Queluz — que desenho e dimensão teria essa “quinta”? (2)

Em continuidade a publicação Queluz — que desenho e dimensão teria essa “quinta”? trabalhamos com um mapa enviado pelo professor Fabiano Homobono contido no livro Patrimonios dos Conselhos Municipaes do Estado do Pará (Paris: Aillaud & Cia.), de 1904, do engenheiro João de Palma Muniz; tal planta é atribuída a José do Ó de Almeida* com datação de 1861.

Queluz e Caminho do Maranhão

Composição ampliável

Por mais que saibamos da impossibilidade de coincidência desses mapas, as sobreposições comparativas indicam que o núcleo primitivo da Quinta de Queluz situar-se-ia na atual quadra Ceará/Francisco Monteiro/Cipriano Santos/Teófilo Condurú; o que daria mais sentido à nota que se refere à Rocinha Boa Vista descrita no Diario do Commercio de 05 de janeiro de 1859, entretanto, esta localização imporia uma fronteira a Queluz: o Antigo Caminho do Maranhão.
O engenheiro Augusto Meira Filho, à página 406 do relançado Evolução Histórica de Belém do Grão Pará, diz: “Seguindo o principal divisor das terras compreendidas na primeira légua patrimonial, este cortaria a travessa dos Mirandas (15 de Agosto), o largo da Pólvora (Praça da República), e a estrada de Nazareth (Avenida Nazaré), a estrada do Utinga (da Independência) e a do Maranhão (Tito Franco, hoje Almirante Barroso).” (grifo nosso); desse modo arredamos o conjunto (Antigo Caminho do Maranhão e Queluz) na direção sudoeste para que o mesmo se encaixasse no início da atual avenida Almirante Barroso (princípio da “moderna” Estrada do Maranhão):

Meira2

Composição ampliável

Em ambas as hipóteses seria necessário desconsiderar que as duas vias fossem os limites de Queluz, tanto o Velho Caminho do Maranhão quanto a Moderna Estrada do Maranhão, para dar validade à possibilidade do chalé de ferro belga da Imprensa Oficial estar contido na ainda disforme Quinta aqui expandida por mais três círculos tracejados em vermelho à estrada de José Bonifácio.
Interpretou-se que Meira se referiu à Estrada Pré-ferroviária de Bragança traçada pelo engenheiro francês Emile Gengembre contratado em 1858 para fazer os devidos levantamentos, in situ, de uma via que chegasse ao Maranhão em continuação da dita que iria de Belém à Bragança; não haveria sentido Augusto Meira fazer alusão a uma tortuosa trilha que há muito rompera mata virgem e figurara em antigas plantas como território de selva minimamente habitado às cercanias do marco da primeira légua.
A diferenciação entre o Antigo (ou Velho) Caminho do Maranhão e a (“Moderna”) Estrada do Maranhão faz-se necessária:
O Antigo Caminho do Maranhão fora uma picada primitiva mostrada no mapa (verde) dos anos 1800 usada desde a época de Caldeira Castello-Branco à expulsão dos índios Tupinambás e posteriormente mantida por capitães-mores e governadores da Província que só com o systema de colonisação adotado por Leitão da Cunha em 1858 teria seu desenho consagrado como  Estrada do Maranhão na mesa do ex-gabinete de um crítico: Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, em 1860; todavia, festivamente recebida por todos em 1869, depois da construção das pontes sobre os igarapés de Ananindeua e Marituba por outro engenheiro francês, Affonso Mungin Desincourt, um morador isolado na linha dos novos alcances comerciais — assunto este que ensejaria outra publicação pormenorizada.

*Não sabemos se a planta atribuída a José do Ó de Almeida foi por ele grafada ou é de autoria de Emile Gengembre; Ó de Almeida era militar, político e entusiasta (investidor) da colonização pela Belém-Bragança, bem como possuía um sobrado em Queluz — assim nos disse o cônego Siqueira Mendes em 21 de fevereiro de 1876, oito anos antes do início das obras da Estação Central da Estrada de Ferro de Bragança, também em Queluz.

Sobre a colonização da região do salgado recomendamos a tese de doutoramento de Fabrício Khoury Rebello intitulada DA LENHA AO ÓLEO DE PALMA — A TRANSFORMAÇÃO DA AGRICULTURA NO NORDESTE PARAENSE de 2012.

As fontes da pesquisa estão nos hiperlinks.

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