Alguém sabe o que é isso?

É uma composição tridimensional projetada por uma aluna da extinta disciplina Técnica de Composição Artística III do antigo curso de Educação Artística, Habilitação em Artes Plásticas, no início da década de 1990, quando as aulas práticas eram ministradas no pavilhão Fp — o Ateliê de Arte fora entregue somente em 1997.
Houve certa polêmica com o diretor do então Centro Tecnológico, engenheiro civil Abílio Augusto Velho da Cruz, que temia pela materialização de uma interferência incômoda nos fundos do prédio do CT.
Abílio mudou de ideia quando viu que o intento era sério e que sua construção ficaria sob a responsabilidade da firma de engenharia pertencente ao esposo da discente.
O trabalho, com vinte anos de idade, está com poucas avarias: perdeu dois componentes em PVC e suas cores primárias: vermelho, amarelo e azul ainda identificáveis na peça.
A primeira mulher à frente da tecnologia na UFPA, professora Maria Emília de Lima Tostes, mostrou interesse em recuperar o ornamento volumétrico.
Difícil será encontrar a autora da obra, já que não recordamos seu nome; legal seria que ela lesse o Blog e comandasse a revitalização de um componente tacitamente aceito no cenário do Campus Profissional.

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“En el nombre de la rosa (Castellano 1 – 12)”

Em inglês no Youtube: “The Name of the Rose (1986) – Part 1 of 13“.

Não conseguimos o original (inglês) legendado, nem o dublado em português.

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Secrets of the Parthenon

Aguardando resenha na língua portuguesa.

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MIT OPEN COURSE WARE

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Divulgação — CARTA PARA ALICE OU O NOME DA CIDADE

Premiada com a Bolsa de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais, da Funarte/MinC, a fotógrafa Maria Christina apresenta Carta para Alice ou o nome da cidade até o dia 11 de março na Galeria Theodoro Braga, no CENTUR. Alice é uma cidade virtual, construída a partir de pesquisa visual em quatro municípios do interior do estado do Pará, e é mostrada em vídeo de 4’. O trabalho pode ser visto em meio à mostra ‘ANIMA – além do sentido’, que reúne outras artistas que antecipam a comemoração ao dia internacional da mulher (8 de março).

A respeito do vídeo, Orlando Maneschy escreveu em Carta para Maria Christina: “ 50° 24”…1° 33”…. latitude, longitude….um ponto no mapa marcado para se desejar um lugar…uma cidade imaginada, construída de diversas partes…lenta e delicadamente elaborada por fragmentos de outros espaços visitados, nas cidades mais extremadas do Pará… um mergulho na experiência de viver o tempo na lentidão das horas de uma Amazônia desconhecida, selvagem e pulsante de vida .” (…) “Falar de Carta para Alice ou o nome da cidade é difícil sem se envolver pela emoção que suscita. Um vídeo que nos aponta para a experiência performática com a imagem, na qual Maria Christina atua olhando e nos convida a olhar, com emoção, para as pequenas coisas, neste vídeo, carta, sugestão para viver a vida.”

Carta para Alice ou o nome da cidade
vídeo-arte de Maria Christina

Exposição ANIMA – além do sentido
Até 11 de março de 2011
Galeria Theodoro Braga/CENTUR
2ª a 6ª feira, das 9 às 18h.

E-mail enviado por Latitude Produções.

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Punto y línea… Un cuento para diseñadores; por Omar Arroyo


Imagem-link ao conteúdo da “cartilha“.

Punto y línea…un cuento para diseñadores, D.I. Omar Arroyo. (pdf com 2,47MB)

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Percepção Visual, por Ana Zeferina Ferreira Maio e Lidiane Dutra

