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SER ARQUITETO; por A. Paul de ALBUQUERQUE (Membro do Instituto de Arquitetos do Brasil)

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Existem certas ideias errôneas sobre a função do arquiteto que ficariam esclarecidas ante um exame crítico do papel que cabe a este profissional.
Não importa o tipo ou tamanho do edifício a ser projetado e construído, o arquiteto primeiro procura juntar os dados que lhe dizem respeito, para em seguida selecioná-los e distribuí-los da forma mais lógica e com eles organizar um programa de ação. Entre esses dados ocupam maior destaque as quantias em dinheiro disponíveis ou necessárias, o local e natureza do terreno, sua relação com as vias de acesso, sua orientação e, não menos importante, as necessidades das pessoas que ocuparão o edifício e a finalidade a que se destina – residência, escola ou hospital.
Em seguida o arquiteto analisa os dados conseguidos, para deles, aos poucos, e com muito estudo, fazer uma síntese. A solução, portanto, é o resultado de uma análise e uma síntese e é procurada de dentro para fora. Em outras palavras, as fachadas surgem assim como expressão dos interiores e nunca ao contrário. Os elementos componentes da estrutura são distribuídos integralmente, internamente e externamente. Uma arquitetura de espaço e volumes. O arquiteto em ação assemelha-se ao compositor, que, tendo escrito uma sinfonia, se transforma no condutor da orquestra. Ele deve conhecer, enquanto desenha, todos os materiais a serem empregados e dominá-los por completo. O desenho para ele é um meio de comunicação e não o fim de sua técnica e nisto ele difere do desenhista.
O arquiteto vê o projeto nascer, deu-lhe vida e acompanha seus primeiros passos com a ansiedade de um pai. Ele vê o edifício antes de ser construído, e prevê como ele se portará com o sol, a chuva e os ventos. Imagina-o abrigando seres humanos, e, as vezes, animais também. E assim, dá-lhe forma e dimensão no papel, para em seguida lhe dar forma e volume no espaço e no tempo, exatamente como faria o compositor, ouvindo e fixando sons por meio de notas.
Infelizmente, o arquiteto não é como o pintor, o escritor ou o escultor. O pintor toma seu pincel, o escritor de sua pena e o escultor de seu barro, e , cada um, sozinho, começa a executar uma ideia. Com o arquiteto não é assim. Ele não pode começar nada, a menos que alguém tenha necessidade de seu trabalho e de sua técnica. Nisto ele se distingue do artista puro, pois apesar de ser ele também um artista, o arquiteto, é, acima de tudo, um especialista. Ele não pode sentar-se à sua prancheta e desenhar uma hipotética fábrica, uma residência, ou um prédio de apartamentos, a menos que não desconheça certas condições. A primeira é que alguém lhe tenha falado “Quero um projeto para construção de um clube social”, a segunda, que este alguém lhe tenha fornecido as necessidades deste clube, dados financeiros e espaço. O cliente não está pedindo apenas um desenho, mas se está valendo dos serviços profissionais de um técnico, um planejador por excelência. O cliente quando vai ao dentista não pede que seu dente seja obturado por este ou aquele método, ele quer que o resultado seja bom e dentro de suas possibilidades financeiras. Ele pode, é claro, achar que uma obturação de ouro fica mais bonito que uma de porcelana, isto em dentes incisivos centrais. E então em arquitetura todos entendem de beleza… Mas, em suma, a não ser que alguém concorde em aceitar a ajuda de um arquiteto e lhe dê as realidades de um problema positivo, ele não pode começar. É evidente que o arquiteto pode desenhar pelo simples prazer de desenhar, mas, não esqueçamos que ele também é humano, come, bebe, dorme e vive como os outros.
O arquiteto de hoje não somente é um criador, mas é também um coordenador. Para grandes projetos cerca-se de engenheiros de estruturas, de fundações, mecânicos, técnicos em acústica, em iluminaçãoe e paisagistas. Seu cérebro trabalha sempre fazendo uma combinação lógica, econômica e bela, dos elementos que se transformarão nas partes do edifício. O arquiteto dirige seu sonho desde o princípio até a completa e tangível realização. Não é como o engenheiro civil que pratica “arquitetura” que tem pesadelos comunicados pelo cliente, e que, transmitidas ao desenhista, mal chegam a ser interpretadas antes de serem realizadas. O arquiteto não se esquece de que os erros do médico se enterram, mas os seus ficam à mostra.

