A Villa Nipponica do Largo da Penitenciária – 1929


A fotografia acima, de 1929, ilustra a dissertação de mestrado de Tatsuo Ishizu intitulada Imigração e ocupação na fronteira do Tapajós: os japoneses em Monte Alegre — 1926-1962; nela se vê a Hospedaria dos Japoneses, à esquina da velha Municipalidade com a travessa Djalma Dutra e, ao fundo, as ruínas da Penitenciária do Estado do Pará iniciada sua construção em 1893 jamais concluída, foi demolida no início dos anos 1930 — o que restou desse complexo-símbolo da República, o edifício administrativo, é o chamado Castelinho da Universidade do Estado do Pará (UEPA).
O álbum de José da Gama Malcher, datado de 1939, traz uma fotografia dessa área que nos permite identificar a volumetria gráfica da Hospedaria dos Japoneses também nominada por Villa Nipponica localizada na Praça da Penitenciária (O Paiz 01SET1929); ei-la em detalhe:

Ampliáveis

Estamos na busca de mais imagens da Villa Nipponica, tanto para virtualizá-la, quanto para montar a composição da quadra chamada de Largo ou Praça da Penitenciária até o início dos anos 1930 quando começaram a levantar o Grupo Escolar Augusto Montenegro, hoje Reitoria da UEPA.
Tais fotos, se existirem, também podem revelar a dimensão das ruínas da Penitenciária de Henrique Santa Rosa.
A Hospedaria dos Colonos — Japonezes — (O Campo Nº8 1931) ocupou uma fração da superfície da atual Escola Técnica Estadual:


Do mesmo modo que a dissertação de Tatsuo Ishizu, defendida em 2007, ajudou-nos a configurar o desenho do quarteirão Largo da Penitenciária apresentaremos algumas SUGESTÕES (jpeg ampliável à leitura) para uma futura reedição desse trabalho a partir das investigações do Blog da FAU — Laboratório Virtual —/ITEC/UFPA.


Veja nossas ESPECULAÇÕES.

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Uma resposta para A Villa Nipponica do Largo da Penitenciária – 1929

  1. Ricardo José Condurú Conceição disse:

    Visando contribuir para o resgate da história do Largo da Penitenciária, reproduzo alguns trechos de jornais por mim pesquisados que nos dão idéia do que existiu nesse espaço.
    1) No largo da Penitenciária funcionou o campo de futebol do Smart F. C., cuja sede era na Rua da Municipalidade, conforme atesta o Jornal “Estado do Pará”, de 28 de dezembro de 1919, página 5: “Em match.training encontrar-se-ão, hoje, às 4 horas da tarde, o primeiro team desde clube com o do cruzador José Bonifácio, no campo do primeiro, sito ao Largo da Penitenciária. No próximo dia 31, as 9 horas da noite, em sessão solene seguida de um baile, será inaugurada a sua sede social, sita a Rua da Municipalidade nº 58. A diretoria do Smart convidou-nos para essa festa.” ;
    2) Entre o velho Casarão da Penitenciária e a Baia do Guajará havia a Vila Frederico (vulgo Vila Podrona), Conforme atesta o Jornal “Estado do Pará”, de 24 de abril de 1920 (Página 01): “Há cerca de dois anos o ESTADO promoveu uma campanha em favor do saneamento da Villa Frederico (vulgo Villa Podrona), que é constituída de dois renques de barracas e fica situada entre o velho casarão da penitenciária e o Guajará. ali se desenvolveram vária moléstias que foram atribuídas a existência das bucharias e depósitos de sebo localizados naquele trecho (…)” [daí a denominação popular de Vila Podrona, de podre];
    3) No Largo da Penitenciária também havia um ponto de bondes que carregavam carne verde, conforme atesta o Jornal “Estado do Pará”, de 10 de maio de 1920 (página 2): “Correu ontem o boato de que um grupo de indivíduos tentava impedir a saída dos bondes de condução de carne verde. Avisada a polícia, o Dr. Luiz Campos, 2º prefeito, imediatamente se dirigiu ao Largo da Penitenciária, de onde saem aqueles veículos, mandando também para ali quatro praças de cavalaria. Mas era boato falso”;
    4) Em frente ao velho casarão da penitenciária havia um grande estábulo, conforme atesta o Jornal “Estado do Pará”, de 8 de dezembro de 1921 (página 1): “Essa nova partida, que se compõe de cerca de 100 belos animais, ao chegar, ficará a disposição dos senhores fazendeiros para exame, no estábulo de propriedade do Sr. Antônio Joaquim Coelho, o ‘Jaboty”, como é conhecido geralmente, em frente ao velho casarão da penitenciária, à estrada do antigo Curro”;
    5) O largo, também chamado “Praça da Penitenciária”, servia para a realização de comícios, conforme atesta o jornal “Estado do Pará”, de 25 de setembro de 1921: “A Liga Nacionalista realiza hoje, as 4 horas da tarde, um comício de propaganda de suas idéias, na praça da penitenciária, convidando para assisti-lo o público em geral”.

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