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Clippers – Theodoro Braga confirma suposições do BF

O pesquisador José Maria de Castro Abreu Júnior, que está em São Paulo coletando material sobre o médico Camilo Salgado, enviou-nos fotografias de recortes de jornais contidos no acervo de Theodoro Braga pertencente ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Theodoro Braga guardou informações que nos são preciosas à comprovação da tese de que o primeiro CLIPPER, chamado de nº1 quando outros surgiram, fora erigido ainda na década de 1930 – a datação, à caneta, é “17/2/939”.
A notícia, veiculada pela Folha do Norte, diz que o CLIPPER defronte à praça Siqueira Campos (do Relógio) já estava em construção em 17 de fevereiro de 1939.

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O desenho que ilustra a matéria é do segundo CLIPPER que Abelardo Condurú “… resolveu autorizar a construção …” na “… boulevard Castilhos França, na junção da referida via pública com a avenida 15 de Agosto*, por ser um dos pontos movimentados da Cidade…” – esse CLIPPER, o de Nº2, é uma novidade; dele não tínhamos conhecimento, sabíamos da existência de outro, no mesmo bulevar, defronte ao antigo Galpão Mosqueiro-Soure que pode ser visto na postagem CLIPPER da Castilhos França em 1965 e melhor entendido em Alberto Engelhard e a multiplicação dos CLIPPERS.
A publicação confirma também que os dois primeiros CLIPPERS serviriam tanto aos passageiros de bondes quando de ônibus.

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Outra nota da Folha do Norte mostra que em 22 de junho: “… o novo abrigo, marca ‘clipper’, edificado e ainda não inaugurado …”, apresentava acúmulo de água na laje, o que seria a “origem” do aparecimento de carapanãs na redondeza.
O texto descarta a possibilidade de um apelido popular, uma vez que a palavra Clipper é definida, antes da inauguração do primeiro, como “marca” – por ora não entendemos o porquê, a não ser que funcione como sinônimo de “4. Categoria, qualidade, espécie, tipo… ” (Aurélio); neste caso, algo proposto pela Prefeitura de Belém ou construtores, junto a um projeto referenciado nos hidroaviões clippers, o que evidenciaria a consciente utilização do Streamline Modernedesign tipicamente estadunidense, na arquitetura belenense.

No material enviado pelo professor José Maria de Castro Abreu Júnior vê-se que o pintor paraense Theodoro Braga possuía interesse pelos CLIPPERS, fossem eles os voadores (hidroaviões) ou os terrenos (abrigos) que tentavam imitá-los; senão vejamos outros dois recortes, também da Folha, esses ainda mais antigos, de agosto de 1934 (dias 18 e 28):

Clipper04

Clipper03

Brasilian Clipper: “… o novo gigante dos ares da Pan American Airways System …”, um Sikorsky S-42, “… em viagem inaugural e de turismo… ” guardado por Theodoro Braga.
Arquivar notas dessa natureza seria demonstração do orgulho paraense (belenense) diante da modernidade da aviação comercial iniciada no governo de Eurico de Freitas Valle.

A Folha do Norte parece cobrir a viagem noticiada por A NOITE do dia 10 de agosto de 1934:

BC

Ampliável à leitura.

Veja o Brazilian Clipper (Sikorsky S-42 com aircraft registration NC-822M) em viagem semelhante registrada em 1937 com escala em Belém do Pará (entre os pontos 22:00 e 23:00 do filme) – curiosamente há o desdobramento ao voo Belém-Manaus-Belém em outro hidroavião (que também aterrissava), o Fairchild Model 91, chamado de “Baby Clipper“, com capacidade para 8 passageiros, o qual acreditamos ser a inspiração  à construção streamline do CLIPPER (abrigo) Nº1 – seguindo (no Brasilian Clipper) a rota litorânea brasileira ao seu destino: Buenos Aires.
Não esqueçamos que a película propagandeia o turismo na América do Sul explorado pela PANAIR e os voos regulares entre Belém e Manaus eram a bordo do Baby Clipper.

*15 de Agosto é a hoje Presidente Vargas.

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