O OLYMPIA e a rua SILVA SANTOS JUNIOR

O Olympia:

Liberal Comunidade de 06ABR2025

Fotografia dos anos 1910 em comparação à tirada no último domingo, dia 1º de março (2026).

A arquiteta e urbanista Elizabeth Almeida explica, na matéria do Liberal Comunidade, a mudança de rota na restauração do Cinema Olympia motivada pelos arcos originais emparedados na reforma do ano de 1940, planejada pelo arquiteto português Arlindo da Costa Guimarães:

Foto do OLIMPIA (sem o Y) exibindo o filme É COM ESTE QUE EU VOU (1948) e a apresentação gráfica do projeto de Arlindo Guimarães publicada em janeiro de 1940.

É óbvio que Pedro Veriano – médico e cineasta diretor de O Brinquedo Perdido – romantiza a reforma empreendida por Arlindo Guimarães em 1940 com o “Nada de concreto (argamassa e argumento).”; as marquises projetadas pelo arquiteto necessitaram de lajes em cimento armado que deixaram vestígios nas fachadas do Cinema Olympia – confirmados pelo engenheiro civil Acácio Gonçalves, responsável técnico pela restauração do prédio histórico.
A ausência de registros sequenciais das interferências construtivas executadas no Olympia pós 1940 atrapalham a percepção do que fora efetivamente materializado por Arlindo Guimarães, objeto de pesquisa deste laboratório, refreada com a morte do professor Francisco José Guimarães Cardoso, seu neto.

Café Madrid – construção do final do século XIX.

Na realidade o CINEMA OLYMPIA deriva do CAFÉ MADRID, um restaurante surgido no final do século XIX que em Caccavoni, de 1899, sugere-se como hospedaria aos senhores viajantes; no jardim frontal do Madrid a firma Salvador, Mesquita & Cia. construiria o vestíbulo do cinematographo inaugurado em 1912; ou seja: não foi uma obra nova e sim uma adaptação a outra função: de pensão a cinema.

Observar a modulação dos vãos que no Madrid eram janelas e no Olympia portas – as fotos não estão no mesmo ponto de vista; portanto: há diferenças angulares na perspectiva.


A rua SILVA SANTOS JUNIOR:

A rua da lateral do OLYMPIA, conhecida apenas por Silva Santos, uma via que compreende somente três quarteirões (lado a lado seis) até a Padre Prudêncio; é, desde 1915: SILVA SANTOS JUNIOR, pela Portaria Nº428 de 05JUL1915 do Conselho Municipal de Belém, a mesma que a ele garantiu catacumba perpétua por ser um vogal (vereador) em exercício do mandato – tal catacumba não foi encontrada em pesquisas no cemitério de Santa Isabel pela ausência de identificação.
O nome completo de Silva Santos Junior era Bento José da Silva Santos Junior, capitalista de muitas posses, herdeiro de Bento José da Silva Santos – ambos primeiro e segundo proprietários do Palacete Faciola.
(Abra: Palacete Faciola – selo “Série Restauro”)

(Reforçamos que Bento Junior não foi sepultado no mausoléu da família Coronel Bento José da Silva Santos e sim em catacumba perpétua da Prefeitura de Belém com “impossível” localização – já o mausoléu familiar margeia a via principal da necrópole do Guamá e é de fácil reconhecimento.)

Página 99 do livro do Faciola.

Apesar da causa mortis definida como peritonite aguda, alguns escritos insinuam suicídio, sem comprovação.
Bento Júnior era sócio em comandita da firma Figueira & Cia; entretanto, individualmente, foi o garantidor do empréstimo contratado por esta com o Banco da Província do Rio Grande do Sul, com sede na capital federal: Rio de Janeiro; assinando uma promissória de 250:000$ (Contos de Réis).
Esse empréstimo tinha por objetivo a construção tanto do Olympia quanto do Grande Hotel a serem administrados por outra firma: a Teixeira, Martins & Cia – a ré no imbróglio (A Noite – 02JUL1914).
Tudo indica que Bento Júnior foi obrigado, pela justiça federal, a pagar a dívida, tendo bens penhorados, como no caso do Palacete Faciola e as casas adjacentes que hoje compõem o Complexo Cultural da avenida Nazaré.
Se convertido para hoje, o total do débito contratual, chegaria a algumas dezenas de milhões de Reais; certamente com a maior parte desse montante empregado na construção do Grande Hotel – obra nova surgida desde as fundações, também erigida por Salvador, Mesquita & Cia.
(Ler o processo judicial no Estado do Pará de 27JUL1914)

Colagem eletrônica com fotografias publicadas no livro Portugal-Brasil – Migrações e Migrantes – 1850-1939

A rua oficialmente nomeada como SILVA SANTOS JUNIOR (antes Macapá) tem confluência com a atual Presidente Vargas e a Arcipreste Manoel Teodoro separando o OLYMPIA do Princesa Louçã, espaço antes ocupado pelo Grande Hotel – mais para trás: POLYTHEAMA.
É a rua que separa os dois empreendimentos pegos de surpresa com as consequências do debacle dos preços do látex no mercado internacional que podem ter abreviado a vida de Bento Júnior aos 49 anos em 1915.

Leitura complementar: Enid Silva Santos; filha de Bento José da Silva Santos Junior.

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Corpo editorial responsável pelas pesquisas e publicações: Aristoteles Guilliod, Fernando Marques, Haroldo Baleixe, Igor Pacheco, Jô Bassalo e Márcio Barata. Coordenação do projeto e redação: Haroldo Baleixe. Membros da extensão do ITEC vinculada à divulgação da produção de Representação e Expressão: Jorge Eiró, HB e Eduardo Lobo.
Esta entrada foi publicada em Restauração e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta