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Assembléia Paraense — Praça da República números 21, 15, 16, 17 e 18

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Comparativo de imagens aéreas de 1963 ou 65 com atuais – edificações remanescente (ampliável)

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Delimitação dos lotes atualmente à comparação com as construções antigas

O antigo Café Chic (Renata Tecidos) foi um divisor d’águas entre os prédios ocupados pelo clube Assembléia Paraense ao longo de sua história na Praça da República: à esquerda do Chic, sob a numeração 21 a AP surgiu em 1916 (edifício Gualo) — como nova razão social da Associação do Commercio a Retalho do Pará, mas no mesmo ano mudou-se para o alugado número 15 (prédio da Caixa Econômica Federal) até adquirir sua sede própria em 1921, edificações geminadas de números 16 e 17, que passou por duas reformas significativas: a de 1924-25 assinada por José Sidrim e a de 1928-29 proposta em concorrência por João Augusto MacDowell — quando MacDowell praticamente¹ demoliu o imóvel a AP ocupou, provisoriamente, o número 18, que no início dos anos 1960, somar-se-ia ao 16 e 17 ao soerguimento do edifício Assembléia Paraense.
Ainda não alcançamos a data de aquisição do n°18 pela Assembléia Paraense, mas a assimetria (das fachadas) comum às reformas tanto de Sidrim quanto de MacDowell demonstra que o interesse pelo imóvel era antigo; possivelmente essa nova propriedade tenha chegado tarde demais à ampliação imaginada por ambos.

A Avenida da República, ou simplesmente Praça da República, era a delimitação da via paralela à praça que iniciava na perpendicular Avenida Liberdade (hoje Oswaldo Cruz) em direção ao jornal A Província do Pará; sua numeração era crescente nesse sentido e direta (par e impar) — tal avenida dava continuidade à 15 de Agosto que obedecia outra lógica: margem par e margem impar (atualmente tudo é nominado Presidente Vargas).
Trabalhamos com a numeração primitiva para evitar confusão na identificação dos lotes.

¹O praticamente vem do quase, jamais por uma demolição plena à casa em que Oswaldo Cruz se hospedou junto com sua equipe médica de profilaxia à febre amarela entre 1910 e 11; ao contrário, houve aproveitamento de paredes estruturais e o mais possível em ambas; Sidrim pensou em uma assimetria à nova fachada criada entre 1924 e 25, o que seria de certo modo imitado (e limitado) na construção de MacDowell que acresceu o pavimento superior e ampliou o porão com escavações significativas entre 1928 e 29 — se novo fosse o prédio 16-17, isto não teria sentido porque ele surgiria do chão, sobre suas próprias fundações; especulemos que a intenção de Sidrim, visivelmente corroborada pela ampliação de MacDowell, tivesse um objetivo claro: duplicar a 3ª sede ao n°18, dando-lhe uma simetria planejada no passado.


Saiba mais sobre o assunto em: A primeira sede própria do clube Assembléia ParaenseAssociação do Commercio a Retalho do Pará — origem da Assembléa Paraense.


Colaboradores: Fernando Marques (Laboratório Virtual) e Igor Pacheco (Fragmentos de Belém).

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Associação do Commercio a Retalho do Pará — origem da Assembléa Paraense

Acima se vê o desenho da fachada do prédio n°21 situado na Praça da República (ou Avenida da República);  tal imóvel tinha como locatária a Associação do Commercio a Retalho do Pará, fundada em 05 de janeiro de 1911; após assembléia geral dos sócios realizada em 05 de junho de 1916, nesta mesma edificação, a Associação se transforma no club Assembléa Paraense, que nela permanece até sua transferência para o também alugado n°15  do mesmo logradouro (hoje edifício da Caixa Econômica), inaugurando sua nova sede em 08 de outubro de 1916 às festividades do Círio de Nossa Senhora de Nazaré — ou seja: a recém nascida AP teve este endereço por quatro meses e três dias no máximo.
Ao final dos anos 1950 (datação por confirmar) o prédio foi demolido e no lote erigiu-se o edifício Gualo.

