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O brilhantismo estudantil de Mario Braga Henriques

Esboço de medalha ao Mérito Estudantil da UFPA

O primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, Mario Braga Henriques, nasceu em Belém no dia 10 de fevereiro de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro em 05 de setembro de 1985 aos 77 anos.
O período reitoral de Mario Braga Henriques foi regular perante o Estatuto Original da UP: 3 anos iniciados em novembro de 1957 e finados com a posse do segundo reitor, José da Silveira Netto, em 18 de dezembro de 1960.
Durante os três anos de mandato de Mario Braga Henriques, segundo ele próprio, somente no exercício de 1960 — o último de sua gestão — houve razoável (e insuficiente) aporte de verbas à recém criada instituição de ensino superior no Estado do Pará.
Mas não é do reitor apagado da memória institucional que trataremos aqui e sim do brilhante estudante que ingressou na Faculdade de Direito do Pará em 1923.
Em sua Tese para concurso a professor catedrático da 2ª cadeira de Direito Comercial à Faculdade de Direito do Pará publicada em 1932, Mario Braga Henriques transcreve o resultado de sua petição ao Sr. Dr. Diretor da Faculdade de Direito do Pará:


Mesmo desconhecendo o Regimento Interno da Faculdade Livre de Direito, entende-se que o aluno Mario Braga Henriques prestou vestibular aos catorze anos de idade e fora matriculado no curso com 15 já completos em 31 de março de 1923; recebeu o gráu de bacharel em ciencias juridicas e sociais com 19 anos e seis mêses de idade.
Desse modo a legalidade do documento assinado pelo Primeiro Oficial da Secretaria, Antonio Gonçalves Bastos, superpõe-se ao periódico A Província do ParÁ de 10FEV1959 que afirma ser Mario Braga Henriques da turma de 1929 e não da de 1927 como de fato é atestado por certidão de fé pública.
Mario Braga Henriques assumiu a reitoria da Universidade do Pará aos 49 anos, 30 depois de formado e 24 como professor catedrático da Faculdade onde estudou — o hiato de seis anos corresponderia hoje a um mestrado e doutorado sequenciados.
A trajetória acadêmica de Mario Braga Henriques pode ser estimuladora a estudantes, embora se apóie em parâmetros tácitos: pouca idade e muitos títulos.
A UFPA já comemorou sessenta aniversários sem homenagear seu primeiro reitor; talvez uma medalha, objeto de concurso público nacional no qual qualquer cidadão esteja apto a concorrer, repare uma injustiça histórica — os rudimentos da ilustração mostram no anverso um jovem catedrático que alcançou o cume da carreira docente e, no reverso, o brasão original criado por Maÿr Sampaio Fortuna a pedido do primaz magnífico e mantido até o Golpe hoje Civil-Militar de 1964.
Lembrar de uma pessoa de prodigiosa trajetória universitária como alguém chegado a um uisquinho que nem morava aqui é redução em excesso.

Colaboração: José Maria de Castro Abreu Júnior.


Diante ao equívoco de A Província do Pará é mais acertado que façamos as devidas correções na publicação O reitor Mario Braga Henriques foi aluno prodígio da Faculdade de Direito nos anos 1920 para evitar confusões aos nossos ledores — não usaremos o habitual postscriptvm, retificaremos o ano no recorte do periódico hiperlinkado.

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O reitor Mario Braga Henriques foi aluno prodígio da Faculdade de Direito nos anos 1920

O primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, Mario Braga Henriques, bacharelou-se pela Faculdade Livre de Direito do Pará na turma de 1927 com 19 anos e seis mêses de idade e em toda a existência do tradicional estabelecimento de ensino superior, foi o único aluno que recebeu a medalha Teixeira de Freitas, prêmio especial destinado aos que se destacam excepcionalmente nos estudos jurídicos.
Em 1º de fevereiro de 1929 — antes de completar os 21 no dia 10 — foi nomeado official de gabinete do governador por Eurico de Freitas Valle, chefe do executivo estadual entre 1929-30 e professor cathedratico da referida  Faculdade.
No dia 05 de abril de 1933, já com 25 anos, Mario Braga Henriques passou a integrar o Conselho da Faculdade de Direito como membro nato, uma vez que ocupara a vaga de cathedratico concursado de Direito Commercial aos 24; sua tese, datada de 1932: Das Sociedades Mercantis Irregulares.
Foi depois, durante vários períodos, diretor da Faculdade, tendo, na oportunidade, estimulado reformas de grande repercussão na vida do tradicional estabelecimento de ensino superior.
Licenciado da Faculdade Livre de Direito do Pará passou a exercer funções de consultor do Banco de Crédito da Amazônia na Agência da Capital Federal (Rio de Janeiro), ali fixando residência.
Em novembro de 1957 é convocado pelo Presidente da República (Juscelino Kubitschek de Oliveira) para dirigir a mais nova Universidade do Brasil; no caso a UP, Universidade do Pará, instituição federal.
Mario Braga Henriques cumpriu seu mandato de 3 anos de forma estatutária regular transmitindo o cargo de reitor a José Rodrigues da Silveira Netto no final de 1960 — Silveira reitorou por quase uma década: de dezembro de 1960 a julho de 1969, o que corresponderia, pelo Estatuto Original da UP, a três mandatos consecutivos de Henriques.
Por ora é o que se sabe de Mario Braga Henriques, o esquecido reitor de número um da Universidade Federal do Pará.