Filosofia
A percepção, juntamente com a sensação, é tida como uma das principais vias de acesso ao conhecimento sensível, e possui duas abordagens distintas, através do empirismo e do intelectualismo.
Segundo a teoria empirista, representada por Bacon, Hobbes, Berkeley, Hume e Locke, a sensação e a percepção são de ordem externa, causadas por estímulos que agem sobre nossos sentidos e sistema nervoso, recebendo uma resposta do cérebro, que volta a percorrer nosso sistema nervoso e retorna aos órgãos dos sentidos sob a forma de uma sensação ou de um conjunto de sensações, ou seja, a percepção.
Para os empiristas, as sensações são independentes umas das outras e a percepção possui a tarefa de organizá-las, unificando-as numa síntese. Segundo a filósofa Chauí, para a teoria empirista “o conhecimento é obtido por soma e associações das sensações na percepção e tal soma e associação dependem da freqüência, da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos.” 1
Para a teoria intelectualista, representada por Descartes, Spinoza e Leibnitz, a sensação e a percepção dependem da capacidade do sujeito em decompor um objeto em suas qualidades (sensação) e recompô-lo novamente dando-lhe significado (percepção). O intelecto do sujeito do conhecimento realiza o ato de passagem da sensação para a percepção. A organização e síntese feitas pela inteligência sobre as sensações dispersas receberia o nome de percepção.
Assim, podemos fazer um paralelo entre as duas teorias: enquanto que para a teoria empirista a sensação é conduzida à percepção através de fatores externos, para a teoria intelectualista a passagem da sensação para a percepção é um ato que depende da atividade do sujeito. Para os empiristas, as idéias provêm das percepções, enquanto que para os intelectualistas as sensações e percepções são confusas e devem ser abandonadas mediante as idéias puras formuladas pelo pensamento.
Psicologia
Durante o século XX as teorias empirista e intelectualista foram superadas através de uma nova concepção, trazida pela fenomenologia 2 e pela Psicologia da Forma ou Teoria da Gestalt.
A fenomenologia pressupõe que todos os objetos são fenômenos, que aparecem para uma consciência. Sendo assim, não existe consciência pura nem objetos isolados em si.
A Gestalt aparece como um exemplo da aplicação da fenomenologia na psicologia. Foi desenvolvida no início do século XX, por um grupo de pesquisadores da área da psicologia da percepção –Ehrenfels, Koffka, Wertheimer e Köhler, entre outros. A palavra Gestalt, em alemão, significa figura, configuração, forma.
A questão central da Gestalt era o modo como se estruturavam e reestruturavam as totalidades em nossa percepção. Para Ostrower 3 essa teoria, em termos de relevância, “pode ser colocada ao lado de outras teorias de estruturas de profundidade: teoria da relatividade, da mecânica quântica e da psicanálise, pois do mesmo modo ilumina um novo campo de investigação que haveria de transformar nossa visão de mundo e a compreensão da realidade”4.
Para os psicólogos gestaltistas, o objeto apresenta-se primeiramente em sua totalidade, para depois a consciência do indivíduo decompô-lo em seus detalhes. Com isso, esta teoria demonstra que os fenômenos os quais percebemos são indissociáveis do conjunto em que se inserem, e a nossa percepção está intrinsecamente ligada aos fenômenos percebidos e à nossa estrutura mental. Um exemplo desse princípio básico da Gestalt são as experiências conhecidas como figura-fundo, as quais mostram imagens duplas que se adaptam como forma ou fundo. Outra experiência realizada pelos gestaltistas diz respeito às “formas incompletas”, e a nossa tendência de perceber a totalidade completa, reconstituindo partes ausentes.
Afinal, o que é a percepção?
Para responder à essa pergunta, recorremos novamente às palavras de Ostrower:
A percepção não envolve apenas um ato fisiológico mas um processo altamente dinâmico e característico da consciência humana. Processo ativo e participativo, é uma ação e nunca uma reação mecânica ou instintiva ante estímulos recebidos passivamente. Alcançando áreas recônditas de nosso inconsciente, articulando e trazendo-as ao consciente, a percepção mobiliza todo nosso ser sensível, associativo, inteligente, imaginativo e criativo. Perceber é sinônimo de compreender.5
Conforme Chauí 6, a percepção possui as seguintes características:
É um conhecimento sensorial dotado de sentido total, é o mesmo que sensação;
É uma vivência corporal;
É sempre uma experiência dotada de significação;
É uma relação do sujeito com o mundo exterior;
É uma relação complexa entre o corpo-sujeito e os corpos-objetos;
Envolve nossa vida social, é uma forma de estarmos no mundo;
É um dos meios fundamentais para a arte, pela capacidade de alterar nossa percepção cotidiana e costumeira;
A confusão entre várias percepções leva-nos a um erro muito especial: a ilusão, pois muitas vezes tomamos uma coisa por outra, em meio à idéias confusas.
Para ambas autoras, a percepção é muito mais do que um objeto de estudo, é uma vivência corporal, que envolve o meio ambiente no qual estamos inseridos, proporcionando uma relação intensa entre nós e aquilo que percebemos. Nesse sentido, Bosi 7 diz que, “o vínculo da percepção visual com os estímulos captados pelos outros sentidos é um dos temas fundantes de uma fenomenologia do corpo. O olhar não está isolado, o olhar está enraizado na corporeidade, enquanto sensibilidade e enquanto motricidade”.
Referências
AUMONT, Jacques. A imagem. São Paulo: Papirus, 2006.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006.
MAIO, Ana Zeferina Ferreira. Um modelo de núcleo virtual de aprendizagem sobre percepção visual aplicado às imagens de vídeo: análise e criação. 2005. 223f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
NOVAES, Adauto. O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
——————————————————————————–
1 CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2006, p. 133.
2 Sistema de Edmund Husserl (1859-1938), filósofo alemão, e de seus seguidores, caracterizado principalmente pela abordagem dos problemas filosóficos segundo um método que busca a volta “às coisas mesmas”, numa tentativa de reencontrar a verdade nos dados originários da experiência, entendida esta como a intuição das essências.
3 Fayga Ostrower, artista de renome internacional, dedicou-se por mais de trinta anos ao ensino da arte. Distinguindo-se pela abordagem interdisciplinar, suas explicações dos princípios básicos da linguagem visual e dos conteúdos expressivos são fundamentadas na análise da estrutura formal de obras de arte produzidas em todas as épocas.
4 OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto. Rio de Janeiro: Campus, 1998, p. 69.
5 idem, p. 73.
6 CHAUI, 2006, p. 134-36.
7 BOSI, Alfredo. Fenomenologia do olhar. In: NOVAES, Adauto. O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 66.
Autoria:
Ana Zeferina Ferreira Maio
Lidiane Dutra
Autor: Lidiane Dutra
(http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_2635/artigo_sobre_percepcao_visual)

