Um olhar à cidade de Belém sob o Golpe de 1964: paisagens e memórias de estudantes e artistas


Um olhar à cidade de Belém sob o Golpe de 1964: paisagens e memórias de estudantes e artistas (pdf)

Fonte: Revista Iluminuras.

O período do II Seminário Latino Americano de Reforma e Democratização do Ensino Superior, entre 30 de março e 05 de abril de 1964, coincide com as véperas do início das aulas do recém-criado curso de Arquitetura da UFPA. 
Em depoimentos do texto são citados três alunos que passaram no primeiro vestibular à Escola de Arquitetura: Guilherme Henrique de Menezes Lobato (Mik, segundo Jaime Bibas, e não Mickey), Paulo Roberto Chaves Fernades e Jorge Raimundo R. do Vale (o Jorgito).
Abaixo se vê a relação dos aprovados no vestibular de 1964 à Escola de Arquitetura da Universidade do Pará, federalizada desde 1957:

O recorte acima foi retirado do texto de Paul Albuquerque escrito em 1980 para o Boletim Informativo do CREA sob o título UM DEPOIMENTO E UMA HOMENAGEM.

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Em comentários ao Blog da FAU, o médico nefrologista Ruy Antonio Barata, filho do saudoso poeta paraense Ruy Guilherme Paranatinga Barata, dá mais esclarecimentos sobre os fatos relatados no artigo da Revista Iluminuras.
Tomamos a liberdade de trazê-los à postagem: 

Excelente.
Li com atenção o excelente trabalho. A título de colaboração esclareço que as prisões que mais albergaram presos políticos no ano de 1964 foram:
Quartel General da PM na Gaspar Viana, 26º BC (Batalhão de Caçadores) no Souza, 5ª Companhia de Guardas e o CPOR onde hoje está o IAP (Instituto de Artes do Pará). O quartel da Policia Rodoviária em Benevides foi usado nos primeiros momentos. Para o DOPS e Central eram encaminhadas apenas detenções rápidas. O QG da Aeronáutica e o Quartel do IV Distrito Naval na cidade Velha também foram usados intensamente. Abrigavam os acusados de subversão pelo CISA (SS Aeronáutica) e CENIMAR (SS da Marinha) onde hoje há uma área ocupada pelo borboletário.
O Show da Verdade com Cantoria e Razão citado pelo Barradas é de autoria do José Maria Vilar Pereira e seria encenado no Teatro São Cristovão. A UAP era dirigida por Fernando Augusto Fiúza de Mello estudante de medicina logo após a gestão semi-clandestina de Antonio Roberto Pinto Guimarães (engenharia). Entre os atores estavam Cleodon Gondim, Sarubynha, Jorgito Vale. Os músicos eram Paulo André Barata, Galdino Pena e Bilau Freire e não Simão Jatene. Tratava-se de um roteiro composto de textos exaltando a liberdade e conclamações à resistência como os hinos dos republicanos espanhois como Ay Carmela.
Ao lado da UAP duas casas na direção da padaria O Combate havia o CR do Exercito, Centro de Recrutamento onde também funcionava o Tribunal Militar.
A Faculdade de Arquitetura no antigo chalé do senador Alvaro Adolfo tinha além de Jorgito militantes de esquerda como Paulo Elcidio, ex-secretário de estado, e Paulo Andrade.
Quanto ao prédio da UAP na São Jerônimo este foi uma doação ainda realizada no governo do general Zacarias de Assumpção, no período de redemocratização do país no pós-guerra; antes ficava no local onde hoje está o prédio do Palacio do Rádio, por isto a UAP manteve anos a fio um programa pela PRC 5, cujos estudios lá ficavam.
No final de 1967 a UAP não mais funcionava na São Jerônimo tendo sido submetida ao governo do estado que depois negociou com alguém.
A cantora do show era Heliana Lima.
É isto!
Ruy Antonio Barata.

Divulgação — mesa redonda às 16 horas

Material enviado pela profesora Elna Trindade.