O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post)

A pesquisa está em andamento e a matéria poderá sofrer modificações!


Painel ampliável à leitura e percepção das imagens

A partir de fotografias que ilustram Querido Ivan — livro do paraense Haroldo Maranhão editado pelo Jornal Pessoal de Lúcio Flávio Pinto em 1998 —, arriscou-se configurar a disposição dos ambientes no edifício dito, no dia subsequente à sua inauguração, pelo periódico carioca Diário de Notícias: todo em cimento armado, com quatro andares e provido de installações luxuosas e modernas. O predio é avaliado em mil contos.
A nova sede da Folha do Norte, já propriedade do professor Paulo Maranhão (1872/1966), fora planejada e executada pelo engenheiro civil Francisco Bolonha (1872/1938) formado na turma de Dezembro de 1894 da Escola Polytechnica do  Rio de Janeiro — note-se que Paulo Maranhão e Francisco Bolonha, apesar de origens sociais bastante distintas, nasceram no mesmo ano (1872).
Haroldo Maranhão, neto de Paulo Maranhão, em Rio de Raivas (romance de 1987 publicado pela Francisco Alves) não desvenda o mistério da compra do Folharal pelo personagem Palma Cavalão de humilde berço.
A Folha do Norte de Querido Ivan, possivelmente retratada em 1935, mostra o uso misto da edificação que tinha o último pavimento destinado à moradia de João Maranhão (pai de Haroldo) com sua família nuclear e o restante do imóvel na complexa função de jornal: administração, redação e oficinas — João já gerenciava o periódico antes das novas instalações, quando a Folha era anunciada na rua Gaspar Vianna n°33.
A Folha do Norte surgiu em 02 de janeiro de 1896 com Enéas Martins & C.ª (Cypriano José dos Santos foi um dos sócios fundadores) passando posteriormente às mãos de Cypriano — Paulo Maranhão, seu secretário, teria comprado o jornal dos herdeiros daquele que faleceu em 05 de novembro de 1923.
O primeiro endereço da Folha do Norte foi na Praça da Independência números 16 e 17 lado da 16 de Novembro passando, em momento ainda desconhecido por este editor, à rua da Indústria (ou Gaspar Vianna n°33).
O Diário da Tarde do Paraná em notas de 1957 ratifica O Industrial do Pará de 03 de abril de 1902: (Paulo Maranhão) durante dilatado período, ao tempo do lemismo, morou no próprio jornal com sua numerosa prole, sem pôr o nariz na rua sob pena de ser assassinado — o mesmo modus operandi que seu filho João praticaria no novo edifício da Folha a partir de 1931 que se transformava em bunker quando eletrificadas suas grades externas.
O hiato nas investigações provoca um questionamento: o que havia no número 33 da Gaspar Vianna, o segundo endereço da Folha do Norte?
Seria um local distinto do da nova Folha ou esta construção de Francisco Bolonha fora tocada com o jornal em atividade desde, pelo menos, outubro de 1930?
Haroldo Maranhão, em Querido Ivan, diz: … Lembrarás o jardim e a horta que (dona Carmem, mãe deles) construiu no páteo de cimento armado que ficava sobre a “casa ao lado”, que era “O Imparcial”. Criou uma Garça, entre flores e legumes!
Estaria O Imparcial ocupando as oficinas gráficas do nº31, onde teria funcionado a Folha do Norte durante a ampliação e modernização do n°33?


Referência:
As três faces de Haroldo Maranhão: o leitor, o jornalista, o escritor;
de Maria Juliana da Siva Medina.

Colaboração:
Confraria da Memória.


Acompanhe, em novas matérias, a evolução da pesquisa:
Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha
O pátio onde a mãe de Haroldo Maranhão criou uma garça…
O elevador extemporâneo da Folha do Norte em Querido Ivan

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2 respostas para O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post)

  1. StelioSantaRosa disse:

    Baleixe, parabéns por suas pesquisas. São muito importantes para os docentes e, principalmente, para os discentes no conhecimento de nossa arquitetura e cultura paraense.

  2. lobosoares disse:

    Também me congratulo com o teu esforço em nos presentear com estes achados da história edificada da nossa Belém. Parabéns Haroldo e continue nos enviando estas preciosidades.
    Abraços

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