Leia mais sobre PERCEPÇÃO em:

O Desenvolvimento da Criatividade e da Percepção Visual.

Cognição e Percepção Visual: a influência da iluminação artificial sobre uma atividade de trabalho realizada em um ambiente informatizado confinado.

 

 

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BAUHAUS

BAUHAUS, artigo.

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Arquitetura da Destruição, de Peter Cohen (em 12 partes)

Arquitetura da destruição, resumo.

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Entartete Kunst — Arte Degenerada

Arte Degenerada: Obras inimigas.

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O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl

“O Triunfo da Vontade”, resenha.

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A incursão de Hitler ao desenho e à pintura.

Hitler: o pintor bucólico.

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Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil: A Experiência de Belém

Imagem-link.

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Divulgação — Salão UNAMA de Pequenos Formaros: 17ª versão


Salão UNAMA de Pequenos Formatos realizará sua 17ª edição.
O Núcleo Cultural da UNAMA, sob a organização da Galeria de Arte Graça Landeira, informa que estarão abertas até o dia 04 de abril as inscrições para o 17º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, mostra contemporânea de artes visuais, de abrangência nacional, que será realizado no período de 19 de maio a 27 de junho, nos Espaços da Galeria.
Podem concorrer ao Salão, artistas brasileiros, naturalizados e estrangeiros residentes no País a mais de três anos, inscrevendo-se nas seguintes modalidades: Pintura, Desenho, Gravura, Escultura, Objeto, Fotografia, Instalação, Vídeo e Técnicas Mistas.
As dimensões das obras bidimensionais e tridimensionais não podem ultrapassar a 40cm, incluindo a moldura. O vídeo deverá ter no máximo 40 segundos de duração e a Instalação não deverá ultrapassar a 1m³, regular.
A seleção das obras será feita nos dias 14 e 15 de abril por uma comissão constituída de três profissionais da área das artes visuais, sendo dois do Pará e o terceiro de outro Estado brasileiro.
Os artistas selecionados concorrerão prêmios que totalizam o valor de R$ 17.000,00, sendo assim distribuídos: R$ 9.000,00 (Grande Prêmio); R$ 4.000,00 (Prêmio Especial “Graça Landeira”) e R$ 4.000,00, em prêmios aquisição, que será dividido conforme o valor de cada obra, ou do conjunto delas.
A abertura oficial do Salão será no dia 19 de maio, às 20h, com a exposição de todas as obras selecionadas e premiadas e, também, de obras de artistas convidados pela curadoria do salão.
Paralela a mostra oficial, teremos uma Sala Especial com obras de artistas paraenses, ex – alunos dos cursos de Educação Artística e Artes Visuais e Tecnologia da Imagem da UNAMA. A intenção deste segmento expositivo é de fortalecer o dialogo das ações culturais oferecidas pelo Núcleo Cultural com as atividades acadêmicas da instituição, e de manter projetos de apoio a produção artística local.
A curadoria do Salão estará sob a responsabilidade de Emanuel Franco e a montagem das exposições sob os cuidados da equipe da Galeria e de outros profissionais da área.
Os artistas podem encontrar o Regulamento e a Ficha de Inscrição, no site da UNAMA ou na própria Galeria, nos horários de 9h às 12h e 15h às 18h. Informações pelos telefones (91) 4009-3148 / 3150 ou através dos e-mails: galeria@unama.br / emanuelfranco@unama.br.
As inscrições são grátis e deverão ser feitas com a apresentação dos dossiês e de outros documentos exigidos pelo Regulamento.(E-mail enviado por Esilene Santos da Galeria Unama.)