Título2

Recorte de documentário da RTP de 1957 — uma das referências à elaboração do desenho arquitetônico

Esta publicação dá sequência à matéria A primeira sede própria do clube Assembléia Paraense na qual cruzamos informações contidas no Relatório da gestão de 1928-29 com notas públicas de jornais de época; a análise permite afirmar que esta diretoria mudou o entendimento da anterior estabelecendo nova data à fundação do clube:

Relatório 1929

O que fez a gestão de 1928-29? Passou a considerar a fundação da Assembléa Paraense quase seis meses antes, data da assembleia geral que instituiu a Comissão incumbida da elaboração de novos estatutos à Associação do Commercio a Retalho do Pará; bem como propôs novo nome para ela — segundo o relatório de 1929 disputaram dois: o de Club Universal e o de Assembléa Paraense, ambas nomenclaturas de clubes antigos e extintos.
Todavia a cidade de Belém do Pará, por intermédio da imprensa local, tomou conhecimento do surgimento da Assembléa Paraense no dia 05 de junho de 1916, momento em que as proposições da aludida Comissão foram à votação na assembleia geral daquele dia — corroborando com a assertiva apontada pelos reformadores de 1925 e 1927 —; do mesmo modo ficou público, também por jornais, que a AP inaugurou sua sede, de direito a primeira já que o contrato de aluguel por 5 anos do imóvel n°15 no Largo da República estaria em seu novo nome, no dia do Círio de Nazaré (08OUT) de 1916 e não no dia 31 de dezembro de 1916 com ceia e réveillon.


Referências:
Relatório 1929: origens.
Fotografias usadas à reconstituição da fachada e placa da ACRP.
Benjamin Lamarão 1° secretário na transição ACRP/AP


Colaboradores: Fernando Marques (Laboratório Virtual) e Igor Pacheco (Fragmentos de Belém).

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A primeira sede própria do clube Assembléia Paraense


Recorte de fotografia de 1911 ao enquadramento da fachada do prédio geminado de números 17 e 16 (da esquerda à direita) na Avenida da República

A imagem original está publicada à página 63 de Oswaldo Cruz e a febre amarela no Pará, livro de Habib Fraiha Neto — 2ª edição revista e ampliada, Ananindeua 2012.
Fraiha recorre às pesquisas do professor Clóvis Moraes Rego, publicadas em 1969 sob o título Subsídios para a História da Assembléia Paraense, para localizar o referido prédio como onde hoje se ergue o edifício da Assembléia Paraense, à Av. Presidente Vargas, 762, em frente à Praça da República — sobre isto acrescentamos que tal edifício ocupou a superfície dos números primitivos 16 e 17 (acima) somados ao vizinho 18, um prédio já utilizado pela AP como sede provisória durante a reconstrução inaugurada em 31 de dezembro de 1929.

O Relatório de 1929 da Assembléa Paraense nos dá ao conhecimento que Oswaldo Cruz e os médicos da commissão de prophylaxia da febre amarela ocuparam, entre 1910 e 1911, os mesmos dois prédios geminados adquiridos pela AP em 25 de julho de 1921 — a primeira sede própria do clube que antes pertencera à senhora Antônia Joaquina de Almeida Monteiro.
O mesmo Relatório afirma que a Assembléa Paraense pretérita a 1921 teria ocupado, por aluguel, o n°21 (fotograma de 1957), ainda como Associação do Commercio a Retalho do Pará e, posteriormente, já como Assembléa Paraense, o n°15:

A Semana nº118 03JUL1920
Imagem do prédio n°15 da Avenida da República em 26 de julho de 1920 publicada na revista A Semana n°118

