Dimensões do corte do perfil dos trilhos encontrados no Utinga ditos como de ferrovia leve, portável: DECAUVILLE
Comparativo com objetos de pequeno porte: isqueiro Zippo, caixa de fósforos e Bic
Giro de 360º da amostra de 1,3cm do perfil do trilho leve do Utinga junto a um Zippo clássico
Tanto a tradicional imprensa quanto as mídias sociais têm se interessado pelos trilhos encontrados no parque estadual do Utinga: resultado de uma parceria investigativa entre o IDEFLOR-BIO e este Laboratório Virtual à demanda específica aqui publicada como 1929 – A aventura de Pola Brückner (Pola Bauer-Adamara) no Utinga – plenamente solucionada em abril passado.
O que deu complexidade ao desdobramento daquela pesquisa foi que além dos trilhos Decauville (amostra do perfil em imagens acima) apareceram mais dois perfis distintos entre si e em dimensões superiores:
Ai temos esboçados três modelos de trilho encontrados no Utinga comparados a um tipo usual da Estrada de Ferro de Bragança (EFB) que possuía Bitola Métrica – um metro de distância entre as varas de trilho (distância entre trilhos).
Se postos em proporção o Decauville é “engolido” pelo trilhão e segue diminuto diante dos dois restantes: os da EFB e os médios existentes no Utinga.
É fato que dois ramais da EFB penetravam na área do Utinga: o Ramal do Catú, que vinha pelo Entroncamento com a finalidade de pegar aterro ao lastro da ferrovia; e: o Ramal do Utinga, construído à recepção do carvão em pedra importado que desembarcava no Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci) – esse trem deixava o carvão nas Usinas do Utinga possivelmente descrevendo um círculo ao redor dos cinco galpões que as compunham, descarregava e se ia embora como qualquer delivery.
O documento acima joga luz na questão quando afirma que os dois ramais (Utinga e Catú) possuem bitola métrica; ou seja: os outros dois perfis de trilho encontrados no Utinga podem pertencer a esses ramais da Estrada de Ferro de Bragança e são INCOMPATÍVEIS à ferrovia leve, portável: Decauville; esta de bitola inferior: 60 centímetros.

A leveza dos trilhos Decauville de baixo calibre usados em plantações, indústrias, construção civil, portos, minas, operações de guerra, etc… um bem de capital polivalente pelos equipamentos que acoplava sobre material rodante.
Alguns metros de trilhos submersos no canal do Yuna montados sobre dormentes metálicos à semelhança do sistema Decauville; entretanto: ainda não é possível afirmar que confeccionados na indústria francesa de Paul Decauville – podem ser similares de fabricação europeia ou estadunidenses igualmente de fácil transporte, montagem e desmontagem com diversos implementos – temos o produto, mas a marca (Decauville) ainda não apareceu em nenhuma peça.
Sabe-se da aquisição e assentamento da via Decauville pela Folha do Norte de 03FEV1897; Souza Araújo em 1922 afirma que todo o serviço no Utinga, Buiussúquára e Catú está unido por uma linha Decauville de 0m,60 de bitola, em extensão de cerca de 6 kilometros – replicando o dito na mensagem de Augusto Montenegro de 1903 (vinte anos passados); e: Augusto Meira Filho, em 1947, diz haver no Utinga duas locomotivas de 5 toneladas, 60 vagonetes, 4.000 metros de trilhos “Decauville”… (dois quilômetros a menos na via Decauville – depreciação?).
Não há dúvidas da existência dessa malha férrea dentro do Utinga porque, além dos relatos, há fotos em Souza Araújo e Meira Filho, bem como no álbum O PARÁ 1908; só não se pode atestar categoricamente que a marca e o produto tenham correspondência, já que a cineasta Pola Brückner, em seu livro de 1939, chama a “montanha russa” de sua aventura no Utinga de pequeno trem leve, sem se referir à grife Decauville – talvez algo que na Alemanha lhe fosse familiar com(o) o nome de outra forja.
Diante desse dilema o Laboratório Virtual solicitou ao LABTEC – Laboratório de Tecnologia das Construções – uma análise pormenorizada desse pedaço de trilho aparentemente em aço carbono.
Estão à frente dessa checagem os professores Márcio Barata e Euler Arruda Júnior para que possamos dar prosseguimento às verificações históricas em fontes fiáveis e comparações compositivas das ligas; assim, no tempo necessário, o caos se vai à ordem e o céu azula.
Observamos que além da habitual equipe de pesquisa composta pelos editores deste site houve, nesta publicação, a participação do engenheiro florestal Diego Barros do IDEFLOR-BIO.
Referência isolada (EFB): Mensagem Augusto Montenegro 1906.
(As demais nos hiperlinks do texto.)
Postscriptvm (14FEV2026):

Tipologias dos trilhos do Utinga obtidos por cortes transversais dos perfis


































































Excelente matéria. Esclarece tudo que se leu e assistiu nesses últimos meses sobre o assunto que tomou conta da imprensa e mídias sociais. Parabéns aos senhores editores desta incrível página de conteúdo: um excelente serviço à disposição da sociedade global.
Muito bom!