Curiosidades do patrimônio público de Belém


A praça Batista Campos passou por uma reforma durante a gestão do prefeito Coutinho Jorge, entre os anos de 1986 e 1989.
O coreto central, denominado Pavilhão 1º de Dezembro, em homenagem a data de incorporação de 260.000 km² do Território do Amapá em 1900, tem um fato  sui generis em sua restauração.
Os cisnes que o decoram não são elementos originais da fundição, mas réplicas ampliadas de um cinzeiro, com conformação da ave, mostrado pelo engenheiro civil Osmar Pinheiro de Souza ao arquiteto Paulo Chaves Fernandes.
“Quando o Paulo viu o objeto disse: ‘é esse!'”, relembra o nosso editor chefe, Jaime Bibas.
Assim foi escolhido o volume para substituir o ornato com as características do pássaro módulo que aparecia indefinido nas fotografias antigas auxiliares à reconstituição e a tarefa de confeccioná-lo foi incumbida ao engenheiro civil e arquiteto Fernando Luiz Pessôa, hábil modelador de alegorias carnavalescas que posteriormente faria diversas esculturas em Belém e na orla de Salinópolis.
Fernando esculpiu o cisne harmonizando-o às linhas do conjunto e o reproduziu doze vezes em resina de poliester para adornar os vétices da base da cobertura falseando as gárgulas do coreto do início do século XX.
Nem tudo oxida na arquitetura de ferro do Pavilhão 1º de Dezembro.
Causos dessa natureza serão contados no livro de memórias que Bibas está a escrever.

Um cinzeiro parecido com o que auxiliou na recomposição do cisne do 1º de Dezembro.

Álbum Belém da Saudade, editado em 1996 pela SECULT, páginas 151 e 152: imagens antigas do Pavilhão Primeiro de Dezembro que, junto ao cinzeiro, ajudaram na feitura dos novos cisnes em resina de poliester em 1987.
Não há certeza que o postal que melhor registra os contornos da ave estivesse nas mãos da equipe de restauração.

A notória alteração formal no cisne vista na comparação do original, do início do século XX, com o atual, modelado e reproduzido em resina por Fernando Pessôa.

Fotos atuais: HB.

Esse post foi publicado em Administração e marcado , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Curiosidades do patrimônio público de Belém

  1. Micaela Paraense disse:

    Pelo que já vi e li neste blog e em outros sites, o Prof. Jaime Bibas terá muito a nos contar. Suas histórias são curiosas, inusitadas… E as fotografias… raridades.
    Acelera, professor, e mande logo pra nós!

  2. Robson Cardoso disse:

    Parece que o blog da fau encontrou a pessôa certa para recuperar a estátua da mulher que foi decaptada no dia internacional da mulher por despeito de algum traveca da feira.
    Para falar a verdade em relação ao texto eu prefiro os novos cisnes que parecem voar com as asas desasadas, um luxo só.

  3. JBibas disse:

    Aos que leram o post “dos cisnes”…

    Haroldo, vai com calma… Por enquanto o “está a escrever” ainda é um exercício para ativar a memória, já com claros sinais de cansaço, em feitio de oralidades sem compromisso. E “o livro”, mero propósito, ou vontade de dizer, se tanto…

    Sobre os cisnes de Batista Campos é fato que pode ser confirmado por Fernando Pessoa. Não lembro bem se um cinzeiro, mas, o pequeno objeto que o Engenheiro Osmar Pinheiro de Souza levou para nos mostrar na COURB/PMB dos anos de 1980, serviu sim como base aos moldes e estudos feitos por Fernando. Significou a retomada das aves esculpidas (em ferro fundido, provavelmente, pois já não mais existiam as originais) que coroavam a cobertura (lá pelo final de 1904, quando ali foi construído). Na ocasião, se lembro bem, o amigo Fernando participou, também, da própria restauração de outras peças desse conjunto da coberta, bastante danificado e tal. A opção pela resina acabou por consagrar o material, em trabalhos outros, de restauro, que pude participar. A pintura do “Pavilhão 1º de Dezembro” buscou acentuar através de tons distinguidos, suas cores finais. Isto para deixar claro aquilo que era, originalmente, mais antigo e preservado, bem como sua (futura) convivência com peças restauradas. Igual postura foi dessa mesma forma replicada em outras intervenções, na época.

    Outra lembrança: certa madrugada, há tempos, depois de muita cachaça na Feira do Açaí, levei o extraordinário arquiteto, o mineiro (já falecido) Éolo Maia para conhecer como ficara a restauração em Batista Campos. Frente ao “Pavilhão 1º de Dezembro” contei como havia sido feita a restauração dos cisnes… Ele, emocionado, desatou a chorar. E repetia: “Este é um trabalho que vale a pena conhecer”. Choramos juntos sentados em um dos bancos da praça.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s