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Acima se observa o prédio colado, à direita, ao que se vê no início da matéria; um imóvel que hospedou diversas agremiações, dentre elas o Club Universal, a Tuna Luso Commercial, o Club do Remo, a Assembléa Paraense, a Tuna Luso Commercial (novamente)… até ser, precedente à demolição que daria lugar ao edifício da Caixa Econômica Federal, reconhecido como local onde fora o Club dos Aliados.
A AP teria alugado o número 15 da Avenida da República, segundo o Relatório de 1929, de outubro de 1916 — nisto o jornal Estado do Para de 06OUT1916 corrobora com o relatado — até a mudança para a sede própria (números 16 e 17) em julho de 1921 — os exatos 5 anos do contrato de arrendamento.
Para ocupar a sede própria em 1921 as despesas foram além do valor do imóvel: tiveram rubricas de obras e instalações elétricas, mais a transferência de propriedade, ficando o clube sem benfeitorias significativas como as autorizadas em 14 de abril de 1924, com direção technica do architecto e consócio José Sidrim e executadas por administração geridas e fiscalizadas pelo thesoureiro srn. Veríssimo do Couto — um custo total de 155:695$590 diante de um bem avaliado em 50.000$000.
As obras de 1924 planejadas por Sidrim constaram de prolongamento do edifício até á rua 1º de Março; cobertura geral e alargamento do salão de baile; elevação do pé direito na parte correspondente ás puxadas existentes; unificação da fachada que dá para a Praça da República; adaptações sanitárias, exgotos inclusive assoalhamentos, pinturas geraes, etc. etc.

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Desenho de José Sidrim, datado de 05 de maio de 1924, ao propósito da reforma do prédio — sem certeza da materialização configurada pelo plano de fachada

Jornal do Commercio (AM) 31MAR1925

Temos o Projecto de reforma do prédio da Assemblea Paraense assinado por Sidrim e a divulgação de sua inauguração fora do Estado; todavia, e por ora, nenhuma fotografia entre março de 1925 e maio de 1928 que cobrisse os três anos em que o imponente palacete ficou de pé.
Não é o caso da reconstrução empreendida por autorização de 22 de maio de 1928, inaugurada no réveillon 1929/30; esta suficientemente ilustrada na revista carioca Vida Doméstica de fevereiro de 1930 que cita o relatório bienal 1928/29 como volumosos de 350 páginas  — do qual temos a parte que dá conta do ano de 1929 esmiuçando, por relatório do engenheiro Raymundo Tavares Vianna, o andamento das obras executadas entre 02 de janeiro e 31 de outubro de 1929; bem como: Installações electricas. — Moveis, utensilios e decorações. — O que resta fazer. — Inventario.
Todo o material aqui analisado está nas referências em aquivos pdf ou jpeg.

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Prédio dito reconstruído obedecendo ao plano, vencido por concorrência,  do engenheiro João Augusto MacDowell

A sede própria da Assembléa Paraense em sua terceira versão passou a compor o cenário da Praça da República como ícone até sua demolição (e soma ao terreno da esquerda que já pertencia à sociedade) em favor do edifício Assembléia Paraense no início dos anos 1960 — desde 1956 o clube já contava com a sede campestre da Almirante Barroso.

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Medalha comemorativa dos 50 anos da AP imortaliza a sede remodelada entre 1928 e 29

Carnaval de 1952: vê-se da direita à esquerda (sentido do fluxo do automóvel verde) os prédios dos antigos números 15 (edifício da Caixa Econômica) e 16/17 (que com mais o 18 deu espaço ao edifício Assembléia Paraense)


Fato curioso:

Fodeu-se

Optamos por não trabalhar com a literatura produzida por Clóvis Moraes Rêgo em 1969 e compilada/ilustrada por Mario Dias Teixeira em 1992; mas tão somente com o Relatório de 1929 contraposto às notas de jornais do período.
Tal opção metodológica revelou que a gestão 1928/29 eliminou a data correta da fundação da Assembléa Paraense assentada pelos transformadores como 05 de junho de 1916, para substituí-la pelo 27 de dezembro de 1915 sem comprovações.
O periódico Estado do Pará confirma a reforma dos Estatutos sociais na Assembléa geral de 05 de junho de 1916 da Associação do Commercio a Retalho do Pará que em 02 de agosto de 1916 (pós férias de julho) passou a utilizar a novidade Assembléa Paraense à convocação de outra Assembléa geral extraordinária — os jornais serviam à publicidade dos atos, tanto aos associados, quanto aos pretensos.
A nomenclatura Assembléa Paraense, que o Relatório de 1929 afirma ter vencido de Club Universal em sufrágio, seria em homenagem a uma agremiação antiga; de fato, segundo A Constituição de 11SET1877, fora criada em 08 setembro de 1877, ainda no Império, tal sociedade que até o momento não alcançamos sua dissolução.


