Mutações do signo AP ― 100 anos do clube Assembléia Paraense

Conjunto evolução AP

Antonio Paul Albuquerque, no artigo de 05 de abril de 1953, escreveu, como exemplo de demanda ao arquiteto-imaginário-compositor: “Quero um projeto para construção de um clube social”;  curiosamente, a sede campestre da Assembléia Paraense ou estaria em fase projetiva ou de construção, já que Oswaldo Mendes diz, na revista Visão de 09 de novembro de 1956, que ela seria inaugurada “nas primeiras semanas do ano vindouro”, pouco menos de quatro anos da deixa (de Paul).
Não há o que se estranhar com o fato de Paul ter intimidade com a ideia/construção na Tito Franco (do Souza),  afinal seria colega e amigo do futuro vice-presidente do clube,  engenheiro civil Camilo Sá Porto de Oliveira, autor (“coordenador”) do plano e membro do Grupo Renovador, composto por jovens, que em dois anos provocou a valorização de quase sete vezes das ações da agremiação; tanto Paul como Camilo tiveram participação ativa na criação da Escola de Arquitetura da Universidade (Federal) do Pará em 1964 e dela foram professores.
Sobre A Assembléia Paraense de Camilo Porto de Oliveira surgiu A Assembléia Paraense de Milton Monte; Mário Dias Teixeira, em AP Assembléia Paraense Memórias 1915 a 1992, comenta: “Tal qual temos afirmado, duas foram as Sedes Campestres da AP, ambas grandiosas, mas a primeira modesta junto à segunda”.
Milton Monte, engenheiro-arquiteto, também foi discente e docente da Escola de Arquitetura, embrião da atual Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará.
A significância da Assembléia Paraense, a AP, parece estar contida na logo que a identifica; mais: as mudanças gráficas da marca ao longo dos quase 100 anos que serão completados em 27 de dezembro de 2015 estabelecem uma certa relação com os projetos de Porto e Monte (ou com a saúde financeira que propicia obras à fechada sociedade).
Elipse vertical: não há documentação disponível que afirme ser esta a primeira marcadfg
adotada pela Assembléia Paraense, pelo menos nos seus primeiros 14 anos de existência; contudo, é possível vê-la como elemento fixo no frontão do prédio da 4ª sede social (1) na foto de capa do livro de Mário Teixeira que registra a inauguração do prédio como 31/12/1929:

AP conjuntoA bandeira sob a balaustrada (2), com a inscrição AP em um (aparente) círculo, é um fator intrigante* diante do escudo subentendido como designado à manufatura para compor a fachada do prédio, à semelhança do clichê que timbrava papéis do clube:

Papel timbrado AP

Relatório da Diretoria 1956-1959Circular (1ª transformação): ilustra o Relatório da Diretoria 1956-59, que, de acordo com Mendes,  inauguraria a primeira sede campestre (“Cidade Olímpica”) em 1957 com intenção de construir, na Praça da República nº34, uma nova sede social com 20 andares, demolindo a que aparece na foto, “própria” ― esse segundo desenho permanece inalterado, pelo menos até o Relatório da Diretoria 1965-67, extensivo ao ano de 1969 com a publicação de Clóvis Moraes Rêgo: Subsídios para a história da Assembléia Paraense: excerto do relatório do biênio 1965/1967 .
12Circular (2ª transformação): é a logo atual que se destaca no Relatório da Diretoria 1973-75, gestão que abre concurso ao projeto da nova (segunda) sede campestre, um polêmico episódio da história do clube.
O surgimento de novas informações pode alterar as datações de transformação das logos, todavia,  (essas datações) não deverão se distanciar, em demasia, das obras campestres de Camilo e Milton.

*Poderia ser tanto a marca primitiva (desconhecida se houve uma antes de 1929) quanto a manifestação (isolada) de um sócio bandeireiro criativo à espera do réveillon; ou mesmo a banal deformação da elipse pela dobradura do pano; as percepções intrigam porque sugerem uma marca (circular) na antiga fotografia.

Colaboração: Afonso Lobato e Regina Vitória da Fonseca.


Postscriptvm: (10/03/20150):
Para avançar no assunto leia:  Cenário que sugere a colaboração de Paul Albuquerque na sede campestre da AP inaugurada em 1957.

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Uma resposta para Mutações do signo AP ― 100 anos do clube Assembléia Paraense

  1. Antonio Moraes disse:

    Excelente artigo, fui sócio da AP na minha juventude e não lembro dessa Elipse Vertical.

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