Fonte: A Província do Pará de 05 de abril de 1953, página 04.
Colaboração: Aristóteles Guilliod de Miranda.

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Coleção Paul Albuquerque – Mosqueiro

Mosqueiro 1950′s e 1960′s; por Antonio Paul de Albuquerque. 

Paul Marcus Albuquerque e sua irmã Caralice (filhos de Paul) brincam no jardim da casa e depois na praia de São Francisco com a avó Mildret Albuquerque, mãe de Paul Albuquerque.
Na segunda parte Jack Albuquerque, irmão de Paul, residente nos EUA passeia em companhia do Pe. Marcos, Redentorista que vinha sempre a Belém. Paul faria o projeto do Seminário Redentorista na BR 316.
A praia estava ainda intocada.
Aproximadamente 1969.

Publicação do UFPA 2.o.

Antônio Paul de Albuquerque, o nome do Atelier de Arquitetura da UFPA

Antônio Paul de Albuquerque (25/09/1921-17/04/2008) nasceu no estado do Pará, filho do engenheiro Manoel Leônidas Albuquerque e de Mildred Tierney de Albuquerque, formando-se em Arquitetura nos Estados Unidos, Instituto Politécnico Rensselaer, no ano de 1948. Exerceu, entre 1948 e 1951, suas atividades didáticas no Departamento de Arquitetura da Universidade de Kansas, EUA, como professor de “Achitectural Design”.
Ainda na década de 50, Paul já estava em Belém desenvolvendo projetos e participando de órgãos responsáveis por questões urbanísticas da cidade, tais como  a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) entre 1967 e 1968, tendo ocupado o cargo de Diretor da Divisão de Obras Particulares da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo de Belém entre 1954 e 1977. Exerceu também atividades técnicas na Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM) nos anos de 1981 a 1989 e na Secretaria Geral de Planejamento Municipal a partir de 1994.
Paul foi diretor, fundador do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Delegacia do Pará, entre 1953 e 1967, sendo também fundador da Associação Profissional dos Arquitetos no Estado do Pará (APA). Como Arquiteto projetista destaca-se os projetos  para o Pará Clube, Hotel de Soure (Marajó), o Seminário Redentorista (Marituba) e a Igreja de Santa Cruz.
Em 1962, voltou a trabalhar como professor, agora na Universidade Federal do Pará, lecionando Inglês no Curso Livre de Línguas. Entretanto, com a implantação, em 1964, do Curso de Arquitetura na UFPA, Paul passou a dar aulas na sua área de formação, permanecendo, então, como professor de Arquitetura na UFPA até 1991, quando se aposentou.
Durante estes 27 anos no Curso de Arquitetura da UFPA, Antônio Paul de Albuquerque lecionou “Expressão e Representação”, “Planejamento Arquitetônico I”, “Planejamento Regional” e “Introdução à Arquitetura”. Foi também um dos primeiros coordenadores do Curso (1968-1970), e exerceu ainda, entre 1976 e 1981 a atividade de Chefe do Departamento de Arquitetura.
Paul foi aluno do primeiro Curso de Especialização em Arquitetura nos Trópicos do Departamento de Arquitetura da UFPA, desenvolvendo a Monografia “Rocinhas e Puxadas”, publicada como artigo na Revista do Tecnológico do 1º semestre de 1989. Desenvolveu, também, as pesquisas científicas intituladas “Glossário de Termos utilizados no Planejamento Urbano” (1981-1983), “Chalés de Icoaraci e Mosqueiro” (1986) e “Arquitetura Paraense” (1986), tendo publicado diversos artigos sobre Arquitetura em jornais paraenses. Em 2003, o Professor Paul foi homenageado durante o Seminário “Landi e o século XVIII na Amazônia” por ter sido precursor nos estudos sobre Landi, ao publicar o artigo “Arquiteto Antonio José Landi” na Revista Habitat 12, de setembro de 1953.
Percebe-se, assim, que Antônio Paul de Albuquerque dedicou grande parte da sua vida para o Curso de Arquitetura da UFPA, contribuindo inclusive para a divulgação da Arquitetura paraense em publicações nacionais.

Texto: Professora Cybelle Miranda
Pesquisa: Professora Cybelle Miranda e Nayara Barros (bolsista).