Referências:
Relatório 1929: origens.
Relatório 1929: compra do prédio 16/17.
Relatório 1929: sede MacDowell sendo finalizada em 1929.
Panorâmica de jornais de época.
O Projecto Sidrim foi gentilmente cedido pela professora Ana Léa Nassar Matos .


Colaboradores: Fernando Marques (Laboratório Virtual) e Igor Pacheco (Fragmentos de Belém).

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Clube Assembléia Paraense – Baile das Flores [1963?]

O ano de 1963, por ora, é uma suposição baseada no posicionamento do filmete no copião; quando a certeza surgir a exclamação será subtraída do título.

Recorte de material pertencente
à Biblioteca Virtual Landi.

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Revista da Assembléia Paraense registra os 100 anos do clube

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Revista da Assembléia Paraense registra os 100 anos do clube (PDF do BF)

O Blog da FAU foi uma das fontes consultadas na pesquisa de Thalya Treptow.

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“Um resumo da nossa vida social de 25 annos” ― 1891-1916

O recorte 01 abaixo, retirado do jornal Estado do Pará de 28 de maio de 1916, é uma matéria assinada por Zed (?), sobre o Sport-Club, então “decrepita sociedade” prestes a “morrer”.
Ao que se lê, o Sport-Club simbolizava a trajetória da vida social de Belém desde a última década do século XIX aos primeiros 16 anos do XX.
De início, em 1890, com a fusão do Club de Esgrima a “certo grupo amorpho que jogava bola, pocker e bilhar, num estabelecimento pertencente ao velho Julião (no arraial de Nazaré)”, chamou-se Club Internacional, instalando-se “num predio de vastas saccadas, situado nas imediações do Theatro Moderno”; “sempre progredindo, mudou-se posteriormente para o predio onde funcionava o Universal*, á Praça da Republica”.
Funda-se o Sport-Club, mas como “todos os sócios d’um, também do outro”, encampa-se a este o acervo acumulado do Internacional, instalando-se em Nazaré em “casa incomparavelmente mais adequada”.
“O Sport-Club ainda engoliu, mais tarde, com todo o seu mobiliário, a velha sociedade dansante ― Assembléia Paraense”. O “velha” está relacionado às poucas opções sociais destinadas às senhoras: “nas partidas das sociedades dançantes, geralmente constituidas por socios pagantes que, mediante a miseria de 5$000 mensaes, compravam o direito de meia duzia de salamaleques de trinta em trinta dias”; isto antes do surgimento dos clubs.
Não se percebe, no texto de maio de 1916, nenhuma relação da Assembléia Paraense (“sociedade dansante”), com o  club Assembléia Paraense que, no recorte 02 retirado do mesmo jornal em data posterior (05/10/1916), avisa “aos srs. socios”  da nova sede (houve anterior) “á praça da Republica n. 15” onde a sociedade seria instalada em 08 de outubro, domingo do Círio de Nazaré.
Verificar na postagem Mutações do signo AP ― 100 anos do clube Assembléia Paraense que a 4ª sede social ― estampada como própria por clichê ―, inaugurada em 31 de dezembro de 1929, situava-se n’outra numeração da mesma praça: “34”.

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O Calendário Perpétuo confirma o Círio de 1916 no segundo domingo de outubro, dia 08:

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Infelizmente, por ora, não conseguimos imagens dos prédios aqui citados; contudo, poderão surgir como resultado de investigações futuras.

Colaboração: Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm:

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Segunda sede social da Assembléia Paraense no Carnaval de 1919: Praça da República nº15 ― o Calendário Perpétuo dá o 04 de março como terça-feira gorda.