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Design thinking: uma nova abordagem para inovação, por Gustavo de Boer e Luiz Alberto Bonini

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Ensino de arquitetura: o Brasil perdeu o rumo? por Carlos Leite

A imagem-link direciona à revista aU.

Material enviado pelo professor José Júlio Lima.

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Pastana disponível à venda

Imagem ampliável.

As postagens sobre o artista plástico paraense Manoel de Oliveira Pastana — possível autor do brasão original da UFPA — suscitaram o interesse de internautas.
As fotografias acima nos foram enviadas por e-mail com o seguinte texto:

Sou marchand e tenho 4 obras para venda do pintor Manuel de Oliveira Pastana, sendo 02 Óleos sobre madeira, título: “Paisagem de Cabo Frio” Tam.: 29x39cm , Datado: 1955 (Com moldura de época) 01 Óleo sobre tela, título: “Santa Ceia” Tam.: 45x80cm , Datado: 1961 (Com moldura de época) 01 Óleo sobre madeira, título: “Índios” Tam.: 42cm de diâmetro, Datado: 1969
Valor: R$50.000,00 (Cinquenta mil reais), o lote.
Obs.: Comissão para o vendedor – 10%
Aceito parcelamento e permuta.
Obras em excelente estado de conservação, as imagens são amadoras, o que prejudica na qualidade. Tenho disponibilidade para entrega via Sedex ou em mãos, estas obras são de procedência de leilões do Rio de Janeiro.
Pastana, Manuel de Oliveira (Belém, PA 1888 – 1984). Pintor, ceramista e artesão. Fêz estudos de arte com Franscisco Estrada e Theodoro Braga, em Belém. Interrompendo durante certo período seu trabalho como pintor, dedicou-se ao artesanato em bronze e cerâmica, realizando inclusive pesquisas no campo de arte indígena brasileira. Conquistou medalhas de bronze e de prata no Salão Paraense de Belas Artes de 1921 e 1922, medalha de prata e diploma de honra na Exposição Internacional das Artes e Técnicas ( Paris, 1937), medalha de ouro em arte decorativa e de bronze em pintura no Salão Nacional de Belas Artes de 1939 e 1955, medalha de ouro em arte decorativa no Salão de Belas Artes do Rio Grande do Sul de 1940, prêmio de aquisição no SPBA de 1948 e medalha de bronze no Salão de Maio (Guanabara, 1966). Foi por diversas vezes membro do júri de seleção e premiação do SNBA, entre 1937 e 1944, Theodoro Braga reuniu diversas referências bibliográficas a seu respeito em Artistas Pintores no Brasil (1942). Residia no Rio de Janeiro.
Bibliografia: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, Roberto Pontual, Ed.: 1969.
Att
Ediel Pimentel
(84)9973-4355
Natal-RN

A mensagem foi encaminhada à diretora do Museu da Universidade Federal do Pará, professora Jussara Derenji.

