Aluizio Leal contextualiza o Panóptico de Bentham questionando seu uso na Penitenciária de Santa Rosa

O professor Aluizio Leal — colaborador do projeto Blog da FAU — enviou-nos de Santarém-PA um vídeo contextualizando o Panóptico pensado por Jeremy Bentham e traduzido em planos arquitetônicos pelo também britânico Willey Reveley que não tinha experiência anterior em projetar prisões.
Aluizio discorda que a parcialmente construída Penitenciária do Estado do Pará, planejada pelo engenheiro Henrique Américo Santa Rosa entre 1892 e 93, obedecesse ao princípio do edifício circular de vigilância central de Bentham e ganha razão diante das estampas de Reveley (mais abaixo); na realidade foi o próprio Santa Rosa quem afirmou,  no periódico Folha do Norte de 22MAR1897, que sua penitenciária pertencia ao systema panoptico (chamado typo estellar pelo desembargador Antonio Bezerra):


Esquema de Bentham e planos de Reveley ao edifício Panóptico:


Mesmo do final do século XVIII tem-se rascunhos e desenhos esquemáticos do edifício circular utilitarista de Bentham/Reveley; já as ideias graficamente desenvolvidas por Henrique Américo Santa Rosa se perderam, obrigando-nos a trabalhar com informações fragmentadas em duas fotografias para recuperar o volume da inconclusa Penitenciária do Estado do Pará.
Certamente o engenheiro paraense confundiu, como disse o professor Aluizio Leal, panóptico com radial.

Planos panóticos

Referentes de Santa Rosa: radiais com visão central aos corredores de celas

Desse modo: ironicamente a relação mais aceitável entre Bentham e Santa Rosa é que ambos morreram pelejando pela execução de seus projetos de penitenciárias; Bentham não viu a sua sair do papel e Santa Rosa a dele finalizada em Belém do Pará.


Referências:
The Panopticon. The glass lantern shattered: Jeremy Bentham and the demise of the Panopticon Prison; by Neil Davie.
O Panóptico Jeremy Bentham
; organizado por Tomaz Tadeu.
Crédito do vídeo:
Ana Margarida Lins Leal de Camargo.


Postscriptvim (10MAI2018):

Arquitetura Penitenciária; por Julio Altmann Smythe.

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