O Hipódromo de São João em Belém do Pará (2)

Imagens ampliáveis por clique

Inauguraram se ante-hontem (16DEZ1888) á tarde as corridas da sociedade Jockey Club Paraense.
O logar escolhido para esse fim é aprazivel e demora ao lado direito da estrada do Curro.
A raia é extensa e circula quasi todo o espaço do terreno. Um magnifico parque, entretem alli sempre uma constante sombra, offerecendo um agradavel conjuncto ao espectador, que não sabe o que mais admirar, se a riqueza e punjança de nossa flora ou o gosto artistico da disposição d’essas innumeras arvores cheias d’uma vegetação luxuriosa.
Defronte do chalet destinado aos juizes de chegada, estão collocadas as archibancadas dos espectadores e, nos parece que offerecem seguras garantias quanto a sua solidez. Foram bem construidas e nada deixam a desejar quanto á esthetica, sem embargo de poderem ter sido mais espaçosas, para receberem o maior numero possivel de espectadores, em dias de grande concorrencia, como no de ante-hontem.
As duas e meia tiveram começo as corridas, tomando parte no primeiro pareo os cavallos Rigoletto, da Companhia Pastoril, Tic-Tac, do Sr. Jayme Abreu, Satan da Caudelaria Gram Pará e Boreas, do Sr. João Emilio de Macedo.
A distancia era de 1,100 metros e foi vencedor o segundo, que era montado pelo proprio dono.
A poule foi de 20$000
No segundo pareo tomaram parte differentes cavallos, sendo o vencedor Kamaroff, da Viuva Pacheco & Cª.
A distancia foi de 1070 metros.
A poule rendeo 19$000.
Por occasião de correr este pareo, deu-se um incidente que podia ter sido bem desagradavel.
Um dos jockeys cahio do cavallo em que montava e explicou depois que o facto se deu por ter um dos espectadores lhe espantado o cavallo por ocasião da corrida.
A ser isto exacto, é fóra de duvida que a directoria ensaiará meios de evitar a reproducção de tal incidente, e nos parece que o melhor é collocar o espectador alguns metros distante da raia. Para isto bastava correr em volta da raia um ligeiro balção de taboas. 
No 3.º pareo tomaram parte Delis e Blona, interessante egua da Cundelaria Gram-Pará, a qual teve as honras da victoria. Era montada pelo Sr. Luiz Quadros e foi além dos 1700 metros marcados.
Deu a poule 9$000.
No 4.º e ultimo pareo, tomaram parte os animaes Veado, de Albino Netto, Eclypse, da Viuva Pacheco & C.ª, Apollo, da Caudelaria Gram-Pará, Primeiro de Phileto Bezerra, e Camurça, da Companhia de Bonds Paraense; distancia de 1.100 metros.
Venceu o cavallo Apollo, montado pelo Sr. Luiz Quadros, dando a poule de 14$000.
Grandes apostas se fizeram pelo Camurça, e de facto seria este cavallo o vencedor se o jockey que o montava não o refreasse em toda a corrida. Para nós o desastre d’este cavallo deve se ao Jockey, que nos parece deve mudar de officio.

Esteve bastante concorrido o acto da inauguração do Prado Paraense e não exageramos se dissermos que alli havia mais de 7.000 pessoas, entre as quaes notamos o que ha de mais distincto na sociedade paraense.

Primária: Diário de Belém 18DEZ1888.
Mais no Diário de Notícias 18DEZ1888.


img017

O chalet dos juízes de chegada e — por trás, no prédio da arquibancada — os guichês de venda e pagadoria das poules em 1º e 2º lugares (colocação) nas corridas dos cavalos

Hipódromo - detalhe 2

Chalet ou coreto ao lado da arquibancada

Victor Maria da Silva

Verso: “Ofertante: Victor Maria da Silva — engenheiro civil”


As três fotografias originais reveladas em negativos de prata estavam emolduradas; no verso de cada uma delas há o carimbo de Victor Maria da Silva, engenheiro civil, como ofertante; por ora não sabemos se há relação entre este e o Hipódromo de São João: se fora ele o projetista ou o construtor das obras, ou simplesmente um entusiasta do turf.
As imagens estão sendo digitalizadas e analisadas para uma possível virtualização do complexo que hoje ocuparia a esquina da Senador Lemos (Estrada de São João) com a Djalma Dutra (Travessa do Curro) — superfície fronteira ao final da Municipalidade:

s3cck

Ver O Hipódromo de São João em Belém do Pará — publicação do Laboratório Virtual em 24FEV2016.

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, História e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s