A primeira sede própria do clube Assembléia Paraense


Recorte de fotografia de 1911 ao enquadramento da fachada do prédio geminado de números 17 e 16 (da esquerda à direita) na Avenida da República

A imagem original está publicada à página 63 de Oswaldo Cruz e a febre amarela no Pará, livro de Habib Fraiha Neto — 2ª edição revista e ampliada, Ananindeua 2012.
Fraiha recorre às pesquisas do professor Clóvis Moraes Rego, publicadas em 1969 sob o título Subsídios para a História da Assembléia Paraense, para localizar o referido prédio como onde hoje se ergue o edifício da Assembléia Paraense, à Av. Presidente Vargas, 762, em frente à Praça da República — sobre isto acrescentamos que tal edifício ocupou a superfície dos números primitivos 16 e 17 (acima) somados ao vizinho 18, um prédio já utilizado pela AP como sede provisória durante a reconstrução inaugurada em 31 de dezembro de 1929.

O Relatório de 1929 da Assembléa Paraense nos dá ao conhecimento que Oswaldo Cruz e os médicos da commissão de prophylaxia da febre amarela ocuparam, entre 1910 e 1911, os mesmos dois prédios geminados adquiridos pela AP em 25 de julho de 1921 — a primeira sede própria do clube que antes pertencera à senhora Antônia Joaquina de Almeida Monteiro.
O mesmo Relatório afirma que a Assembléa Paraense pretérita a 1921 teria ocupado, por aluguel, o n°21 (fotograma de 1957), ainda como Associação do Commercio a Retalho do Pará e, posteriormente, já como Assembléa Paraense, o n°15:

A Semana nº118 03JUL1920
Imagem do prédio n°15 da Avenida da República em 26 de julho de 1920 publicada na revista A Semana n°118

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Acima se observa o prédio colado, à direita, ao que se vê no início da matéria; um imóvel que hospedou diversas agremiações, dentre elas o Club Universal, a Tuna Luso Commercial, o Club do Remo, a Assembléa Paraense, a Tuna Luso Commercial (novamente)… até ser, precedente à demolição que daria lugar ao edifício da Caixa Econômica Federal, reconhecido como local onde fora o Club dos Aliados.
A AP teria alugado o número 15 da Avenida da República, segundo o Relatório de 1929, de outubro de 1916 — nisto o jornal Estado do Para de 06OUT1916 corrobora com o relatado — até a mudança para a sede própria (números 16 e 17) em julho de 1921 — os exatos 5 anos do contrato de arrendamento.
Para ocupar a sede própria em 1921 as despesas foram além do valor do imóvel: tiveram rubricas de obras e instalações elétricas, mais a transferência de propriedade, ficando o clube sem benfeitorias significativas como as autorizadas em 14 de abril de 1924, com direção technica do architecto e consócio José Sidrim e executadas por administração geridas e fiscalizadas pelo thesoureiro srn. Veríssimo do Couto — um custo total de 155:695$590 diante de um bem avaliado em 50.000$000.
As obras de 1924 planejadas por Sidrim constaram de prolongamento do edifício até á rua 1º de Março; cobertura geral e alargamento do salão de baile; elevação do pé direito na parte correspondente ás puxadas existentes; unificação da fachada que dá para a Praça da República; adaptações sanitárias, exgotos inclusive assoalhamentos, pinturas geraes, etc. etc.

fig 201_cap III (1)
Desenho de José Sidrim, datado de 05 de maio de 1924, ao propósito da reforma do prédio — sem certeza da materialização configurada pelo plano de fachada

Jornal do Commercio (AM) 31MAR1925

Temos o Projecto de reforma do prédio da Assemblea Paraense assinado por Sidrim e a divulgação de sua inauguração fora do Estado; todavia, e por ora, nenhuma fotografia entre março de 1925 e maio de 1928 que cobrisse os três anos em que o imponente palacete ficou de pé.
Não é o caso da reconstrução empreendida por autorização de 22 de maio de 1928, inaugurada no réveillon 1929/30; esta suficientemente ilustrada na revista carioca Vida Doméstica de fevereiro de 1930 que cita o relatório bienal 1928/29 como volumosos de 350 páginas  — do qual temos a parte que dá conta do ano de 1929 esmiuçando, por relatório do engenheiro Raymundo Tavares Vianna, o andamento das obras executadas entre 02 de janeiro e 31 de outubro de 1929; bem como: Installações electricas. — Moveis, utensilios e decorações. — O que resta fazer. — Inventario.
Todo o material aqui analisado está nas referências em aquivos pdf ou jpeg.

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Prédio dito reconstruído obedecendo ao plano, vencido por concorrência,  do engenheiro João Augusto MacDowell

A sede própria da Assembléa Paraense em sua terceira versão passou a compor o cenário da Praça da República como ícone até sua demolição (e soma ao terreno da esquerda que já pertencia à sociedade) em favor do edifício Assembléia Paraense no início dos anos 1960 — desde 1956 o clube já contava com a sede campestre da Almirante Barroso.

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Medalha comemorativa dos 50 anos da AP imortaliza a sede remodelada entre 1928 e 29

Carnaval de 1952: vê-se da direita à esquerda (sentido do fluxo do automóvel verde) os prédios dos antigos números 15 (edifício da Caixa Econômica) e 16/17 (que com mais o 18 deu espaço ao edifício Assembléia Paraense)


Fato curioso:

Fodeu-se

Optamos por não trabalhar com a literatura produzida por Clóvis Moraes Rêgo em 1969 e compilada/ilustrada por Mario Dias Teixeira em 1992; mas tão somente com o Relatório de 1929 contraposto às notas de jornais do período.
Tal opção metodológica revelou que a gestão 1928/29 eliminou a data correta da fundação da Assembléa Paraense assentada pelos transformadores como 05 de junho de 1916, para substituí-la pelo 27 de dezembro de 1915 sem comprovações.
O periódico Estado do Pará confirma a reforma dos Estatutos sociais na Assembléa geral de 05 de junho de 1916 da Associação do Commercio a Retalho do Pará que em 02 de agosto de 1916 (pós férias de julho) passou a utilizar a novidade Assembléa Paraense à convocação de outra Assembléa geral extraordinária — os jornais serviam à publicidade dos atos, tanto aos associados, quanto aos pretensos.
A nomenclatura Assembléa Paraense, que o Relatório de 1929 afirma ter vencido de Club Universal em sufrágio, seria em homenagem a uma agremiação antiga; de fato, segundo A Constituição de 11SET1877, fora criada em 08 setembro de 1877, ainda no Império, tal sociedade que até o momento não alcançamos sua dissolução.


Referências:
Relatório 1929: origens.
Relatório 1929: compra do prédio 16/17.
Relatório 1929: sede MacDowell sendo finalizada em 1929.
Panorâmica de jornais de época.
O Projecto Sidrim foi gentilmente cedido pela professora Ana Léa Nassar Matos .


Colaboradores: Fernando Marques (Laboratório Virtual) e Igor Pacheco (Fragmentos de Belém).

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