O Art Déco dos parauara


“Decoração, do latim Decus, ornamento, significando, na realidade, coisas distintas e, até mesmo heterogêneas, como o embelezamento, ou a criação de objetos agradáveis, que combinam a funcionalidade (para a qual foram pensados) com a sua própria beleza (objeto + decoração aplicada). Por isso a arte decorativa, que nasceu com a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas realizadas, em Paris, em 1925, tem, para alguns autores, um caráter complementar, secundário. Fica a primeira impressão de que já existente o objeto acabado – uma mesa, um tecido, acontece a mudança no seu visual resultante de uma intervenção, para não dizer decoração, tida e havida como arte menor. Assim, a Art Déco não teria um espaço próprio na medida que seus produtos (industriais ou artísticos) seriam resultantes de influências do Art Nouveau, do Cubismo, do Futurismo, do Purismo, da Bauhaus (casa da construção) e das artes Asteca e Egípcia. Nesse estilo, que se desenvolveu plenamente durante a década de 1930, a escassa literatura nacional não destaca, mesmo para exemplificar, nenhum artista brasileiro. Entretanto, o Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas, editado pelo Ministério da Educação, revela um artista que procurou reviver a técnica e as tintas originais empregadas pelos índios. Revela, ainda, um discípulo desse artista que em 1976 proferiu palestra sobre “A Arte Decorativa” e, na mostra realizada em 1978, apresentou “Pintura” e “Arte Decorativa”. Portanto, não se trata de um ajustamento oportunístico, ou de uma caracterização por fatos ou elementos imprecisos, quando nos referimos a Theodoro Braga, ou ao seu aluno Manuel de Oliveira Pastana. Ao contrário, Theodoro Braga descreveu seus caminhos e Manuel Pastana foi o conferencista, no Conselho Estadual de Cultura, sobre a (sua) arte decorativa.

Por essas constatações, com especial satisfação registramos que na arte decorativa brasileira destacaram-se, principalmente, os artistas paraenses Theodoro Braga e Manuel Pastana. Por que:

• Theodoro Braga ( Belém, 1872-São Paulo, 1953) dedicou-se, também, ao estudo da arte decorativa marajoara. Nesse sentido, utilizou-se não só dos temas decorativos, como procurou reviver a técnica e as tintas originais obtidas com genipapo (genipapo verde, esclarecemos, para a cor preta), urucum (cor vermelha) e tabatinga, empregadas pelos índios extintos do rio Cunani, nos estados do Pará e Amapá. Esses trabalhos, como registra o Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas, que são experimentos de restauração da técnica dos decoradores aborígenes, estão conservados no Museu (Paraense) Emilio Goeldi.
• Manuel de Oliveira Pastana (Apeú, Castanhal-Pará, 26 de julho de 1888 – Rio de Janeiro, 25 de abril de 1984, aos 96 anos), ceramista, escultor, desenhista, pintor, aluno de Theodoro Braga e Francisco Estrada (1908), realizou pesquisas sobre a arte indígena, notadamente da Amazônia, além de continuados estudos sobre a flora e a fauna. Esses estudos (desenhos e aquarelas) resultaram em projetos, executados, ou não, da Art Déco.

Entre eles:
• Castanha de Macaco (folha e flor) – para tecido
• Flor do Anturio – para tecido
• Açaizeiro – para lampadário
• Guarás – para mesa de centro
• Casco de Tartaruga- para abat-jour
• Folhas de Aninga – para sombrinha
• Araras – para vitral
• Macacos e Bananas – para escultura em bronze
• Muiraquitã – para escultura em terracota
• Folha de Embaúba – para tecido

Manuel de Oliveira Pastana foi o fundador da Associação de Artistas Paraenses, mais tarde (1918) transformada em Academia de Belas-Artes do Pará.
Conhecemos o professor Pastana, em 1979, em Belém, quando passamos a colecionar suas obras e arquivar suas histórias e lições.”

Obs.: O título e a ilustração são do Blog da FAU, esta referente a outros projetos de Pastana, mas o texto é de Gileno Müller Chaves, falecido em 2006; um meticuloso estudiodo e anotador das Artes no Pará, em especial das Artes Plásticas, que as analisava por sob os óculos e manipulava.
Gileno era colecionador e galerista, único marchand profissinal de Belém pós-belle époque.
Amadoristicamente era advogado e, vez por outra e quase sempre, gestor público, como Lemos.

Fonte: ELF GALERIA.

(Infelizmente o texto publicado no site da ELF não mostra os “projetos”.)

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Uma resposta para O Art Déco dos parauara

  1. Lucia Chaves disse:

    Haroldo,
    Estamos tentando reformular e atualizar o site da galeria, coletando mais informações que estão em vários documentos e registros. Tem muito material pra selecionar, vamos ver o q é possível compartilhar.
    Me emocionas sempre quando apresentas o Gileno que passou, mas que não se foi. Muito te agradeço por isso.
    Bj da Lucinha.

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