Mosqueiro — a Vivenda J. Marques virou Chalé Cardoso em 1926

A revista paraense A Semana, em seu nº94 de 17JAN1920, estampa um clichê com a legenda A bella vivenda do capitalista J. Marques, no Chapéu Virado, vendo-se á porta a sua familia — não há texto no magazine que revele as atividades econômicas de “J. Marques”, nem seu nome completo às investigações.
Já a foto subsequente, retirada de um álbum doméstico, mostra outra família defronte da mesma casa de veraneio no Mosqueiro à praia do Chapéu Virado, uma década depois; neste caso já são os Cardoso (e agregados) descendentes de outro capitalista: o pecuarista Francisco José Cardoso, proprietário de fazendas na Ilha do Marajó.
Segundo a memória de parentes vivos o imóvel fora adquirido em 1926 por Ana de Sequeira Cardoso, esposa de Francisco, sem que ele tivesse conhecimento; estaria então a escritura pública em nome primordial de Ana em vez de Francisco — não tivemos acesso a tal documento.
Pela MENSAGEM de Eurico de Freitas Valle ao Congresso Legislativo do Pará em 07SET1930, a firma de Francisco José Cardoso foi, junto com a (firma) de Antonio de Souza Filho, a maior fornecedora de carne bovina, suína e de vísceras aos hospitais e estabelecimentos de ensino mantidos pelo Estado entre julho de 1929 e junho de 1930, sendo revelada apenas a pesagem da carne verde: 316, 6 toneladas.
Francisco José Cardoso também figura em primeiro lugar isolado na Relação Geral dos Fornecedores em 1929 da Directoria Geral da Fazenda Publica — Antonio de Souza Filho não consta — com todos os seus pagamentos efetuados integralmente pelo governo do Estado do Pará; ou seja: F. J. Cardoso vendeu sozinho mais de 36% (453:983$890) de tudo que o executivo estadual  necessitou, dentre produtos e serviços, em um ano contábil.

Chapéu Virado nº13 em foto do Google View (2012)


Mais imagens (2012) do Chalé Cardoso no BF:  A linguagem de uma antiga construção.


Postscriptvm (23ABR2017):

Para melhor compreensão da Mensagem de 1930 sugerimos a leitura da Mensagem de 1929 que dá ao conhecimento o acordo feito com os fazendeiros do Marajó para garantir o abastecimento do Matadouro do Maguary [Um estabelecimento Moderno ‒ O curro-modelo de Belém do Pará (1911)].

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