O espaço emparedado da Reitoria da UEPA

Refeitório dos praças do Batalhão de Caçadores — portas de vai-e-vem tipo saloon ao corredor e ao alpendre —; à esquerda o jardim, à direita o caminho para o hoje dito Castelinho

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Ponto de vista da foto — hoje vedado, sem perspectiva

Alunos, professores, funcionários e o público em geral não imaginam que entrar no prédio da Reitoria da UEPA pela Rua do Una pode ensejar uma viagem no tempo: da mais remota e controversa obra da Penitenciária do Estado do Pará marco, dentre outras duas, no início da República e dela símbolo arquitetural do primeiro governo (1891-97) de Lauro Sodré — à sua conclusão como Batalhão de Caçadores em julho de 1937, na borda da ditadura do Estado Novo.
O prédio planejado por Henrique Américo Santa Rosa, engenheiro que ainda no governo de Eurico Valle teimava vê-lo concluído como cadeia, foi terminado por seu colega mais moço, Philignesio Augusto Penna de Carvalho, no governo de José Malcher; portanto, a imagem que se vê no topo, retrata a capacidade de Philignesio em finalizar uma imponente construção que se arrastou por mais de quatro décadas sendo sub-utilizada como abrigo do pessoal jornaleiro da Commissão de Prophylaxia da Febre Amarella chefiada por Oswaldo Cruz em 1911 ou hospedaria para miseráveis que por lá perdiam a vida ou assistiam a morte de seus filhos em 1920 — há indícios do funcionamento de uma improvisada escola mixta entre 1921/29, por ora sem comprovação.
Uma coisa é perceptível na transmutação raciocinada por Philignesio: o corredor (externo) que interligava a edificação principal da Penitenciária com o portal das masmorras foi demolido à penetração de luz e ventilação; claramente substituindo a melancolia da prisão pela alegria da educação — e disso se beneficiaram os militares que ocuparam o amplo espaço ideologicamente melhorado para eles.
Ainda não avançamos às décadas ulteriores; mas alguém, n’algum momento mais perto do nosso, resolveu reverter o frescor à umidade dos cárceres como sinal de ignorância.
Já não estaria na hora desse complexo virar um museu à semelhança da Pinacoteca do Estado de São Paulo — obra contemporânea —?


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Vãos abertos na foto do Álbum de 1939 e hoje: vedados

Curiosamente, passados 82 anos, a ordenação do jardim é praticamente a mesma: observar a disposição dos 8 bancos e a coluna com as luminárias.

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