlinks.


Postscriptvm (16/05/2016):
O parágrafo: Não alcançamos a dinâmica desse investimento capitalista malogrado que fez José do Ó de Almeida guinar seus propósitos colonizadores ao Mosqueiro e à Benfica… resolver-se-á pela leitura de Para além do Tráfico: Escravidão e emancipacionismo na década de 1850, à página 94, da tese de José Maria Bezerra Neto apresentada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP para obtenção do título de doutor em 2009:
Por Todos os Meio Legítimos e Legais: As Lutas contra a Escravidão e os Limites da Abolição (Brasil, Grão-Pará: 1850-1888).
Tal material foi enviado pelo colaborador do BF: o pesquisador Fernando Marques do Museu Goeldi.


Postscriptvm 2 (17/05/2016):
O precursor “oficial” da fotografia em Belém do Pará, o estadunidense Charles de Forest Fredricks, que em curta passagem pela Cidade aportuguesou seu nome para Carlos em propaganda no Treze de Maio:

Charles Fredricks 3


Postscriptvm 3 (17/05/2016):
Quadro de descendentes levantados admitindo a possibilidade de José e Antonio serem irmãos: Treze de Maio (26JUL1855):

Quadro

O painel acima será modificado a partir de novos dados já que a publicação não está concluída.

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2 respostas para José do Ó de Almeida — precursor da fotografia em Belém

  1. Suelen Vieira disse:

    O blog da FAU-UFPA sempre muito interessante!

  2. Paulo Andrade disse:

    Excelente matéria. Até conheci, nos anos 1970 – 1980, o vereador Emanuel Ò de Almeida que morava na Vila Mac Dowell, seguramente descendente de um dos dois diferenciados na pesquisa.

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