José Daniel Portugal Campbell Penna, o nome do auditório da FAU

José Daniel Portugal Campbell Penna (Belém do Pará, 22 de setembro de 1951 — Belém do Pará, 27 de outubro de 2002) formou-se no Curso de Arquitetura da UFPA em 1977, no qual ingressara em 1971, com o trabalho de conclusão de curso sob o título “Área Urbana Deprimida, População de Baixa Renda: Uma Proposta Alternativa”. Dois anos depois Daniel Campbell já estava exercendo atividades como professor no mesmo curso, permanecendo na docência até o ano de 2002.
Introdução à Arquitetura, Desenho Industrial, Projeto I, Projeto II, Restauração do Patrimônio e Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo I foram disciplinas ministradas por Campbell. Todavia, além de atuar como professor, foi também Chefe do Atelier de Arquitetura, de 1980-1983 e de 1990-1991, sub-chefe do Departamento no período de 1989 até 1991, e ainda Chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo entre os anos de 1999 e 2002. Como uma de suas últimas funções a serem exercidas no curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, Campbell foi designado como Coordenador do curso no período entre 2002 e 2003, contudo não chegou a concluir seu mandato.
José Daniel Campbell foi professor de diversas matérias, mas dedicou-se principalmente a área de Desenho Industrial. Dessa forma, foi nesta área de concentração que cursou o Mestrado do Curso de Pós-Graduação em Estruturas Ambientais Urbanas da FAU/USP, entre 1984 e 1987, não concluído, para o qual elaborava a dissertação intitulada “Vocações Industriais na Amazônia Oriental”.
Além da docência, Campbell atuou também como conselheiro do IAB/PA para Patrimônio Histórico, foi consultor junto a UFPA para a elaboração do Projeto de Restauro do Convento dos Mercedários, técnico do projeto de Levantamento dos Bens Tombados pelo IPHAN em Belém e Vigia. Desenvolveu ainda produtos para auxílio do trabalho do arquiteto em campo, como pranchetas de mão e réguas paralelas, entre outras atividades.
Atuou como Arquiteto no projeto de um edifício com 15 pavimentos desenvolvido para o Condomínio de Oficiais da Aeronáutica, projeto de Restauração e Reintegração Urbana de Alcântara/MA, e o projeto do Terminal de Carga Rodoviária no Butantã/SP.
Daniel Campbell, mesmo sem deixar de exercer trabalhos como arquiteto, dedicou-se às atividades acadêmicas no Curso de Arquitetura, no qual desenvolveu pesquisas, algumas delas com recursos próprios, sobre produção de modelos de Sistemas estruturais, e para habitação de baixa renda em escala industrial. Outro trabalho desenvolvido por Campbell foi a pesquisa e proposta para implantação de infra-estrutura na área deprimida do Benguí – Convênio com o BNH/UFPA.
O mesmo participou também do projeto de extensão “Criação e Revitalização dos Espaços de Convivência da UFPA”, ganhando o Prêmio Hélio Beltrão, como um dos vencedores do 6º Congresso de Inovações na Gestão Pública Federal em Brasília, no ano de 2002. Dentre tantas contribuições ao Curso de arquitetura da UFPA, vale ressaltar ainda a iniciativa de Daniel Campbell em incluir a disciplina Fotografia no currículo do curso, criando o Laboratório de Fotografia do Curso de Arquitetura.

Texto: Professora Cybelle Miranda
Pesquisa: Professora Cybelle Miranda e Nayara Barros (bolsista).

Lamentavelmente possuímos  apenas essas duas imagens de Daniel Campbell: a primeira gentimente cedida pela secretária da FAU, Eulália Freitas Carmo, aparentemente em reunião do projeto Criação e Revitalização dos Espaços de Convivência da UFPA, em 2002; a segunda retirada de notícia de O Liberal (16 de agosto de 1988) sobre a exposição Herança do Japão onde Daniel aparece ao lado do artista plástico Geraldo Teixeira.
Solicitamos fotografias de Daniel aos seus familiares, contudo, até o momento não as recebemos; quem porventura for guardião de registros do professor, favor enviar cópia ao e-mail fau.itec.ufpa@gmail.com para publicação.

