Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU e erra

Não sabemos, por ora, se houve outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência, defronte à Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense como publicamos em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? exatamente a mesma pergunta, sem tirar nem por, feita hoje, 21DEZ2016, no programa Feira do Som de Edgar Augusto Proença na Rádio Cultura do Pará.
O Jardim Mythologico – inaugurado como Circo Olympico –, propriedade de Gomes Junior & Cia, funcionou entre 1871 e 1874; ou seja: anterior à Estrada de Ferro de Bragança e suas estações em Belém: tanto a de São Brás, quanto a da Estrada de São José, dita do Jardim Público.
Especula-se que no terreno do Mythologico erigiu-se a Fábrica de Cerveja Paraense e seja hoje parte do Jardim Independência na avenida Governador Magalhães Barata, entre 14 de Março e Alcindo Cacela.


Postscriptvm (22DEZ2016):

relatorios

Ampliável à leitura

Os recortes dos Relatórios Provinciais entre 1866 e 1879 dão destaque às dificuldades da implementação e manutenção do Jardim Público da Estrada de São José; são eles (os recortes) anteriores, do ano do surgimento do Jardim Mythologico na Estrada da Independência (1871) e posteriores ao seu fechamento (1874).
Nenhuma de nossas buscas apontou a localização do Jardim Mythologico nas imediações ou no lugar que edificar-se-ia a Estação da Estrada de Ferro de Bragança da São José (ou do Jardim Público) inaugurada em 1888.
Ao que tudo indica a Rádio Cultura do Pará confundiu as estações:  a da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, na Estrada da Independência (1871), com a da Estrada de Ferro de Bragança, na Estrada de São José (1888) – atual avenida 16 de Novembro.
Existe coincidência no fato de as estações terem jardins notórios nas cercanias; o que pode causar interpretações dúbias se não observadas as datações e o fato da Estrada de Ferro Paraense, em 1871, utilizar locomotivas a vapor atreladas a vagões de passageiros e cargas   trens urbanos provocadores de inúmeros acidentes à época, daí a introdução da tração animal em algumas linhas.
Pela descrição do Jardim Mytologico em 1871, é-nos contraditório qualquer semelhança com o cenário do Jardim Público de 1868:

corel095

O Relatorio da Repartição de Obras Publicas dá-nos mais detalhes do que havia no pequeno e acanhado espaço occupado pelo jardim publico:

ctui


Postscriptvm 2 (27DEZ2016):

Em resposta ao comentário de Alessandra Celeja em nome do Programa Feira do Som:

É verdade que o professor Fabiano Homobono, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e também colaborador do Blog da FAU, contestou, pós Feira do Som, a publicação apresentando uma transcrição do jornal Folha do Norte de 01JAN1930; tal documento, ora incompleto, está sendo analisado por outros colaboradores do BF, uma vez que não encontramos, ainda, nenhuma evidência em periódicos ou documentos antigos de que houvesse outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência em Belém do Pará; também nada achamos na dissertação de Nelson Rodrigues Sanjad  – referência sobre a análise da área de São José.
Obviamente o professor Fabiano pode estar certo e a ele é franqueado espaço para apresentar sua hipótese, ou mesmo tese, à apreciação pública e à contestação de Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?; por enquanto a resposta correta permanece Estrada da Independência, hoje avenida Magalhães Barata – se outro houve não mereceu a publicidade deste.


Postscriptvm 3 (27DEZ2016):

Heliodoro de Almeida Brito ao escrever na Folha do Norte de 01JAN1930 sobre sua imaginação de crença (creança?) e completando o quadro diluído por uma farta penca de janeiros… pode ter confundido o Jardim Mythologico com os Campos Elyseos, propagandeado como Antigo Jardim Publico em 1881:

campos-elyseos-diario-de-noticias-10jul1881

As investigações permanecem.