Fontes: A Província do Pará  de 10FEV1959 e de 24ABR1959.
Colaboração: Aristóteles Guilliod de Miranda e
José Maria de Castro Abreu Júnior.

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Confirmado: Teixeira Lott foi o primeiro Honoris Causa da UFPA


No início da noite de domingo, dia 27 de março de 1960, no auditório da Sociedade Artística Internacional — prédio atualmente ocupado pela Academia Paraense de Letras — o primeiro reitor da então Universidade do Pará outorga o título honorífico Nº01 da instituição criada pela Lei 3191 de 2 de julho de 1957; Mario Braga Henriques dá, perante a nobre Assembleia Universitária, a honraria de Doutor Honoris Causa ao marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott.
O ato teve cobertura do jornal A Província do Pará publicada na terça-feira seguinte, dia 29 de março de 1960, sob matéria intitulada Precisa esta Universidade expandir-se para maior glória da Cultura Paraense, encontrada hoje na Biblioteca Públia Arthur Vianna pelo colaborador José Maria de Castro Abreu Júnior, donde tiramos o trecho da primazia:


Espera-se, com esta contribuição, que a SEGE — Secretaria-Geral dos Conselhos Superiores Deliberativos — da Universidade Federal do Pará habilite tal titulação em sua página da Web; bem como sugerimos que a mesma UFPA tire de debaixo do tapete o título de Doutor Honoris Causa dado pelo segundo reitor da Universidade, José Rodrigues da Silveira Netto, ao marechal Arthur da Costa e Silva por ocasião da inauguração do Conjunto Pioneiro da UFPA em 1968.
Essas duas láureas, somadas a do general de exército Emílio Garrastazu Médici em 1970, revelam o posicionamento político e ideológico dos primeiros dirigentes da Universidade (Federal) do Pará; portanto, são de fundamental importância à memória, à história e à crítica institucionais.
Não adianta enterrar; alguém, n’algum dia, exumará.

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Mario Braga Henriques — fotografia dedicada aos filhos e netos em 1967


A reprodução digital acima é do primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, professor Mario Braga Henriques; tal imagem nos foi enviada pelo colaborador José Maria de Castro Abreu Júnior que a conseguiu de Luís Augusto Barbosa Quaresma: encontrei (o original) em julho de 2017 na cidade de Recife em um sebo.

Na realidade o que temos é uma fotografia da tela pintada por um premiado artista mineiro radicado no Rio de Janeiro que tem seu nome, Orozio Herculano Belém, biografado e popularizado pela Wikipédia — essa pintura compõe o acervo do Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) —; contudo, a foto tem relevância pela dedicatória nela contida: Aos diletos filhos e netos Therezinha, Roberto(?), Virgínia Maria e Fernando Paulo, uma lembrança do velho Mario 30-9-67 que demonstra a aquiescência do retratado, ou mesmo que tenha sido uma encomenda sua, já que Mario Braga Henriques também residia no Rio de Janeiro.
Desconhecendo o quadro do MUFPA chegamos a estranhar, em 2011, na matéria Galeria dos Reitores ou Horrores?, o que acreditávamos ser uma colagem anônima e não um trabalho pictórico assinado.

Algumas capas de O Cruzeiro pelas mãos de Orozio Belém

Escapa à biografia de Orozio Belém na Wikipédia que quando ele foi professor de Pintura no Instituto de Belas-Artes da Guanabara nos anos 1960 dividia essa disciplina com Iberê Camargo; bem como não revela o site que nos anos 1929-30 fora capista da revista carioca O Cruzeiro como Di Cavalcante e outros artistas plásticos.
Orozio também ilustrara capas da revista Fon-Fon nos anos 1920 e conteúdos do jornal A Nação na década de 1930:



Fotografias de Orozio Herculano Belém publicadas na Fon-Fon de 26AGO1933


Tipo representado em óleo sobre eucatex por Orozio em 1937

São unânimes boas e más línguas de que o nosso original reitor era chegado ao uisquinho e à boemia; seria interessante, ao arejamento da memória da UFPA, saber se o velho Mario foi atuante — dentre outros redutos da Cidade Maravilhosa — na cantina La Rondinella:

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Official de Gabinete de Eurico de Freitas Valle foi o primeiro reitor da U(F)PA

Salvo engano de homônimo associado à formação acadêmica, o “official de Gabinete” do governador Eurico de Freitas Valle, o bacharel Mario Braga Henriques, 27 anos mais tarde seria o primeiro reitor da Universidade do Pará.
Eurico de Freitas Valle foi derrubado por Joaquim de Magalhães Cardoso Barata em 1930, tendo seus bens confiscados pela “Revolução” com exílio no Rio de Janeiro, capital da República.
Em 1957, por franco apoio de Magalhães Barata, Mario Braga Henriques torna-se o magnífico de uma Universidade “esboçada” no tópico Ensino Superior do mesmo relatório que o nomeia pessoa próxima ao último governador (eleito) do Pará na República Velha (até a passagem do poder aos revolucionários).
É a arte, ou a artimanha, da Política.


