Babalorixá Raimundinho Silva imortalizado por Luxardo

Clique sobre o recorte para acessar a matéria completa da Revista da Semana de 29JUL1939


O jornal Folha de São Paulo, de 07JUN2025, esmiúça alguns dados sobre o perfil religioso do brasileiro e aponta que as religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé), inseridas no Censo de 1980 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como “espírita afro-brasileira”, triplicaram em relação ao Censo de 2010 atingindo 1% da população brasileira.
Um Dia Qualquer de Luxardo, produção do início dos anos 1960 – quando espíritas genéricos já estavam contabilizados -, parece mostrar uma maior popularidade dessas crenças em Belém do Pará, onde se tinha o ponto do Raimundinho como parada de ônibus no bairro da Pedreira e muitos (indivíduos) dedicados ao estudo do folclore.
Luxardo fez ficção, entretanto, é real o terreiro Floresta de São Sebastião, comandado pelo pai-de-santo (babalorixá) Raimundo Silva, tanto que o cineasta o emplaca na participação especial.
Do mesmo modo que o terreiro (de Umbanda) da Pedreira já tinha destaque nacional desde o final dos anos 1930 propalado pela Revista da Semana com fotografia do stand Chave da Felicidade, no Ver-o-peso, em que Raimundinho aparece em foto com sua gentilíssima giboia branca Magdalena Silva.

Veja mais sobre religião do Censo 2022 no site METRÓPOLIS.

Ampliável à leitura

Acima temos um texto da professora Luzia Miranda Álvares publicado em 1995 na revista Psicologia – Ciência e Profissão.
Luzia varre a película com lente no gênero feminino construído por Luxardo nas personagens (femininas), mas estabelece parâmetros que a todos atinge:

É curioso que a professora Luzia não discuta a cena que recortamos acima: a joga na vala comum de tipos condicionados pelo exótico (as mulheres seminuas das sessões de umbanda).
Como assim professora? Seria o mesmo medo que temos de nos imiscuir no contexto desconhecido das religiões de matriz afro? Certamente.
As balizas de Luzia são gritantes nas tomadas do Terreiro Floresta de São Sebastião, apesar de descontinuidades da responsabilidade de Cleide Azevêdo e Albertinho Bastos; contudo: Amassi Palmeira capricha nos vestidos e maquiagem retintando o padrão trajes.
A despeito do filme mostrar seminudez no ambiente coletivo das sessões de umbanda o diretor não sensualiza a atriz atuada (sob a ação de um espírito) e o terreiro se apresenta como acolhedor e protetivo (também) do feminino – alguma relação com a jiboia Magdalena Silva?
A intenção do Laboratório Virtual é avançar em uma análise do recorte sob o ponto de vista da própria religião de matriz afro; só precisamos de um especialista no assunto que transcodifique os sinais contidos na edição.


Leia: Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir na boate Maloca (1960)

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Corpo editorial responsável pelas pesquisas e publicações: Aristoteles Guilliod, Fernando Marques, Haroldo Baleixe, Igor Pacheco, Jô Bassalo e Márcio Barata. Coordenação do projeto e redação: Haroldo Baleixe. Membros da extensão do ITEC vinculada à divulgação da produção de Representação e Expressão: Jorge Eiró, HB e Eduardo Lobo.
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