Nildo Gabriel Costa nos apresentou uma ideia interessante; mas, a ela por parágrafos:
As imagens que se vê acima têm como referência um guache pintado pela mão livre de Maÿr Sampaio Fortuna, um desenhista (ou desenhador) da Primeira Comissão Demarcadora de Limites, no ano de 1958; o conteúdo: o primeiro Brasão d’Armas da Universidade do Pará (hoje UFPA).
Chegar a esse guache foi uma saga, já contada por aqui em prosa e verso, estando Nildo compondo uma rede de inteligência pra descobrir como era, de fato e em cores, o que só se via em fotos do Teatro da Paz de 1959 (instalação) e gravada no Medalhão Reitoral; todavia: tivemos êxito pleno e hoje se possui imagens em alta resolução desse original apresentado (e/ou presenteado) ao primeiro reitor da U(F)P(A), Mario Braga Henriques – já que era componente de seu acervo pessoal posto à venda no Rio de Janeiro de onde o professor Flávio Nassar comprou de modo particular – Nildo era estagiário de Flávio.
Bem… motivos pessoais não faltam a Nildo para que ele se importe com uma imagem que chegou a nós de modo improvável, mas: perfeita, não como leiaute e sim como arte que Nildo transmuta sutilmente pra o puramente gráfico nessas três apresentações.
Por último Nildo vê semelhança de nossa situação com a Universidade de São Paulo que tem o logotipo USP (consagrado) e um brasão d’armas pouco conhecido porque é, por protocolo, veiculado em documentos especificados por normas.
A ideia do Nildo é legal: a Universidade Federal do Pará ter um Brasão d’Armas assinado por Maÿr e uma Marca esboçada por Alcyr (Alcyr Boris de Souza Meira).
A Ideia do Nildo tem potencial para ir adiante; mas… dependerá da vontade política de tocar tal proposição e por ela lutar; além dos inquestionáveis argumentos históricos, possuímos o trabalho de Maÿr em vivas e simbológicas cores de 1958.
Maÿr e Nildo.
USP, brasão e logotipo; UFPA: brasão e “marca” baseada no brasão.
Teatro da Paz em 31 de janeiro de 1959 – o Brasão d’Armas em grande proporção ao fundo e impresso em pequenas flâmulas sobre a mesa oficial: governador do Estado, presidente da República e reitor da implantada Universidade do Pará – UP.
Observamos que essa peça do Brasão d’Armas da UP é outra (também original) ampliada por Maÿr; certamente não é um guache, mas não nos atreveríamos a especular porque Maÿr fazia experimentos com diversos materiais e técnicas, inclusive de fundição: foi ele quem confeccionou o Medalhão Reitoral que está no Museu da UFPA.
Em suma: as fotografias da cerimônia no Teatro da Paz e o Medalhão Reitoral eram os únicos dados que tínhamos sobre o Brasão d’Armas da UP: portanto e porquanto: dois originais (que se somaram ao primitivo de 1958 adquirido por Flávio Nassar em 2013).
Todavia: todos com desenhos diferentes em superfícies, dimensões e técnicas distintas:
As três únicas referências imagéticas encontradas do brasão original da Universidade.
Nildo Gabriel Rodrigues Costa foi nosso aluno na FAU e estagiário/bolsista do professor Flávio Nassar por ocasião da implementação do projeto UFPA 2.0 onde produziu, dentre diversas tarefas gráficas, vinhetas para o acervo de filmes antigos recuperados pelo site; Nildo hoje integra um programa de pós graduação da USP e mora em São Paulo.
Para que a memória de alguns se reavive: Nildo é o autor da marca do Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, identidade veiculada por mais de uma década (entre 2014 e 2025), recentemente substituída por rombo (losango) assemelhado ao escudo do Colégio Estadual Paes de Carvalho (também do universo educacional).
Imagem linkada datada de 18NOV2014 – na época da marca do Nildo se usava o verde no logo FAU em virtude da marca originária do DAU (Departamento de Arquitetura e Urbanismo) criada por Daniel Campbell – nome do auditório da FAU.
Na opinião deste editor-redator a marca deveria voltar às mãos de seu criador para uma “repaginada”, uma atualização como arremedo das reelaboradas desde a fundação do ITAÚ; ou, um concurso que admitisse tanto o redesenho modernizante quanto uma ruptura extrema com o signo passado – mas tudo sem perder de vista a história do Centro Acadêmico que, pelo que se saiba, jamais foi pesquisada.
Será que algum aluno sabe como era o Centro Acadêmico na época dos seus professores?
No futebol não se muda o emblema de um time para fazê-lo jogar melhor e ganhar campeonatos – fala-se de imagem (se possível com tradição e história), de identidade visual, daquilo que possa explicar algo em sua totalidade sem o uso da palavra: linguagem não verbal.
Pensem no problema gigante comum aos brasileiros: a camiseta da Seleção Brasileira de Futebol; ou mesmo: as Cores Nacionais – uma realidade distorcida rompeu com a lógica da linguagem visual e pictórica de um ícone que também serviu à Ditadura Militar na Copa de 1970 com a vigarice patriótica do Pra Frente Brasil.



































































