Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha (hipótese)

Painel ampliável à melhor percepção das imagens

A “nova” sede do jornal Folha do Norte foi inaugurada em 8 de junho de 1931; dela já disseram ser o primeiro prédio em Belém, cujas fundações e estrutura foram executadas em concreto armado e o IBGE, em sua página institucional, afirma, sem disponibilizar a fonte, que foi o primeiro edifício na América do Sul com estrutura metálica.
O painel acima parece contestar, por fotografias de momentos distintos, essas duas assertivas.
Ao que se percebe houve reformas e ampliação de uma edificação registrada por Augusto Fidanza por volta de 1875, possivelmente geminada (de numerações independentes) colada à firma B. A. Antunes e Cia. instalada em 1870 em prédio visivelmente contemporâneo.
A edificação colonial que hospedaria o jornal Folha do Norte desde que este saiu de sua primeira sede no Largo da Independência fora constituída, em sua projeção ao Bulevar da República, de três pisos com pé direito mais baixo que o da B. A. Antunes e Cia. com seis vãos verticais na fachada recebedores dos conjuntos de portas e janelas, três para cada endereço (na fotografia de Caccavoni se vê apenas a sexta parte da construção pegada à B. A. Antunes e Cia. suficiente à reprodução modular).

Visão da rua da indústria, via da numeração: ao que tudo indica o antigo prédio da Folha do Norte, à semelhança de seu geminado, possuía apenas um pavimento; o que parece acrescer são os dois (novos) andares e frontão, principiando pelo da sacada em concha — elemento nouveau dessa fachada alterada por Bolonha em 1931

Se a interpretação dessas imagens estiver correta, a Nova Folha do Norte não passou de uma reforma que ampliou a velha construção ao quarto pavimento que suporta o mirante projetado ao Bulevar da Castilhos França; e, dois, à fachada da Gaspar Vianna.
Essa nova percepção da rua da Indústria nº33, esquina com a 1° de Março, vista no painel temporal, mostra também que o prédio passou por interferências preliminares à Nova Folha como visto na aposição de platibanda; desse modo, o gradil com o monograma FN que resguarda o térreo entre a 1° de Março e a velha Rua da Indústria (Gaspar Vianna), pode ter pertencido ao periódico quando este ainda era habitado, nos altos, pelo ainda secretário da Folha Paulo Maranhão e família como trincheira durante sua guerra contra Antônio Lemos nas primeiras décadas do século XX da qual saiu vencedor em agosto de 1912 com o incêndio de A Província do Pará e da residência daquele intendente.

A partir daqui franquearemos a palavra ao professor Márcio Santos Barata, experiente na análise de construções antigas e docente do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA; observador, contestador  e colaborador diante da elaboração desta hipótese:


Fontes: Painel FN.

Colaboração: Confraria da Memória.

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2 respostas para Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha (hipótese)

  1. lucaspinelli disse:

    O SITE FAUITEC-UFPA acima de tudo, a VERDADE acima de todos.
    Vocês são fodões mesmo.
    Parabéns pela desconsertante descoberta.
    Que chorem as viúvas do Tio Chico.

  2. Excelente matéria! Muito elucidativa e pertinente para a compreensão de um pedacinho da história edificada de nossa Belém. Trabalho coletivo muito importante para a FAUITEC – UFPA! Parabéns aos autores.

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