Do Brasão Original da UFPA

Imagens ampliáveis.

O ensaio gráfico acima, em construção indefinida*, é tão somente um “janelamento” do Brasão Original da “Universidade do Pará” registrado em fotografias no dia 31 de janeiro de 1959 ornando o fundo do palco do Teatro da Paz na solenidade tardia de instalação desta instituição federal de ensino superior.
Não concluímos as investigações sobre a autoria do emblema também reproduzido no medalhão utilizado pelos dois primeiros reitores, Mário Braga Henriques e José Rodrigues da Silveira Netto; artefato hoje em exposição no Museu da Universidade Federal do Pará.
Mantemos dúvidas entre três personagens: Manoel de Oliveira Pastana, pelo estilo repleto de ornamentos regionais, “alegórico”; Maÿr Sampaio Fortuna, por sua relação, inclusive profissional, com o Partido Social Democrático: Maÿr, em 1949, desenhou o Diploma de Honra, uma outorga assinada por Magalhães Barata e Rodolfo Chemont aos eleitores do PSD, sigla que influenciou na escolha política de Mário Henriques ao primeiro reitorado da UFPA; e, em última hipótese, Maÿr Obadia, ourives da Casa Cruzeiro, que, segundo Sueli Fraiha, funcionária da reitoria no período, fundiu o medalhão — o nome “Maÿr” está gravado no reverso, junto ao Brasão da República —; joia única confeccionada em liga metálica nobre**, assinada.
Entre os anos de 1964 e 1965 Alcyr Boris de Souza Meira “enxugou” a marca primitiva da “Universidade do Pará” com uma proposição “moderna” publicada nos “Anais Científicos” de 1965; um inconteste redesenho com foco estritamente direcionado à “águia sobre o livro” que eliminou os “regionalismos” do protótipo até agora anônimo, mas que agraciou-se da oficialização e perenização com a Resolução Nº17 de 12 de junho de 1969, no ocaso de Silveira Netto.
Essa “nova” simbologia fora por Meira emoldurada e acrescida de tocha — adereço heróico —  e fitilho com a inscrição que também desconsiderara a federalização da UFPA, corrigida no documento público quatro anos depois para “UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ” (datilografado em versais aspadas como lá está).
De acordo com Sueli Fraiha: “a UFPA usa o escudo reformulado por Alcyr Meira desde o segundo mandato de Silveira Netto, substituindo o Brasão Original inclusive em novo medalhão que compõe o Colar Reitoral“, ora em uso pelo Reitor; uma, dentre outras insígnias confeccionadas no Rio de Janeiro pela Industria de Distintivos Randal Ltda na forma de broches, abotoaduras, alfinetes de lapela, etc.
A UFPA não possui outras “marcas” institucionais que não essas duas, portanto, qualquer variação ou invenção será marginal ao oficial de Meira ou ao Histórico apócrifo, mesmo que a elas faça alusão.
A ideia do ensaio gráfico, além de beber em igual fonte que Meira, foi retomar a aparência imprimida no desenho primordial da “águia sobre o livro”; tal resultado ficará em destaque no Blog da FAU como imagem-link ao Portal da Universidade, ato provocativo às celeumas.

*Construção indefinida significa que há técnicas capazes de reproduzir com absoluta fidelidade a imagem registrada por fotos em 1959; infelizmente não alcançada nesta experimentação.
A todos é franqueado o direito de exercitar o melhoramento desse design gráfico.
**Liga metálica nobre justificaria a lembraça da nota de serviço da Casa Cruzeiro, onde Sueli Frahia acredita ter lido “ouro”, sem atentar ao percentual desse metal na composição do medalhão.
Observamos no MUFPA que o brilho  da irregular peça, de fundo martelado, é uniforme e intenso;  não se percebe, a olho nu, ponto algum de oxidação.

No rastro sequencial das postagens sobre o assunto obteve-se informações pertinentes e descabidas: ver, a partir de O brasão retrô da UFPA, início das investigações,  a quantas conclusões precipitadas chegamos; o que é, de certo modo, divertido: uma “comédia”.
Esta busca  é contributiva  ao Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural —LAMEMO — da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC-UFPA.

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2 respostas para Do Brasão Original da UFPA

  1. Carla Marinho disse:

    O interessante da publicação é que há fatos e fotos em hipertexto, muito bom para entender.
    Pelo visto Alcyr Meira fez sucesso desde o início do Golpe Militar (1964/65), passou pelo endurecimento do Regime Ditatorial (1968/69) e consagrou-se entre 1969/72 (com Medice e Passarinho no poder) como vice de Aluísio Chaves.
    Ele merece ser o autor da marca da UFPA, mesmo sendo só uma chupada do acadêmico da APL no brasão anterior.
    Essas resoluções da UFPA são imexíveis?
    Sugiro a seguinte leitura: http://edilzafontes.blogspot.com/2009/12/entrevista-do-candidato-ao-governo-jose.html

  2. Mário Silvestre disse:

    MUITO BOM! PARABÉNS PELA EXCELENTE PESQUISA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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