Cenário que sugere a colaboração de Paul Albuquerque na sede campestre da AP inaugurada em 1957

Na postagem Mutações do signo AP ― 100 anos do clube Assembléia Paraense levantamos a hipótese de que a primeira sede campestre da agremiação pode ter sido discutida no ano de 1953, mesmo que informalmente, entre o arquiteto Antonio Paul de Albuquerque (1921) e o engenheiro civil Camilo Sá e Souza Porto de Oliveira(1923), autor do plano da “Cidade Olímpica” do bairro do Souza.
À página 31 da revista A NOITE ILUSTRADA de 06 de junho de 1953 fala-se da ascensão do Grupo Renovador, pelo qual, o “jovem especialista em construções funcionais”, Camilo Porto, chegaria a vice-presidente da AP, segundo Ostentação e luxo em Belém, de Oswaldo Mendes, publicado na revista Visão de 09 de novembro de 1956 ― ainda não conhecemos o teor do Relatório 1956-1959 à confirmação, nem o anterior (e o posterior) a este.
Entretanto: a revista que noticia o Baile das Flores, mostra que a presidência da AP estava nas mãos do otorrinolaringologista Celso Cunha da Gama Malcher que, junto com a diretoria, aceita a colaboração do governador, General Alexandre Zacarias de Assumpção, e do prefeito (indicado), também médico, Lopo Alvarez de Castro; esses esforços visavam “um acontecimento inédito” no Cine-Teatro Palace do Grande Hotel:

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(Eis a nossa incapacidade interpretativa: Celso Malcher seria o início do Grupo Renovador, ou: o fim do “jôgo de azar” a que se referiria Oswaldo Mendes em 1956?)

No mesmo ano de 1953 o jornal A Província do Pará, além de trazer o reclame do escritório do arquiteto A. P.  de Albuquerque, dá a notícia do prêmio que ele recebera, aos 32 anos de idade, pelo primeiro lugar na elaboração do projeto da sede da Caixa Econômica Federal em Belém a ser construída na Praça da República (“onde foi antigamente o Clube dos Aliados”):

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O texto de Paul Albuquerque que diz ” ‘Quero um projeto para construção de um clube social’” é de abril de 1953; portanto, ou é mera coincidência, ou conhecimento prévio das intenções do Grupo Renovador.
Celso Cunha da Gama Malcher concorre à Prefeitura de Belém em 27 de setembro de 1953, vence o sufrágio popular e assume o cargo em 12 de dezembro, substituindo Lopo de Castro, nomeado por Zacarias de Assumpção, governador diretamente eleito em 1950.


Postscriptvm:
Vejamos o que a construção da sede da Caixa Econômica Federal do Pará ensejou, bem antes da divulgação, pela imprensa ― em 1º de outubro de 1953 ―, do edital, que, 30 dias depois, premiaria o projeto de Paul Albuquerque; tal vaticínio a limpatório veio da administração de Lopo de Castro, segundo a datação de A Província do Pará, que é de 04 de março de 1953:

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Colaboração: Aristóteles Guilliod de Miranda e Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm (23/12/2015):

O livro de Clóvis Silva de Moraes Rêgo permanece imprescindível ao entendimento da cronologia histórica do clube Assembléia Parasense; aqui em recortes pertinentes ao assunto:

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Início e entrega das obras da sede campestre da AP ― um parêntesis.

Grupo Renovador: da eclosão à vitória em 1953.

Os questionamentos desta publicação do BF são minuciosamente respondidos em:
RÊGO, Clóvis Moraes. Subsídios para a história da Assembléia Paraense: excerto do relatório do biênio 1965/1967 ; 2ª parte. Belém: (S.n); 1969. 365 p.
Acima fragmentado ao entendimento dos fatos sobre o Grupo Renovador e a sede campestre da AP.

Colaboração: bibliotecária Elisangela Silva da Costa do Projeto Memorial do Livro Moronguetá – PROINTER/UFPA.

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3 respostas para Cenário que sugere a colaboração de Paul Albuquerque na sede campestre da AP inaugurada em 1957

  1. Paulo Andrade disse:

    Nesse tempo eu era criança ainda. Mais adiante, nos anos 1970, houve um concurso para projeto da AP no bairro do Souza. O vencedor foi Antônio Lamarão Corrêa com apoio de outros. Em segundo fiquei eu (com parceria do saudoso Arnaldo Vieira) e em terceiro, o escritório “Bibas, Couceiro & Rubim”. Lembro-me que o concurso foi presidido pelo o eng. Camilo Porto de Oliveira tendo Paulo Lima como arquiteto consultor. O projeto nunca foi executado e só anos depois a nova sede “campestre” foi projetada e construída pelo saudoso eng. e arq. Milton Monte.

  2. Muito antes da existência do Curso de Arquitetura, Antônio Paul de Albuquerque já militava não só no Projeto como na construção, daí nosso respeito e carinho ao mesmo. Mereceu com propriedade ser professor de nossa então escola, ocupando diversas vezes o cargo de direção até a chegada do DAU.

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