O pátio onde a mãe de Haroldo Maranhão criou uma garça…

Haroldo Maranhão, nesta mesma varanda apelidada de O Imparcial para diferenciá-la da sacada do Bulevar Castilhos França — esta com portas que abriam para dentro da residência —, teve a primeira falange do indicador decepada pela porta de acesso à mínima varanda (que) abria para fora; peça reimplantada com sucesso pelo doutor Luiz Leão. (Querido Ivan, 1998)

Espiando o páteo da Dona Carmen em 1932

A bola da vez nas pesquisas do Blog da FAU/Laboratório Virtual é o “novo” prédio da Folha do Norte, reforma e ampliação feitas na esquina do Bulevar Castilhos França com a rua Gaspar Vianna pelo engenheiro Francisco Bolonha entre os anos de 1928 e 1931.
A peculiaridade dessa edificação se confunde com a história do jornal e da família Maranhão; uma vez que o patriarca, professor Paulo Maranhão, ainda na condição de secretário e não proprietário, viveu lá enclausurado com sua família nos altos do que ele chamava de sobrado — questão prática de sobrevivência ao laurista de maldita pena, um cavalão, ou: o Palma Cavalão.
João Maranhão, filho de Paulo, assumindo a antiga função do pai, seguiria seus passos habitando o último e estratégico pavimento de um edifício reestruturado para congregar o complexo jornalistico, administrativo e de oficinas gráficas; reverter-se em bunker quando necessário, e ser um lar para crianças fadadas a não ter uma infância comum, senão brincar de jornalistas e gráficos como Haroldo e Ivan da prole de João.
Em Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha (hipótese) furtamos a importância técnica atribuída a esse edifício por anos superlativada; todavia, lembrou-nos o Márcio Barata, em texto complementar à matéria: … foi um projeto enxuto, de processos construtivos simples, mas que atendeu aos anseios das pessoas que ali viveram e trabalharam, e que ao meu ver, é a essência profissional da arquitetura…
Pois é… Bolonha oportunizou aos Maranhão, todos prisioneiros da resistência política, o vento fluente do nordeste a atravessar-lhes a casa, amplitude para mirar a Baía do Guajará e um lugarzinho para criar …uma garça, entre flores e legumes!
Quem sabe se o projeto da Nova Folha do Norte não foi o mais humanitário desenvolvido pelo engenheiro Francisco Bolonha, uma factual promessa de amor ao próximo que é perseguido por defender sua ideologia na opinião deste editor o Palacete Bolonha transmutar-se-ia em jardim e horta à liberdade da Villa em júbilo ao projetista.
Jamais imaginaríamos, se não revíssemos exaustivamente o material imagético mostrado, que o pavimento residencial possuísse uma circulação tão generosa; aliás, nem suspeitávamos, com base nas fotografias de Querido Ivan [publicadas em O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post)], que houvesse janelas naquela parede externa, já que as dos pisos anteriores foram registradas cegas internamente e não há, no livro de Haroldo Maranhão, imagens da residência que revelem (explicitamente) esses ambientes.
As investigações permanecem com o intuito de recompor a conformação interna e externa da Nova Folha na década de 1930.

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, História e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para O pátio onde a mãe de Haroldo Maranhão criou uma garça…

  1. JSSOUZA disse:

    Muito interessante essa descoberta prof.
    Sempre descobertas.
    Legal!

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