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O nascimento de uma ética planetária, por Leonardo Boff

A base de toda construção ética, cujo campo é a prática, se baseia nesta pressuposição: a ética surge quando o outro emerge diante de nós.
O outro pode ser a pessoa mesma que se volta sobre si mesma, analisa a consciência, capta os apelos que nela se manifestam (ódio, compaixão, solidariedade, vontade de dominação ou de cooperação, sentido de responsabilidade) e se dá conta de seus atos e das conseqüências que deles derivam. O outro pode ser aquele que está à sua frente, homem ou mulher, criança, trabalhador, empresário, portador de HIV, negro etc. O outro pode ser plural, como uma comunidade, uma classe social, a sociedade como um todo, ou, numa perspectiva mais global, a natureza, o planeta Terra como Gaia e, em último termo, Deus.
Diante do outro, ninguém pode ficar indiferente. Tem que tomar posição. Mesmo não tomando posição, silenciando e mostrando-se indiferente, isto já é uma posição.
A ética surge a partir do modo como se estabelece a relação com estes diferentes tipos de outro. Pode fechar-se ou abrir-se ao outro, pode querer dominar o outro, pode entrar numa aliança com ele, pode negar o outro como alteridade, não o respeitando, mas incorporando-o, submetendo-o ou, simplesmente, destruindo-o.
De todas as formas, o outro representa uma proposta que reclama uma resposta. Deste confronto entre proposta e resposta surge a responsabilidade. Ao assumir minha responsabilidade ou demitir-me dela, faço de mim um ser ético. Dou-me conta da conseqüência de meus atos. Eles podem ser bons ou ruins para o outro e para mim.
O outro é determinante. Sem passar pelo outro (que pode ser eu mesmo), toda ética é antiética.
Não sem razão, todas as religiões e tradições éticas do Ocidente e do Oriente estabelecem como máxima fundadora do discurso ético: “Não faz ao outro o que não queres que façam a ti.” Ou positivamente: “Faz ao outro o que gostarias que fizessem a ti.” Ou ainda: “Cuidem-se uns aos outros para terem vida e garantirem o amor.” É a regra áurea.
E como o outro é o pobre e o excluído, o imperativo ético mínimo e urgente é este, bem formulado por Enrique Dussel, filósofo da libertação argentino: “Liberta o pobre e inclui o excluído.”
Apliquemos isto à nossa sociedade. Ela não é uma sociedade qualquer. Precisa ser qualificada: é uma sociedade predominantemente estruturada no modo de produção capitalista, quer dizer, privilegia o capital sobre o trabalho, privatiza os meios de produção e define, de forma desigual, o acesso aos bens necessários à vida: primeiro quem detém os meios de produção, depois os demais, deixando de fora quem não tem força social de pressão. São os excluídos, hoje perfazendo as grandes maiorias da humanidade, cujas vidas não têm sustentabilidade, vivem abaixo do nível de pobreza e, em conseqüência, morrem antes do tempo.
Este tipo de sociedade valoriza mais a competição que a cooperação e magnifica o indivíduo que constrói sozinho sua vida, seu bem-estar e seu destino, e não a sociedade e a comunidade dentro das quais, concretamente, o indivíduo sempre se encontra.
A sociedade neoliberal levou até as últimas conseqüências esta visão. Por isso, os governos administram desigualmente os bens públicos, privatizam, planejam políticas públicas e sociais pobres para os pobres e ricas para os ricos e poderosos, sejam indivíduos, empresas ou classes; atendem primeiramente a seus interesses, garantem seu tipo de consumo e são atentos às suas expectativas. Não os incentivam a olhar para os lados onde estão os outros e, assim, fazer e refazer continuamente a solidariedade social.
Tais governos não realizam a definição mínima de política, que é a busca comum do bem comum e o cuidado das coisas do povo. Por isso, são antiéticos e fautores de atitudes coletivas em contradição com os apelos éticos. Não se orientam pelo outro, que é o princípio fundador da ética básica. Não cuidam da vida, da vida das pessoas, da natureza e da Terra como superorganismo vivo, chamado de Gaia.
A sociedade mundial, hoje globalizada neste modelo antiético, promove a globalização como homogeneização: um só pensamento, um só modo de produção (o capitalista), um só tipo de mercado, uma só tipo de religião (o cristianismo), um só tipo de música (rock), um só tipo de comida (fast food), um só tipo de executivo, um só tipo de educação, um só tipo de língua (o inglês) etc.
Com a negação da alteridade, ou o seu submetimento ou destruição, a sociedade-mundo atual se coloca em contradição com a ética. Esta atitude perversa tem como conseqüência a má qualidade de vida atual em todos os âmbitos sociais, culturais e ambientais.
Esta atitude é tanto mais grave pelo fato de atingir o substrato físico-químico que possibilita a biosfera e o projeto planetário humano. Não respeita a Terra como o grande outro e como subjetividade. Reduz este superorganismo vivo a um baú inerte de recursos naturais, entregues ao bel-prazer humano. Violenta a alteridade dos ecossistemas, depredando seus recursos, ameaçando as espécies, envenenando os ares, poluindo os solos, contaminando as águas, como se estes representantes da comunidade terrenal não tivessem uma história mais ancestral que a nossa e nós não dependêssemos deles para a nossa própria vida.