A “Escola de Chimica Industrial” é tratada à parte, fora do tópico Ensino Superior no relatório de 1929 (mas está listada no de 1930):

Nomeação de Mario Braga Henriques que foi “official de Gabinete” por toda a administração de Eurico Freitas Valle:


Fonte do texto: Mensagem 1929 / Mensagem 1930.

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Mario Braga Henriques: o primeiro reitor da UFPA


DOU de 19 de novembro de 1957.

Do Brasão Original da UFPA

Imagens ampliáveis.

O ensaio gráfico acima, em construção indefinida*, é tão somente um “janelamento” do Brasão Original da “Universidade do Pará” registrado em fotografias no dia 31 de janeiro de 1959 ornando o fundo do palco do Teatro da Paz na solenidade tardia de instalação desta instituição federal de ensino superior.
Não concluímos as investigações sobre a autoria do emblema também reproduzido no medalhão utilizado pelos dois primeiros reitores, Mário Braga Henriques e José Rodrigues da Silveira Netto; artefato hoje em exposição no Museu da Universidade Federal do Pará.
Mantemos dúvidas entre três personagens: Manoel de Oliveira Pastana, pelo estilo repleto de ornamentos regionais, “alegórico”; Maÿr Sampaio Fortuna, por sua relação, inclusive profissional, com o Partido Social Democrático: Maÿr, em 1949, desenhou o Diploma de Honra, uma outorga assinada por Magalhães Barata e Rodolfo Chemont aos eleitores do PSD, sigla que influenciou na escolha política de Mário Henriques ao primeiro reitorado da UFPA; e, em última hipótese, Maÿr Obadia, ourives da Casa Cruzeiro, que, segundo Sueli Fraiha, funcionária da reitoria no período, fundiu o medalhão — o nome “Maÿr” está gravado no reverso, junto ao Brasão da República —; joia única confeccionada em liga metálica nobre**, assinada.
Entre os anos de 1964 e 1965 Alcyr Boris de Souza Meira “enxugou” a marca primitiva da “Universidade do Pará” com uma proposição “moderna” publicada nos “Anais Científicos” de 1965; um inconteste redesenho com foco estritamente direcionado à “águia sobre o livro” que eliminou os “regionalismos” do protótipo até agora anônimo, mas que agraciou-se da oficialização e perenização com a Resolução Nº17 de 12 de junho de 1969, no ocaso de Silveira Netto.
Essa “nova” simbologia fora por Meira emoldurada e acrescida de tocha — adereço heróico —  e fitilho com a inscrição que também desconsiderara a federalização da UFPA, corrigida no documento público quatro anos depois para “UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ” (datilografado em versais aspadas como lá está).
De acordo com Sueli Fraiha: “a UFPA usa o escudo reformulado por Alcyr Meira desde o segundo mandato de Silveira Netto, substituindo o Brasão Original inclusive em novo medalhão que compõe o Colar Reitoral“, ora em uso pelo Reitor; uma, dentre outras insígnias confeccionadas no Rio de Janeiro pela Industria de Distintivos Randal Ltda na forma de broches, abotoaduras, alfinetes de lapela, etc.
A UFPA não possui outras “marcas” institucionais que não essas duas, portanto, qualquer variação ou invenção será marginal ao oficial de Meira ou ao Histórico apócrifo, mesmo que a elas faça alusão.
A ideia do ensaio gráfico, além de beber em igual fonte que Meira, foi retomar a aparência imprimida no desenho primordial da “águia sobre o livro”; tal resultado ficará em destaque no Blog da FAU como imagem-link ao Portal da Universidade, ato provocativo às celeumas.

*Construção indefinida significa que há técnicas capazes de reproduzir com absoluta fidelidade a imagem registrada por fotos em 1959; infelizmente não alcançada nesta experimentação.
A todos é franqueado o direito de exercitar o melhoramento desse design gráfico.
**Liga metálica nobre justificaria a lembraça da nota de serviço da Casa Cruzeiro, onde Sueli Frahia acredita ter lido “ouro”, sem atentar ao percentual desse metal na composição do medalhão.
Observamos no MUFPA que o brilho  da irregular peça, de fundo martelado, é uniforme e intenso;  não se percebe, a olho nu, ponto algum de oxidação.

No rastro sequencial das postagens sobre o assunto obteve-se informações pertinentes e descabidas: ver, a partir de O brasão retrô da UFPA, início das investigações,  a quantas conclusões precipitadas chegamos; o que é, de certo modo, divertido: uma “comédia”.
Esta busca  é contributiva  ao Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural —LAMEMO — da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC-UFPA.