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Defesa da tese de Elna Trindade

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FAU

VIII Colóquio Luso Brasileiro de História da Arte e II Reunião Internacional do Fórum Landi

Informações enviadas pela professora Elna Trindade.

Natal com a vovó dentro do computador

Todo ano é a mesma coisa. Apesar das distâncias, dos compromissos e desencontros, o natal é a única festa que ainda consegue reunir a família inteira. Lembra daquela história da magia do natal? Ou ela existe mesmo e transforma as coisas ou é a gente que se esforça mais nessa época e sempre acaba dando um jeitinho pra fazer tudo funcionar. A minha família, por exemplo, se reúne sempre em Belém do Pará, onde mora dona Elna Trindade, a minha vovó. E todo ano é parecido: quem nunca tem tempo pra nada, por exemplo, nessa época arruma umas horinhas pra decorar a árvore, ajudar na cozinha, embalar presente, paparicar os sobrinhos que cresceram tão rápido…

E esse ano teve a minha vó, que sempre gostou de tecnologia, indo parar dentro do computador. É, isso mesmo. Como ela foi parar lá dentro? Bom, explico.

Mesmo com 77 anos, a vovó sempre teve saúde de ferro. Mas há alguns meses, ela começou a ficar doente. E aí bem no dia do natal, o coração dela começou a dar susto na gente, com uma arritmia (também, são muitas emoções, né?). A cardiologista veio visitar e achou melhor não dar espaço pro acaso: direto pro CTI. Vovó relutou, fez bico, mas resolveu ser “uma paciente muito paciente”, como ela costuma dizer que é, e obedeceu. Passar justo a noite de natal internada e longe da família (não pode fazer visita no CTI) é bem ruim. Mas pior é correr o risco de morrer. Então lá foi a vovó, debaixo de uma avalanche de carinho (com 8 filhos e xx netos, é muito beijo e abraço).

E aí a vovó, que não desanima nunca, também não deixou a gente desanimar. Proibiu todo mundo de ficar triste. Ordenou que o natal fosse comemorado normalmente, com a família reunida, comilança, cantoria e Papai Noel visitando a criançada. Pediu que a gente tentasse fazer essa noite ser igual às dos anos anteriores. E lá fomos nós fazer o máximo. Por que eu não sei como é na sua casa, mas aqui, quando a vovó manda, todo mundo obedece.

Primeiro, uma das netas prometeu filmar a festa toda. A vó gostou da idéia, mas achou que não era o bastante. Pediu pra que arranjassem um computador pra ela. Um neto deu um jeitinho: levou um notebook com webcam e microfone pra CTI (é, ele teve que burlar as leis um pouquinho pra entrar lá, vai ser nosso segredo de Natal, tá?). Depois, foi só levar outro notebook pra sala de casa e tchan nan: deitadinha lá na cama do hospital, a vovó pôde ver toda a família reunida. Por videoconferência, apareceu em tela cheia e conversou com todo mundo. Mandou milhões de beijos, mostrou que estava bem e até cantou “bate o sino pequenino, sino de Belém” com a criançada. Passeou pela casa inteira nos braços dos netos. Participou do nosso natal e ficou pertinho da família, mesmo estando um pouco mais longe. E lá pelas tantas pediu às netas que gostam de escrever “não deixem passar em branco o nosso natal tecnológico!”.

Verdade seja dita: a nossa vovó não faz parte do time de velhinhas que tem aversão à tecnologia. Pelo contrário. Ela passa horas navegando pela internet, manda e-mails pra família inteira, adora videogame, é mestre em Power Point, faz umas animações incríveis em Flash e não desgruda do palm top. Sempre se arma com toda a calma e paciência que só ela tem, senta em frente ao computador e fuça, fuça, fuça, até aprender. Nunca houve limites pra ela. E não seria uma UTI que agora a impediria de passar o natal com a família.

Quando a vovó pediu pra que a gente escrevesse sobre o nosso natal tecnológico, creio que não foi pura e simplesmente pra registrar e pronto. É claro que foi empolgante ter a vó com a gente pela telinha do computador, e só essa alegria já dá vontade de compartilhar. Mas do alto de sua sabedoria de vó, dona Elna queria que a gente passasse adiante algumas lições. Pode ser para que as outras vovós por aí não se assustem com a tecnologia, percebam que ela é fantástica e trabalha pro nosso bem. Ou que os netos espalhados por todo o mundo não percam as esperanças de passar o natal com suas vovós, mesmo quando parece que elas estão indo embora. Ou talvez simplesmente ela quisesse dizer pras pessoas que o espírito de natal existe e está mais vivo do que nunca. Seja na risada das crianças ganhando presente do Papai Noel, seja nos bytes que a gente envia e recebe em um notebook na noite de Natal.