O preceito ético-ecológico urgente, hoje, é este: “Age de tal maneira que tuas ações não sejam destrutivas da Casa Comum, a Terra, e de tudo o que nela vive e coexiste conosco.”
Ou: “Age de tal maneira que tua ação seja benfazeja a todos os seres, especialmente aos vivos.” Ou: “Age de tal maneira que permita que todas as coisas possam continuar a ser, a se reproduzir e a continuar a evoluir conosco.”
Ou então: “Usa e consome o que precisas com responsabilidade para que as coisas possam continuar a existir, atender às nossas necessidades e as das gerações futuras, de todos os demais seres vivos, que também, junto conosco, têm o direito de consumir e de viver.”
Ou ainda: “Cuida de tudo, porque o cuidado faz tudo durar muito mais tempo, protege e dá segurança.” Precisamos consumir para viver. Mas devemos consumir com responsabilidade e com solidariedade para com os outros, respeitando as coisas em sua alteridade e entrando em comunhão com elas, pois são nossos companheiros e companheiras na imensa aventura terrenal e cósmica.
Como se depreende, não é esta a ética que predomina. A ética vigente é predatória, irresponsável, individualista, perversa para com os outros, tratados com dissimetria e injustiça nos processos de produção, de distribuição e de compensação. Ela é cruel e sem piedade para com a grande maioria dos seres vivos, humanos e não humanos. Por fim, ela ameaça o futuro da biosfera e do projeto humano.
Para superarmos esta ética altamente destrutiva do futuro da humanidade e do planeta Terra, devemos partir de outra ótica. Só uma nova ótica pode gerar uma nova ética.
A nova ótica que está se difundindo um pouco por toda parte arranca de outra compreensão da realidade, fundada no conjunto de saberes que perfazem as ciências da Terra.
A tese de base desta ótica afirma que a lei suprema do universo é a da interdependência de todos com todos. Tudo está relacionado com tudo em todos os pontos e em todos os momentos. Ninguém vive fora da relação. Mesmo a lei de Darwin – a do triunfo do mais forte – se inscreve dentro dessa panrelacionalidade e solidariedade universal. Por causa das inter-retro-relações de todos com todos é que se garantiu a diversidade em todos os campos, particularmente a biodiversidade e o fato de todos podermos chegar ao ponto que atualmente chegamos.
Sobrevivemos graças às bilhões de células que interagem em nosso corpo e das bilhões de bactérias, mitocôndrias e outros corpos que vivem dentro dessas células, que por sua vez formam organismos, corpos, sistemas, interconectados com o meio natural e cósmico.
Esta cooperação de todos com todos funda uma nova ótica que, por sua vez, origina uma nova ética de convivência, cooperação, sinergia, solidariedade, de cuidado de uns com os outros e de comunhão de todos com todos e com a Terra, com a natureza e com seus ecossistemas. A partir desta ética nós nos contemos, submetemo-nos a restrições e valorizamos as renúncias em função dos outros e do todo.
Outro princípio básico, oriundo da biologia, também nos indica um caminho ético. Trata-se da importância do cuidado. Sem cuidado, a vida não sobrevive. Tudo o que fazemos vem acompanhado de cuidado, pois sem ele erramos, ofendemos e destruímos. A maior força que se opõe à entropia é o cuidado, pois ele permite que as coisas e as vidas durem mais tempo. O cuidado é uma relação amorosa para com a realidade; anula as desconfianças e confere sossego e paz a quem o recebe. Onde há cuidado, não há violência. E tudo o que amamos, também cuidamos.
A ética do cuidado se orienta na defesa da vida e das relações solidárias e pacíficas entre os seres humanos e com os demais seres da natureza. Como diz o poeta-cantador Milton Nascimento: “Há que se cuidar do broto para que a vida nos dê flor e fruto.”
Ou assumimos tal ética e sobre ela fundamos um novo pacto sociocósmico, como sugere claramente a Carta da Terra, assumida pela Unesco em março de 2000 e por inúmeras outras instituições nacionais e transnacionais, ou enfrentaremos grandes distúrbios que afetarão a humanidade e a vida sobre a nossa Terra. Assim como Gaia teve que suportar quinze grandes dizimações ao longo de sua história de mais de quatro bilhões de anos, e sempre sobreviveu e saiu enriquecida, também agora ela fará uma travessia que irá inaugurar uma nova era. Estamos convencidos de que essa era se fundará nos valores da cooperação, da solidariedade, do cuidado e da reverência. Nela vai emergir, seguramente, um outro tipo de ser humano, que acolherá suas origens terrenais – pois homem vem de humus – e entenderá a si mesmo como sendo a própria Terra que chegou ao momento de sentir, pensar, amar, venerar e responsabilizar-se pelo futuro comum: dos humanos, de todos os demais seres e de si própria como Terra, pátria e mátria de todos.
Uma nova história então começará, com certeza, mais cooperativa, humanitária, cuidadosa, ética e espiritual. (http://www.triplov.com/boff/etica.html)

