Jaime Bibas; por Juliano Ximenes

É difícil fazer uma homenagem, ou falar qualquer coisa neste momento.
O Bibas era um cara talentoso, e curioso, era excepcional, qualquer pessoa percebia isso.
Mas ele era despretensioso. Isso eu achava fantástico nele, também. Até as piadas de boteco dele eram relaxadas, embora tivessem obviamente o verniz da sabedoria dele.
De vez em quando alguém tinha de contar para os alunos quem ele era, algo do que tinha feito na vida. E fez tanto.
Bibas fez projeto urbanístico e arquitetônico para os primeiros Conjuntos Cidade Nova, quando a COHAB tentava dar uma solução para a moradia popular, em Ananindeua. Fez parte ativamente da equipe da Monografia das Baixadas de Belém, um dos nossos maiores clássicos do Planejamento Urbano, no nível local mas no nível regional também, um pioneiro esforço de entendimento, e que se tornou um registro histórico. Fez parte da equipe que, na Prefeitura Municipal de Belém do período da redemocratização, organizou projetos e obras para reformas e reurbanização em espaços tão variados como o Ver-O-Peso, a Praça da República, o Theatro da Paz, a Rua João Alfredo, a Ladeira do Castelo, a Feira do Açaí, os Mercados. Projetou equipamentos públicos diversos.
Bibas fez capas de livros, como alguns da CEJUP, com desenhos seus, como o Chove nos campos de cachoeira, de Dalcídio Jurandir. Fez memoráveis obras de design gráfico para campanhas políticas e era o cartazista oficial das greves docentes dos anos 1980 na UFPA ainda durante a famigerada ditadura de 1964-1985, que ele combatia.
Jaime Bibas era um compositor-letrista, de sambas, e se cercava da amizade daquelas e daqueles que estavam em torno da mesa, do copo, dos instrumentos. Dirigiu o Instituto de Artes do Pará, inclusive atravessando Governos do Estado de partidos adversários, incólume.
Uma vez, durante um curso sobre teoria do restauro no IPHAN, acho que em 1999, ele olhou o professor, arquiteto guatemalteco, antes de começar o falatório, e disse: “eu te conheço mas eu não sei de onde, daqui pro final desse curso eu descubro”. Todo mundo riu.
Esse eu penso que era o Jaime Bibas.

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