Gisela Blanco
29/12/2008

Texto e ilustração publicados no site Overmundo.

A “vovó Elna” da Gisela, infelizmente, faleceu hoje, justo na véspera de Natal; dona Elna Andersen Trindade, viúva do ex-senador da República e superintendente do extinto jornal A Província do Pará, Milton Blanco de Abrunhosa Trindade — irmão do arquiteto e compositor Billy Blanco —; é, e para todo o sempre será, mãe de nossa querida professora Elna Maria Andersen Trindade: “a Elninha da dona Elna”. 

Alunos da FAU protagonizam vídeo produzido pelos MONUMENTA, IAP e FÓRUM LANDI

Vídeo retirado do Canal MrSabib do Youtube contendo as seguintes informações:
“IAP-PA – MAQUETES EM MIRITI: A ARTE POPULAR COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL – AS FONTES DA CULTURA POPULAR AMAZÔNICA COMO MEIO DE CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL SOBRE A NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA.”
Veja a ficha técnica ao final do vídeo.
Site do MONUMENTA.

Antônio Paul de Albuquerque, o nome do Atelier de Arquitetura da UFPA

Antônio Paul de Albuquerque (25/09/1921-17/04/2008) nasceu no estado do Pará, filho do engenheiro Manoel Leônidas Albuquerque e de Mildred Tierney de Albuquerque, formando-se em Arquitetura nos Estados Unidos, Instituto Politécnico Rensselaer, no ano de 1948. Exerceu, entre 1948 e 1951, suas atividades didáticas no Departamento de Arquitetura da Universidade de Kansas, EUA, como professor de “Achitectural Design”.
Ainda na década de 50, Paul já estava em Belém desenvolvendo projetos e participando de órgãos responsáveis por questões urbanísticas da cidade, tais como  a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) entre 1967 e 1968, tendo ocupado o cargo de Diretor da Divisão de Obras Particulares da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo de Belém entre 1954 e 1977. Exerceu também atividades técnicas na Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM) nos anos de 1981 a 1989 e na Secretaria Geral de Planejamento Municipal a partir de 1994.
Paul foi diretor, fundador do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Delegacia do Pará, entre 1953 e 1967, sendo também fundador da Associação Profissional dos Arquitetos no Estado do Pará (APA). Como Arquiteto projetista destaca-se os projetos  para o Pará Clube, Hotel de Soure (Marajó), o Seminário Redentorista (Marituba) e a Igreja de Santa Cruz.
Em 1962, voltou a trabalhar como professor, agora na Universidade Federal do Pará, lecionando Inglês no Curso Livre de Línguas. Entretanto, com a implantação, em 1964, do Curso de Arquitetura na UFPA, Paul passou a dar aulas na sua área de formação, permanecendo, então, como professor de Arquitetura na UFPA até 1991, quando se aposentou.
Durante estes 27 anos no Curso de Arquitetura da UFPA, Antônio Paul de Albuquerque lecionou “Expressão e Representação”, “Planejamento Arquitetônico I”, “Planejamento Regional” e “Introdução à Arquitetura”. Foi também um dos primeiros coordenadores do Curso (1968-1970), e exerceu ainda, entre 1976 e 1981 a atividade de Chefe do Departamento de Arquitetura.
Paul foi aluno do primeiro Curso de Especialização em Arquitetura nos Trópicos do Departamento de Arquitetura da UFPA, desenvolvendo a Monografia “Rocinhas e Puxadas”, publicada como artigo na Revista do Tecnológico do 1º semestre de 1989. Desenvolveu, também, as pesquisas científicas intituladas “Glossário de Termos utilizados no Planejamento Urbano” (1981-1983), “Chalés de Icoaraci e Mosqueiro” (1986) e “Arquitetura Paraense” (1986), tendo publicado diversos artigos sobre Arquitetura em jornais paraenses. Em 2003, o Professor Paul foi homenageado durante o Seminário “Landi e o século XVIII na Amazônia” por ter sido precursor nos estudos sobre Landi, ao publicar o artigo “Arquiteto Antonio José Landi” na Revista Habitat 12, de setembro de 1953.
Percebe-se, assim, que Antônio Paul de Albuquerque dedicou grande parte da sua vida para o Curso de Arquitetura da UFPA, contribuindo inclusive para a divulgação da Arquitetura paraense em publicações nacionais.

Texto: Professora Cybelle Miranda
Pesquisa: Professora Cybelle Miranda e Nayara Barros (bolsista).