O igarapé da Fabrica de Cerveja Paraense

conjunto-grafico-jardim-independencia

Ampliável à leitura

O conjunto gráfico acima mostra recorte da Planta A do Projecto para Funccionamento do Reservatório Paes de Carvalo (1912) com raciocínio atual baseado na régua do Google Maps; sobre estes: um trecho da página 98 do Boletim do Museu Goeldi (publicação de 1904) referente ao relatório de 1901; e, no topo: duas fotografias da Fabrica de Cerveja Paraense do Indicador Illustrado do Estado do Pará (1910) junto ao desenho do Jardim Independência.

A Planta A do projeto de Maximino Corrêa dá destaque ao Igarapé da Fábrica de Cerveja no perfil topográfico da avenida Gentil Bitencourt no ano de 1912; os fundos da quadra onde hoje está localizado o Parque Zoobotânico do Goeldi (maior que o Horto Botânico do passado) mostrava-se com leve declinação no sentido das travessas Nove de Janeiro/Alcindo Cacela (antiga 22 de Junho), já a marcação do atual Jardim Independência (terreno da antiga Fábrica de Cerveja Paraense) continha a máxima depressão do seguimento com cota de 4,444 metros — a marcação, na direção da travessa 14 de Março, é a atual Vila Geni —, o que demonstra que o Igarapé da Fábrica de Cerveja estava mesmo naquele local, entre as alamedas José Facióla e Lúcio Amaral (mais para esta).
Todas as fotografias da Fábrica de Cerveja Paraense confirmam que seu terreno era baixo em relação à avenida Independência e sua vista posterior nos diz que tal indústria não ocupava, com suas edificações,  a plenitude da extensão longitudinal da área até a Gentil — o que é ratificado com o achado do tatu nos fundos do terreno em 1901 quando a FCP era construída (entrou em funcionamento em 1905); bem como a coerência da distância percorrida por vias públicas de 1/2 quilômetro do Museu até o habitat do bicho.
Sobre o Igarapé conversamos com o engenheiro-arquiteto e professor aposentado da FAU, Alcyr Borys de Souza Meira (82 anos), que em 1962 comprou, em sociedade com Geneciano Fernandes Luz, toda a superfície (e ruínas) do complexo Fábrica de Cerveja Paraense à implementação do Loteamento Jardim Independência; Alcyr não acredita que ali houvesse um igarapé com olhos d’água, mas um pântano pluvial devido à impermeabilidade do solo que fora saneado por sua construtora na fase de retificação do terreno: interditamos a Gentil por dois dias e nela atravessamos tubulões de concreto com um metro de diâmetro ao escoamento do alagado; o que beneficiou, em termos higiênicos, o município de Belém.

As fontes estão nos hiperlinks do texto.


Matéria diretamente relacionada:
O stand-pipe de Maximino Corrêa

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