Solicitação à Universidade Federal do Pará encaminhada
ao Laboratório Virtual em SET2024
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Análise pontual do texto acima:
01. Pola ao se referir ao “Instituto Rockefeller” demonstra sua confiança no trabalho internacional daquela fundação estadunidense no combate ao mosquito: de fato estava em Belém “o Dr. Hugo Muench, chefe da Fundação Rockefeller nesta região, que, por contrato com o Departamento Nacional da Saúde Pública, vinha tomar ao seu cargo a iniciativa da prophylaxia da febre amarela. Prophylaxia das mais dispendiosas, foi de grande auxílio ao erário público essa interferencia, pois veio exonerar o Thesouro da importancia de cerca de 200 contos annuaes” – MENSAGEM FREITAS VALLE – 07SET1929.
02. Utinga é o lugar de captação e tratamento das águas de Belém; em 1929 era administrado pelo Serviço de Águas sob a direção do engenheiro Raymundo Vianna subordinado ao governador – uma repartição pública estatal – MENSAGEM FREITAS VALLE – 07SET1929.
03. O pequeno trem leve na selva – era parte de 6 quilômetros da malha férrea Decauville distribuída aos serviços e locomoção de pessoal e material dentro da vasta área do Utinga – ferrovias portáveis (leves) eram bastante utilizadas no Estado do Pará: indústrias de diversos seguimentos da economia e até mesmo obras e transportes da Estrada de Ferro de Bragança (E. F. B.) dependiam delas: eram componentes industriais, bens de capital; havia locomotivas com distintas potências (horsepower) e variados tipos de implemento às finalidades produtivas, a diversidade era tal que alguns ramais da EFB usavam o Decauville à locomoção regular de passageiros: como Prata e Benjamin Constant – ILLUSTRATED CATALOGUE Nº105 – 1905.
04. Pola descreve o Reservatório Paes de Carvalho que possuía três (e não duas) torres com cubas e um observatório (belvedere); o equipamento sempre apresentou problemas e algumas soluções foram dadas ao longo de sua existência (veja mais em buscas no Laboratório Virtual) que o fizeram funcionar; era possível ser visto da baía do Guajará e compunha o skyline de Belém – teve o início de sua montagem em 1904 e foi desmontado entre 1964/65.
Reservatório Paes de Carvalho visto detrás do Porto da Port of Parah – c. 1926
– onde Pola desembarcou vinda do Rio de Janeiro
Virtualização do Reservatório – 2019
Leitura à história do abastecimento d’água em Belém:
CANAL DE ÁGUA PRETA – 1932 – de Francisco Bolonha.
05. O prédio mencionado por Pola é a Bolsa (de Valores) de Belém, popularmente: Bolsa da Borracha – tal edificação, de projeto suntuoso, foi demolida no governo de Enéas Martins em 1913 e em seu lugar, em 1931, surge a Praça do Relógio – cartão postal de Belém por seu relógio inglês; certamente informação que a cineasta-escritora possuía sem ter ideia da sua composição na cidade que ela visitava pela primeira vez:
A Bolsa da Borracha demolida em 1913 e sua ausência em 1930 – nesse “tapete verde”, à
beira do doca do do Ver-o-peso, em 1931 seria inaugurada a Praça do Relógio
06. O transporte por bondes em 1929 estava sob a responsabilidade da concessionária Pará Electric Railway and lighting Company, que aferira 34.501 libras esterlinas de lucro líquido do ano anterior (A NOITE 23ABR1929) – a Intendência de Belém naquele ano operava obras de vias aos veículos motorizados autônomos (automóveis, caminhões e ônibus).
07. O “fim da cidade” era no Lugar Souza e: considerando a precisão do mapa de Morrison: no cruzamento da Estrada do Souza com a Tavares Bastos; portando: não havia nenhum ramal da EFB por perto: o do Utinga já tinha passado e o do Catú estava por vir; ou seja: estamos diante do Decauville como descrito por Pola; o problema: onde? Que serviços estariam sendo feitos ali que necessitavam de material externo: ou da ferrovia ou dos bondes, certamente uma obra de vulto que provocou a montagem da malha férrea do Serviço de Águas ao independente alcance à Estrada de Bragança.
A maior possibilidade é a área circunvizinha à Tavares Bastos, porque sendo o final da linha do bonde, ações dos operários do Serviço de Águas não seriam incômodas aos usuários.
Até aí tudo bem, mas há de se considerar que o Decauville é portável e modelável; ou seja: poderia assumir qualquer desenho no território, inclusive porque havia locomotivas que desprezavam aclives.
O que se tenta fazer é um caminho que obedeça a descrição dada por Pola da topografia que ela sentiu nos trilhos e os tanques aos quais ela se encantou à comparação com o mapa do início do século XX.