Postscriptvm 4 (27DEZ2016):

O Artigo 25 da Lei 778 de 09SET1873, por intermédio do Diario de Belém de 14OUT1873, diz:

diario-de-belem-14out1873

O Jardim Mythologico da Estrada da Independência é anterior à tal lei: com funcionamento entre 1870 (Circo Olympico) e 1874  em local privado de propriedade de Gomes Junior & Cia sito à Estrada da Independência.
A autorização à abertura de concessões do espaço público pode ter propiciado diversas ideias à exploração daquela área como se vê nos anos de 1882, 1883 e 1884 (antes da inauguração da Estação de São José da Estrada de Ferro de Bragança, mas posteriores ao Mythologico da Independência):

jp-1882-1884


Postscriptvm 5 (27DEZ2016):

Definitivamente o artigo escrito por Heliodoro de Almeida Brito na Folha do Norte de 01JAN1930 não se sustenta diante das notas dos jornais da época dos acontecimentos reais:

fn-materia-de-heliodoro-de-almeida-brito
Ampliável à leitura

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5 respostas para Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU e erra

  1. Alessandra Caleja disse:

    Olá, em nome do Programa Feira do Som, venho dizer que recebemos uma ligação do Doutor em História, Fabiano Homobono Paes de Andrade, que defendeu a tese “De São Brás ao Jardim Público” e afirmou que não era na Magalhães Barata, e sim, onde hoje é o Hotel de Trânsito do Exército, na 16 de novembro. Inclusive contestando o blog de vocês…

    • fauitec disse:

      É verdade que o professor Fabiano Homobono, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e também colaborador do Blog da FAU, contestou, pós Feira do Som, a publicação apresentando uma transcrição do jornal Folha do Norte de 01JAN1930; tal documento, ora incompleto, está sendo analisado por outros colaboradores do BF, uma vez que não encontramos, ainda, nenhuma evidência em periódicos ou documentos antigos de que houvesse outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência em Belém do Pará; também nada achamos na dissertação de Nelson Rodrigues Sanjad – referência sobre a análise da área de São José.
      Obviamente o professor Fabiano pode estar certo e a ele é franqueado espaço para apresentar sua hipótese, ou mesmo tese, à apreciação pública e à contestação de Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?; por enquanto a resposta correta permanece Estrada da Independência, hoje avenida Magalhães Barata – se outro houve não mereceu a publicidade deste.

      Haroldo Baleixe
      Coordenador do Projeto BF.

  2. José Maria De Castro Abreu Jr disse:

    A fonte da Folha do Norte datada de 1930, é um relato de memória, reminiscências. Memória não é História, está sujeita à contestação. O autor ali lembra fatos de sua distante infância. Pode muito bem ter confundido Jardim Mitológico, com o Jardim Botânico (Jardim Público), ambos em 1930 eram coisas de um passado distante. Quando recuamos nos jornais da época da coisa, isto é, segunda metade do XIX, achamos referência apenas a um Jardim Mitológico, aquele situado na Avenida Independência. Ficam então duas hipóteses: 1- A existência de dois jardins Mitológicos, talvez fosse uma denominação atrativa para jardins , ou 2- O relato de 1930, o único que cria essa confusão é o que chamamos de armadilha da memória. Mas esse é o papel do historiador, desatar esses nós e apartar esse constante conflito entre memória, história e esquecimento.

    José Maria de Castro Abreu Junior,
    doutorando em História pela UFPA.

  3. Paulo ANDRADE disse:

    O Blog da FAU, sob valentes auspícios de Haroldo Baleixe, um profícuo pesquisador solitário, parece deixar bem sob luzes e o tempo, os espaços urbanos construídos que são objeto dessa pequena celeuma havida com o suposto levantamento de Grisalho Couto, o “perguntador emérito” da Feira do Som, do amigo Edgar Augusto na Rádio Cultura. Penso, pela materialidade informativa apresentada aqui, semanas antes de ter ocorrido a pergunta em tela no referido Programa, que tanto o popular Grisalho Couto da Rádio como o digno colega Fabiano HomoBono, recebedor do prêmio entregue por Edgar Augusto, estão errados. Homobono, dito aqui como sendo colaborador do Blog da Fau, bem que poderia ter dado uma olhadela na matéria do Blog. A menos que outros documentos, devidamente convincentes sejam apresentados pelo “perguntador emérito” da Rádio, fico tranquilamente com a publicação do Blog da FAU, que tem, invariavelmente, esforçado-se em recuperar, com resultados, coisas esquecidas ou ignoradas, mas representativas da História de Belém.

  4. Alessandra Caleja disse:

    Olá. Em nome do Programa Feira do Som, venho dizer que vamos voltar a abordar o assunto agora no mês de janeiro de 2017.

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