O livro “Assembléia Paraense: memórias 1915-1992, p. 70”, de Mário Dias Teixeira, diz:
“A segunda sede social da AP esteve na casa nº 15, na Praça da República, local onde funcionou  o Clube do Remo, antes da Tuna Luso Comercial, hoje Brasileira. Esse imóvel foi arrendado por cinco (5) anos, […]. A firma que realizou as obras, […] entregou-as em outubro de 1916, sendo a nova sede inaugurada em 31 de dezembro desse mesmo ano […].”

A fotografia acima não consta do livro de Teixeira, ela nos foi enviada por José Maria de Castro Abreu Júnior em novembro de 2009.

Fonte: Blog HB.


Postscriptvm²:
*Universal, seria o Club Universal que entre 1904-1905 ocupou, comprovadamente, a mesma casa da Praça da República nº15:

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Pelo levantamento desta publicação a edificação da fotografia de 1919, à Praça da República nº15, hospedou os clubs Internacional, Universal, Remo, Tuna Luso Comercial e Assembléia Paraense.


Postscriptvm³ (30/03/2015):

AP A SEMANA Nº50 08-03-1919
Página da revista A SEMANA nº50 de 03 de maço de 1919 enviada pela bibliotecária Elisangela Silva da Costa do Projeto Memorial do Livro Moronguetá – PROINTER/UFPA.

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O clube Assembléia Paraense entre o Baratismo e o Antibaratismo de 1951

Na postagem anterior, Cenário que sugere a colaboração de Paul Albuquerque na sede campestre da AP inaugurada em 1957, revelamos, em cochicho: “(Eis a nossa incapacidade interpretativa: Celso Malcher seria o início do Grupo Renovador, ou: o fim do ‘jôgo de azar’ a que se referiria Oswaldo Mendes em 1956?)”.
Por ora não temos uma resposta, mas uma série de recortes tomados do jornal O Liberal, porta-voz do Partido Social Democrático (PSD), do ano de 1951, que pode (a série) alumiar o assunto:

Recortes AP

Lembremos o fato das eleições ao Governo do Estado do Pará, realizadas em 1950, terem como antagonistas Magalhães Barata (PSD) e Zacarias de Assumpção (CDP*); vencendo pela diferença de 200 mil votos o General Assumpção, que assumiria em 1951 ― ano do conjunto de recortes que se referem ao clube Assembléia Paraense.
O primeiro, mera nota pitoresca de difusão, diz respeito ao comportamento da juventude: de como se trajar à Festa Juvenil e não cheirar lança-perfume no clube, pois “… receberá a repressão legal!”.
Da segunda em diante surgem e seguem os ataques: às eleições à presidência e vice-presidência da AP de 1951, da qual saem vitoriosos, da “autêntica ‘jaca'”, Alexandre Zacarias de Assumpção (governador do Estado) e Lopo Alvarez de Castro (prefeito de Belém indicado por Assumpção), “ficando assim entregue a políticos situacionistas, o grêmio líder da sociedade belemense”; à imunidade do “clube do governador”, com privilégio de não ser importunado por promover o carteado “de salão”; dentre outras pérolas, típicas da promiscuidade entre o público e o privado, que bem comprometiam Barata em suas pregressas atitudes, senão vejamos a discussão travada no Senado Federal com o senador Prisco dos Santos, médico,  que sofreu sanções quando presidente da Assembléia Paraense Sociedade Recreativa por causa de cassino, suavizadas como “… coisas do Estado Novo!” pelo ex-interventor de Vargas no Pará entre 1942-1945 (segunda temporada de absoluto poder):