A planta publicada em 1989 por Allan Morrison em THE TRAMWAYS OF BRAZIL – A 130-YEAR SURVEY nos mostra que o fim da linha do bonde elétrico em que Pola e equipe estavam ficava mais ou menos na altura da Tavares Bastos – via que fora inaugura em 1927 na Intendência Municipal do engenheiro civil Antonio Crespo de Castro (1926-28) para “estabelecer a commuinicação entre os dois afastados bairros do Sousa e de Val-de-cães, situados nos extremos da cidade, e de mui densa população”.
Esquema usado por Morrison às marcações no mapa do Google: o Souza é a parada que antecede o primeiro ponto de interesse: Instituto Lauro Sodré e a Usina do Utinga:
Utinga publicado em 1922 em A Prophylaxia Rural no Estado do Pará VOL. I
também espaço de lazer aos que tivessem transporte para lá chegar
Tipos de pequenos vagões-plataforma publicados em catálogos internacionais da Decauville – assemelhados a alguns existentes no Utinga em 1922

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08. O bonde ali permanece por uma hora porque está em seu marco terminal e aguarda passageiros de habitações/comunidades distantes que necessitam ir à cidade; mas, e os trilhos, por que brilhantes? porque seus dormentes não são de madeira e sim de chapas metálicas, como os encontrados recentemente no Utinga – acesse a matéria Decauville e os achados no Utinga.
Todavia: é importante salientar que o conjunto Decauville do Utinga foi adquirido no início do século XX, no governo de Augusto Montenegro (1901-09); por ora não se descobriu renovação de seus componentes, o que pressupõe reparos ou reconstruções nas oficinas da estatal; somente nos governos de Magalhães Barata novo maquinário seria incorporados aos trabalhos e o Decauville vai à coadjuvação até seu gradativo desuso e abandono – veja a matéria Achados do Laboratório Virtual nas matas do Utinga.
09. Essa subida suave está em análise para que se possa compreender o trajeto de Pola.
10. Os tanque e canais citados por Pola podem ser referências a um sítio específico dito como nova bacia (recém construída) compreendendo os igarapés Mariana, Cajueiro e Barris; o que se tenta entender, pela topografia, é o trajeto feito por Pola por dentro da floresta para atingir o hoje Lago da Sucuri desde o final da linha do bonde (no Souza) – MENSAGEM FREITAS VALLE – 07SET1929.
Está claro que Pola e equipe queriam a floresta silenciosa, o que seria impossível às proximidades das Usinas do Utinga as quais se chegava por um ramal da EFB e era um ponto turístico com alguns equipamentos de lazer.
11. Esses reservatórios foram detectados por Diego Barros, engenheiro florestal do IDEFOR-PA, parceiro do Laboratório Virtual nesta empreitada.
12. Este item é justamente a Aventura de Pola que depende de dois implementos Decauville: o vagonete e a rotunda (plataforma giratória):
Vagonete “… com superestrutura em forma de caixa feita de tábuas…”: “… pisei na estrutura de ferro das rodas com um pé e então me balancei sobre a borda bastante alta para o interior da caixa…” – modelo Decauville Type 52 ou 53 por Pola descrito: aqui na proporção de um humano com 1,75m
Seguramente a rotunda colocou Pola em oposição ao “fim do mundo” já que ela passa entre casas e alcança uma rua movimentada e dois táxis pararam ao seu lado – não esqueçamos que ela perdeu o senso de direção ao fechar os olhos e quando os abriu viu apenas céu, árvores e a clareira que sinalizou
sua chegada, de fato: ao parque industrial do Utinga onde havia demanda por táxis
Referências: hiperlinks distribuídos no corpo da matéria.
Observamos que as investigações não estão concluídas; contudo, por solicitação da produtora Claudia Belfort, deixaremos a matéria publicada em construção para que nela adicionemos novas descobertas.
A diretora do documentário germano-americano sobre Pola Bauer-Adamara Brückner, a cineasta Christina Rose, chegará em Belém no próximo dia 05 e as filmagens no Utinga estão agendadas para o dia sete do corrente maio.
Este material servirá de release à imprensa e o documentário lançado em Cannes no final deste ano.
(Algumas filmagens e fotografias de época – 1927, 28, 29, 30 e 32 – estão em edição e aqui serão acrescentadas.)
Veja o filme que fez de Pola a primeira alemã a filmar na selva amazônica:
DIE GRÜNE HÖLLE (O Inferno Verde): filme finalizado por Pola na ilha do Marajó no início de 1930 por causa da morte inesperada de seu marido, August Brückner, em Belém no final de 1929









































































