As águias políticas da UFPA (2)

O Estatuto Original da Universidade do Pará.,  aprovado pelo DECRETO Nº42.427 de 12 de outubro de 1957, dizia, em seu artigo 26: “O Reitor usará, nas solenidades universitárias, vestes talares com o distintivo de seu cargo”.
A Universidade do Pará foi instalada em cerimônia oficial no Theatro da Paz no dia 31 de janeiro de 1959 — sua criação se deu pela Lei nº 3.191 de 2 de julho de 1957 e seu primeiro estatuto aprovado pelo Decreto nº 42.427 de 12 de outubro de 1957.
Pela ausência de documentação comprobatória não podemos afirmar com precisão quando o medalhão reitoral foi manufaturado (resultado de um trabalho manual) por Maÿr Sampaio Fortuna; possivelmente essa data se localiza entre a publicação do Estatuto Original  (12/10/1957) e a festa do Theatro da Paz (31/01/1959), já que o primeiro reitor, Mário Braga Henriques, o ostentava ao peito naquela ocasião.
O distintivo do reitor é uma reprodução, fundida em metal, do brasão registrado em fotografias do ambiente, inclusive impresso em flâmulas sobre a mesa oficial daquela solenidade; como as imagens são em preto e branco, é impossível saber quais as cores que compunham a identidade visual da Instituição à época
O medalhão de Maÿr Sampaio Fortuna foi abandonado em meados da década de 1960 e hoje é peça do Museu da UFPA.
A “joia” esmaltada que o atual reitor utiliza como distintivo é um projeto (desenho) do engenheiro-arquiteto Alcyr Bóris de Souza Meira executado pela Distintivos Randal LTDA, provavelmente no ano de 1965, em obediência à Lei 4.759 de  20 de agosto de 1965, que obrigou o uso da nomenclatura “federal” a todas as universidades e escolas técnicas da União ligadas ao Ministério da Educação e Cultura.
Quando Alcyr Meira, em 1964, criou  o “novo” escudo da Universidade (ou “enxugou” o original de Maÿr), o fez com a inscrição Universidade do Pará e não com Universidade Federal do Pará.
É visível que Meira modificou sua própria águia guianense com vistas à conformação tridimensional de medalha a ser cunhada industrialmente no Rio de Janeiro — ao contrário de Maÿr, que procedeu de modo artesanal e local, buscando semelhança à sua concepção na materialização do medalhão (original), apondo a ele assinatura: “Maÿr”.

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Uma resposta para As águias políticas da UFPA (2)

  1. Jose Maria disse:

    Excelente postagem Baleixe, mais um resgate sensacional do Blog da Fau.

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