O agrimensor baiano José do Ó de Almeida

José O´de Almeida 1861 1L
A planta acima foi utilizada em superposição na publicação Queluz — que desenho e dimensão teria essa “quinta”? (2); enviada pelo professor Fabiano Homobono, ela integra o livro de João de Palma Muniz: Patrimonios dos Conselhos Municipaes do Estado do Pará (Paris: Aillaud & Cia.), de 1904, sendo atribuída a José do Ó de Almeida.
Na matéria anterior duvidou-se dessa autoria, tanto do raciocínio gráfico do mapa quanto do traçado da Estrada de Bragança, contudo nos pusemos a investigar quem seria, de fato, José do Ó de Almeida:

Mosqueiro 01

Praça da Matriz da Villa de Mosqueiro e arruamentos sob traçados primitivos de José do Ó de Almeida

As primeiras notas referentes a demarcações de terrenos e arruamentos apareceram nos periódicos Jornal do Pará (08OUT1867) e Diário de Belém (30AGO1868), todas sobre a povoação de Mosqueiro que, por projeto do deputado José do Ó de Almeida apresentado à Assembléia Legislativa Provincial, alcançaria a categoria de freguesia, em 10 de outubro de 1868, segundo o Diário de Belém (17OUT1868).
Na sequência do jornal Diário de Belém (22OUT1868), que não é a dos acontecimentos, José do Ó discute, em plenário, proposições à futura freguesia: uma ponte (trapiche), uma via pública em linha N. S. pelo lombo da terra firme da ilha e um poço público — Sessão ordinaria em 21 de setembro de 1868 (publicada um mês e um dia depois desta), presidida pelo cônego Siqueira Mendes.
Não encontramos referência a José do Ó de Almeida em Mosqueiro Ilhas e Vilas de Augusto Meira Filho; entretanto, Ernesto Cruz, em seu RUAS DE BELÉM – Significado histórico de suas denominações, arrisca-se numa curta biografia de Ó de Almeida que não se reporta a nenhuma atividade relacionada à agrimensura ou à engenharia.
A notícia do enterro do Coronel José do Ó d’Almeida, publicada em A Constituição  (18OUT1883) elucida a questão, já que ele foi um dos agrimensores da camara de Belem que mais prestou serviços a edilidade; mas contradiz Ernesto Cruz, quando este dá a morte de Ó em 1900 e o mesmo falecera em 1883 — 17 anos de diferença:

A Constituição 18OUT1883

 O Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial de 1869, no tópico Freguesia de N. S. do Ó do Mosqueiro, assim se refere ao dito, por Ernesto Cruz, baiano:   O nascente desenvolvimento e porvir d’esta localidade deve-se aos esforços  do incansável cidadão José do Ó de Almeida, verdadeiro patriota, digno de imitação; o Almanak também mostra que na freguesia de Mosqueiro o incansável cidadão acumulava funções públicas distintas: Subdelegado de Polícia, Juiz de Paz e Delegado da Instrucção Pública.
Para o jornal O Liberal do Pará (23JAN1869) o conservador  José do Ó de Almeida não passava do Régulo da Terra (do Mosqueiro).
O que se percebe é o interesse de Ó de Almeida na comunicação do Mosqueiro com Benevides e essas (freguesias) à Estrada de Bragança reduzindo assim a distância de sua cazinha (de único poço de agua potavel) no Mosqueiro com seu sobrado, presente ou por vir a ser de sua propriedade em 1876, em Queluz — não esqueçamos que o Mapa nº15, com original de 1861, é atribuído ao próprio coronel agrimensor baiano e a Estrada de Bragança em 1869 era uma realidade direcionada às proximidades de Benfica, ou seja: a ordem dos fatores não alteraria o resultado de um plano pensado oito anos atrás com flexibilidade às adaptações políticas pelos que dele tivessem profundo conhecimento e: investimentos.
José do Ó de Almeida morreu um ano antes do assentamento dos primeiros trilhos da ferrovia no (seu?) desenho da Bragança (de 1861 até o Boulevard ou Marco da Légua); de outro modo, o Diário de Belém (19MAR1882) fala da Estrada de Ferro de Benevides, na realidade um ramal com 9 quilômetros entre o nucleo de Benevides á Bemfica, passando por quatro pontes; mas, àquele momento, somente com wagons para cargas em função das chegada e regresso do vapor a Bemfica.

As fontes da pesquisa estão nos hiperlinks.


Postscriptvm (13/05/2016):

Favor ler O equivoco de Ernesto Cruz na biografia de José do Ó de Almeida que dá continuidade ao assunto e pode derrubar a naturalidade (baiana) ou mesmo a nacionalidade (brasileira) de José do Ó de Almeida.

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