Categorias
Arquitetura e Urbanismo

A logo da FAU

Ritratto di Fra Luca Pacioli con un allievo (1495) – atribuido a Jacopo De Barbari. Museo e Gallerie di Capodimonte, Napoles

Em 26 de abril de 2010, após uma semana de discussões por e-mail, o Conselho da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará reordenou a logomarca do antigo DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO — D A U —, criada pelo professor José Daniel Portugal Campbell Penna em 1999, quando o mesmo exercia a função de chefe de departamento.
Campbell faleceu no ano de 2002, aos 51 anos, vítima de uma parada cardíaca em consequêcia de cirurgia repadora no tórax.
O único arquivo deixado por Daniel mostra a marca colorida em efeito relevo provavelmente trabalhada no seu iMac com o objetivo de adornar  homepage por ele construída à época ao DAU, hoje indisponível — houve diversas tentativas, malogradas, na busca dessa memória, definitivamente inacessível pela quebra do hard disk da máquina, confirmada por Laura Calhoun: “—Nem Steve Jobs dá jeito!”.
A referência de Daniel Campbell:  LUCA BARTOLOMEO DE PACIOLI, monge franciscano autor de DE DIVINA PROPORTIONE, nascido em Sansepulcro em 1445 e morto em 1517.
A nova diagramação que substitui o “D” pelo “F” em “FACULDADE” DE ARQUITETURA E URBANISMO — F A U — homenageia Campbell pelo uso da mesma estruturada fonte por ele escolhida, digitalizada e composta a partir de imagens das versais romanas  estudadas por meio de “grelhas” geométricas pelo matemático Luca Pacioli, um tratadista da Renascença italiana.
O maior problema dessa pesquisa foi identificar, exclusivamente pela imagem, o autor do método construtivo dos caracteres empregados no logotipo de Daniel.
A fonte PACIOLI-REGULAR foi desenvolvida pelo designer gráfico estadunidense Matthew Aaron Desmond somente em 2007; 8 anos após a criação de CAMPBELL e cinco de sua morte — percebe-se a diferença entre as letras “U” por eles inventadas, já que o “V” tinha dupla função no latim: vogal e cosoante.
Por 18,95 dólares adquiriu-se as letras vetorizadas por Matt Desmond à sua empresa MADType com o propósito de atualizar a nomenclatura da subunidade acadêmica da UFPA; o resultado prático está no cabeçalho deste blog e é utilizado nos documentos oriundos da FAU.
A tipologia é clássica e fora geometricamente analisada pelo  humanista Luca Pacioli em: “…alphabeto dignissimo antico’. Tal alfabeto é uma tentativa de fornecer regras e princípios para a construção das letras que italianos e estrangeiros encontravam ao estudar os monumentos antigos. Pacioli não copiou o único alfabeto conhecido de Damianus Moyllus, publicado em 1480 e nem pôde copiar o manuscrito de Felice Feliciano de Verona, concluído em 1482. O frade é um dos primeiros que buscam proporções e comparações com o corpo humano e que utiliza unicamente a régua e o compasso para ensinar aos seus alunos a reconstrução das inscrições…” (BERTATO, F. M. A “De Divine Proportione” de Luca Pacioli, 2008, p. xvii e xviii).
A simbologia FAU guarda em si o misticismo  — ou a secretissima scientia — que Campbell detectou em Pacioli para arquitetar o DAU.  

Acesse e traduza do holandês no Google TradutorOver de staart van de Q (Na cauda do “Q”), ou apenas passeie pelas imagens dos “Q” ao longo da história, sempre baseados nas cinzeladas das obras públicas romanas; isto o fará compreender melhor a explanação acima.
Ah! você achava que as letrinhas “moderninhas” que você usa vieram do futuro!?!