Monumento abandonado pela UFPA

O Relógio do Sol de Bohdan Bujnowski (foto):

????A Universidade Federal do Pará sempre negligenciou um monumento projetado e executado no início da década de 1980, localizado defronte à fachada posterior do Ateliê de Arquitetura e Urbanismo.
O BF está pesquisando*, mas, ao que tudo indica, a atitude de se construir um relógio de sol à orientação dos estudantes (e profissionais) fora capitaneada por um dos criadores do Curso: o professor Bohdan Bujnowski, polonês de nascimento que veio do Rio Grande do Sul em 1964 a convite de José da Silveira Netto, segundo reitor da Universidade.
O pino (gnômon) da engenhoca está em perfeitas condições, mesmo sob as complexas intempéries regionais e o descaso administrativo da Universidade ao longo de 30 anos; isto demonstra que seu propósito não fora efêmero, mas conceitual** à ecologia e à autosustentabilidade, só agora em voga, preceituando-se como “maquete” econômica do planeta.
A estrutura de madeira vista sobre o marco nas fotografias parece indicar o esquadro de orientação à futura construção; o que é temeroso, pois, além de destruir uma obra assinada da História da Arquitetura na UFPA, interferirá na contemplação do prédio mais arrojado do Campus do Guamá.
Reitor, não mexa com o Bohdan, pois ele virá, das profundezas da terra, dentro de uma caixa de sapatos, atormentar o seu segundo mandato; ou, o final do primeiro, quem sabe: fantasma é fantasma! (Ou: gnomo é gnomo!)
Detalhe: no ano que vem, 2014, a Arquitetura comemorará seus 50 anos de vida na UFPA; um bom motivo à visita dos mortos.

RS01Vista da fachada posterior do Ateliê de Arquitetura e o Relógio do Sol de Bohdan.

RS02Estrutura de madeira em marcação sobre o monumento.

RS03A resistência do concreto na base do gnômon: durabilidade de 30 anos.

RS05Resquícios de uma marcação volumétrica no solo: direção sul.

RS06O mato há muito encobriu o baldrame circular de demarcação do relógio; uma questão a ser solucionada pela arqueologia urbana.

*Quem possuir informações ou fotografias antigas do ora abandonado monumento favor enviá-las para fau.itec.ufpa@gmail.com.
**BUJNOWSKI, Bohdan. As Bases ecológicas para o planejamento urbano, regional e paisagístico. Brasília, 1978. 204 f. Dissertação (Mestrado) – Fundação Universidade de Brasília. Instituto de Arquitetura e Urbanismo.

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5 respostas para Monumento abandonado pela UFPA

  1. José Júlio Lima disse:

    Entrei em contato com a Prefeitira do Campus para rever a locação do prédio que está sendo locado.
    Trata-se de anexo do Laboratório de Engenharia Civil.
    Após uma primeira conversa hoje, o monumento será respeitado com a remoção das marcações e garantida a preservação do terreno para ampliar a FAU.

    • fauitec disse:

      Zé Júlio:
      O Relógio do Sol de Bohdan Bujnowski, além de sua utilidade empírica à técnica, demarcou os limites sensatos do entorno do Ateliê de Arquitetura.
      Hoje, com a retirada da cobertura da antiga passarela, é possível vê-lo plenamente sob o sol – sua razão de existência.
      A Prefeitura do Campus, que congrega profissionais possivelmente ex-alunos do professor Bohdan, deveria investir na recuperação do monumento, parte da História da Universidade.
      Qualquer observação in situ deixará claro que não se gastará muito nessa empreitada; mesmo com o franco abandono de 30 anos, mais ou menos.
      O gnômom está intacto, ainda pintado e com pouca ferrugem; a marcação no solo, com cubos de concreto, pode ser refeita a partir desses modelos; e, retirado o capim, provavelmente se encontrará os vestígios do círculo (ou semicírculo) de projeção.
      O professor Jaime Bibas, editor chefe do BF, está investigando quem participou da concepção e como se deu tal planejamento à época.
      Seria pertinente um parecer técnico do professor/pesquisador (USP/UNICAMP) Paulo Sérgio Scarazzato, ora na UFPA, ministrando aulas à especialização em Conforto Ambiental e Eficiência Energética da FAU.
      Outra opinião gabaritada deveria ser ouvida, a do professor/pesquisador (MPEG/UFPA) Fernando Luiz Tavares Marques, ex-aluno de Bohdan e docente do Programa de Pós-graduação da FAU (mestrado); a vasta experiência de Fernando com Arqueologia da Arquitetura ajudaria na recomposição do engenho.
      A Universidade Federal do Pará não pode pensar em crescer fisicamente sem sustentabilidade cultural; essa sim, imprescindível à sua excelência.
      HB.

  2. José Júlio Lima disse:

    Haroldo,
    Não estou justificando de forma alguma o ocorrido. Pelo contrário, a mensagem e a iniciativa foi pela garantia de recuperação do monumento e uma questão da maior importância que é garantir que o espaço seja DA ARQUITETURA, PARA ONDE VAMOS CRESCER, incluindo ai o trabalho do Prof. Bohdan. Ou seja a campanha é ainda maior do que parece.

    • fauitec disse:

      Não Zé Júlio, em hipótese alguma assim entendi; ao contrário, sei (sabemos) que vestes a camisa e és, por posicionamento técnico e não político, peça chave nessa campanha.
      É imprescindível que todos compreendam o valor cultural do Relógio do Sol de Bohdan Bujnowski (quantas universidades brasileiras possuem um Relógio do Sol?), pela importância física e simbológica (com forte carga na ecologia).
      Não será difícil acharmos patrocinadores à recuperção do monumento.
      Digo mais: o Relógio do Sol poderia ser a imagem (após restauro) da logo do ITEC, pois sua utilidade perpassa todos os cursos do Instituto; sempre procurei um ícone para o ITEC, jamais encontrei, mas o Relógio lhe cai muito bem.
      HB.

  3. Raimundo César disse:

    Lembro perfeitamente desse relógio de sol lá pelo início da década de 1980, acho que em 1982 ele já existia.
    Não vou à universidade desde que me formei em 1985 e tomei um susto quando vi os restos dele aqui no blog.
    Me formei em administração, mas namorava com uma aluna da arquitetura.
    Pensei que estivesse como antes, que tivesse sido cuidado.
    Mas a campanha é muito válida e deve ser levada a sério pela administração superior.
    A UFPA deve preservar sua memória para dar exemplo, ao contrário de Belém, que é a terra do já teve.

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