IN: L e o n a r d o  B o f f
Do Iceberg à Arca de Noé
O NASCIMENTO DE UMA ÉTICA PLANETÁRIA
Editora Garamond, Brasil, 2002, 160 páginas

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Boletim da Relatoria Especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada — boletim nº 7

No dia 8 de março a Relatora Especial para o Direito à Moradia Adequada Raquel Rolnik apresentará ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, quatro relatórios, que são o resultado das missões nos países e das pesquisas temáticas desenvolvidas no ano passado.
O relatório temático será sobre as implicações para o direito à moradia dos processos de reconstrução pós-desastres naturais e pós-conflitos. Serão também apresentados os relatórios das missões à Croácia e ao Cazaquistão. Além disso, a Relatora apresentará também o relatório preliminar da missão ao Banco Mundial e uma relação de todas as comunicações enviadas aos países até 20 de dezembro de 2010.
www.direitoamoradia.org
* Relatório das Missões:
No ano passado, a Relatora Raquel Rolnik visitou a Croácia e o Cazaquistão para verificar a situação do direito à moradia nesses países. Ela visitou também o Banco Mundial com o objetivo de pesquisar sobre as políticas da instituição relacionadas ao direito à moradia.
Saiba mais.
* Relatório Temático:
Para saber mais sobre o relatório desenvolvido no ano passado sobre a reconstrução de regiões depois da ocorrência de desastres naturais ou de conflitos armados, clique aqui.
* Ciganos e Direito à Moradia:
No início deste mês, a Relatora Raquel Rolnik participou da conferência “Improving Access to Housing for Roma: Good Local Practices, Funding and LegislationRoma and Housing” (Melhorar o direito à moradia para os ciganos: boas práticas, financiamento e legislação), em Praga, na República Checa. Para ler a declaração da Relatora no evento, clique aqui.
* Saiba mais:
Conheça os demais temas trabalhados pela Relatoria na seção “Enfoques”
de nosso site. Clique aqui.
Este boletim é um projeto da Relatoria Especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada e contém informações não oficiais.
Relatora (desde maio de 2008) – Raquel Rolnik
Se você ainda não está cadastrado e deseja receber este boletim, envie e-mail com a palavra “CADASTRAR” no assunto para: contato@direitoamoradia.org
FILIADA A CUT – CNPL – CSI – FNRU

E-mail enviado pela professora Rose Norat para divulgação.

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Atenção! Estágio remunerado!

E-mail enviado pela professora Rose Norat para divulgação.

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