Projeto de CLIPPER comparado ao Taboleiro da Bahiana

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O recorte do jornal O Estado do Pará de 18 de fevereiro de 1939 praticamente replica o que diz a Folha do Norte do dia 17, que pode ser acessada na postagem Clippers – Theodoro Braga confirma suposições do BF.
Em sua matéria a Folha chama o projeto desse abrigo de “outro”, já que o primeiro estava em obras desde 1938 defronte à Praça do Relógio, mesmo que não inaugurado em 22 de junho de 1939 e com problemas de escoamento d’água na laje de cobertura.
Infelizmente, por ora, não temos documentação imagética suficiente para garantir que esse plano arquitetônico mostrado pelo clichê de O Estado do Pará tenha sido executado no local mencionado (15 de Agosto com Boulevard Castilhos França), ou se é ele o que consta da publicação CLIPPER da Castilhos França em 1965, defronte ao galpão Mosqueiro e Soure (beirando o canto da 1º de Março).
Todavia a questão necessária a ser tratada aqui é:

Esse melhoramento, que a cidade fica devendo a laboriosa e patriotica administração do sr. dr. José Macher, será localisado, inteiramente, sobre o passeio do boulevard sem prejudicar o transito do mesmo e a esthetica do jardim, não é mais que exemplo do que se vem fazendo em todas as capitais brasileiras. Agora mesmo está sendo construído um abrigo de grandes dimensões, na capital da República, no Largo da Carioca, por detraz do Hotel Avenida (Trecho do jornal O Estado do Pará, publicado em 18/02/1939, p.6.).

De fato no ano de 1939, comprovadamente, inaugurou-se dois abrigos em cimento armado em importantes cidades brasileiras: Capital Federal, Rio de Janeiro e Salvador, Bahia:

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A fotografia que ilustra o Abrigo da Graça foi retirada de Fotos Antigas de Salvador e as do Taboleiro da Bahiana, do SKYSCRAPERCITY.COM.

Vê-se que Belém, apesar de seu isolamento territorial remediado pelo fluxo dos hidroaviões da Pan Air e da Condor, acompanhava a “preocupação” com a esthetica das cidades que compunham o cenário urbano nacional.
O primeiro abrigo moderno de Belém, que serviu aos passageiros dos bondes e ônibus, nasceu nomeado CLIPPER, não sendo alcunhado pelo povo; informação esta que suscitou nova hipótese: de que ele, já em sua concepção gráfica, possuía a forma estilizada, por algum construtor adepto da corrente estadunidense de design Streamline, de um hidroavião da PAN AIR, possivelmente o Fairchild Model 91, batizado Baby Clipper, que fazia a rota Belém-Manaus-Belém.
As notas dos jornais pesquisados até o momento confirmam que a palavra inglesa CLIPPER só em Belém do Pará designava esse tipo de equipamento público politicamente multiplicado na cidade e no interior do estado por décadas; noutras cidades do país adaptavam nomes, ou davam apelidos, de acordo com a conveniência popular, como no caso do Abrigo da Graça (do Largo da Graça) em Salvador e do Taboleiro da Bahiana (do Largo da Carioca) no Rio de Janeiro.
O difícil é compreender o porquê de O Estado do Pará enaltecer um projeto em detrimento de uma obra em execução (a do CLIPPER Nº1), suprimindo-a cabalmente de seu texto, como se ela não existisse.

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Informação que O Estado do Pará suprimiu em sua matéria.

Postagem com colaboração de Aristóteles Guilliod de Miranda e
Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm:

Para melhor entendimento das investigações do BF sobre os CLIPPERS de Belém, acessar CLIPPERS ‒ sui generis PARADAS da Belém dos hidroaviões.

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