Periferia de Belém: Marco da Légua – Travessa Timbó n°1361 (hoje n°3197)

Fotografia, gentilmente cedida por Angelina Leal Keuffer, do terreno edificado com datação estimada entre 1956 e 1957 sob o número 1361 da travessa Timbó – mudado para 3197 na década de 1960, assim permanecendo até hoje.

Superposição da imagem antiga (colorizada) à atual (2024) no limite aproximado do imóvel original de 19 metros – na parte não edificada da esquina se cultivava, à época da foto, uma horta, segundo informação de Alonso Lins.
É possível verificar que as grades da mureta do quintal foram afixadas nas duas janelas laterais da fachada e que o balcão do vão central despareceu.
O desenho do telhado do alpendre foi simplificado e um vão posterior ao conjunto vedado.

Ana Zilda, Alonso, Airton e Alba – quatro filhos do casal Aluizio Arroxelas de Almeida Lins e sua esposa Zilda Ferreira Lins proprietários do imóvel entre 1953 e 1960 – a família veio de Breves e depois retornou, só um dentre os 9 filhos do casal nasceu em Belém.

Detalhes da fotografia analisada: outra criança no quintal ainda não identificada, a numeração 1361 e a placa de identificação pública da via: “Travessa Timbó – 5º Distrito”.


O registro fotográfico (1956-57) aqui exibido levanta a suspeita de que Aluizio Arroxelas de Almeita Lins tenha empreendido uma ampliação na edificação, acrescentando aos fundos quatro novos cômodos: um salão à esquerda, d’onde se vê quatro janelas na imagem; cozinha, dispensa e banheiro/sentina, à direita.
Observemos, no documento datado de 1954 para averbar benfeitorias, que o imóvel fora comprado por 30 mil Cruzeiros; contudo, 95 mil Cruzeiros foram destinados às obras de melhoramentos e reparos gerais de que necessitava o prédio, elevando a avaliação para 125 mil Cruzeiros.

Sinais da ampliação: a marca do partido inicial da edificação na parede externa, na execução do forro e no desalinho das bandeiras dos vãos – ressalte-se que a técnica construtiva desse acréscimo seguiu a primitiva: enchimento sobre madeirame de acapú.


O alcance da Escritura Pública de Compra do terreno edificado com o número 1361, em sua cadeia dominial, chega a Hamilton Beltrão Pontes, que em 14 de março de 1944 vende a propriedade ao advogado Oséas Saboia de Barros de quem Aluizio Arroxelas de Almeida Lins a compra em 1953 e em 1960 vende a Waldo Moraes da Costa.
Na transação entre Hamilton e Oséas fica claro que a propriedade não possuía dívidas com Décimas Municipais desde 1920; ou seja: a casa existia, de modo comprovado, em 1920.
Alonso Lins, filho de Aluizio e Zilda, é uma das crianças que aparecem na fotografia antiga, hoje engenheiro eletricista prestes a completar 72 anos de idade, tem como mais forte recordação da casa em que passou a infância, os vidros coloridos que as bandeiras externas ostentavam – tal memória pode suscitar a contemporaneidade do prédio a outros famosos da Belém do século XIX:

O depoimenteo de Alonso Lins associado à nota de O PARÁ de 15ABR1898 nos faz crer que a casa da Timbó seja coeva às listadas acima; inclusive o alpendre visto na fotografia de 1956-57 possui, guardadas as devidas proporções, cobertura assemelhada (três águas, telha plana francesa e lambrequim) à do coronel Bento José da Silva Santos (Palacete Faciola a partir de 1916):

Comparativo dos alpendres e vidros coloridos nas bandeiras externas – alvenaria em Nazaré e tabique no Marco.

Colaboração: professora Ana Margarida Lins Leal de Camargo.


Veja a evolução da área com a primeira pavimentação asfáltica da Primeiro de Dezembro (hoje João Paulo II, pela missa que tal Papa celebrou na esquina da travessa Mauriti em 1980):


Postscriptvm (31AGO20259):

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Corpo editorial responsável pelas pesquisas e publicações: Aristoteles Guilliod, Fernando Marques, Haroldo Baleixe, Igor Pacheco, Jô Bassalo e Márcio Barata. Coordenação do projeto e redação: Haroldo Baleixe. Membros da extensão do ITEC vinculada à divulgação da produção de Representação e Expressão: Jorge Eiró, HB e Eduardo Lobo.
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2 respostas para Periferia de Belém: Marco da Légua – Travessa Timbó n°1361 (hoje n°3197)

  1. Rissato disse:

    Sensacional a sobre/superposição das imagens! Tenho feito algumas edições com esse mesmo efeito em vídeos publicados no canal Belém de outrora, no YouTube!

  2. Wanda Luczynski disse:

    Bom dia, Haroldo. Obrigada por compartilhares trabalho que retrata a atenção que seus autores dão à pesquisa da história urbana, com avaliação estética, arquitetônica, urbanística e jurídica, de grande importância para a história de nossa cidade. Palmas para a cronologia patrimonial do chalé, muito bem subsidiada pela certidão do cartório de registro de imóveis do segundo ofício onde desponta, como oficial substituto, Belém Amazonense da Costa, que viria a ser seu titular e a passá-lo, posto que então era vitalício, para seu filho Walter Costa, meu colega na Faculdade de Direito da UFPA, na última turma do antigo Curso de Direito, seriado. De grande importância, também, para os operadores do Direito porque, em 1954, data da emissão da referida certidão, a transcrição era apontada, nos moldes do vigente Código Civil, como forma de aquisição da propriedade imobiliária por ato inter vivos, mas não havia a matrícula, instituída apenas em 1976, com a alteração da Lei 6.015/1973, que dispõe sobre os Registros Públicos. Penso que Belém seja uma fonte inesgotável para estudos dessa monta, que honram seu passado. Wanda Luczynski.

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