Senado

O que se percebe nas fontes primárias, em associação à síntese de Oswaldo Mendes no final de 1956, é que a AP estaria, desde a época da Segunda Guerra Mundial (pelo menos), envolvida com o jogo de azar e: “por causa dêste, a Assembléia não mais possuía vida social”, prosseguindo desse mesmo modo na gestão Zacarias/Lopo ― dupla que colaborou com a Festa das Flores de 1953, na condição de governador e prefeito respectivamente, quando Celso Cunha da Gama Malcher ocupava a presidência da AP.
Resta-nos saber o período real desses mandatos administrativos na agremiação e identificar se o médico Celso Malcher chegara ou saira; se chegara, à mimese de seus antecessores que ocuparam os mais altos cargos do executivo estadual e municipal concomitantes à presidência e vice-presidência da sociedade, seria um continuísta; se saíra, daria no mesmo, porque quem assumiria, (estava certo), era o Grupo Renovador, segundo A NOITE ILUSTRADA de 26-06-1953; mas… quem seria, então, esse xamã descontaminado que colocaria a Assembléia Paraense nos trilhos que a levariam à primeira sede campestre?
A favor de Malcher pesa sua eleição direta para prefeito de Belém em setembro de 1953, assumindo em dezembro; o que pode significar nada, uma vez que Assumpção chegou a governador do Estado pelo voto popular, em circunstâncias parecidas, sem abrir mão do comando de uma organização elitista.
De novo no cochicho: (Eis a nossa incapacidade interpretativa: Celso Malcher seria o início do Grupo Renovador, ou: o fim do ‘jôgo de azar’ a que se referiria Oswaldo Mendes em 1956?).
Patinar não significa não sair do lugar.
Material em PDF para consulta: O LIBERAL 1951 – recortes 01 e O LIBERAL 1951 – recortes 02.

*Coligação Democrática Paraense.

Colaboração: Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm (27-out-2015):
O site parceiro Fragmentos de Belém, editado por Igor Pacheco, joga luz no assunto com a publicação de uma fotografia da 15 de Agosto (hoje Presidente Vargas) que mostra o “Casino Marajó” instalado na sede do clube Assembléia Paraense.
Da hemeroteca digital da Biblioteca Nacional Igor postou o jornal Diário Carioca de 30 de março de 1945 que traz a matéria O PARÁ TRANSFORMADO NUMA GRANDE CASA DE TAVOLAGEM.

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Colaboração: Igor Pacheco.


Postscriptvm (13/12/2015):

O livro de Clóvis Silva de Moraes Rêgo permanece imprescindível ao entendimento da cronologia histórica do clube Assembléia Parasense; aqui em recortes pertinentes ao assunto:

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Início e entrega das obras da sede campestre da AP ― um parêntesis.

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Grupo Renovador: da eclosão à vitória em 1953.

Os questionamentos desta publicação do BF são minuciosamente respondidos em:
RÊGO, Clóvis Moraes. Subsídios para a história da Assembléia Paraense: excerto do relatório do biênio 1965/1967 ; 2ª parte. Belém: (S.n); 1969. 365 p.
Acima fragmentado ao entendimento dos fatos.

Colaboração: bibliotecária Elisangela Silva da Costa do Projeto Memorial do Livro Moronguetá – PROINTER/UFPA.

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Mutações do signo AP ― 100 anos do clube Assembléia Paraense

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Hoje, dia 18 de junho de 2020, percebemos um erro gravíssimo sobre as Mutações do signo AP induzido pela fonte consultada: o livro AP Assembléia Paraense Memórias 1915 a 1992 de Mário Dias Teixeira; tal publicação afirma que a datação da foto utilizada nesta publicação, a de sua própria capa, fora tirada em 1929 no Réveillon (diurno?); não o é, mas da visita do Presidente de Portugal, Craveiro Lopes, ao Brasil, que se estendeu a Belém do Pará no dia 23 de junho de 1957:

Desse modo consideramos inválido tudo que segue a partir da barra acerca da marca em elipse; uma vez que tal monograma não compunha a fachada da sede da Assembléia Paraense erigida entre os anos de 1928 e 1929 (a mais glamourosa delas segundo a memória coletiva).
Pedimos desculpas aos leitores e prometemos retomar este assunto em matéria nova; mas adiantamos, baseados nas imagens do documentário de 1957, que há contemporaneidade entre a elipse e o círculo que agora suspeitamos ser obra do Grupo Renovador; talvez até “assinada” por Camilo Porto de Oliveira.
Não apagaremos o nosso erro (por analisar uma imagem com 25 anos de diferença a mais) para demonstrar o quão nociva é uma informação inverídica que pode levar a ciência no rumo da fantasia, da fábula, do engodo…


Conjunto evolução AP

Antonio Paul Albuquerque, no artigo de 05 de abril de 1953, escreveu, como exemplo de demanda ao arquiteto-imaginário-compositor: “Quero um projeto para construção de um clube social”;  curiosamente, a sede campestre da Assembléia Paraense ou estaria em fase projetiva ou de construção, já que Oswaldo Mendes diz, na revista Visão de 09 de novembro de 1956, que ela seria inaugurada “nas primeiras semanas do ano vindouro”, pouco menos de quatro anos da deixa (de Paul).
Não há o que se estranhar com o fato de Paul ter intimidade com a ideia/construção na Tito Franco (do Souza),  afinal seria colega e amigo do futuro vice-presidente do clube,  engenheiro civil Camilo Sá Porto de Oliveira, autor (“coordenador”) do plano e membro do Grupo Renovador, composto por jovens, que em dois anos provocou a valorização de quase sete vezes das ações da agremiação; tanto Paul como Camilo tiveram participação ativa na criação da Escola de Arquitetura da Universidade (Federal) do Pará em 1964 e dela foram professores.
Sobre A Assembléia Paraense de Camilo Porto de Oliveira surgiu A Assembléia Paraense de Milton Monte; Mário Dias Teixeira, em AP Assembléia Paraense Memórias 1915 a 1992, comenta: “Tal qual temos afirmado, duas foram as Sedes Campestres da AP, ambas grandiosas, mas a primeira modesta junto à segunda”.
Milton Monte, engenheiro-arquiteto, também foi discente e docente da Escola de Arquitetura, embrião da atual Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará.
A significância da Assembléia Paraense, a AP, parece estar contida na logo que a identifica; mais: as mudanças gráficas da marca ao longo dos quase 100 anos que serão completados em 27 de dezembro de 2015 estabelecem uma certa relação com os projetos de Porto e Monte (ou com a saúde financeira que propicia obras à fechada sociedade).
Elipse vertical: não há documentação disponível que afirme ser esta a primeira marcadfg
adotada pela Assembléia Paraense, pelo menos nos seus primeiros 14 anos de existência; contudo, é possível vê-la como elemento fixo no frontão do prédio da 4ª sede social (1) na foto de capa do livro de Mário Teixeira que registra a inauguração do prédio como 31/12/1929:

AP conjuntoA bandeira sob a balaustrada (2), com a inscrição AP em um (aparente) círculo, é um fator intrigante* diante do escudo subentendido como designado à manufatura para compor a fachada do prédio, à semelhança do clichê que timbrava papéis do clube:

Papel timbrado AP

Relatório da Diretoria 1956-1959Circular (1ª transformação): ilustra o Relatório da Diretoria 1956-59, que, de acordo com Mendes,  inauguraria a primeira sede campestre (“Cidade Olímpica”) em 1957 com intenção de construir, na Praça da República nº34, uma nova sede social com 20 andares, demolindo a que aparece na foto, “própria” ― esse segundo desenho permanece inalterado, pelo menos até o Relatório da Diretoria 1965-67, extensivo ao ano de 1969 com a publicação de Clóvis Moraes Rêgo: Subsídios para a história da Assembléia Paraense: excerto do relatório do biênio 1965/1967 .
12Circular (2ª transformação): é a logo atual que se destaca no Relatório da Diretoria 1973-75, gestão que abre concurso ao projeto da nova (segunda) sede campestre, um polêmico episódio da história do clube.
O surgimento de novas informações pode alterar as datações de transformação das logos, todavia,  (essas datações) não deverão se distanciar, em demasia, das obras campestres de Camilo e Milton.

*Poderia ser tanto a marca primitiva (desconhecida se houve uma antes de 1929) quanto a manifestação (isolada) de um sócio bandeireiro criativo à espera do réveillon; ou mesmo a banal deformação da elipse pela dobradura do pano; as percepções intrigam porque sugerem uma marca (circular) na antiga fotografia.

Colaboração: Afonso Lobato e Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm: (10/03/20150):
Para avançar no assunto leia:  Cenário que sugere a colaboração de Paul Albuquerque na sede campestre da AP inaugurada em 1957.